quarta-feira, 19 de março de 2008

Bem debaixo do seu nariz

Filho da puta de olhar sedutor.
Sorri quando seu sorriso é meu paraíso.
Enquanto o som do violão vibra nas cordas da minha razão.
Fala para sua voz macia acariciar meu juízo e aquecer as maçãs do meu rosto.
Me olha assim mesmo. De soslaio. Procurando confirmação no meu riso cúmplice.
Enquanto meus olhos procuram paz na sua atenção.
Abusa desse charme experiente, enquanto eu finjo ou não percebo que é pra mim.
Enquanto eu rezo pra que você não solte da minha mão. Enquanto eu faço de conta que o mundo não é cruel ou hostil, comigo ou contigo.
Apesar de toda sua indecisão, te vejo assim tão perfeito.
Se você segurar minha mão te faço rei do meu conto de fadas.
Não vai embora não.
Promete que não solta da minha mão.
Que eu prometo não soltar a tua nem se cairmos.
Nunca mais você vai sentir frio.
Pois o brilho do seu cabelo me comove.
E seu silêncio me conforta.
Me deixa ocupar o lugar da tua solidão, vai?
Juro que não precisa mudar nada do seu jeito para que eu fique do teu lado.
Me desculpe se gosto tanto assim de você. Mas se gosto assim a culpa é toda sua.
Nunca vou contar sobre o quanto gosto de você, pra não mudar nada do que você é. Ou do que nós somos.
Se você pedir, pulo toda essa baboseira sentimental e me dou pra você. Até do avesso. Encaro seus fetiches e suas fantasias. Uma por uma.
Construo um novo abraço do tamanho certo. Faço um colo especial pra te abrigar.
Ouço cada lamentação e curo todas suas mazelas.
Faço a gente caber no mundo e faço o mundo caber na gente.
Me aceita vai, seu flho da puta de olhar sedutor.


http://br.youtube.com/watch?v=zoCCssAajyA&feature=related

Badablues...

Para acalentar o coração, Jazz...
Para saborear a vida, Bossa Nova.
Para a estrada, os amores e a nostalgia: Blues.

http://www.youtube.com/watch?v=PjWdeVkerYk

terça-feira, 18 de março de 2008

Don't

Não encare.
Fique longe dos olhos deles.
Bem longe. Avoid eye contact.
Pois eles são lindos. Lindos lindos.
E eles têm olhos lindos.
Olhos incríveis. Docemente sábios. Experientes.
Realmente lindos.
Tão lindos que chega a doer o peito.
Ei, deita aqui. Encosta o rosto aqui no chão.
Pra ficar bem longe dos olhos deles.
Para doer um pouco menos.
Pra esquecer o quanto você gosta deles e o quanto essa situação é difícil.
Fica aí embaixo, deitada no chão. Imóvel.
Se puder não respire.
Para passar. Pro coração parar de bater e a lembrança parar de atormentar, de doer também.
Cobre teu peito, teu seio e tua alma, porque está tudo à mostra. Você está exposta.
E desse jeito vai ficar muito fácil para qualquer flecha. Pra qualquer faca ou grito.
Vomita aqui logo tudo aquilo que te atordoa. Para doer menos.
Pra sentir menos.
Tira do peito e da cabeça e joga, bate, tritura, grita tudo nestas teclas.
Desconta esse sentimento na ponta dos dedos.
Até acalmar.
Até sussurrar.
Até silenciar todo esse sentimento.
Tudo sob controle. Tudo conforme as vontades e conceitos de Platão.
Pssssiiiiiiiuuuuuu...
Agora levanta e encara eles de frente.
Testa a dor e a razão.
Olha para esses lindos olhos.
Respira fundo e encara a sabedoria e a pureza deles.
E cala.
E segura o nó e os sentimentos na garganta.
E brinda...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Run, Baby Run...

What the hell...
O que você tá procurando?
Se não gosta de mim pode parar por aqui!
A escolha é sua. Não vou colocar nada aqui para te agradar...


http://www.youtube.com/watch?v=-JoXkVN6xYs


Hoje já fiz de nada um pouco.
Já assisti um filme sobre Hockey feminino, já assisti o video show, estou assistindo vale a pena ver de novo e daqui a pouco vou assistir sessão da tarde.
Vocês devem estar pensando que isso é muito de uma certa emissora para um dia só.
Mas não tenho forças para mudar de canal.
Tenho que refazer meu currículo e sair por aí batendo de porta em porta, mas não tenho forças.
Nem para me ajudar.
Não sei o que vem agora e estou assustada pra cacete!
Sei que preciso dar um jeito em tudo isso...
Sei que preciso estudar mais.
Sei também que preciso ganhar muito dinheiro pois ninguém vai fazer isso por mim.
Ou daqui a pouco vou ter que começar a pagar as coisas com o corpo.
Definitivamente não nasci para isso.
Nasci sim para usar meu corpo da maneira que eu achar melhor, com quem eu quiser, mas isso não é da sua conta.
Preciso ganhar dinheiro.
Estou começando a ficar obcecada por essa idéia.
Mas não dou bola para os caminhos mais fáceis. Nem acho que os caminhos mais fáceis me fariam feliz.
Sei lá.
Ando muito sozinha e muito bem acompanhada ao mesmo tempo.


Quando a madrugada transformava sábado em domingo andei correndo pelo centro da cidade.
Vou contar direito.
Levei meus amigos para o X e lá encontrei outros amigos.
Alguns foram embora. Outros permaneceram dançando.
Ri, conversei, dancei.
Cinco minutos me tiraram dali.
Resolvi correr até o Parlapa.
Sim, correr. Literalmente correr.
Sozinha, correndo na madrugada pelas ruas do centro.
Sei lá porque. Sei lá do que fui atrás.
Passei no Amistosas, no Parlapa e no Amistosas de novo.
Passei na banca no meio do caminho. Pensei em voltar para o Parlapa de novo e acabei entrando no Amistosas.
Parecia uma louca pelo centro.
De vestido e bota, correndo. Sem ninguém saber ou imaginar. Às quase quatro horas da manhã.
Parei um pouco e sentei na calçada. Assim, sozinha. Os bares fechados.
Pensando na vida. Ofegante por ter corrido.
O cara que vendia milho talvez se declarando. Sei lá, não prestei atenção.
Pensando em como eu era estupidamente impulsiva às vezes.
Não sei o que eu estava procurando.
Tá bom, eu sei. Mas não vou contar.
Recuperei o fôlego e a consciência e voltei correndo, para adquirir dor nas pernas, correndo, correndo, correndo, correndo, até dar pontadas no fígado, em direção ao X.
Lá encontrei uma Salinas que salva.
Fiquei lá só mais um pouco.
Para falar tchau para as amigas meninas e na sequencia voltar à praça e tentar descobrir como ir embora.


Nem sei porque contei isso aqui.
Talvez porque eu não saiba guardar segredos sobre mim.
Talvez para desabafar.
Talvez só para te encher o saco.
Talvez para matar o tédio.
Talvez seja tudo mentira.


Mas é tudo verdade.
É sim.


Agora dá licença porque vou rir com o Mr. Magoo.
Vou rir infantil e estupidamente como só rio de desenhos e como não riria ao lado de um namorado, para não fazer caretas estranhas e perder o charme.
Aff...
Relacionamentos nos privam de cada coisa.
Mas não há nada como ter o calor daquele cara legal na sua pele.

sábado, 15 de março de 2008

Another Saturday Se Alumia...

É...
Eu ia postar um milhão de coisas e contar um milhão de histórias... tenho que sair daqui vinte minutos e estou vestindo toalhas e gotas d'água.
Não dá mais para contar nada.
Mais um sábado vai acontecer do jeitinho que vem acontecendo... do jeitinho maluquinho que eu tanto gosto.
Fui deitar de manhã e acordo ainda de manhã. Vou deitar só amanhã de manhã se tudo der certo.
Essa semana alguém me disse que eu não tenho respeito pelos limites do meu corpo.
Deve ser verdade.
A vida vem tentando me fazer parar. Me forçando a diminuir o rítmo... me tirou o carro, distanciou amigas e agora me tirou o emprego.
Daí vem meu pai querendo me tirar o cachorro BOB.
Ai, ai...
Mas eu não sussego, enquanto eu puder, eu não sussego.
Fica aquela calmaria que arrasta um turbilhão na manga.
Já começou.
Procura de novo emprego. Novos ares.
Há novos amigos aparecendo (eu espero que, pelo menos, esses sejam duradouros. Tô cansada de tomar tapas na cara, porra).
Há um novo amor com uma bifurcação.
Estou apaixonada por dois caras.
Não me julguem por isso. Pois acho totalmente possível.
E ainda dá para ficar pior... eles são amigos.
Vou manter esse amor dividido no plano platônico.
Assim eu não estrago eu, nem ele, nem ele.
E assim o sentimento passa. E assim eu esqueço logo.
Esqueço ele e ele.
Tive uma surpresa boa ontem. Conversei com um músico por quem tenho grande admiração, Clayton Barros.
O mais engraçado foi, depois de uma conversa super interessante e variada, ele me dizer: mas como é seu nome?
Sempre acho que certas pessoas, com as quais nunca falei, sabem meu nome e me espanto quando pessoas com quem mantenho contato periódico sabem meu nome. Tenho que parar com isso.
Ou no mínimo descobrir o nome dessa doença.
Anyways, fãs de cordel como eu... logo, logo tem novidades boas.
Tenho que parar de comer palavras, sílabas e letras...
Putz, deixa eu ir pq já se passaram os vinte minutos e além deles passaram mais 15.
Já estou seca e não consigo escolher minha roupa!
E meu pai tá buzinando aqui.
Hoje quem quiser me achar sabe onde me encontrar, mas só à noite...
Beijos queridos.
F Bello.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Sábado fui assistir “AOS OSSOS QUE TANTO DOEM NO INVERNO”

Levei uma galera comigo.

Lá no Ruth Escobar.

