Hoje eu sonhei com quem não deveria mais sonhar...
E no sonho beijei e fui beijada de volta. Acudi. Ajudei. Acolhi. Orientei. Bebi uísque junto, como em outros tempos.
Sonhei com ele, que deveria estar chegando em casa na hora em que acordei.
E algo muito forte me disse que ele precisava de mim.
Assombração, eu te amo, e é pra sempre, mas eu preciso de paz assim como preciso de você, assim como preciso da minha vida de volta.
Mesmo sozinha. Mesmo sem você.
Um beijo no seu ombro, porque na boca não pode.
sábado, 28 de novembro de 2009
Band-aid.
Deus... tenho salvação? Ainda nessa vida?
As pessoas estão me abandonando... aos pouquinhos, como um band-aid.
Só que dói em mim. Só em mim. Dói mais quando é aos pouquinhos.
Dá pra sentir mais. Prolongadamente.
Cordas de guitarras desafinadas vibram na minha cabeça. Dentro e ao redor.
Tenho estado mais longe do céu. Minha saúde também notou isso.
Então eu danço, pra pensar menos, para sentir menos. Me entorpeço.
Substituo uma dor por outra. Pé em ponta. Coxas alongadas. Coluna ereta.
Vou tentando alcançar a virtuosidade que desconheço, que não encontro em outros lugares.
Deixo ele me adorar e me sinto cada vez mais culpada.
Tenho tomado uns remédios que não deixam as dores físicas entrarem.
Ando com tonturas e leveza. Não encontro concentração. Ou motivação.
Meu corpo busca o dele inconscientemente. E minha mente sempre deixa.
Sou assim tão desprezível? Mesmo?
Sinto dor e dó... emoções envenenadas.
Euforias súbitas. Alegrias desconexas. Vazio.
Como se chovesse purpurina atrás de minhas retinas.
Minha ambição? Ficar saudável. Não sofrer muito quando o sertão virar mar.
O que ficou escrito em meu destino que me faz temer e tremer tanto?
Fico pensando se minha lucidez extrema é uma dádiva maldita...
E essas febres sem explicação?
Me sinto na obrigação de tirar mais fotos e de escrever mais, mas sobre o quê?
Preciso de foco. E de mais cigarros.
Sinto que eles precisam de mim, mas não faço idéia de como suprir.
Eles precisam do meu abraço e do meu apoio. Estamos invertidos. Não sei quem vai cuidar de mim agora.
Não me prepararam para isso. Esqueceram-se de me avisar que seria assim.
Não me preparei para ser sugada e cobrada e julgada. Eu sempre achei que teria uma corda de segurança, mas quando notei eu já estava caindo... e só caindo.
There is no Mother Mary when I find myself in times of trouble...
No words of wisdom have been whispered.
Sem resposta. Um coração partido.
Só isso.
As pessoas estão me abandonando... aos pouquinhos, como um band-aid.
Só que dói em mim. Só em mim. Dói mais quando é aos pouquinhos.
Dá pra sentir mais. Prolongadamente.
Cordas de guitarras desafinadas vibram na minha cabeça. Dentro e ao redor.
Tenho estado mais longe do céu. Minha saúde também notou isso.
Então eu danço, pra pensar menos, para sentir menos. Me entorpeço.
Substituo uma dor por outra. Pé em ponta. Coxas alongadas. Coluna ereta.
Vou tentando alcançar a virtuosidade que desconheço, que não encontro em outros lugares.
Deixo ele me adorar e me sinto cada vez mais culpada.
Tenho tomado uns remédios que não deixam as dores físicas entrarem.
Ando com tonturas e leveza. Não encontro concentração. Ou motivação.
Meu corpo busca o dele inconscientemente. E minha mente sempre deixa.
Sou assim tão desprezível? Mesmo?
Sinto dor e dó... emoções envenenadas.
Euforias súbitas. Alegrias desconexas. Vazio.
Como se chovesse purpurina atrás de minhas retinas.
Minha ambição? Ficar saudável. Não sofrer muito quando o sertão virar mar.
O que ficou escrito em meu destino que me faz temer e tremer tanto?
Fico pensando se minha lucidez extrema é uma dádiva maldita...
E essas febres sem explicação?
Me sinto na obrigação de tirar mais fotos e de escrever mais, mas sobre o quê?
Preciso de foco. E de mais cigarros.
Sinto que eles precisam de mim, mas não faço idéia de como suprir.
Eles precisam do meu abraço e do meu apoio. Estamos invertidos. Não sei quem vai cuidar de mim agora.
Não me prepararam para isso. Esqueceram-se de me avisar que seria assim.
Não me preparei para ser sugada e cobrada e julgada. Eu sempre achei que teria uma corda de segurança, mas quando notei eu já estava caindo... e só caindo.
There is no Mother Mary when I find myself in times of trouble...
No words of wisdom have been whispered.
Sem resposta. Um coração partido.
Só isso.
Conto - Como suspeitos de um crime...
Ela acorda com a barriga gelada de expectativa pela tarde que chega. Afasta, com um banho demorado, todos aqueles pensamentos impacientes. Prepara o corpo e a mente. Arruma sua mala para o dia seguinte, pois sabe que hoje poucas peças serão necessárias. Está louca para sair logo de casa mas enrola. Está com medo de sair de casa e se apressa. Se convence de que não está sonhando, pois há muita lucidez nessa loucura toda. Lucidez excessiva é altamente prejudicial, conclui. Dragões incandescentes percorrem seu corpo. Um pouco de febre também. Um truque e mais uma brilhante atuação perante a família. A pressão de olhar nos olhos deles. Bigornas em queda livre acertam seus pés. Verifica a chave e foge para a rua. Respira. Está livre. Decide que vai de táxi para conservar o perfume no corpo. Passa no mercado e compra uma bebida de menina, quase rosa. Compra também chicletes e coragem. Finge prestar atenção na conversa do taxista enquanto seu coração quase explode no céu da boca. Um caminho conhecido. Paga o taxista tagarela com vontade de enfiar o dinheiro na boca dele. Chega e encara o porteiro descaradamente, assumindo as peripécias iminentes, como se ele quase conseguisse adivinhar seus planos. A longa e asfixiante espera no elevador. A porta. Ela, previamente orientada que deveria entrar, pois a porta já estaria aberta. Clec. Estava aberta. Segurando o coração com as mãos para que esse não fugisse pela janela, a visão do corredor, o som da presença dele no banheiro. Cheiro de perfume masculino. A sala asseada. Ela passeia pela casa reconhecendo os cômodos, matando saudades de bons momentos, da primeira vez em que pisou no quarto, só para ler alguns contos, das outras visitas um tanto comprometedoras. Ela ainda passeia pela casa, já descalça, com um sorriso leve, infantil e malicioso. Encosta na janela e acende um cigarro. Ela veste seu lenço favorito, só para despi-lo depois.
Ele, perfumado, chega a sala com seu olhar perigoso de cigano. Beija-a com vontade, invadindo sua boca com língua e dentes sedentos, violentos, a mão já preparada com aqueles óleos próprios e irresistíveis. É ali no sofá da sala, a luz do dia, que iniciam sua manobras de amor tendo como platéia os moradores dos prédios vizinhos e os passageiros dos aviões que se preparam para aterrissar no aeroporto da cidade. Deliciando Voyers, quase gozam juntos. Aproveitando o pique adolescente dele e a eterna vontade dela, retomam as ações, mas em posições trocadas. O sofá torna-se, então, um aparelho de acrobacias enquanto ele abusa do alongamento dela. Um ponto nunca antes devidamente explorado é encontrado. Um tesouro numa praia deserta. Um tesouro úmido em uma praia explosiva. Ela sem fôlego, os pés próximos à cabeça, explodindo em mil sóis. Novas constelações nascem no céu que desaba sobre a cidade. Ela chove-se toda sobre a cidade. O céu inunda o chão de janelas abertas da sala. Consegue contar só até 7, depois perde-se em quantidades e sensações. O corpo dela aperta o dele ferozmente, retardando, atrapalhando, molhando todo ele. “Só posso estar morrendo”, conclui ela. “Ah, se morrer fosse tão bom assim! Indescritível”.
Entre banhos e muito mais chuva, entre cama e sofá, pia da cozinha, entre copos de vinho cor-de-rosa, entre mais cigarros e conversas e cócegas e piadinhas, entre saudades e mais vontades, entre calcinhas com brilhos e lambidas, entre outros veste-e-despe, quente e frio, entre pizzas e esperas, ela morreu e deliciou-se tantas outras vezes por todas aquelas vinte e quatro fantásticas horas seguintes.
