quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Sem ensaio

Eu procurava alguém com quem eu pudesse dividir um silêncio confortável.
Sem aquela obrigação de preencher os espaços dos diálogos vazios com palavras fúteis.
Apenas um silêncio confortável.
Olhar direto na sua pupila não incomodaria.
Alguém que realmente estivesse ali.
Satisfeitos. Um ao lado do outro.
Para entender bastaria um olhar.
Um sorriso. Um levantar de sobrancelhas.
Nossos corpos se encontrariam o tempo todo. Mesmo sem mãos dadas.
Apenas cabeça no ombro, braço no antebraço, pé com pé.
Sem ensaio.
Nossos corpos dançariam em sintonia, sem música. Inconscientes. Mas seguindo a mesma melodia cotidiana.
Se houvessem problemas, estes teriam a forma de um balão. E nós seríamos as pontas de um mesmo alfinete.
Noites carregadas de vinho, conversas e sexo.
Vidas carregadas de respeito e sensatez.
Ambos muito conscientes. Independentes.
Mas inseparáveis.

Mas...
Decidi não buscar mais o amor.
Em prol de minha própria libertação.

2 comentários:

Duli disse...

é q o amor não se busca: ele simplesmente acontece.
até tentando evitar isso, pode vir a acontecer.
vc só precisa estar preparada, disposta a receber o amor...
beijos

Erika Horn disse...

Acho mesmo que depois da cumplicidade uma vida carregada de respeito cuida bem da nossa alma..