Logo que você entra na sala há um cara tenso segurando uma arma com um longo cano que causa aflições. O cara espera algo e a platéia acaba adotando a espera.
Enquanto a platéia confusamente se acomoda e assimila o espaço, o ator, já presente em cena, majestosamente dá início aos próximos 50 minutos que prenderão o fôlego e surpreenderão cada pensamento do ingênuo público.
Não sei ao certo se são cinqüenta minutos, ou mais, ou menos... Sei que prende suas vísceras, a cada olhar reflexivo e a cada silêncio triste dos grandes atores no palco. Sei que nem percebemos o tempo passar. Sei que os grandes atores não poderiam ser ninguém menos, ninguém mais que Nelson Peres e Mario Bortolotto. Adequados, insubstituíveis, arrebatadores. Ambos com suas interpretações inebriantes e vozes aveludadas, nos transformam em títeres que sentem os detalhes de cada uma das emoções de Carlos e Chico...
Só respiramos quando Carlos respira e temos vontade de gritar junto ao desespero do Chico.
Os sentidos são explorados pelo cheiro da bebida espalhada no cenário, pela delicada iluminação, pela voz dos atores que vibra até sob a sola dos sapatos e causa rebuliço no sangue dentro das veias. A música, uma fantástica música, sai do rádio colocado na sala da história do Chico e, quando tocada, entra em nossos ouvidos como voz de mãe tentando nos consolar e atinge certeiramente o coração no peito como faca sem corte.
O texto é maravilhoso. Há genialidade nas piadas. E por cima das piadas há verdades melancólicas.
Dá uma vontade estranha e triste de pegar os dois no colo e amamentar e ninar. E só acalmar quando eles estiverem bem acolhidos.
Saímos da peça assim, completamente encantados pelas grandes atuações, pela energia dos dois juntos.
Somos tão maravilhosamente absorvidos que não temos forças para comentar. Tudo que há para ser dito já está logo ali, no palco, na altura de seus pés, uma história que poderia estar acontecendo ali no chão da sua sala. E você é um espectador mudo. Um quidam que tem a chance de sentir todos aqueles conflitantes sentimentos.
Não vou contar nenhum dos detalhes da história ou da peça, pois cada um desses detalhes vale a pena ser vivido dentro daquela sala pequena e incrível do Ruth Escobar. Vendo aqueles dois maravilhosos mágicos no palco.
Carrego desde sábado um aperto doído mas confortável e saudosista no peito.
Vou assistir à peça muitas vezes mais.
Vou sentí-los muitas vezes mais.
Vou carregá-los nas memórias e nos sentimentos muitas outras vezes.

E acho que você deveria fazer a mesma coisa. Porque Nelson Peres e Mario Bortolotto sempre são imperdíveis. E agora eles estão juntos.
Mas corre, porque vai só até 27/04.

Há muito mais a ser dito, mas isso estraga a surpresa.

E mesmo que eu tentasse não conseguiria passar a overdose de sensações e sentimentos que eles causam em cada um da platéia.

“AOS OSSOS QUE TANTO DOEM NO INVERNO”
(Texto - Sérgio Mello / Direção – Soledad Yunge)
Aos Ossos Que Tanto Doem no Inverno. 60 min. 16 anos. Teatro Ruth Escobar - Miriam Muniz (59 lug.). R. dos Ingleses, 209, Bela Vista, tel. 3289-2358, metrô Brigadeiro. 6.ª e sáb., 21 h; dom., 20 h. R$ 20. Até 27/4"

quinta-feira, 6 de março de 2008

Medo do escuro

É.
Ando ficando velha demais e chata demais para esse mundo.
Ando legal demais para outros mundos também...
Palhaços gays na televisão são chamados de atores.
Não que eu tenha algo contra gays, nem contra palhaços. Longe de mim...
Mas é que às vezes o que eu busco parece tão distante e surreal e difícil e falso. Isso me deprime.
Mata as motivações.
Eu queria tanto uma oportunidade para mostrar meu talento, qualquer talento.
Apenas para ter uma oportunidade de fazer algo com paixão, com vontade.
Essa cadeira irritando meus rins.
Eu só queria tocar piano agora...
Ouvir a Amy, ou o Bob, ou a Tina, ou a Janis, ou o Jimi, enquanto afundo numa banheira de água quente e óleos aromáticos.
A full day spa... that's all I want.
É nada.
Quero tantas outras coisas que até dá preguiça.
Mais uma noite de várias palavras e nada de interessante para dizer.
Enquanto isso o Jason me encara da tela da televisão com um facão na mão.
Engraçado, tirando o frenético hiperativo do Fred Krueger, todos outros assassinos do horror têm uma calma surreal.
Deve ser coisa de sangue frio de assassino mesmo. Friamente calculado.
Andando calmamente, zombando do desespero alheio... torcendo pescoços, cortando gargantas, esfaqueando peitos desprotegidos, torturando psicologicamente...
Ui, arrepio.
Ando meio assim, calculadamente fria e calma, matando minhas motivações e esperanças.
Tomara que pare por aí...
Meus pais dormindo esparramados no sofá e eu com medos típicos de meninas de cinco anos... sozinha perambulando pela casa silenciosa, ouvindo só o som baixo da Tv e o ronco deles.
Sozinha... ouvindo os estalidos.
Sozinha enquanto o escuro domina cada um dos cômodos...
Sozinha.
Sempre sozinha.
Com medo.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Night-night

Eu ia postar um texto com cara de desabafo... mas estou cansada demais.
Ano passado eu trabalhava o dia inteiro, ia pro Yoga, ia pra facul, fazia tcc, fazia alemão, fazia teatro, saía sempre que podia e não sentia metade desse cansaço.
Nem sei porque ando tão cansada.

Talvez meu cansaço esteja relacionado à minha felicidade, ansiedade, ou qualquer outra mazela de mundo moderno...

Vou tentar dormir para tentar resolver...

Good night "Mo Caras"

Küssen,

F.

segunda-feira, 3 de março de 2008

S A U D A D E

Saudade nunca é uma só...
Tenho tantas saudades... da minha infância e da sensação de que cada dia era um ano inteiro, tenho saudade de ver a lua chegar no céu no final da tarde, tenho saudade de quando meu pai me acordava de madrugada virando sábado e falava para eu fazer as malas porque íamos para Marília e eu ficava assistindo o sol nascer de dentro do carro na estrada comendo fandangos e bebendo coca-cola na latinha, tenho saudade do ginásio, de ficar a toa à tarde no colégio, de fazer curso de inglês com 13 anos, de andar a cavalo na hípica de santo amaro toda segunda e quarta, tenho saudade de gostar do Márcio Nunes, tenho saudade de descobrir sensações e sentimentos novos, tenho saudade de certas vivências corporais, tenho saudade do primeiro e segundo ano de faculdade quando eu achava palpável a idéia de virar diplomata e viajar o mundo lutando pelos seres humanos e por um Brasil melhor, tenho saudade das amigas que estão partindo em busca de sonhos e das que ficaram, tenho saudade de assistir sessão da tarde na globo, tenho saudade de certas tarefas da pré-escola, de sentir cheiro de giz de cera, de comprar material escolar todo começo de ano, de assistir ao desenho do Popeye e do Pica-pau, tenho saudade de gostar de certos meninos, tenho saudade da praça Roosevelt a semana inteira, tenho saudade da Dani e da Cammys e de ir ao McDonald's com elas e de rir muito por culpa do gás hilariante do refrigerante, tenho saudade de ler revista Capricho (na minha época era muito melhor), tenho saudade de comer arroz e feijão com salsicha assistindo Chaves logo que voltava da escola aos seis anos, tenho saudade de fazer sopão para a população carente no Centro Espírita que eu freqüentava em Marília, tenho saudade de ver meu primo aprontar com os moleques da rua no Campo Belo, tenho saudade de ver meninos com seus carrinhos de rolimã, tenho saudade do meu primeiro beijo, tenho saudade de morar em Marília com suas tardes ociosas e aventuras na rua de 16 anos, tenho saudade de ir na USP descer ladeiras de grama sentada em papelão, tenho saudade de ir ao autódromo de Interlagos assistir Fórmula Truck e Stock Car nos sábados ensolarados de inverno, tenho saudade de ser uma menina muito moleca sempre metida nas aventuras de um bando de moleques skatistas vizinhos de prédio, de viajar pelas cidades próximas a São Paulo para conhecer Kartódromos mais legais, de ir a Campos do Jordão vestindo saias e meias grossas, de ir toda semana ao cinema para ver os lançamentos, tenho saudade de todos cachorrinhos filhotes que ganhei, e de todos cachorros que já me deixaram, tenho saudade do frio na barriga que me dava antes de toda competição simples de hipismo, de assistir ao MTV Movie Awards, tenho saudade de aprender muitas coisas, aprender a escrever, aprender a andar de bicicleta, de patins, tenho saudade de ir a Av Paulista nas tardes de Domingo só pra ver o que acontece por lá, tenho saudade de alguns professores, tenho saudade de um cavalo andaluz negro de nome Fidalgo que sempre me acompanhava nas aulas de hipismo e nunca me deixava cair. Tenho saudade dos irmãos que não tive, de comer pão com salame no recreio, de amigas e amigos que me marcaram muito apesar de passar muito rapidamente pela minha vida, tenho saudade de ouvir músicas medievais, tenho saudade de pegar minha câmera e filmar as reuniões de família, tenho saudade de deitar na areia sob o sol, de sentir cheiro de chuva e de grama molhada, de tomar banho de chuva como se tudo que existisse no mundo fosse aquela tarde, tenho saudade de Woodstock 69 e de tudo implícito, tenho saudade de cidadezinhas do interior da Inglaterra que nem conheço ainda, tenho saudade do amor que nunca tive.
Entre tantas coisas, tenho saudades...

domingo, 2 de março de 2008

Desce mais uma...