Ele, perfumado, chega a sala com seu olhar perigoso de cigano. Beija-a com vontade, invadindo sua boca com língua e dentes sedentos, violentos, a mão já preparada com aqueles óleos próprios e irresistíveis. É ali no sofá da sala, a luz do dia, que iniciam sua manobras de amor tendo como platéia os moradores dos prédios vizinhos e os passageiros dos aviões que se preparam para aterrissar no aeroporto da cidade. Deliciando Voyers, quase gozam juntos. Aproveitando o pique adolescente dele e a eterna vontade dela, retomam as ações, mas em posições trocadas. O sofá torna-se, então, um aparelho de acrobacias enquanto ele abusa do alongamento dela. Um ponto nunca antes devidamente explorado é encontrado. Um tesouro numa praia deserta. Um tesouro úmido em uma praia explosiva. Ela sem fôlego, os pés próximos à cabeça, explodindo em mil sóis. Novas constelações nascem no céu que desaba sobre a cidade. Ela chove-se toda sobre a cidade. O céu inunda o chão de janelas abertas da sala. Consegue contar só até 7, depois perde-se em quantidades e sensações. O corpo dela aperta o dele ferozmente, retardando, atrapalhando, molhando todo ele. “Só posso estar morrendo”, conclui ela. “Ah, se morrer fosse tão bom assim! Indescritível”.
Entre banhos e muito mais chuva, entre cama e sofá, pia da cozinha, entre copos de vinho cor-de-rosa, entre mais cigarros e conversas e cócegas e piadinhas, entre saudades e mais vontades, entre calcinhas com brilhos e lambidas, entre outros veste-e-despe, quente e frio, entre pizzas e esperas, ela morreu e deliciou-se tantas outras vezes por todas aquelas vinte e quatro fantásticas horas seguintes.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Sub(in)consciente
Hoje eu acordei com uma saudade de você no meio das minhas pernas.
Daquele cheiro que deixamos impregnado no quarto.
Do seu cheiro misturado ao meu. Do meu gosto misturado ao seu.
Das nossas risadas silenciosas. Estripulias maliciosas.
Sua língua passeando sem pudores pelos meus cantos.
Relâmpagos iluminando as frestas da veneziana.
A chuva visitando cinza e mansa o asfalto da cidade pela janela indiscreta.
Beijos em lugares surpreendentes. Descobertas.
Compasso e descompasso. Arrepios. Pé e mão.
Multiplicidade de sensações. Prazeres.
Fôlego e água derramados no lençol.
Suor acumulado entre ventres.
Pêlos e cabelos enroscados no chão.
Aquela cena perdida por muitos cineastas.
Dentes e mordidas roxas. Mimo, oferta de colo.
De todas as partes e tipos de colo.
Do útero ao seio.
O banho que não foi dado e nem tomado junto. O banho de gato.
Do sussurro, da pressa e do segredo.
Nossa prece para que a cidade se movesse em câmera lenta.
A vontade de não desperdiçar nem o último segundo.
Mesmo com ou sem cigarros.
Daquele cheiro que deixamos impregnado no quarto.
Do seu cheiro misturado ao meu. Do meu gosto misturado ao seu.
Das nossas risadas silenciosas. Estripulias maliciosas.
Sua língua passeando sem pudores pelos meus cantos.
Relâmpagos iluminando as frestas da veneziana.
A chuva visitando cinza e mansa o asfalto da cidade pela janela indiscreta.
Beijos em lugares surpreendentes. Descobertas.
Compasso e descompasso. Arrepios. Pé e mão.
Multiplicidade de sensações. Prazeres.
Fôlego e água derramados no lençol.
Suor acumulado entre ventres.
Pêlos e cabelos enroscados no chão.
Aquela cena perdida por muitos cineastas.
Dentes e mordidas roxas. Mimo, oferta de colo.
De todas as partes e tipos de colo.
Do útero ao seio.
O banho que não foi dado e nem tomado junto. O banho de gato.
Do sussurro, da pressa e do segredo.
Nossa prece para que a cidade se movesse em câmera lenta.
A vontade de não desperdiçar nem o último segundo.
Mesmo com ou sem cigarros.
Outro lugar
Algo pontual.
Uma distração para minhas lagriminhas. Sem ter que explicar nada.
Cheguei, tomamos cerveja, otras cositas, sex, more sex, cigarrettes, muitas risadas.
Colo. Me deu colo, em sentido literal.
Nada demais. Foi demais, por não ser nada demais.
“Entramos, pecamos e partimos”.
Uma distração para minhas lagriminhas. Sem ter que explicar nada.
Cheguei, tomamos cerveja, otras cositas, sex, more sex, cigarrettes, muitas risadas.
Colo. Me deu colo, em sentido literal.
Nada demais. Foi demais, por não ser nada demais.
“Entramos, pecamos e partimos”.
"Você mordeu a maçã
E renunciou ao paraíso
E condenou a tal serpente
Sendo você quem quis fazê-lo
Eu que sou um caos completo
As entrada, as saídas
Os nomes e as medidas
Não cabem nos meus excessos"
E renunciou ao paraíso
E condenou a tal serpente
Sendo você quem quis fazê-lo
Eu que sou um caos completo
As entrada, as saídas
Os nomes e as medidas
Não cabem nos meus excessos"
As coisas estão perdendo a graça.
A comida está menos saborosa. As emoções escorrem pelo ralo.
As pessoas riem, mas eu não consigo esboçar um sorriso.
Acontecimentos explodem na minha cara, mas não consigo percebê-los.
Tenho a pele anestesiada e o toque, o meu e o dos outros, parece qualquer coisa sobre qualquer pedaço de carne morta.
Não consigo reproduzir mais as cenas porque não consigo mais sentir.
Parece que não estou mais ali. Não estou mais aqui. Tudo acontece maior e melhor dentro da minha cabeça. É como se minha alma tivesse se desprendido do meu corpo e ficasse presa no interior do topo do meu crânio, entre o cérebro e as têmporas, olhando pra baixo e para dentro. Estou vazia. Minha alma só vê esse vazio. Um vazio irônico que quer arrancar o que há de pior nas outras pessoas. Um vazio que aponta seu dedo indicador na minha e na sua cara e debocha e ri até vomitar.
.
.
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A comida está menos saborosa. As emoções escorrem pelo ralo.
As pessoas riem, mas eu não consigo esboçar um sorriso.
Acontecimentos explodem na minha cara, mas não consigo percebê-los.
Tenho a pele anestesiada e o toque, o meu e o dos outros, parece qualquer coisa sobre qualquer pedaço de carne morta.
Não consigo reproduzir mais as cenas porque não consigo mais sentir.
Parece que não estou mais ali. Não estou mais aqui. Tudo acontece maior e melhor dentro da minha cabeça. É como se minha alma tivesse se desprendido do meu corpo e ficasse presa no interior do topo do meu crânio, entre o cérebro e as têmporas, olhando pra baixo e para dentro. Estou vazia. Minha alma só vê esse vazio. Um vazio irônico que quer arrancar o que há de pior nas outras pessoas. Um vazio que aponta seu dedo indicador na minha e na sua cara e debocha e ri até vomitar.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Após completar 1/4 de século...
"
TENHO SENTIDO UMA VONTADE DE COLO.
SIM, DE COLO. É INCONTROLÁVEL. INSACIÁVEL.
QUERO COLO. DE MÃE, DE AMIGA, DE NAMORADO, DE PRIMA, QUERO COLO, SEM DISTINÇÃO.
E TEM QUE SER UM COLO VERDADEIRO, DAQUELES QUE SUSTENTAM PERNAS E LOMBO, APÓIAM CABEÇA E OMBROS.
QUERO COMPRAR UMA GARRAFA DE VINHO BRANCO, SENTAR NAQUELA PRAÇA PERTO DA VILA E ASSISTIR O PÔR-DO-SOL. SIMPLES ASSIM.
QUERO ASSISTIR MINHA PELE ALARANJAR-SE COM O REFLEXO DOS RAIOS. QUERO FICAR MORNA DE SOL QUE VAI DORMIR. OS PÊLOS ARREPIADOS DE CALOR. OS OLHOS CINZAS-CASTANHOS MAIS VERDES.
QUERO QUE O SOL ME INVADA PELO UMBIGO, PELA BOCA DO ESTÔMAGO, PELO NARIZ, PELOS JOELHOS, PELOS DEDOS INDICADORES E SE MISTURE AO VENTO NO MEU CABELO. PENETRE NO MEU SANGUE E ME ENTORPEÇA JUNTO AO VINHO. ME ACARICIE OS PÊLOS, OS POROS, O PULMÃO DIREITO E O ESQUERDO, ACALME ESSA SENSAÇÃO NA BOCA DO ESTÔMAGO, AQUEÇA MEU ÚTERO, ME LIBERTE E ME PEGUE... NO COLO.
"
TENHO SENTIDO UMA VONTADE DE COLO.
SIM, DE COLO. É INCONTROLÁVEL. INSACIÁVEL.
QUERO COLO. DE MÃE, DE AMIGA, DE NAMORADO, DE PRIMA, QUERO COLO, SEM DISTINÇÃO.
E TEM QUE SER UM COLO VERDADEIRO, DAQUELES QUE SUSTENTAM PERNAS E LOMBO, APÓIAM CABEÇA E OMBROS.
QUERO COMPRAR UMA GARRAFA DE VINHO BRANCO, SENTAR NAQUELA PRAÇA PERTO DA VILA E ASSISTIR O PÔR-DO-SOL. SIMPLES ASSIM.
QUERO ASSISTIR MINHA PELE ALARANJAR-SE COM O REFLEXO DOS RAIOS. QUERO FICAR MORNA DE SOL QUE VAI DORMIR. OS PÊLOS ARREPIADOS DE CALOR. OS OLHOS CINZAS-CASTANHOS MAIS VERDES.
QUERO QUE O SOL ME INVADA PELO UMBIGO, PELA BOCA DO ESTÔMAGO, PELO NARIZ, PELOS JOELHOS, PELOS DEDOS INDICADORES E SE MISTURE AO VENTO NO MEU CABELO. PENETRE NO MEU SANGUE E ME ENTORPEÇA JUNTO AO VINHO. ME ACARICIE OS PÊLOS, OS POROS, O PULMÃO DIREITO E O ESQUERDO, ACALME ESSA SENSAÇÃO NA BOCA DO ESTÔMAGO, AQUEÇA MEU ÚTERO, ME LIBERTE E ME PEGUE... NO COLO.
"
Extintos (Instintos)
*
Perdi a chave do meu coração. E meu peito foi rasgado e escancarado para as moscas.
Sentimentos extintos. Vagas abertas.
Se você possui mais de 40 anos e cabelos cor de prata, para combinar com meus olhos cor de prata, inscreva-se.
Recomendações: não ouse me dobrar.
Cansei de cuidar das pessoas. Agora eu quero alguém que cuide de mim. Que me coloque na cama, ou no colo, e me balance. Quero ser ninada.
Porque tenho lágrimas nos olhos há tempo demais, e elas não secam, não cessam.
Quero ir embora. Ir pra casa. Deitar na minha cama e acordar só na vida seguinte.
Eu quero escolher nunca mais ter dessas febres repentinas no meio da semana, no meio do nada, e finalmente dormir. E descansar. E acordar sendo amada.
Quero um beijo que invada a minha nuca. Levantar sem ter que escolher roupas, sem ter que vestir roupas, passear pela MINHA CASA com uma taça de vinho, um cigarro, nua, e escrever descomprometidamente para a vida. Dar vazão de mim no papel. E adormecer sobre a pena na mão na mesa. Acordar entre milhares de penas e sentir que o mundo é fofo e confortável e leve assim, com papéis e inspiração se misturando por todos os lados. Ter sempre o beijo que invade a nuca para me acordar. Tenho corrido com lobos e meu corpo todo dói. Dói porque tenho ressaca das pessoas. Enquanto isso minha mão formiga e eu passo frio. Os lobos são meus amigos e eles aprenderam que não conseguem me dobrar. Então, brindamos e bebemos à nossa corrida. Bebemos uísque, que é feito para aqueles que cansaram de sentir o gosto do mundo.
Por isso, agora escancaro meu peito dolorido e dilacerado pela 5ª vez e abro todas as vagas, mesmo que seja só para as moscas. Quem sabe o 6 seja meu número de sorte.
Ultimatos: Mas não vá pensando que sou sua, nem que estou garantindo uma morada no meu peito. Porque não é possível domesticar um lobo que nasceu para correr o universo.
É a chance. Se você tem o cabelo ou os olhos cor de prata, para combinar com os meus, ou se você é selvagem o suficiente para correr do meu lado... chegou nossa hora. Te aguardo de frente para a avenida com as luzes mais fortes, perto da última floresta.
*
Perdi a chave do meu coração. E meu peito foi rasgado e escancarado para as moscas.
Sentimentos extintos. Vagas abertas.
Se você possui mais de 40 anos e cabelos cor de prata, para combinar com meus olhos cor de prata, inscreva-se.
Recomendações: não ouse me dobrar.
Cansei de cuidar das pessoas. Agora eu quero alguém que cuide de mim. Que me coloque na cama, ou no colo, e me balance. Quero ser ninada.
Porque tenho lágrimas nos olhos há tempo demais, e elas não secam, não cessam.
Quero ir embora. Ir pra casa. Deitar na minha cama e acordar só na vida seguinte.
Eu quero escolher nunca mais ter dessas febres repentinas no meio da semana, no meio do nada, e finalmente dormir. E descansar. E acordar sendo amada.
Quero um beijo que invada a minha nuca. Levantar sem ter que escolher roupas, sem ter que vestir roupas, passear pela MINHA CASA com uma taça de vinho, um cigarro, nua, e escrever descomprometidamente para a vida. Dar vazão de mim no papel. E adormecer sobre a pena na mão na mesa. Acordar entre milhares de penas e sentir que o mundo é fofo e confortável e leve assim, com papéis e inspiração se misturando por todos os lados. Ter sempre o beijo que invade a nuca para me acordar. Tenho corrido com lobos e meu corpo todo dói. Dói porque tenho ressaca das pessoas. Enquanto isso minha mão formiga e eu passo frio. Os lobos são meus amigos e eles aprenderam que não conseguem me dobrar. Então, brindamos e bebemos à nossa corrida. Bebemos uísque, que é feito para aqueles que cansaram de sentir o gosto do mundo.
Por isso, agora escancaro meu peito dolorido e dilacerado pela 5ª vez e abro todas as vagas, mesmo que seja só para as moscas. Quem sabe o 6 seja meu número de sorte.
Ultimatos: Mas não vá pensando que sou sua, nem que estou garantindo uma morada no meu peito. Porque não é possível domesticar um lobo que nasceu para correr o universo.
É a chance. Se você tem o cabelo ou os olhos cor de prata, para combinar com os meus, ou se você é selvagem o suficiente para correr do meu lado... chegou nossa hora. Te aguardo de frente para a avenida com as luzes mais fortes, perto da última floresta.
*
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Prata
*
Inconstante.
Eu sou muito inconstante.
Não vou pedir desculpas por isso.
Gosto é de chegar sozinha nos lugares e beber sozinha e observar sozinha e escrever sozinha e conhecer pessoas.
Não consigo me desacostumar. Sou e sempre fui uma anti-social profissional. Odeio o burburinho.
Gosto quando o mundo gira aos meus pés. Meu corpo é só meu.
Sou egoísta sim, mas disso você já sabia.
Então não fale assim comigo. Não desse jeito manso.
Não me toque. Por favor, não me toque.
Tenho espinhos no couro.
E eu garanto. Você vai se machucar. Não-me-toque, eu disse.
Me deixa em paz. E me deixa beber em paz. E não se aproxime assim, porque sou perigosa assim.
Porque assim eu sufoco.
Tome cuidado e não vá achando que sou sua. Porque nunca quis ser sua. Ou de qualquer alguém.
Porque jogo e brigo com artilharia pesada. Estou em um outro lugar.
Vou acabar te estragando também.
Vou destruir sua inocência e sua pouca experiência.
E vou te jogar aonde cheguei. Onde sangrei.
Para me acompanhar, querido, você precisa de um pouco de malícia e uma dose de sorte.
Além da paciência e da experiência que só se adquirem quando os cabelos ficam grisalhos.
*
Inconstante.
Eu sou muito inconstante.
Não vou pedir desculpas por isso.
Gosto é de chegar sozinha nos lugares e beber sozinha e observar sozinha e escrever sozinha e conhecer pessoas.
Não consigo me desacostumar. Sou e sempre fui uma anti-social profissional. Odeio o burburinho.
Gosto quando o mundo gira aos meus pés. Meu corpo é só meu.
Sou egoísta sim, mas disso você já sabia.