Mais uma daquelas noites em meio a ilustres.
Coisa que eu não faço há algum tempo... amanhecer sem planejar na praça.
Conversei e vi as pessoas que mais gosto nesse mundo.
Pessoas livres de verdade, que de certa forma me tiram da monotonia chata dessa minha vidinha de boa filha. Pessoas que sempre acabam me surpreendendo de forma boa. Pessoas que até cuidam de mim, mesmo em meio ao belo lixo de sampa.
Do começo ao fim, as melhores companhias... imprevisível docomeçoaofim!
No PPP, na calçada do Parlapa, sentada e em pé na calçada, no banco de trás do carro pegando carona, no X, a pé pelas ruas do centro olhando a avenida e ouvindo histórias de infância, no amistosos e de volta para casa.
Flashbacks da noite enchendo minha cabeça de pensamentos bons, lembrando que isso tudo aqui pode valer a pena sim.
Rindo ao lado dos caras mais legais da cena paulistana.
Matando saudades do Nelsinho, na medida do possível.
Me permitindo muitos excessos. Mas não todos, claro. Minha saúde e meu coração andam precisando de atenção ultimamente.
Fui deitar com a cabeça cheia de inspirações e palavras, e o coração cheio de alegrias, para infelizmente esquecer tudo quando eu acordo.
Ainda bem que não esqueci dos acontecimentos... esses vou levar pra sempre. A felicidade vou tentar guardar até onde eu conseguir.
Foi bom rir com aqueles caras ilustres.
Pagação de pau, coisa de fã? Se enchi o saco deles?
Foda-se.
Não consigo disfarçar ou negar quando gosto de verdade das pessoas. Apenas de algumas pessoas. Mesmo que elas não liguem para isso.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Efêmera eternidade

Rasgaram as costas dela quatro ossos que cresceram cobertos de penas cor de madre pérola...
Os olhos dela, de cor e brilho de diamante, enxergavam um buraco na parede que revelava um pedaço de céu estrelado de amarelo.
O livro das horas aberto sobre as pernas dela sussurravam um segredo.
Ela sabia que o infinito era uma distância, um espaço e um tempo que deviam ser respeitados.
Uma manga amassada melava sua mão esquerda. E o cachorro deitado em seus pés sonhava com ossos de algodão-doce.
Na mão direita ela segurava o mundo como se fosse feito de gelatina... e brincava com esse mundo e suas vidas tão desnecessariamente complexas...
Os cometas passavam por ela tirando seus chapéus de forma respeitosa.
O Diabo a tentava seduzir diariamente fazendo cócegas em seus joelhos...
Ela ria com uma malícia de prostituta e inocência de recém-nascido.
Nunca pedia nada com lábios, mas exigia tudo sempre com o pensamento.
Cada vez que ela batia um pé no chão o mundo inteiro entrava em um estado de êxtase tão intenso que no segundo seguinte as pessoas se esqueciam da maravilhosa sensação.
Da ponta de seus cabelos negros nasciam chamas que nunca queimavam ou apagavam.
Ela morava em um reino, constituído apenas por um castelo de água e um trono de maçãs das mais vermelhas. O chão era todo decorado com cacos de vidro.
Seu vestido era feito de inúmeros delfínios azuis e sobre sua testa havia o desenho de uma espada medieval.
Seus pés estavam sempre descalços.

Enquanto ela passava aquela eternidade imperceptível brincando com o mundo de gelatina em seu reino, o mundo e suas vidas iam consumindo cada uma das energias dela, conduzindo-a à morte de forma lenta e imprevisível.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Frenesi

Eu preciso escrever, preciso escrever, preciso escrever.
Eu preciso, mas não consigo.
Há essa ânsia incessante, mas não consigo vomitar.
O estômago revirado, a tosse, a ânsia. Mas nada sai daqui de dentro para alívio meu.
Uma pressão no peito e um nó na garganta, uma cabeça quente e pensamentos frenéticos. Mas tudo desconexo.
Estou perdida e me perdi. Perdi os pensamentos e os sentimentos.
Tudo parado no fundo da boca, na ponta dos dedos, no bico dos seios.
Um tesão sem válvula de escape. Coito interrompido.
Um tapa de ódio sem som.
O grito de um mudo. Um elevador em queda constante, sem chão.
Preciso escrever para desabafar, desabar, desopilar, degringolar...
Mas está tudo contido aqui dentro. Uma massa sólida cheia de calor querendo explodir.
O orgasmo que ameaça chegar mas não acontece nunca.
Preciso escrever mas estou muda de idéias.

Venho sofrendo de um abandono de sentimentos.
Irônico pensar que um dia isso era tudo o que eu queria. Esse abandono de sentimentos, de sentidos, dos outros, de mim mesma.
É como se acordar, trabalhar, comer, dormir, acordar, trabalhar... já não fosse tão ruim.
Simples assim, ligada no automático. Pensando em casar com um marido bom e ter filhos saudáveis e lindos, com eletrodomésticos de última geração, como em um filme de American Dream... Sonhos de mulherzinha.

Às vezes acho que essas “mulherzinhas” são mais espertas do que as mais cults e cools das intelectuais de beleza exótica.
Pois elas se enfeitam e se perfumam e se arrumam e fazem as unhas e tingem e alisam seus cabelos para parecerem a nova Barbie de suas sobrinhas e filhas. E se fazem de burras e indefesas. E com essa aura de princesas dobram o mais beatnik dos homens e os domam. E casam com o dinheiro deles, e os engordam, ou não, e os traem com o jardineiro, com o encanador, com o sapateiro e com o cabeleireiro. E ganham carros e mimos de meninas ricas por esse “bom” comportamento que não exige esforço nenhum além de se manter bonita e dar bem dado para esses trouxas.

É. Essas mulherzinhas de cabelo esticado e unhas inquebráveis são mais espertas e felizes.

O amor é um luxo dos que não têm ambição...

Ai, se ele soubesse o quanto eu gosto dele e o quanto eu queria que ele gostasse de mim. Mas ele só olha para essas mulherzinhas.

Acho que vou passar a me apaixonar por mendigos... já que ando mendigando por amor...

Não sei se me recupero do próximo tombo.
Sei que não quero mais nenhum tombo... quero aprender a voar definitivamente.

Preciso de um calmante para essa minha taquicardia constante e minha vida anda precisando de mais momentos bonitos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"Eu te amo, eu te amo, eu te amo,
mas você não me dá bola.
Eu vou me afogar
num copinho de coca-cola."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Inutilidade Pública

As coisas estão indo...

Estou assim assim...

Sábado vou na praça Roosevelt gastar mais do dinheiro que não tenho e tentar esfriar a cabeça pela semana inteira.

Tomara que eu conheça alguém que valha a pena, para dar uma virada nessa vida surreal.

Tomara.

Eu queria ser paga para escrever... eu queria ser paga para atuar... eu queria ser paga para fornicar...

Isso sim seria trabalhar por prazer.

Preciso procurar um emprego novo mas não tenho vontade. Preciso conhecer alguém novo mas não tenho vontade.

Preciso ter vontades mas não tenho vontade.

Queria dormir para sempre... Passo os dias torcendo para que uma Tsé Tsé venha me pegar e eu possa dormir para sempre sem ser acordada.

Acordar, trabalhar, comer, dormir... todos os dias.

Sei que viver não é só isso. Não pode ser.

É porque isso não é viver.

Viver é ver um eclipse do alto de um prédio alto numa madrugada fria.

É não ter compromisso com as horas.

Envelhecer é uma regra sem exceções.

As exceções são para os fracos.

Mas o que é ser forte ou fraco quando não há parâmetros?

As histórias não se repetem pois são individuais. Portanto, não há parâmetros.

Preciso arrumar um emprego real. Uma vida real. Não essa coisa virtual que trata seres humanos como números e números como seres humanos.

Tenho que dar “graças a Deus” por ter um emprego em terra pobre? “Todo império perecerá”.

Não quero ser ingrata com a vida. Mas é que vejo a vida sendo ingrata com os sentimentos de algumas poucas pessoas boas.

Não quero dizer que sou boa. Nem má.

Estou bem longe do ideal. Estou bem longe de qualquer coisa ou pessoa.

Estamos todos longe. Cada vez mais longe. As famílias viraram corporações. Restam só as relações de interesses. As pessoas se aturam. Abandonam quando os problemas aparecem. Se distanciam, ficam frias. Mudam de estratégia, arrumam ocupações. Idealizam e amam o que idealizaram. Assim é muito fácil.

O amor está em extinção. O ser humano deveria entrar em extinção.

Se as formigas tivessem em torno de 30 cm de altura, tamanho de um cachorro pequeno, elas dominariam o mundo. Se nunca uma pessoa tivesse matado uma barata na vida, andaríamos pelas ruas com baratas amontoadas até a altura de nossa cintura.

Um pouquinho mais de cultura inútil para vocês comerem com arroz, feijão e farinha.

Todos acreditam serem especiais ou melhores do que os outros, mais inteligentes. Mas a ética diz que ninguém é melhor do que ninguém... Ou é a moral que diz isso?

Self love... is there a limit?

Well, the sky is the limit…

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Early years

Once upon a time, some guys woke up and said:

“Hey Jude, don’t let me down.”
“Don’t carry the world upon your shoulder...”
“Take a sad song and make it better.”

A little time after that I passed away.
I saw them grow, I saw them get wasted, I saw them hold my hand.
I saw the sky go purple, I saw Lucy appears in the sky with diamonds…
I saw the times run through my skin, while I chose to stop in a time spot.
I saw all the beauty of the world and I saw the war.
I spoke words of wisdom…
I had extreme freedom. And I had extreme love.
And I was stupid enough to let it all behind in early years…

Now I’m here again…
Without freedom, without love.
Without time to be me. Carrying the world upon my shoulder.
Trying to make any sad song into something better.

Anyways, someday, not yesterday, there will be an answer…
Let it be.

http://www.youtube.com/watch?v=4oZYqAeIdYk&feature=PlayList&p=FFFB73B014B9604A&index=3

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Velocímetro

As pessoas andam sem tempo para parar.
Sem tempo para pensar...
Na rua aceleram os carros na minha direção, na sua direção, e não notam o que vêem...
Não notam o que passa por elas em velocidade de velocímetro.
Ando a pé para sentir tudo diferente dessas pessoas.
Para ver tudo diferente dessas pessoas.
Para realmente ver.
As pessoas andam sem tempo para parar.
Aceleram seus carros em minha direção. Na contramão.
Na minha contramão, na sua contramão.
Em qualquer direção.
Não param para olhar. Sem tempo para pensar.
Ando a pé. Sem retrovisor ou acelerador.
Passo pelas pessoas em velocidade de velocímetro.
E já não noto o que passa por mim.
Porque também não me notam quando passo.
O meu passo no meu espaço.
O marcapasso pulando descompassado no peito do ataque cardíaco.
Sem tempo para parar, sem tempo para pensar, acelerado, descompassado...
Palpitações em velocidade de velocímetro...
Rápido assim, fulminante.
O peito no passo do marcapasso...
Um passo em falso, certeiro e definitivo. Em velocidade de velocímetro.
E nós já não vemos mais o que passa por nós...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Uma lenda no cortiço do centro da Terra

No Big Love.
Not even a small one.
No emotional sensations.

Just this solitude…
Just this lack of inspiration.
This lack of happenings…

This emptiness that won’t leave me…

Um coração do avesso pendurado no varal de um cortiço.
Os meninos que jogam bola batem no coração com madeira cheia de farpas quando passam correndo...