Então não fale assim comigo. Não desse jeito manso.
Não me toque. Por favor, não me toque.
Tenho espinhos no couro.
E eu garanto. Você vai se machucar. Não-me-toque, eu disse.
Me deixa em paz. E me deixa beber em paz. E não se aproxime assim, porque sou perigosa assim.
Porque assim eu sufoco.
Tome cuidado e não vá achando que sou sua. Porque nunca quis ser sua. Ou de qualquer alguém.
Porque jogo e brigo com artilharia pesada. Estou em um outro lugar.
Vou acabar te estragando também.
Vou destruir sua inocência e sua pouca experiência.
E vou te jogar aonde cheguei. Onde sangrei.
Para me acompanhar, querido, você precisa de um pouco de malícia e uma dose de sorte.
Além da paciência e da experiência que só se adquirem quando os cabelos ficam grisalhos.
*
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Badabá
FODA-SE.
VIM AQUI ESCREVER SÓ PRA ME SENTIR VIVA.
MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE EU VOU ESCREVER ALGO QUE VAI MUDAR SUA VIDA. PORQUE EU NÃO VOU.
OUTRA COISA QUE ME FAZ SENTIR VIVA, UM SER PENSANTE, É A MÚSICA. E HOJE ME DEI CONTA QUE HÁ ALGUM TEMPO EU NÃO OUVIA NADA MELÓDICO QUE VALESSE A PENA.
DAÍ EU ESTAVA A TOA. A TOA NÃO, TAVA TRABALHANDO (RSRS) E GARIMPEI MEU CELULAR DE DENTRO DA BOLSA, COLOQUEI UNS FONES NELE, PROCUREI UMAS RÁDIOS E ACHEI POUQUÍSSIMAS COISAS BOAS.
MAS UMA VALEU A PENA. ESTAVA TOCANDO “COMO NOSSOS PAIS”.
E A RAIVA NA VOZ DAQUELA MULHERZINHA FÉLADAPOTA QUE É A ELIS FEZ ARREPIAR CADA PÊLO DO MEU CORPO NADA MAGRO, MAS AINDA PEQUENO.
ISSO SEM MENCIONAR REM, KID ROCK COM O POP-ROCK-FOLK “SWEET HOME ALABAMA”, A VOZ DA JANIS JOPLIN PEDINDO UM MERCEDEZ-BENZ PRA DEUS...
E DAÍ EU LEMBREI EM COMO EU SOU FELIZ E VIVA POR TER A MÚSICA, MESMO QUANDO JÁ ESTÁ TUDO FERRADO MESMO...
COMO FUI FELIZ DE TER UM PRIMO QUE INJETAVA MTV E THUNDER BIRD NO MEU CÉREBRO DE 6 ANOS DE VIVÊNCIA 77H POR DIA.
MEU VELHO! COMO AQUILO TUDO ME DEIXOU IRRITANTEMENTE LÚCIDA, NEM PRECISEI LER SARTRE AOS 15 ANOS PRA TER CRISES EXISTENCIAIS E OVERDOSE DE MUNDO.
MAS FOI TUDO VÁLIDO.
DIA DESSES TIVE A CHANCE DE FALAR COM O THUNDER... E DEVO TER IRRITADO ELE PÁCACETE COM MEU BLÁBLÁBLÁ ÉBRIO. MAS, IMAGINEM SÓ, EU TINHA TOMADO UM MONTE DE VINHO E ME DEPAREI COM O ÍDOLO DA MINHA INFÂNCIA E PRÉ-ADOLESCÊNCIA... DEPOIS DO CARA, A MTV NUNCA MAIS FOI A MESMA!
BEM, MAS ESSA É SÓ MINHA OPINIÃO.
MAS TAMBÉM TEVE MUITO DE BEETHOVEN E MOZART NA MINHA FORMAÇÃO. MINHA MÃE, CANTORA LÍRICA FRUSTRADA, DEIXAVA O DIA INTEIRO TOCANDO A “CULTURA FM”, ACHO QUE É ESSA A RÁDIO... AQUELA QUE FICAVA UMA MULHER CANTANDO BADA BÁ BADABÁ BADABÁ BADABÁÁÁDA, SABE? ENFIM, ISSO ME APRESENTOU UM OUTRO MUNDO.
UMA COISA LOUCA QUE CONDUZIA MEU CÉREBRO PSICODÉLICO DE 7 ANOS POR OUTRAS ERAS...
TINHA TAMBÉM A PAIXÃO DO MEU PAI POR MPB.
TODOS OS FINAIS DE SEMANA NÓS VIAJÁVAMOS DE CARRO PRA PRAIA OU PARA MARÍLIA, NO INTERIOR PAULISTA, E DAÍ ERA INJEÇÃO DE GUILHERME ARANTES, ROUPA NOVA, CAETANO VELOSO, MILTON NASCIMENTO, ZELIA DUNCAN, ROBERTO CARLOS.
ISSO, QUANDO NÃO ERA CARMINA BURANA QUE TOCAVA INTEIRINHA NAS VIAGENS E EU CANTAVA INTEIRINHA AOS 8 ANOS, TODA SERELEPE. A 9ª SINFONIA AOS 9 EM ALEMÃO.
E TINHA MAIS UMA QUE EU OUVIA REPETIDAS VEZES ATÉ DORMIR. O REFRÃO ERA ALGO ASSIM “VIVER É FÚRIA E FOLIA RUMO AO MÁGICO” QUE NÃO LEMBRO DE QUEM É... EU ADORAVA. ME DAVA UMA SENSAÇÃO DE INTENSIDADE, OLHANDO A ESTRADA, O SOL NASCENDO NAS COSTAS DO CARRO. UMA SENSAÇÃO DE “ADEUS, AGORA, TUDO BEM”.
EU ACHO QUE EU ERA AUTISTA QUANDO CRIANÇA, NÃO FALAVA COM QUASE NINGUÉM, VIVIA EMBURRADA, TUDO ERA PSICODÉLICO, O VENTO E SEUS SONS, A MÚSICA E SUAS CORES, OS SENTIMENTOS, O FRIO, O CALOR, TINHA UM MILHÃO DE AMIGOS IMAGINÁRIOS E TROCAVA DE ROUPA VÁRIAS VEZES EM UM DIA, PARA AGIR DE ACORDO COM MEU ACOMPANHANTE IMAGINÁRIO OU COM A SITUAÇÃO. EU SEGURAVA FORMIGAS NAS MÃOS E FICAVA CONVERSANDO COM ELAS. DEPOIS EU AS AFOGAVA E UM MINI POÇA DE ÁGUA AO LADO DO BEBEDOURO. DAÍ EU AS SECAVA E FICAVA ESPERANDO ELAS REVIVEREM (ISSO RARAMENTE ACONTECIA). EU ACHAVA QUE TINHA O PODER DE COMANDAR O TEMPO E FICAVA TESTANDO ISSO NO QUINTAL. MANDANDO AOS CÉUS QUE CHOVESSE, POR PURA VONTADE.
A COURTNEY LOVE ERA MEU ÍDOLO. EU QUERIA CRESCER E SER EXATAMENTE IGUAL A ELA.
SONHO PARTIDO BEM CEDO, HAJA VISTA MINHA PELE MORENA E MEU CABELO NEGRO. E A HERANÇA VOCAL NÃO HERDADA DE MINHA MÃE.
MINHA MÃE CANTAVA MUITO. OS VIZINHOS DO QUARTEIRÃO AO LADO VINHAM COMENTAR QUE A TINHAM OUVIDO E QUE ERA LINDO. ERA LINDO! MAS MEU OUVIDO DOÍA MUITO E ELA PAROU DE CANTAR.
NÃO ME LEMBRO DISSO. POR BLOQUEIO DEVE SER. SEI QUE DEPOIS QUE DESCOBRI QUE ELA PAROU DE CANTAR POR MINHA CAUSA ME DOEU MUITO.
DÓI ATÉ HOJE QUANDO LEMBRO QUE ELA TEM UM CALO NA VOZ E QUE NÃO CONSEGUE MAIS ATINGIR AQUELAS NOTAS.
É...
CHICO BUARQUE EU DESCOBRI SOZINHA. E LEMBRO QUE FOI DELICIOSO. NÃO SEI SE FORAM OS OLHOS DELE OU A VOZ DE OURO LÍQUIDO, SEI QUE DERRETEU MEUS SENTIDOS. PULSOU.
O BLUES VEIO ESPONTANEAMENTE, COMO AQUELE GAROTO DO BAIRRO QUE SEMPRE ESTEVE ALI POR PERTO, MAS VOCÊ SÓ REPAROU QUANDO ADQUIRIU CERTA MATURIDADE, ENTENDE?
O MAIS ENGRAÇADO É QUE A MATURIDADE TROUXE UM CERTO APREÇO POR CAIXINHAS DE MÚSICA.
UMA SENSAÇÃO DE INFÂNCIA PERDIDA... OU DE ALGO PERDIDO NA INFÂNCIA. NÃO SEI AO CERTO.
UMA COISA É CERTA, E NÃO É BRINCADEIRA, SEM MÚSICA EU JÁ TERIA ABANDONADO O BARCO HÁ MUITO TEMPO.
AOS 13 ANOS, COMECEI A TER INSÔNIAS INFERNAIS.
AOS 14 ANOS, EU DESEJAVA ME TRANSFORMAR EM ALGO SEM VIDA, UMA PEDRA, UM FOLHA CAÍDA NA CALÇADA.
AOS 15 ANOS, O MEDO DE TER CÂNCER DE MAMA, UM CHOQUE E UMA PERDA.
AOS 16 ANOS, SOLIDÃO.
AOS 17 ANOS, NÃO QUERIA CHEGAR AOS 20.
AOS 18 ANOS, UM CORAÇÃO, PELA TERCEIRA VEZ, ESTRAÇALHADO (DUPLAMENTE), SÓ ESPERANDO O PRAZO FINAL.
MAS A MÚSICA SEMPRE ESTEVE ALI. DENTRO DO RÁDIO, NA TV. DENTRO DA PELE. NA GARGANTA. ESCONDIDA NOS FONES DE OUVIDO SOB MOLETONS.
FALANDO TUDO QUE EU NÃO PODIA FALAR.
VIM AQUI ESCREVER SÓ PRA ME SENTIR VIVA.
MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE EU VOU ESCREVER ALGO QUE VAI MUDAR SUA VIDA. PORQUE EU NÃO VOU.
OUTRA COISA QUE ME FAZ SENTIR VIVA, UM SER PENSANTE, É A MÚSICA. E HOJE ME DEI CONTA QUE HÁ ALGUM TEMPO EU NÃO OUVIA NADA MELÓDICO QUE VALESSE A PENA.
DAÍ EU ESTAVA A TOA. A TOA NÃO, TAVA TRABALHANDO (RSRS) E GARIMPEI MEU CELULAR DE DENTRO DA BOLSA, COLOQUEI UNS FONES NELE, PROCUREI UMAS RÁDIOS E ACHEI POUQUÍSSIMAS COISAS BOAS.
MAS UMA VALEU A PENA. ESTAVA TOCANDO “COMO NOSSOS PAIS”.
E A RAIVA NA VOZ DAQUELA MULHERZINHA FÉLADAPOTA QUE É A ELIS FEZ ARREPIAR CADA PÊLO DO MEU CORPO NADA MAGRO, MAS AINDA PEQUENO.
ISSO SEM MENCIONAR REM, KID ROCK COM O POP-ROCK-FOLK “SWEET HOME ALABAMA”, A VOZ DA JANIS JOPLIN PEDINDO UM MERCEDEZ-BENZ PRA DEUS...
E DAÍ EU LEMBREI EM COMO EU SOU FELIZ E VIVA POR TER A MÚSICA, MESMO QUANDO JÁ ESTÁ TUDO FERRADO MESMO...
COMO FUI FELIZ DE TER UM PRIMO QUE INJETAVA MTV E THUNDER BIRD NO MEU CÉREBRO DE 6 ANOS DE VIVÊNCIA 77H POR DIA.
MEU VELHO! COMO AQUILO TUDO ME DEIXOU IRRITANTEMENTE LÚCIDA, NEM PRECISEI LER SARTRE AOS 15 ANOS PRA TER CRISES EXISTENCIAIS E OVERDOSE DE MUNDO.
MAS FOI TUDO VÁLIDO.
DIA DESSES TIVE A CHANCE DE FALAR COM O THUNDER... E DEVO TER IRRITADO ELE PÁCACETE COM MEU BLÁBLÁBLÁ ÉBRIO. MAS, IMAGINEM SÓ, EU TINHA TOMADO UM MONTE DE VINHO E ME DEPAREI COM O ÍDOLO DA MINHA INFÂNCIA E PRÉ-ADOLESCÊNCIA... DEPOIS DO CARA, A MTV NUNCA MAIS FOI A MESMA!
BEM, MAS ESSA É SÓ MINHA OPINIÃO.
MAS TAMBÉM TEVE MUITO DE BEETHOVEN E MOZART NA MINHA FORMAÇÃO. MINHA MÃE, CANTORA LÍRICA FRUSTRADA, DEIXAVA O DIA INTEIRO TOCANDO A “CULTURA FM”, ACHO QUE É ESSA A RÁDIO... AQUELA QUE FICAVA UMA MULHER CANTANDO BADA BÁ BADABÁ BADABÁ BADABÁÁÁDA, SABE? ENFIM, ISSO ME APRESENTOU UM OUTRO MUNDO.
UMA COISA LOUCA QUE CONDUZIA MEU CÉREBRO PSICODÉLICO DE 7 ANOS POR OUTRAS ERAS...
TINHA TAMBÉM A PAIXÃO DO MEU PAI POR MPB.
TODOS OS FINAIS DE SEMANA NÓS VIAJÁVAMOS DE CARRO PRA PRAIA OU PARA MARÍLIA, NO INTERIOR PAULISTA, E DAÍ ERA INJEÇÃO DE GUILHERME ARANTES, ROUPA NOVA, CAETANO VELOSO, MILTON NASCIMENTO, ZELIA DUNCAN, ROBERTO CARLOS.
ISSO, QUANDO NÃO ERA CARMINA BURANA QUE TOCAVA INTEIRINHA NAS VIAGENS E EU CANTAVA INTEIRINHA AOS 8 ANOS, TODA SERELEPE. A 9ª SINFONIA AOS 9 EM ALEMÃO.
E TINHA MAIS UMA QUE EU OUVIA REPETIDAS VEZES ATÉ DORMIR. O REFRÃO ERA ALGO ASSIM “VIVER É FÚRIA E FOLIA RUMO AO MÁGICO” QUE NÃO LEMBRO DE QUEM É... EU ADORAVA. ME DAVA UMA SENSAÇÃO DE INTENSIDADE, OLHANDO A ESTRADA, O SOL NASCENDO NAS COSTAS DO CARRO. UMA SENSAÇÃO DE “ADEUS, AGORA, TUDO BEM”.
EU ACHO QUE EU ERA AUTISTA QUANDO CRIANÇA, NÃO FALAVA COM QUASE NINGUÉM, VIVIA EMBURRADA, TUDO ERA PSICODÉLICO, O VENTO E SEUS SONS, A MÚSICA E SUAS CORES, OS SENTIMENTOS, O FRIO, O CALOR, TINHA UM MILHÃO DE AMIGOS IMAGINÁRIOS E TROCAVA DE ROUPA VÁRIAS VEZES EM UM DIA, PARA AGIR DE ACORDO COM MEU ACOMPANHANTE IMAGINÁRIO OU COM A SITUAÇÃO. EU SEGURAVA FORMIGAS NAS MÃOS E FICAVA CONVERSANDO COM ELAS. DEPOIS EU AS AFOGAVA E UM MINI POÇA DE ÁGUA AO LADO DO BEBEDOURO. DAÍ EU AS SECAVA E FICAVA ESPERANDO ELAS REVIVEREM (ISSO RARAMENTE ACONTECIA). EU ACHAVA QUE TINHA O PODER DE COMANDAR O TEMPO E FICAVA TESTANDO ISSO NO QUINTAL. MANDANDO AOS CÉUS QUE CHOVESSE, POR PURA VONTADE.
A COURTNEY LOVE ERA MEU ÍDOLO. EU QUERIA CRESCER E SER EXATAMENTE IGUAL A ELA.
SONHO PARTIDO BEM CEDO, HAJA VISTA MINHA PELE MORENA E MEU CABELO NEGRO. E A HERANÇA VOCAL NÃO HERDADA DE MINHA MÃE.
MINHA MÃE CANTAVA MUITO. OS VIZINHOS DO QUARTEIRÃO AO LADO VINHAM COMENTAR QUE A TINHAM OUVIDO E QUE ERA LINDO. ERA LINDO! MAS MEU OUVIDO DOÍA MUITO E ELA PAROU DE CANTAR.