Uma menina com um buraco no peito que mostra o outro lado da rua.
Já cega, por ter os olhos secos de tanto chorar.
Seu útero abandonado de carinhos não gera mais nenhuma vida.

O espelho a olha com desdém.
Enquanto sua pele tem cheiro de cravo, canela e manjericão.
Suas mãos de criança seguram uma coroa de espinhos.

Ela está nua, coberta apenas por purpurina furta cor.
Em suas costas duas asas pararam de crescer.
E seus pés sangram pelas solas criando um rio vermelho que deságua na boca de um dragão.

Um cavalo dá coices em quem se aproxima.
Uma árvore cresce em volta dela, em espiral.
Um furacão nasce de sua cabeça e suas palavras são jorradas como lava quente em húngaro.

O coração se despedaça tingindo todo varal de vermelho e lilás.
Os meninos não cessam o futebol.
E a menina volta ao centro da Terra.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Em meio às risadas e transeuntes

O tempo corre inadequadamente... desengonçado.
Enquanto isso eu vivo esperando os dias passarem de final de semana em final de semana.
E essa semana se inicia.
Mais uma semana de conta-gotas. Conta-dias.
Enquanto isso essa dor inexplicável me acompanha.
Essa dor física que se mistura à dor emocional.
Nada a ver com nenhum amor bandido.
Apenas umas amarguras aqui e outros nervos presos ali e pronto!
Meu corpo travado do rim ao calcanhar, em forma de cólicas em forma de choques.
E tudo o que tenho vontade é de sentir o sol na pele e caminhar sozinha pelas ruas de sampa na madrugada.
Mas a chuva me atrapalha e se atrapalha e atrapalha todo trânsito da cidade.
Eu insisto em voltar pra casa. E insisto na família.
Mas amar alguém só traz preocupações. Mesmo que esse alguém seja minha mãe.
Meu corpo reclama até o ponto de quase desmanchar. E de repente silencia. Se cala.
Daí não sinto nada nem penso nada.
Apenas assisto às pessoas que passam. Apenas ouço as risadas.
Mas não faço parte.
De repente um abraço me traz um conforto inesperado.
Era tudo o que eu queria.
Meu corpo sente e chama o abraço mais uma vez. Mas ele não volta.
Eu me calo esperançosa.
Penso em tudo de novo.
E desisto da minha esperança.
A dor revisita repaginada.
Ainda do rim ao calcanhar, mais fraca, mais chata.
Meu cérebro se concentra nela.
Os remédios desconcentram meu cérebro.
E eu vegeto em meio às risadas e transeuntes.
A pressão cai e os vestidos longos ficam mais brilhantes, mais coloridos.
Os sorrisos mais amarelos.
Meu corpo cala.
Já não me mexo mais.
As pessoas me perguntam o que eu tenho e eu já não tenho mais paciência para explicar.
A horas passam em conta-gotas. Conta-horas.
E eu só queria ficar sozinha.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Half life

Hoje é sexta feira.
Ainda sem chuva. Mas com promessa de pequenas pancadas à tarde.
Amanhã, sábado ensolarado.
É o que diz a previsão.
Hoje tenho um milhão de coisas para resolver no trampo.
Mais outro milhão de coisas para resolver fora do trampo.
Mas tudo o que quero é deitar numa rede confortável, ler meus livros favoritos, ouvir minhas músicas estranhas, brincar com meu cão Bob.
Ou tomar sol até arder a pele.
Porque pra mim tem que ser tudo assim, intenso!
Até doer, para parecer que é verdade.
Senão fico pensando que é tudo um sonho.
Odeio essa sensação de coisas half lived, if you know what I mean...
Mas sempre acontece uma coisa para estragar. Ou chove imprevisivelmente, ou a pele descasca.
E tudo desanima.
Mas amanhã é sábado e tem sol.
Amanhã é dia de volta às aulas malucas de teatro que eu tanto amo.
Amanhã é dia de me acabar no centro da cidade, entre os artistas e os palcos, e umas garrafas de um bom e velho Jack. Oh yeah...
Seja sentadinha na escada da praça ou bailando salsa com o Chaves e o Chapolin a noite inteira.
Adoro a imprevisibilidade de certas noites...
Adoro alguns poucos que me acompanham ou proporcionam essa tal imprevisibilidade.
Deus nos ajude e me proteja, pois o mundo está em quarentena.
Até a páscoa.
They've opened the gates.
Very few people can understand that.
Sábado do teatro, de matar a saudade, de vivenciar outras vidas no meu corpo.
Sábado das vitórias régias e dos Jack Daniels...
Sábado ao lado de velhos beatniks, grandes escritores e novas histórias.
Ah! Enfim sábado!

De alhos para bugalhos...
Tive um sonho estranho.
Sonhei que me deram uma tartaruga de nome Pipi, que não tinha casco e conversava comigo com uma voz fininha, tipo de desenho animado.
Ele era muito inteligente e muito verde também. A pele dele não era enrugada, era bem lisinha, como se fosse de borracha.
Apesar de ser uma tartaruga ele se movimentava de forma muita rápida, tinha uma personalidade incrível e um excelente senso de humor.
Pipi era uma graça.
rsrsrs
Daí, prometi a Pipi um lar. Disse a ele que ele ficaria solto no jardim e comeria todas as flores que quisesse. Disse a ele também que para que minha casa ficasse completa só faltava eu ganhar um pássaro e um gato.
Porém, quando cheguei em casa meu pai tinha destruído todo o jardim e cimentado tudo!
Eu não conseguia achar o Bob nem a Lila (meus dogs).
Comecei a chorar igual criança e fui embora dizendo que ali não tinha lugar para mim ou para Pipi.
rsrsrsrsrsrs

Deve ser por essas e outras que assusto quem se aproxima de mim.

As pessoas me condenam pelas minhas loucuras, pela minha infantilidade, pela minha entrega, pela minha ingenuidade... pelas minhas bobeiras.
Mas eu condeno quem não é autêntico ou fiel a si mesmo!
Aqueles que vivem com medo do que os outros vão pensar e medem suas palavras e gestos o tempo todo.
Aqueles que agem tentando fazer com que os outros gostem deles.
Conheci muita gente assim em 2007. Em um lugar e em pessoas que eu nunca imaginaria que seriam assim.
Mas ninguém se salva, não é mesmo?
Todos buscam agradar. Cada um a sua maneira.
Eu não tenho mais paciência para agradar.

Há poucas pessoas verdadeiramente brilhantes nesse mundo.
E elas se escondem.
Há muita pagação de pau por aí...
E muitos oportunistas.

Portanto, tudo o que vocês lerem por aqui é verdadeiro.
É fiel ao que sinto e o que sou.
E não vale a pena ler só hoje, ou só esse texto.
Vale a pena ver isso aqui desde o primeiro texto.
Cada reflexão, cada bobeira, cada depressão, cada euforia.
Cada acontecimento.
Cada um de vocês está aqui, nesses textos.
Declaradamente ou não.
E se estão aqui comigo é porque de alguma forma, ou de todas, são muito importantes para mim.

Agradeço imensamente a todos aqueles que um dia comentaram aqui.
Adoro seus comentários. Me inspiram, motivam, me modificam.
Agradeço àqueles corajosos que entraram nas minhas viagens e postaram alguma reflexão, algum elogio.
Algum "elogio à loucura" (citando Erasmo de Rotterdam) rsrsrs
Minhas loucuras, suas loucuras...
Juntando tudo numa coisa só.
Porque a vida é só isso.
E se não formos bobos, autênticos, intensos nas mínimas coisas, até eufóricos... it seems we are living a life half lived.
"Embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu"
Some of you guys know what I mean...

Now fuck off!
'Cause I've got a life to live.
And much work to do.

Küssen,

F.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

"Desperdícios"

Uma borboleta dança um ballet descompassado para o vento.
Uma senhora idosa sorri desdentada.
O café esfria no copo.
O sol brilha para a areia do deserto.
Uma criança canta em francês.
A menina rica que ganha um porsche ao fazer 18 anos e comprar sua carta.
O relógio acelera seus tic-tac's.
Uma linda poesia é roubada.
O beijo é rejeitado.
Um garoto asmático perde sua bombinha.
Uma menina com o rosto e o corpo queimados se olha no espelho todo quebrado.
O circo deixa a cidade enquanto o palhaço lava a pintura do rosto.
A televisão ligada durante a madrugada numa casa vazia.
As cordas do violão arrebentadas.
Lindos scarpins vermelhos esquecidos no fundo de um armário.
As ondas tocam silenciosas e mansas a areia da praia.
O jantar silencioso do casal maduro que rumina pensamentos e mágoas.
Flores raras e coloridas crescem em uma praia deserta.
Um avião desaparece no triângulo das bermudas.
A princesa persa que queria um castelo de chocolate.
A criança que vai ao chão inerte no encontro com uma bala perdida.
O pescador que não retorna do mar enquanto a esposa espera na pedra do cais.
A noiva que desiste do casamento a caminho da igreja.
Os olhares trocados com ele enquanto o vinho escorrega pela garganta.
Uma camisinha que estoura.
O silêncio que precede a chuva.
O executivo que nega moedinhas de cinco centavos ao moleque de rua e dá um colar de diamantes para sua amante.
A tinta escorre do quadro destruído pelo copo d'água desastrado.
A menina que gesticula com charme enquanto fala.
Os cães que uivam anunciando o terremoto.
Um homem que chora ao ver sua mulher quando volta da guerra.
Os médicos que contam piadinhas tomando café enquanto uma criança morre de tuberculose na fila de atendimento do hospital.
O satélite que sai da órbita e corre em direção à Terra sem controle.

Continuamos de olho...

Uma carta para ninguém

Um dia eu declarei que queria ser escritora.
Sentar no meio da Paulista ou no meio da neve vestindo um sobretudo vermelho com um notebook no colo...
Mas hoje não sei.
Não sei mais.
Acho que eu não teria a criatividade, imaginação de uma grande escritora contemporânea.
Assim como muitas outras que andam escrevendo por aí.

Imaginar ou lembrar coisas de minha própria história.
Até porque esqueço constantemente minha própria história.
Teria que criar lembranças, pensamentos, falas, atitudes...
Só vivendo. Vivenciando na minha imaginação.
Talvez eu consiga fazer isso enquanto atriz.
Mas enquanto escritora... minha atenção se perde fácil demais.

Talvez a vida esteja reservando algo realmente muito bom para mim...
Para essa falta de ações, de acontecimentos interessantes.
Talvez não.
Talvez só aquela sensação da chuva pesada que não vai passar.
Talvez só o dia nublado. Sem noites ou sol.