NÃO ME LEMBRO DISSO. POR BLOQUEIO DEVE SER. SEI QUE DEPOIS QUE DESCOBRI QUE ELA PAROU DE CANTAR POR MINHA CAUSA ME DOEU MUITO.
DÓI ATÉ HOJE QUANDO LEMBRO QUE ELA TEM UM CALO NA VOZ E QUE NÃO CONSEGUE MAIS ATINGIR AQUELAS NOTAS.
É...
CHICO BUARQUE EU DESCOBRI SOZINHA. E LEMBRO QUE FOI DELICIOSO. NÃO SEI SE FORAM OS OLHOS DELE OU A VOZ DE OURO LÍQUIDO, SEI QUE DERRETEU MEUS SENTIDOS. PULSOU.
O BLUES VEIO ESPONTANEAMENTE, COMO AQUELE GAROTO DO BAIRRO QUE SEMPRE ESTEVE ALI POR PERTO, MAS VOCÊ SÓ REPAROU QUANDO ADQUIRIU CERTA MATURIDADE, ENTENDE?
O MAIS ENGRAÇADO É QUE A MATURIDADE TROUXE UM CERTO APREÇO POR CAIXINHAS DE MÚSICA.
UMA SENSAÇÃO DE INFÂNCIA PERDIDA... OU DE ALGO PERDIDO NA INFÂNCIA. NÃO SEI AO CERTO.
UMA COISA É CERTA, E NÃO É BRINCADEIRA, SEM MÚSICA EU JÁ TERIA ABANDONADO O BARCO HÁ MUITO TEMPO.
AOS 13 ANOS, COMECEI A TER INSÔNIAS INFERNAIS.
AOS 14 ANOS, EU DESEJAVA ME TRANSFORMAR EM ALGO SEM VIDA, UMA PEDRA, UM FOLHA CAÍDA NA CALÇADA.
AOS 15 ANOS, O MEDO DE TER CÂNCER DE MAMA, UM CHOQUE E UMA PERDA.
AOS 16 ANOS, SOLIDÃO.
AOS 17 ANOS, NÃO QUERIA CHEGAR AOS 20.
AOS 18 ANOS, UM CORAÇÃO, PELA TERCEIRA VEZ, ESTRAÇALHADO (DUPLAMENTE), SÓ ESPERANDO O PRAZO FINAL.
MAS A MÚSICA SEMPRE ESTEVE ALI. DENTRO DO RÁDIO, NA TV. DENTRO DA PELE. NA GARGANTA. ESCONDIDA NOS FONES DE OUVIDO SOB MOLETONS.
FALANDO TUDO QUE EU NÃO PODIA FALAR.
Sobre a verve, a ação e a melancolia...
Carente, carente, carente. Como um cachorro em dia de chuva.
Atribuo isso ao período fértil e cíclico de meu corpo.
Gosto tanto da lua que a peço em casamento. Sem resposta.
Dias nublados e noites pesadas.
Caminho pelas ruas sem parar. Acendo um cigarro. Outro.
Minha cabeça toca um blues. Sinto falta do som de um baixo, nessa história toda.
Um pouco de transparência nos braços e nas pernas.
A pele pálida exigindo maquiagem. Um pedido declaradamente ignorado, por enquanto.
Os pés tristes porque não estão dançando.
E a noite prometendo segredos que não existirão.
Uma garrafa de vinho abandonada na mão esquerda.
Não sei aonde meu corpo me leva então caminho sem rumo. As ruas barulhentas da cidade gritam meu nome.
Gritam todos os meus nomes, dessa e de outras vidas.
Os sentimentos se confundem dentro da minha cabeça e eu sinto uma coisa só. Que já não sei mais se é boa ou ruim.
Meus pés não param, e seguem um caminho traçado por impulso e instinto.
A rua ainda grita tantos nomes que eu não sei se ainda reconheceria o meu próprio.
Luzes amarelas e vermelhas passam agressivamente sobre meus olhos.
Jogo mais fumaça em meus pulmões. E a fumaça, sem encontrá-los, se espalha por todo meu corpo, entorpecendo meus sentidos, como se isso ainda fosse possível.
Uma música metálica e de acordes repetidos não me abandona.
Vagando, olho nos olhos de uma mendiga velha, e talvez sábia, que tenta me aconselhar em dialeto próprio.
Num dialeto igualmente antigo que deve ter sofrido influências de todas as outras línguas do mundo.
Estranhamente, ela baba enquanto fala e sua saliva reluz como ouro à sombra das luzes dos automóveis.
Uma luz forte no final da rua, o som alto de uma freada brusca e...
Uma luz forte no final da vida.
A boca invadida por um gosto salgado e ácido. Devo estar comento pilhas.
Mas é só sangue. Só sangue. Por todos os lados.
Atribuo isso ao período fértil e cíclico de meu corpo.
Gosto tanto da lua que a peço em casamento. Sem resposta.
Dias nublados e noites pesadas.
Caminho pelas ruas sem parar. Acendo um cigarro. Outro.
Minha cabeça toca um blues. Sinto falta do som de um baixo, nessa história toda.
Um pouco de transparência nos braços e nas pernas.
A pele pálida exigindo maquiagem. Um pedido declaradamente ignorado, por enquanto.
Os pés tristes porque não estão dançando.
E a noite prometendo segredos que não existirão.
Uma garrafa de vinho abandonada na mão esquerda.
Não sei aonde meu corpo me leva então caminho sem rumo. As ruas barulhentas da cidade gritam meu nome.
Gritam todos os meus nomes, dessa e de outras vidas.
Os sentimentos se confundem dentro da minha cabeça e eu sinto uma coisa só. Que já não sei mais se é boa ou ruim.
Meus pés não param, e seguem um caminho traçado por impulso e instinto.
A rua ainda grita tantos nomes que eu não sei se ainda reconheceria o meu próprio.
Luzes amarelas e vermelhas passam agressivamente sobre meus olhos.
Jogo mais fumaça em meus pulmões. E a fumaça, sem encontrá-los, se espalha por todo meu corpo, entorpecendo meus sentidos, como se isso ainda fosse possível.
Uma música metálica e de acordes repetidos não me abandona.
Vagando, olho nos olhos de uma mendiga velha, e talvez sábia, que tenta me aconselhar em dialeto próprio.
Num dialeto igualmente antigo que deve ter sofrido influências de todas as outras línguas do mundo.
Estranhamente, ela baba enquanto fala e sua saliva reluz como ouro à sombra das luzes dos automóveis.
Uma luz forte no final da rua, o som alto de uma freada brusca e...
Uma luz forte no final da vida.
A boca invadida por um gosto salgado e ácido. Devo estar comento pilhas.
Mas é só sangue. Só sangue. Por todos os lados.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
"O carro encosta.
Ela segura uma garrafa de vinho.
Tem fones e ouve uma música do Lou Reed que incendeia seus ouvidos.
Masca chicletes. Sem dizer nada.
Analisa a deliciosa pele branca da amiga-namorada.
My milky-love, ela pensa.
Se depara com um olhar irresistível do pirata, ao volante.
Entra no banco de trás do carro e estoura uma bola de chiclé,
apreciando as expressões registradas pelo espelho retrovisor.
Pra onde nós vamos? – Alguém pergunta.
É segredo, ela sussurra.
Em silêncio todos concordam.
Pois cada um sabe que vai se perder na pele e nos sentidos dos dois outros...”
Ela segura uma garrafa de vinho.
Tem fones e ouve uma música do Lou Reed que incendeia seus ouvidos.
Masca chicletes. Sem dizer nada.
Analisa a deliciosa pele branca da amiga-namorada.
My milky-love, ela pensa.
Se depara com um olhar irresistível do pirata, ao volante.
Entra no banco de trás do carro e estoura uma bola de chiclé,
apreciando as expressões registradas pelo espelho retrovisor.
Pra onde nós vamos? – Alguém pergunta.
É segredo, ela sussurra.
Em silêncio todos concordam.
Pois cada um sabe que vai se perder na pele e nos sentidos dos dois outros...”
Só porque, às vezes, o universo conspira...
*
SEUS CABELOS, SENDO DA COR DO TRIGO, DO FOGO, DO CARVÃO OU DA MADEIRA, SÃO EMARANHADOS, DESARRUMADOS OU CACHEADOS.
SUA PELE É DE MÁRMORE E TEM MÃOS COM DEDOS LONGOS DE ANJO.
CONSCIENTE E VEGETARIANO. GOSTA DE CRIANÇAS E CONVERSA COM ANIMAIS.
É INTELIGENTE E CHARMOSO COMO UM DIABO.
SENSATO E CÓSMICO.
TOCA VIOLÃO COM A BELEZA DE UM CATALÃO E ANDA DE SKATE COMO SE TIVESSE ASAS.
SABE CANTAR E ME ENCANTA COM OLHARES INOCENTES.
CARREGA UM NARIZ DE PALHAÇO NO BOLSO E FAZ CHARME COMO CHAPLIN.
É BRAVO E INTENSO, FIEL E POSSESSIVO COMO UM LOBO.
BEIJA-ME COM LEVEZA E CARINHO, SÓ PARA ME ENLOUQUECER, MAS ENTÃO ME DOMINA.
ME MORDE.
E ME COME, COM FORÇA. TRANQUILO, COMO SE FOSSE MORRER.
TEM APETITE DA MINHA PELE... ME DEGUSTA.
QUANDO NOS ENCOSTAMOS EXPLODIMOS EM MIL SÓIS. NOVAS CONSTELAÇÕES.
DEIXA A BARBA MAL FEITA SÓ PARA ENLOUQUECER MEUS SENTIDOS.
ELE TEM A MINHA PAIXÃO POR TEMPEROS E NA COZINHA REINVENTA. INOVA E ME PROVA.
SEGURA MEU COrPO DE UÍSQUE E ROUBA VÁRIOS GOLES...
ENQUANTO MURMURA UM BLUES.
BRINCA COM MINHAS SARDAS NUAS E MEUS PÊLOS.
TEM O CORPO QUENTE COMO SE TIVESSE FEBRE. ME AQUECE POR TODOS OS LADOS. ME INVADE.
DORME SEGURANDO MEU SEIO ESQUERDO, O QUAL ALEGA SER SEU FAVORITO POR TER UMA CICATRIZ EM MEIA LUA.
MAS NUNCA DEIXA O OUTRO SEIO ENCIUMADO POR CARÍCIAS. NEM NENHUMA OUTRA PARTE.
ENXERGA ARTE EM MEUS GESTOS E CONSIDERA O CIGARRO, QUE EU SEGURO COM DESLEIXO, UM TANTO POÉTICO.
NOSSOS OLHOS CONVERSAM EM TELEPATIA.
E O TÉDIO DESCONHECE NOSSAS TARDES CHUVOSAS.
NOSSAS CONVERSAS TEM CHEIRO DE CRAVO E ARDÊNCIA MALAGUETA.
FEZ DE MEU COLO SEU PRÓPRIO ORATÓRIO.
AMA TANTO QUE DÓI.
*
SEUS CABELOS, SENDO DA COR DO TRIGO, DO FOGO, DO CARVÃO OU DA MADEIRA, SÃO EMARANHADOS, DESARRUMADOS OU CACHEADOS.
SUA PELE É DE MÁRMORE E TEM MÃOS COM DEDOS LONGOS DE ANJO.
CONSCIENTE E VEGETARIANO. GOSTA DE CRIANÇAS E CONVERSA COM ANIMAIS.
É INTELIGENTE E CHARMOSO COMO UM DIABO.
SENSATO E CÓSMICO.
TOCA VIOLÃO COM A BELEZA DE UM CATALÃO E ANDA DE SKATE COMO SE TIVESSE ASAS.
SABE CANTAR E ME ENCANTA COM OLHARES INOCENTES.
CARREGA UM NARIZ DE PALHAÇO NO BOLSO E FAZ CHARME COMO CHAPLIN.
É BRAVO E INTENSO, FIEL E POSSESSIVO COMO UM LOBO.
BEIJA-ME COM LEVEZA E CARINHO, SÓ PARA ME ENLOUQUECER, MAS ENTÃO ME DOMINA.
ME MORDE.
E ME COME, COM FORÇA. TRANQUILO, COMO SE FOSSE MORRER.
TEM APETITE DA MINHA PELE... ME DEGUSTA.
QUANDO NOS ENCOSTAMOS EXPLODIMOS EM MIL SÓIS. NOVAS CONSTELAÇÕES.
DEIXA A BARBA MAL FEITA SÓ PARA ENLOUQUECER MEUS SENTIDOS.
ELE TEM A MINHA PAIXÃO POR TEMPEROS E NA COZINHA REINVENTA. INOVA E ME PROVA.
SEGURA MEU COrPO DE UÍSQUE E ROUBA VÁRIOS GOLES...
ENQUANTO MURMURA UM BLUES.
BRINCA COM MINHAS SARDAS NUAS E MEUS PÊLOS.
TEM O CORPO QUENTE COMO SE TIVESSE FEBRE. ME AQUECE POR TODOS OS LADOS. ME INVADE.
DORME SEGURANDO MEU SEIO ESQUERDO, O QUAL ALEGA SER SEU FAVORITO POR TER UMA CICATRIZ EM MEIA LUA.
MAS NUNCA DEIXA O OUTRO SEIO ENCIUMADO POR CARÍCIAS. NEM NENHUMA OUTRA PARTE.
ENXERGA ARTE EM MEUS GESTOS E CONSIDERA O CIGARRO, QUE EU SEGURO COM DESLEIXO, UM TANTO POÉTICO.
NOSSOS OLHOS CONVERSAM EM TELEPATIA.
E O TÉDIO DESCONHECE NOSSAS TARDES CHUVOSAS.
NOSSAS CONVERSAS TEM CHEIRO DE CRAVO E ARDÊNCIA MALAGUETA.
FEZ DE MEU COLO SEU PRÓPRIO ORATÓRIO.
AMA TANTO QUE DÓI.
*
Início
DUAS BOCAS LINDAS.
A PELE BRANCA DELA, O ROSTO DE PIRATA DELE.
EU E ELA DERRETIDAS PELA INTELIGÊNCIA SARCÁSTICA DELE. E ELE NEM DESCONFIAVA.
EU EM UMA FASE DE ENTREGA E DESCOBERTAS. ELA NAMORANDO.
A TENTAÇÃO SERPENTEANDO EM NOSSOS CORPOS.
O TEMPO PASSA ENTRE DECEPÇÕES E DEVANEIOS.
NÓS TRÊS VOLTAMOS A DIVIDIR O AMBIENTE E AS INTENÇÕES.
A PELE BRANCA DELA, O ROSTO DE PIRATA DELE.
EU E ELA DERRETIDAS PELA INTELIGÊNCIA SARCÁSTICA DELE. E ELE NEM DESCONFIAVA.
EU EM UMA FASE DE ENTREGA E DESCOBERTAS. ELA NAMORANDO.
A TENTAÇÃO SERPENTEANDO EM NOSSOS CORPOS.
O TEMPO PASSA ENTRE DECEPÇÕES E DEVANEIOS.
NÓS TRÊS VOLTAMOS A DIVIDIR O AMBIENTE E AS INTENÇÕES.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
NO VENTRE DA CASA - SARAU
*
PRIMEIRO CHEGOU A MÚSICA.
DEPOIS O CHEIRO DE INCENSO PREPAROU O AMBIENTE.
E BRINCAMOS COM A FORÇA DE NOSSOS PENSAMENTOS. COMO UM PEQUENO RITUAL.
A INSPIRAÇÃO TOMOU CONTA SEM PRECISAR SER INVOCADA.
UMA MESA PREPARADA PARA SER ATACADA.
A CADA SENTADA UMA NOVA CORRIDA PARA A PORTA.
MUITOS COPOS DE VÁRIAS FORMAS.
MUITAS GARRAFAS, MUITOS CONVIDADOS, E EU ROLANDO PAREDE ACIMA DE TANTO VINHO.
ALÉM DO VINHO, A PINGA, A CHAMPAGNE QUE NÃO ERA CHAMPAGNE, A AKVAVIT, E DEPOIS DESSA ÚLTIMA UM PEQUENO BLECAUTE.
ABRE A PORTA PRA RUA E RESPIRA, NUMA TENTATIVA DE RETER O AR, DE RECUPERÁ-LO PRA ENFRENTAR O SARAU NUM FÔLEGO SÓ.
E VOLTA. MAS VOLTA COM TUDO E ENFRENTA AGORA O SGROPPINO. OS SENTIDOS BATEM NO CÉU EM DELÍCIAS.
AGRADEÇO EM SORRISOS.
MUITOS MOMENTOS. MOMENTO INTERNET.
MOMENTO SSSSHHHIIIIUUUU PARA OS CACHORROS.
MOMENTO LEVE O COLEGUINHA PELA MÃO PRA FAZER XIXI (SIC ?). MOMENTO AMIGA CAÍDA NO BANHEIRO (SIC ?²).