Como é que dizem? "o que é seu está guardado"
Mas será que possuo algo realmente meu?

Se escrevi no seu blog uma última vez foi para correr o risco de você me descobrir e eu nunca mais querer estar ali.
Nunca mais querer me pronunciar para você.
Nunca mais voltar ali naquele espaço tão seu.

Nunca mais te perturbar com a sensação da minha entrega e do meu amor.
Porque o meu amor eu sei que incomoda.
Eu sei que arde na sua pele.
Que sufoca.
E você não é forte o suficiente.

E eu sei o quanto só eu sei que sou sozinha.
E acompanhada e cuidada, por pessoas que um dia inevitavelmente vão me abandonar.
Pela idade... pelo tempo. Pela insanidade. Pela sanidade. Pela rotação e pela translação.

E eu sei o quanto não quero acordar todas as manhãs e tenho pressa dos acontecimentos.
Mas sei também do medo que tenho de adoecer.

E do medo que tenho de ficar sozinha.

Medo de te amar.
De te mostrar todo meu amor e tudo o que sou.
Medo da sua rejeição.
Medo de você ser brilhante demais... e eu de menos.
Medo de não estar a sua altura.
De não ser complexa como você.
De não ser simples o suficiente para você.
Medo de você conhecer alguém mais interessante, mais musical, mais inteligente, mais linda.
Mais talentosa.

Medo de estar ao seu lado mas ainda assim me sentir sozinha.

Medo de não te amar.

Medo de não ter uma personalidade incrível e inspiradora.
Não marcar sua vida nem um pouquinho.

Eu não te amo.
Eu não te amo.
Eu não te amo.

Não amo ninguém.

E isso é tão fácil.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A menina que não eu...

Houve uma época na minha vida em que eu tinha tanta coisa pra falar.
Tanta coisa a realizar.
Tantos sentimentos bons para dividir. Com tanta gente.
Tantas esperanças. Sonhos.
Agora estou aqui.
Apenas olhando a passagem dos outros.
Eu, minhas olheiras, minhas roupas velhas e meu Ipod.
Nada a declarar.
Uma preguiça do mundo.
Tanta coisa errada. Tanta coisa boa.
E eu aqui olhando a passagem.
O batente da porta.
Os galhos ao vento.
Enraizada como uma velha árvore.
Sem saber aonde ir.
Sem saber por onde começar.
Com um pouquinho de medo de começar.
E ver tudo dando errado. Mais uma vez.
Por água abaixo.
Mas uma hora vai ter que ser diferente.
É difícil saber qual a hora certa.
Aquela brisa suave passa por mim também.
Uma criança canta em francês.
E eu só penso em comer sonhos de padaria.
O cheiro de chuva no nariz.
E meu provável amor cantando "Preta" para uma menina linda linda que não eu.
E o branco e o azul se misturando em meus pensamentos.
E Iemanjá me abençoando enquanto eu peço que ela me envie minha alma gêmea pelo mar, pelo ar ou pelo fogo.
Mas lembro que o fogo queima e arde e dói, como todos os outros amores que já passaram pelo meu peito.
E eu aqui sentada. Com minhas olheiras, meu Ipod e minhas roupas velhas, pensando o que vai ser do carnaval e o que vai ser de mim à toa por quatro dias.
Enfrentando pensamentos desenfreados.
Enquanto observo as vidas passeando em minhas retinas.
Enquanto o mundo gira e eu me enraizo.
Enquanto eu espero aquele abraço do cara que cantava "Preta" para a menina linda que não eu.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Amar assim...

Não estou apaixonada nem nada.
Pelo contrário. Estou justamento o contrário de apaixonada.
Nem sei se há no mundo palavra para isso. Para o que ando sentindo.
Mas sei que amar assim dói. E é bom também.
Pois tira o fôlego. E tira os pés do chão.
E arranca o juízo. E dói. E salva.

Para ouvir enquanto a chuva faz música na janela... ou enquanto o vento acaricia sua pele nesse dia cinza.

Caetano Veloso
"Pecado"

Yo no sé si es prohibido
Si no tiene perdón
Si me lleva al abismo
solo sé que es amor

Yo no sé si este amor es pecado que tiene castigo
Si es faltar a las leyes honradas
Del hombre y de Dios

Solo sé que aturde la vida
Como un torbellino
Que me arrastra, me arrastra
A tus brazos en ciega passión

Es más fuerte que yo
Que mi vida, micredo y mi sino
Es más fuerte que todo el respeto
Y el temor de Dios

Aunque sea pecado
Te quiero, te quiero lo mismo
Y anque todo me niegue el derecho
Me aferro a este amor

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

No espelho do banheiro

Quem é você?
Quem é você que me encara através do espelho?
De quem é essa imagem apagada de vontades.
De quem são esses olhos que eu já não reconheço a cor e não encontro o brilho.
De quem é esse cabelo que não sente o carinho do vento.
De quem são esse olhos que não sabem se riem ou se choram.
Quem é você que não consegue mais rir com a graça e nem se comover com a beleza ou a tragédia.
Quem é você que não sente mais dor ou prazer.
Quem é você que morre de medo de adoecer mas não quer mais acordar.
Que entrou em um labirinto mesmo sabendo que dificilmente encontraria a saída.
Quem um dia teve nobre o espírito mas age hoje com podridão de caráter.
Que se deixou frustrar.
Que deixou todos os sonhos caídos no caminho.
Que se deixou levar.
Que se deixou manipular.
Que se entregou até doer.
Que perdeu a essência, a criatividade.
Quem é você que fala roucamente.
Que perdeu a lucidez e a loucura.
Que não distingue mais dia ou noite.
Que desaprendeu a dizer não ou sim.
Que se amarrou às cordas de um títere.
Que se deixa acariciar por ventrílocos.
Que não ama mais os loucos.
Ou os sãos.
Que não ama.
Nem odeia.
Nem sente.
Nem chora mais!
Que não lembra do passado e nem consegue imaginar o futuro... Nem pensar no futuro. Nem no mais próximo.
Que caminha com os ombros caídos.
Que deixa os olhos varrerem o chão enquanto anda.
Que não expressa mais.
Que não fala mais.
Que não pensa mais.
Que não julga, nem critica.
Que não chora mais!
Que não sorri nem por desespero!
Que não tem compaixão!
Que não sabe ajudar, nem o que falar, nem como agir.
Que não consegue mais olhar nos olhos...
Nem nos olhos do espelho!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

S O L I T U D E

Aperta minha jugular entre seus dedos até faltar o ar.
Põe um elefante sentado sobre meu peito.
Pisa em meus pés com botas de salto agulha.
Quebra os ossos de minhas mãos a marteladas.
Enfia uma faca gelada em meu estômago, e torce.
Arranca meus cabelos e o couro com as unhas.
Arranca minhas unhas, uma a uma, com um alicate enferrujado.
Corta profundamente minha pele com estilete.
Quebra meus dentes e deforma meu rosto com pontapés.
ME TORTURA.
SOLIDÃO, me tortura.
Porque eu já não posso fazer mais nada.
Porque eu já não consigo me livrar de você.
Porque você me espera pelo caminho.
Porque você é o que vai sobrar em meu futuro.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Há muitas pessoas escrevendo sobre o silêncio e a solidão por aí.
Há muitas pessoas escrevendo sobre o silêncio e a solidão.
Há muitas pessoas escrevendo sobre ficar em silêncio e curtir o silêncio. Sobre meditar em silêncio. Sobre ficarem sozinhas em casa meditando no silêncio.
Curtindo sua solidão e seu silêncio. Meditando.
Descobri que preciso aprender a fazer isso.
Pois não sei.
Não sei ficar em silêncio. Não tenho silêncio.
Não sei da solidão boa de se curtir.
Sei ficar em silêncio e tenho solidão.
Talvez até sofra de solidão, mas não sei curtir isso.
Tenho uma casa sempre cheia de gente. Me pedindo mil coisas. Me cobrando mil coisas. Perguntando mil coisas o tempo todo.
Raramente tenho um momento meu.
É como se tivesse um ruído constante no meu cérebro.
Mesmo quando estou completamente sozinha e não tem ninguém cobrando, perguntando, pedindo, falando mil coisas. Há esse ruído.
Um ruído constante no meu cérebro.
Sinto solidão. Constantemente. Mas não aquela boa de se curtir. De fazer o que quiser sozinha em casa. De comer na hora em que quiser.
Nunca como na hora em que quero. Há sempre um horário imposto para isso.
Nunca tenho a liberdade de fazer o que eu quiser.
Há cobranças demais de todos os lados.
Não sei dormir até tarde.
Não posso nunca voltar para casa no meu horário.
A casa nem minha é. Estou lá de favor aos meus pais.
Até eu ganhar dinheiro suficiente para me libertar.
Mas não há dinheiro suficiente nessa cidade.
Não na minha conta.
Sei muito bem ficar em silêncio.
Suporto muito bem minha solidão.
Mas não tenho tempo ou lugar de curtir um ou outro.
Sou constantemente subjugada.
Constantemente cobrada.
Acho que preciso comprar um gato e um apartamento vazio.
Me internar com o gato no apartamento por um mês para aprender a ter um momento só meu.
Quando eu tinha um carro para usar eu tinha minha solidão e meu silêncio.
Aquele momento só meu dirigindo na Marginal, na Paulista, na Consolação. Sozinha.
Meu carro era meu refúgio. Minha liberdade. Minha paz. Mesmo que fosse por 20 minutos (o tempo que eu levava para chegar a qualquer lugar). Desafiando os únicos limites que eu tinha coragem de desafiar (a velocidade).
Não tenho mais nem isso.
Tenho só um ruído na minha cabeça que não me deixa nem pensar, nem trabalhar, nem sentir.
Só ruído.
Tudo ruído.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Loteria Romântica

Definitivamente o amor é algo aleatório.
Há pessoas que são amadas enquanto desprezam.
Há pessoas que têm tanto potencial para amar mas não são vistas da forma certa.
Há pessoas que recebem muitos tipos de amor de todos os lados
mas não sabem dar valor a isso. Apenas brincam com sentimentos.
Há pessoas que só amam.Enquanto há pessoas que só são amadas.
Há pessoas que sabem escolher quem amam e são amadas de volta.
Essas pessoas não tem um estereótipo, ou um tempo certo, ou um cupido certeiro.
Nem são mais inteligentes nem mais afetuosas.
São apenas pessoas. Enquanto o amor age aleatoriamente.
São pequenas loterias sentimentais.
Sorte no jogo ou sorte no amor?
Sorte no jogo e no amor?
Golpe de sorte?
Golpe de mestre?
Tanto faz.
Meu cupido foi dar uma mijada depois de ter errado e gastado todas suas flechas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

F R A G I L E

Ela era frágil.
Mas ninguém a manuseava com o devido cuidado.
Com cuidado. Qualquer cuidado.
E ela quebrava todas as vezes.
Até virar cacos.
Até viver em cacos.
Lentamente ela ia se recompondo.
Tentando colar os cacos.
Porém ela nunca estava inteira.
Pois sempre a quebravam antes dela se recompor por completo.
Todas as vezes.
Todas as vezes ela se entregava nas mãos dos outros acreditando que eles a ajudariam a se reerguer. A se reconstituir. Que este ou aquele finalmente seria delicado. Saberia lidar.
Saberia ser.
Mas eles não sabiam. Manuseavam de qualquer jeito.
Ela caía e quebrava.
Não é nem porque eles não sabiam.
É porque eles, na verdade, não ligavam.
Manuseavam de qualquer jeito pois não se importavam com a delicadeza dela.
Usavam de qualquer jeito.
Jogavam para cima e para baixo. Jogavam em qualquer lugar.
Atiravam na parede. Deixavam no chão.
Ela confiava. Todas as vezes.
E quebrava.
Cada vez que ela quebrava ela perdia um pedacinho dela no caminho.
Uma lasca minúscula ou não.
E assim ela ia perdendo pedacinhos importantes que a constituíam.
Mudando sua forma toda vez que se reconstituía.
Sua forma ficava cada vez mais feia. Cada vez mais delicada. Cada vez mais difícil de manusear.
Até o dia em que ninguém mais quis se aproximar.
Ela estava feia, deformada demais.
Quando alguém se aproximou demais, se assustou e a chutou, se machucando também.
Ela virou mil cacos pelo caminho.
Ela nunca mais encontrou seus pedaços.
Nunca mais conseguiu se reconstituir.
Dividida em mil cacos jogados pelo caminho, cada parte sua espalhou-se pela cidade.
Passou a viver assim. Nos sapatos dos outros.
No balanço do vento. Nas esquinas, nas calçadas. No chão.
Em mil pedaços que brilhavam para cada um que passava.
Para cada um que passava ignorando seu brilho.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Insônia - Serendipities

Tive mais uma noite insone.
Mas acordei bem.
Muito bem.
Estranho.
Havia algo diferente no ar essa manhã.
Um cheiro diferente.
Um cheiro de novidade.
Uma brisa de vida nova.
Deve vir coisa boa pela frente.
Minha intuição tem tentado me sussurrar muitas coisas.
Mas desaprendi a ouví-la.
Essa manhã foi diferente.
Ouvi um sussurro. Um sussurro de novidades boas pela frente.
De mudanças.
Tomara que as mudanças, as novidades, a vida nova, seja tudo pra melhor.
Há tempos aguardo uma melhora.
A vida anda precisando de coisas novas.
Emprego novo, carro novo, namorado novo, salário novo (e mais alto), um curso novo. Saúde novinha em folha.
Tudo novo.
Dizem por aí que 2008 é um ano de recomeço, numerologicamente falando.
Preciso consultar um numerólogo.
E uma cartomante. E o horóscopo. E as runas. E qualquer coisa que me fale do meu futuro, da minha sorte, do meu destino. De minhas serendipities.
Reavaliar muitas coisas.
Me reinventar. Mais uma vez.
Preservar o que e quem me faz bem. Agregar apenas coisas e pessoas boas.
Pensar muuuuuuuito mais antes de agir.
Agir apenas quando valer a pena.
Recuperar aquele ar bom, aquele brilho e energia que a praça me dava quando comecei a frequentá-la em 2006.
Em finais de semana sozinha. Quando eu não conhecia ninguém...
Em tempos de Aldeotas. Em tempos de Coçando o Saccro. Tempos de Macbeth. Em tempos de Inocência.
Escolhi as companhias adequadas para tais momentos.
Voltarei à praça. Mas para redescobrir o que sempre me atraiu por lá.
A Arte pela Arte.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

R E S P E C T

Respeito...
É tudo que tenho procurado nas pessoas.
Não encontro em lugar nenhum.
O egoísmo deve estar na moda...
Predomina.
Eu nunca fui dada a seguir as tendências.
Muito menos as egoístas.

Ando com uma certa aversão a tudo e todos.
Uma espécie de enjôo homérico do mundo.
Como se estivesse grávida de opiniões e sentimentos.
Estou grávida de sinceridade.
As mentiras, a falsidade, os interesses, me embrulham o estômago.
Tudo isso configura uma falta de respeito sem tamanho.

Não vou enganar ninguém mais.
Não vou me enganar mais.
Serei sincera.
Nem que para isso tenha que parecer grossa.

Terei que voltar a cultivar muuuuita paciência.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Sem ensaio

Eu procurava alguém com quem eu pudesse dividir um silêncio confortável.
Sem aquela obrigação de preencher os espaços dos diálogos vazios com palavras fúteis.
Apenas um silêncio confortável.
Olhar direto na sua pupila não incomodaria.
Alguém que realmente estivesse ali.
Satisfeitos. Um ao lado do outro.
Para entender bastaria um olhar.
Um sorriso. Um levantar de sobrancelhas.
Nossos corpos se encontrariam o tempo todo. Mesmo sem mãos dadas.
Apenas cabeça no ombro, braço no antebraço, pé com pé.
Sem ensaio.
Nossos corpos dançariam em sintonia, sem música. Inconscientes. Mas seguindo a mesma melodia cotidiana.
Se houvessem problemas, estes teriam a forma de um balão. E nós seríamos as pontas de um mesmo alfinete.
Noites carregadas de vinho, conversas e sexo.
Vidas carregadas de respeito e sensatez.
Ambos muito conscientes. Independentes.
Mas inseparáveis.

Mas...
Decidi não buscar mais o amor.
Em prol de minha própria libertação.

Restos do que um dia não foi amor...

Esse são os restos. Meus restos. Só os restos.
Não sei se foi amor. Mas sei que dói.
Continua doendo. Mesmo após todo esse tempo.
Não é a rejeição que dói.
Dói não te ter aqui. Do meu lado.
Dói ter o coração assim tão vazio. Vazio de você.
Dói ter que fingir que estava tudo bem. Principalmente quando não estava.
Quando sua atenção não era minha.
Era dispersa. De todos os outros. Menos minha.
Menos minha. Cada vez mais menos.
Dói menos agora.
Lembro menos de você. Isso é triste.
Pois eu gostava de gostar de você.
Menos dor, menos lembranças, menos amor. Qualquer tipo de amor que eu insistia em ter por você. Agora é menos.
Até ser nada. Nada de dor, nada de lembranças, nada de amor, nada de você.
Nada.
Só nossa folia nos feriados.

Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba a gente se encontra
pra uma outra folia

Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Cyber Talks

Resposta a um amigo no orkut...

Achei divertido. Queria compartilhar. Mais uma vez.

"1º O blog é: www.cabarepsicodelico.blogspot.com

Mas não ando numa fase boa de escrita.

Não, não sou sado. Só estou do lado de fora. Não participo. Talvez por escolha.

Não estudo nada que estude a massa, a humanidade, o homem, ou derivados.

Não me integro porque nasci uma outsider.

2º Ponta do pelo do coelho??? Agora quem me deve explicações é você.

Não sou lunática. Talvez eu pense demais. Talvez eu seja realmente uma lunática. Mas prefiro acreditar que ainda não. Assim é mais confortável. Também não há mundo paralelo. Há sim um mundo dos seres humanos de verdade. Mas daí é outra teoria.

Se eu digo que a cidade morreu, não é porque eu odeio o mundo, a vida, a cidade, ou porque não me enquadro, ou não pertenço. Não é nenhuma dessas crises existenciais “emos” ou de sentimentos mal resolvidos na infância.. Se eu digo que a cidade morreu é porque ela realmente está morta há muito tempo. Com pessoas que agem como se estivessem mortas. Sem raciocinar. Se deixam levar por quaisquer influências. São comuns demais. Despreocupadas demais. Inconscientes, frias. Submetidas, subjugadas. Caracterizando, compondo uma cidade sem seres humanos reais. Uma cidade morta. Um país morto. Um mundo morto.

Daí a personalidade blasé. A falta de interesse no que está ao redor. A sensação de já ter visto, ouvido, vivido tudo. Da previsibilidade das pessoas.

Ao mesmo tempo em que sei que há sensações, sentimentos, momentos, que compensam toda essa previsibilidade e monotonia da vida. Daí a vontade de viver intensamente a cada rotação da Terra. Uma vontade que essa intensidade dure eternamente. Como se respirar tivesse o efeito de uma boa “bala”.

Nietzsche, Bukowsky, Bertollucci, esses caras decifraram o ser humano. O Homem. As dunas em que escolhi sentar foram construídas por eles. Partilhamos da mesma linha de raciocínio. Estamos do lado de fora do parque olhando para a roda gigante.

Se luto? Não luto, não vale a pena. Se luto? É uma luta silenciosa. Faço quantas cabeças eu quiser, quantas eu puder. Mas somente aquelas que acredito terem potencial. Somente aquelas que eu escolho.

Demorei um ano? E você? Vai precisar de um ano para continuar me analisando estudante de psicanálise?

Gostei desse meu desabafo. Vai pro blog na íntegra.

Beijos e piruetas no miolo do vinho com as unhas vermelhas..."

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Besides...

Apesar da pouca idade,
já vi, já fiz, já ouvi, já soube de muitas coisas que não deveria. Ou deveria.

Apesar da muita idade,
perdi minha liberdade.

Mas esse ano vai ser diferente.

Eu acho injusta demais essa história de que só pai e mãe amam verdadeiramente.
Quando eu amo fácil demais aqueles que não são eles. Além deles.
E aqueles que nem merecem...

Sob o Pôr do Sol - Versão Real e Sem Cortes

Essa é a verdadeira versão da história anterior.

Ela desceu a rua, daquele jeito descrito, enquanto o sol se escondia no horizonte.
Mas o menino hippie nunca passou.

E quando o menino hippie passou, ele não olhou para ela.
Simplesmente porque ele, e todos os outros homens, não notariam uma menina descabelada e cansada pela rua.
Não ligaria para a inspiração que um pôr do sol em São Paulo traz.
Não notou, simplesmente porque ela não era alta, loira e magra. Porque não estava bem vestida.
Porque não se chamava Gisele Bündchen.

A verdade é que ele nunca passou.
Mas ela sempre esperou.

Ela sempre esperou pela única coisa que não possuía.
Que nunca teve. Que não pode nem deve ser nomeado em um mundo onde isso não existe mais.
Em um mundo que vê isso como fraqueza. Quem assume isso é brega...

"O importante é a quantidade, é ser pegador", muitos diriam.
"O importante é ser bem cotada, popular, a mais gostosa, a mais bonita", muitas diriam.

Só os fracassados praticam disputa de egos. Dura realidade. Sinto muito. Na verdade, não sinto muito coisa nenhuma.

Os "fodões" não precisam disso. Estão acima disso.

Não tem pendências de baixa auto-estima adolescente.

Mas a verdade é que o menino nunca passou.
Quando passou, não a viu.
Quando a viu, não a encarou.
Quando a encarou, não a assumiu.

Covardes. Filhos mimados. É isso que vocês são.
Disputas de egos infláveis. Podem continuar meus queridos... isso não vai levá-los a lugar algum.

Ela só queria ser amada. De uma forma simples e sincera.
Talvez "com sabor de fruta mordida".
Era só isso.

Ela era amada. Pelos pais dela.
Que a amavam por convenção.
Não por obrigação, pois nem os pais são obrigados a amar seus filhos.
Apenas por convenção.
Porque se pais e filhos não se amam estão pecando.
É nisso que eles querem que nós acreditemos.

A verdade é que ninguém é obrigado a amar ninguém.

Mas ela continuava esperando o menino passar.
Se ele pelo menos olhasse para ela.
Nem tudo teria sido em vão.

Ela só precisava disso.
E não sabia o que fazer para conseguir.
Não sabia onde ir para conseguir.
Não sabia como agir.
Nem como lidar.

Pois também não sabia amar.

É só mais uma que vai continuar buscando algo que nunca existiu.
Se existiu está extinto.
Há muitos colaboradores para isso.

Viva a nova era!
Viva a disputa de egos infláveis...
Vai lá. Pode ir lá ver quantos mais vão olhar pra você.
Cuide para ser a mais bonita e cobiçada, ok?
Infle bem seu ego, ok?
Pode ir.

Não se preocupe comigo.
Fiz questão de romper meu ego.
Estou fora dessa competição há muito tempo. É que perdi a paciência para coisas assim.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Sob o céu estrelado - Meu final feliz

Antes de qualquer coisa, saibam que tenho verdadeira aversão por finais felizes. E, ao mesmo tempo, adoro quando estes se realizam na vida real.
Segue abaixo um final feliz que escolhi para mim, quando decidi reescrever minha história.
Poder ser bobo ou infantil, mas o amor é assim. Pode ser ridículo ou impossível, mas vou continuar esperando.


Sob o céu estrelado
Ela descia a rua com seu sapato social, sua calça social e sua blusa não tão social. Uma bolsa sóbria a tiracolo e os fios do Ipod conectando Mozart ao seu ouvido e pensamentos.
Ele subia a rua com sua calça xadrez de pano e sua bata indiana. Algumas pulseiras feitas à mão e colar de sementes. Uma mochila nas costas, uma gaita no bolso e um blues nos pensamentos.
O sol se punha ao fim da rua, em um dia que não era quente ou frio. Ameno. Logo em frente aos olhos dela.
O rapaz era lindo. Ela era normal. Nem alta, nem baixa. Nem gorda, nem magra. Ele era esculpido pela natureza. Cabelos loiros bem curtos, raspados, e pele dourada. Naturalista e vegetariano. De alma hippie. Ela, mesmo tendo um cotidiano capitalista, tinha seus refúgios alternativos. Também possuía uma alma hippie. Um lado adormecido em sua vida.
Ele a avistou. Ela tinha cabelos bagunçados, levemente ondulados e bem escuros. Pele desbotada de quem não sai do escritório ou da cidade há um bom tempo, mas não branca. Cheiro de um dia inteiro no corpo, hormônios e alguma fragrância adocicada.
Ela completamente distraída por suas preocupações, pelo Ipod e pelo sol, não notou o rapaz de alma livre do outro lado da rua. Ele, sempre discretamente antenado, atravessou a rua em direção à menina descabelada decididamente.
Ele, rapaz de ações firmes, parou na frente daquela menina comum, abordando-a com um sorriso inteligente.
Ela, devolveu ao sorriso um olhar desconfiado, escondendo o deslumbre causado por aquela beleza masculina, e titubeou.
Ele se apresentou: “Prazer, sou seu namorado”.
Ela devolveu: “Você demorou em me achar”.
Naquela calçada, eles se encararam por dois minutos. Ela, crente que ele estava arrependido, retomou seu rumo. Ele correu atrás dela e lhe deu um livro, o qual não mostrava título nenhum na capa.
Ela abriu o livro. Na página de dedicatória havia um convite escrito à mão para uma caminhada na Paulista e um telefone anotado.
Ela levantou os olhos do livro, com um meio sorriso esboçado nos lábios, dizendo: “Eu nunca vou te ligar”.
Ele, sentindo as intenções dela, retrucou: “Me dê esse resto de tarde então”.
Passaram a tarde toda numa livraria ali perto.
Jantaram juntos diversas porcarias vendidas na rua. Se descobriram juntos. Mas não dormiram juntos. Ele não quis.
Ele queria deixá-la com saudade. Fazer tudo certo dessa vez.
Ela, não se sentiu rejeitada. Pela primeira vez.
Eles se despediram na mesma calçada em que se encontraram.
Cada um voltou para sua casa, sem trocar nem um beijo. Apenas olhares. Longos e cúmplices.
Uma semana depois, ele a estava esperando na calçada.
Pediu a ela mais uma vez um resto de dia junto dele.
Em meio aos livros daquela livraria ele a pediu em namoro. Mais uma vez através da página de dedicatória de um livro. Primeiro presente dele quando ela o aceitou.
Foi tudo junto, o pedido de namoro, o primeiro presente e o primeiro beijo dos dois. Naquela noite, eles dormiram juntos.
Um mês e nove dias depois ele a levou ao teatro, para assistir à peça de alguns amigos dela. No meio da peça havia uma cena em que um casal discutia. O rapaz queria casar mas a moça não. No meio da cena e da discussão o rapaz-ator entregou a aliança à moça-atriz. A moça-atiz convidou a menina descabelada da platéia ao palco. O rapaz-ator convidou o namorado da menina descabelada ao palco. Em cena, os atores interrogaram a menina descabelada. Perguntaram a ela se ela aceitava se casar com seu rapaz hippie e loiro.
Dois meses depois eles estavam casados.
Em dezembro eles passaram o Reveillon juntos, descalços em alguma praia deserta. Ambos vestindo apenas batas brancas e roupas de banho por baixo.
Estouraram três champagnes. Fizeram de tudo juntos. Estavam felizes por finalmente estarem juntos. Adormeceram sob o céu estrelado.
Ele satisfeito por estar com ela e mais ninguém.
Ela plenamente linda e grávida.
Sob o céu estrelado.
Agora é hora de respirar mais fundo...
De tomar banhos de chuva...
Agora é hora de voltar à praça, que apesar da simplicidade e das loucuras, colore nossos dias cinzas paulistanos e nos mantém sãos.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

My Backyard

Cheguei na cidade.
Marquei de ver outras pessoas.
No fundo aconteceu o que eu queria. O que eu imaginava.
Naquela avenida favorita o avistei.
Natural, como só ele sabe ser.
Fantástica coincidência do acaso... que uniu nosso último momento juntos, minha última noite lá, no inverno, e nosso primeiro reencontro entre tantos outros, em meu primeiro dia de volta àquele lugar, no verão.
Nossos cinco minutos de serendipity... talvez a felicidade tenha dançado só ao meu lado. Talvez para ele não tenha significado nada. Talvez não.
Pelo menos para mim foi especial... deliciosos 5 minutos.
Um abraço longo, aconchegante e cúmplice.
5 minutos ao lado dele, que salvaram e fizeram valer todo o resto dos dias seguintes.
E ele não sabe o valor que tem para mim, ou talvez não se importe. Simples assim.
Desculpe se não sei demostrar e agir da maneira correta, mas se persisto em você é porque acredito que nós valemos a pena.
Foi isso.
Apenas um abraço longo.
Olhares cúmplices.
Minha adoração por ele se insinuando em meu sorriso.
Uma despedida sem jeito.
Um segredo que queria se revelar mas não poderia.
"Certos segredos desencantam... entenda."
Não o vi mais.
Ficou uma saudade no pensamento. Ficou uma saudade na pele.
Saudade do carinho sutil que você fez, sem perceber, no meu cabelo.
Sobrou aqui ao redor essa falta daquele seu abraço.
Daquela nossa lua.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Borboletas Contra o Parabrisa

Na balada dia 31/12. Por volta das 4 da manhã, dentro do PUB em Marília, ao som da banda D3:

Borboletas Contra o Parabrisa

É, Roleta Russa.
If you don't dig dancing, just don't try.
Coloquei gelo na minha sopa.
Sobra medo em meu sangue.
Mais um tapa não vai dar.
Eu não aguento mais. Falta paciência em meus ossos.
Há gelo em meu sangue, paralisado.
Minha espinha dorsal paralisada, temendo 2008.
Na cabeça estava tudo resolvido.
Na prática não há saída. Há saída mas não há caminho.
Sou Alice mas não alcanço a mesa de bolo.
Preciso crescer mas as correntes não deixam. Não me deixam.
Vai dar tudo certo. Tem que dar tudo certo.
Vou acender uma vela. Por mim e por você.
Uma oração, por mim e por você.
Resolução, por mim e por você.
Meu coração paralisado paira no silêncio, suspenso, à espera.
Nessa espera de que tudo dê certo.
Tem que dar certo, por mim e por você.
Mais por mim.
"Sou joguete do destino", e não quero mais.
Não tenho mais paciência.
Não quero esperar anymore.
Mas tudo que posso é esperar.
Estou trabalhando, torcendo, tramando para que o acaso, o destino e as coincidências estejam a meu favor.
Tenho tanto a realizar, e nem as palavras me acompanham mais. O medo não deixa.
A Alice está encolhendo.
Shrinking, falling down, catch me and throw me against the wall.
I'm your little doll. Please don't play with me. I'm not unbreakable.
I may look and act like a monster, like a monkey, but I have the heart of a Koala Bear inside a crystal soul.
Help me stand up. Catch me before I fall and lose it all.
Tudo vai dar certo. It has to.
O medo está encolhendo minhas idéias e transformando minhas batidas vitais em pesadelos.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Blood secrets

E é assim que vou terminar o ano?
Os cabelos caindo de preocupação.
Cansada de mim mesma.
Cansada de viver minha história...
Cansada das minhas besteiras impensadas e principalmente das besteiras pensadas.
Prometi a mim mesma, fiz um juramento, em 2008 não bebo mais. Pelo menos não até perder a razão e deixar o coração dominar tudo.
Mas prometi a mim mesma não perder mais a razão. Não posso. Ando tomando tapas demais na cara.
Eu não suportaria mais um tapa.
Não é justo. Justo eu que sempre fiz e quis tudo certo.
Um escorregão, uma pisada na bola e fode tudo.
A vida anda intolerante demais comigo.
Eu não aguento mais.
Não planejo mais.
Só espero e rezo para que tudo dê certo.
Estou com muito medo.
Muito medo.
Se ele vier, juro que vou dá-lo a quem poderá arcar, cuidar dele.
Não posso. Não quero. Não consigo.
Não nesse momento.
Vai estragar tudo. Ainda mais.
Estou gritando socorro onde o som não se propaga.
Vou ficar muito sozinha.
Socorro. Socorro...
Estou perdendo o coração pela boca.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Too fast

O tempo está passando rápido demais para Eva Green...
O tempo está passando rápido demais para mim.
Mas minha beleza não é efêmera, como essas que vejo em bancas por aí.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Din Don

Então é natal...
Lá vamos nós para mais uma noite de comilança, diversão e solidão no meio da multidão...
E eu só espero que tudo dê certo.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Sarau

Foi nosso primeiro sarau...
Saiu assim meio de improviso, meio descalculado.
Mas saiu maravilhoso.
Íntimo.
Para poucos privilegiados.
Nasceram ali muitas idéias, projetos esperançosos para 2008.
Aprofundou-se a amizade.
Estabeleceu-se um grupo.
Nasceram profissionais das artes.
Do mundo da escrita, da música e dos palcos...
Um brinde!
Muito sucesso, muita merda e muitas idéias para nós!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Para embalar a sexta-feira

É disso que ando sentindo falta.
De ser olhada.
Bem olhada...
Admirada devidamente.
Sem precisar ter algum resultado... positivo ou negativo.
Apenas estar ali e ser olhada.
Desejada. Despida pelo sorriso, pelo olhar de alguém.
Perder o fôlego, sentir as pernas falharem, ter palpitações, corar sem graça...
Sem precisar sequer ser tocada.
Mas os caras desse nosso presente andam muito sem imaginação.
E eu ando cheia de investidas ousadas.
Chega... Parei com isso.
Farei greve até encontrar um daqueles olhares... que tiram sua roupa e seu fôlego.

"Malemolência"
Céu
Composição: Alec Haiat / Céu

veio até mim
quem deixou me olhar assim
não pediu minha permissão
não pude evitar
tirou meu ar
fiquei sem chão

menino bonito
menino bonito ai

ai menino bonito
menino bonito ai

é tudo o que eu posso lhe adiantar
o que é um beijo se eu posso ter o teu olhar
cai na dança cai
vem pra roda da malemolência

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

No farol atrás das brumas...

Muitas vezes olho para ela subindo as escadas e fico com dó da dor, com medo de um passo em falso, fico apreensiva com uma possível queda.
Fico me perguntando até quando ela vai conseguir subir uma escada.
Ela segura as coisas já sem firmeza, e eu me pergunto se ela vai conseguir segurar os netos.
Se ela vai ter saúde mental e física para isso.
A cada dia noto uma nova ruga. E desconheço um pouco mais um rosto que já foi tão lindo.
Os pensamentos já não acompanham as conversas.
O raciocínio está mais lento. A memória falha o tempo todo. A atenção é muito dispersa.
O brilho dela diminuindo.
A saúde titubeia.
Se eu fico muito tempo longe, ela entra em depressão, coisa de velho que tem medo de ficar sozinho. Mais carente, mais sensível.
Mais mal humorada.
Todos os dias.
Todos os dias ela me cobra um bom emprego, um bom salário, um bom casamento e netos.
Sei que é porque ela quer me ver bem, estável. Mas não sei se conseguirei dar isso a ela em tempo.
Preciso dar isso a ela.
Ela é tudo o que tenho.
Mais nada.

... e no futuro,
quem vai cuidar de mim?
Quem vai cuidar de mim...

Affffff...

Eu deveria estar dormindo uma hora dessas...
Mas não consigo.
Muitas coisas in my head...
Vou tentar... amanhã, quer dizer, hoje será um big long day.
Só para registrar: são 00:43 am.
É cedo.

Vou pro cinco contra um... quem sabe relaxo e durmo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

É galera...
Sempre descobrindo novos talentos.

Som bacana e caras gatos!

Vale a pena conferir.

http://sublimecover.blogspot.com/

Aguardo o próximo show...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Projetos 2008

- Fazer aulas de canto
- Fazer aulas de dança
- Prestar Célia Helena e ser aprovada
- Prestar EAD e ser aprovada
- Ganhar um excelente salário
- Achar paz interior
- Descobrir o que é realmente importante na minha vida
- Casar antes do final do ano
- Engravidar antes do final do ano (somente se eu casar)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Cianureto: elas estão chegando

Ela está chegando.
Eu posso sentir.
É sempre assim perto do natal.
Eu já deveria estar acostumada.
E tudo vai passando cada vez mais rápido.
Começou tudo dando certo e terminou tudo dando errado.
Ok, nem tão errado assim. Poderia ter sido pior.
Pelo menos eu tenho casa, comida e roupa lavada.
Isso não é tudo o que alguém pode querer na vida.
Quero fama e dinheiro também.
Quero independência.
Mas acima de tudo, quero ser amada. Por completo. Exatamente do jeito que sou.
E isso ninguém conseguiu fazer ainda. Nem meus pais. Nem eu.

Acho que estou perdendo o juízo.
Creio que estou perdendo o juízo.
Em todos os lugares, em qualquer momento, ouço pessoas gritando meu nome.
Minha criação espiritual tem toda uma explicação fundamentada para isso.
Mas na prática, é bem estranho.
Apesar de qualquer explicação, não consigo encontrar uma explicação.

Estou me esvaziando de mim mesma.
Tem uma goteira aqui e não consigo achá-la.
Há perda de sentimentos, perda de energia.
Uma vazão desagradável, incontrolável.

Estou no alto e no baixo.

Na bipolaridade. Intercalando euforia e depressão a cada dois minutos.

Não consigo controlar. Mas todo natal é assim.
Elas vêm me atormentar.

Minhas pernas não sabem para onde correr.
Estou sem ação.
Tudo o que eu queria era sentar no meio da Av Paulista com um livro na mão e ler, surda, em meio aos carros.

Há essa torneira vazando no meio do meu peito.
Bem aqui. Sem lágrimas.
Apenas essa água cristalina indo embora.

Minha cabeça pede diversão.
Meu coração pede colo.
Minhas veias cianureto.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Weekend impressions

Prova de alemão.
Unhas feitas. Carona dos pais.
Confraternização com pessoas brilhantes e queridas.
Críticas e elogios.
Minha atenção se volta para um cara mais velho, fora dos padrões, mais inteligente, mais interessante, meu pirata. Projeto a longo prazo.
Bar com amigas. Reflexões, desabafos.
Rápida aparição do ilustre Nelson.
Reencontro com amigos.
Presente.
Mais elogios. Mais cerveja.
Risadas e confissões. Abraços, cumplicidade.
Brinde ao sucesso.
Paqueras inesperadas. Olhares cúmplices.
Tchau praça.
Táxi e trânsito. Muito trânsito!
Amigas outras.
Maquiagem, produções e fotos.
Egos infláveis...
Festa a pé.
Disputa de vaidades e discotecagens.
Telão. Decoração. Casarão.
Uma porcentagem da turma da praça se transferiu para o casarão perto da Paulista.
Eu sou Paulista.
Não tenho mais paciência para a futilidade desses garotos. Nem para a disputas de egos infláveis ou de vaidades.
Passo a noite muda e dançando minimamente.
Bebendo minimamente.
Alguns olhares discretos interessados, interessantes e novos, porém, não tenho mais paciência para isso.
Sorry boys... it's just the wrong day.
Sarcasmos múltiplos. Metralhados em todas direções.
Alguns nem mereciam meu sadismo.
Brigas de namorados... submissões.
Cafajestagens.
Ando beeeeeeeemmmm cansada da futilidade de certas pessoas.
Amo o teatro. Mas como em tantos outros meios, vemos tantas coisas, ações, pessoas medíocres.
A sorte é que quando encontramos algo bom nesse meio, daí esse bom realmente vale a pena. Não é só enganação.
Very few people know what I mean...
Voltar para uma casa que não é a minha, comer e dormir.
E eu só queria minha cama.
Eu só queria que tudo valesse a pena como antes das lágrimas. Como antes dos ruivos.
Eu só queria que tudo valesse a pena.
Dormir misturando reflexões e sonhos das 6 a.m. às 10 a.m.
Voltar finalmente para casa, vestindo um ônibus e um Ipod, e maquiagem borrada.
Encontrar o sofá disponível dentro de minha agenda depois de meses.
Dormir enquanto a televisão me olha. Acordar, comer.
Dormir, acordar, comer.
Agredir as teclas do Jack enquanto a palavras se arrastam na tela.
Me encaram da tela.
Muitos de meus pensamentos andam me julgando ultimamente.

"Não importa o caminho quando não se sabe aonde quer chegar"

Assisto ao filme "DOMINO" e considero firmemente a possibilidade de me tornar uma caçadora de recompensas.

Meu pai foi viajar. Minha mãe já foi dormir.
Os cachorros dormem e sonham com ossos de elefantes em suas casinhas.

Restamos só eu e o Jack à meia luz, nos encarando.

A árvore de natal piscando.

Tento não pensar na rotina que recomeça daqui algumas horas de madrugada.

Pelo menos há as luzes. Pelo menos há uma árvore.
Pelo menos haverá natal.

Já pra cama!

Boa noite,

F.