MOMENTO SENTA NO CHÃO DE SAIA COM AS PERNAS ABERTAS... “TUDO BEM, ESTOU DE COLLANT”.
MOMENTO PÕE PRA DORMIR.
MOMENTO TÁBUA DE FRIOS E A TRAIÇÃO ÀS MINHAS PRÓPRIAS PROMESSAS E IDEAIS AO ROUBAR UMA FATIA ÚNICA DE SALAME. É QUE NÃO RESISTO A UM SALAME... HEHE.
MAIS, MUITO MAIS VINHOS... NÃO PERCO MEU COPO DE VISTA.
TALVEZ JURUPINGA, PINGA DE BANANA NO MEIO E O JUÍZO INDO EMBORA AOS SOLAVANCOS.
MOMENTO CIGARROS E CONVERSINHAS NA PORTA.
MEU ORGULHO DE ALGUMAS COISAS, MEU ORGULHO DE ALGUMAS PESSOAS.
RECONHECIMENTO DOS AMIGOS. ABRAÇOS. MAIS CIGARROS. SUJEIRA. MUITA SUJEIRA.
QUE EU ADORO.
MOMENTO POESIA, MUITA POESIA. UM VIOLÃO E PALAVRAS DE TEOR REGIONALISTA. ENCHENDO O AMBIENTE DE BELEZA.
CHEGADA DE UM AMIGO MUITO QUERIDO. REVISITA. PASSADA RÁPIDA.
MOMENTO OLHA NO MEU OLHO ASSIM MESMO, PORQUE ASSIM É UMA DELÍCIA.
LEVA ATÉ A PORTA E SE DESPEDE UMA, DUAS VEZES.
NÃO QUER IR EMBORA, NÃO DEVE IR, MAS TEM QUE...
CARÍCIAS DISPERSAS. SENTIDOS, TAMBÉM.
TUDO A FLOR DA PELE.
JOGOS, JOGOS, JOGOS. TROCA, CONGELA. ROLA SOBRE AS PESSOAS. DANÇA. FICA DE QUATRO E PISA.
RIEM E BRINCAM, COMO CRIANÇAS SEM LIMITES. DEITAM-SE NO CHÃO MESMO. SE ESPARRAMAM.
ELA RI-SE TODA.
CUMPLICIDADE NOS OLHARES. SEGREDINHOS NAS ESCADAS.
A DANÇA DA BAILARINA COM A MENINA LINDA BORDADA DE FLOR. SEM VERGONHA ALGUMA E COM OS PÉS DESCALÇOS ENCHENDO DE POESIA OS OLHOS DE ALGUNS MENINOS-ESPECTADORES.
MOMENTO VAMOS TIRAR FOTOS E UM ELOGIO FOFO.
FOTOS, MUITAS FOTOS, NOS ÂNGULOS MAIS INUSITADOS. ENTRE ERROS E ACERTOS, REGISTROS, QUERENDO FAZER UMA MEMÓRIA DIGITAL DE ALGO QUE NÃO DEVERIA TER FIM.
A LENTE CAPTA ALGUNS SENTIMENTOS OCULTOS.
MAIS CIGARROS, MAIS ABRAÇOS, MAIS CONVERSINHAS DE PORTÃO.
INFELIZMENTE, ALGUNS TÊM QUE IR EMBORA CEDO.
OS QUE FICAM VÃO SE ACOMODANDO POR TODOS OS LUGARES DA CASA.
A MELODIA ACALMA. TODOS SE AQUIETAM, POIS BRINCARAM OU BEBERAM DEMAIS.
CONVERSINHAS, ABRACINHOS. UM DVD É COLOCADO EM SINTONIA.
ALGUNS CORPOS PROCURAM CALOR.
POUCOS CONSEGUEM AINDA PRESTAR ATENÇÃO.
UMA TRANQUILIDADE INVADE MEUS SENTIDOS. CHEIROS DE DOCES DA INFÂNCIA, COMO BAUNILHA E GELATINA DE MORANGO.
E ASSIM COMO NUM JOGO DE DETETIVE, UM SEGREDO INVADE UM DOS AMBIENTES DA CASA.
INTENÇÕES ESCALAM AS ESCADAS.
NA LINGUA, UM GOSTO MACIO. CALORES NO VENTRE.
OLHARES SÉRIOS E BRINCALHÕES.
NEM TODOS ADORMECEM.
E O SOL ABRE AS CORTINAS DA CASA AVISANDO QUE É HORA DE MAIS ALGUÉM IR EMBORA.
E ALGUNS VÃO, ESQUECENDO PERTENCES E DEIXANDO INDÍCIOS DE QUE QUERIAM FICAR.
BREVE ARRUMAÇÃO.
CAIO NA CAMA, RENDENDO MEUS SENTIDOS, FINALMENTE, AO ABRAÇO DE MORFEU.
*
PRIMEIRO CHEGOU A MÚSICA.
DEPOIS O CHEIRO DE INCENSO PREPAROU O AMBIENTE.
E BRINCAMOS COM A FORÇA DE NOSSOS PENSAMENTOS. COMO UM PEQUENO RITUAL.
A INSPIRAÇÃO TOMOU CONTA SEM PRECISAR SER INVOCADA.
UMA MESA PREPARADA PARA SER ATACADA.
A CADA SENTADA UMA NOVA CORRIDA PARA A PORTA.
MUITOS COPOS DE VÁRIAS FORMAS.
MUITAS GARRAFAS, MUITOS CONVIDADOS, E EU ROLANDO PAREDE ACIMA DE TANTO VINHO.
ALÉM DO VINHO, A PINGA, A CHAMPAGNE QUE NÃO ERA CHAMPAGNE, A AKVAVIT, E DEPOIS DESSA ÚLTIMA UM PEQUENO BLECAUTE.
ABRE A PORTA PRA RUA E RESPIRA, NUMA TENTATIVA DE RETER O AR, DE RECUPERÁ-LO PRA ENFRENTAR O SARAU NUM FÔLEGO SÓ.
E VOLTA. MAS VOLTA COM TUDO E ENFRENTA AGORA O SGROPPINO. OS SENTIDOS BATEM NO CÉU EM DELÍCIAS.
AGRADEÇO EM SORRISOS.
MUITOS MOMENTOS. MOMENTO INTERNET.
MOMENTO SSSSHHHIIIIUUUU PARA OS CACHORROS.
MOMENTO LEVE O COLEGUINHA PELA MÃO PRA FAZER XIXI (SIC ?). MOMENTO AMIGA CAÍDA NO BANHEIRO (SIC ?²).
MOMENTO SENTA NO CHÃO DE SAIA COM AS PERNAS ABERTAS... “TUDO BEM, ESTOU DE COLLANT”.
MOMENTO PÕE PRA DORMIR.
MOMENTO TÁBUA DE FRIOS E A TRAIÇÃO ÀS MINHAS PRÓPRIAS PROMESSAS E IDEAIS AO ROUBAR UMA FATIA ÚNICA DE SALAME. É QUE NÃO RESISTO A UM SALAME... HEHE.
MAIS, MUITO MAIS VINHOS... NÃO PERCO MEU COPO DE VISTA.
TALVEZ JURUPINGA, PINGA DE BANANA NO MEIO E O JUÍZO INDO EMBORA AOS SOLAVANCOS.
MOMENTO CIGARROS E CONVERSINHAS NA PORTA.
MEU ORGULHO DE ALGUMAS COISAS, MEU ORGULHO DE ALGUMAS PESSOAS.
RECONHECIMENTO DOS AMIGOS. ABRAÇOS. MAIS CIGARROS. SUJEIRA. MUITA SUJEIRA.
QUE EU ADORO.
MOMENTO POESIA, MUITA POESIA. UM VIOLÃO E PALAVRAS DE TEOR REGIONALISTA. ENCHENDO O AMBIENTE DE BELEZA.
CHEGADA DE UM AMIGO MUITO QUERIDO. REVISITA. PASSADA RÁPIDA.
MOMENTO OLHA NO MEU OLHO ASSIM MESMO, PORQUE ASSIM É UMA DELÍCIA.
LEVA ATÉ A PORTA E SE DESPEDE UMA, DUAS VEZES.
NÃO QUER IR EMBORA, NÃO DEVE IR, MAS TEM QUE...
CARÍCIAS DISPERSAS. SENTIDOS, TAMBÉM.
TUDO A FLOR DA PELE.
JOGOS, JOGOS, JOGOS. TROCA, CONGELA. ROLA SOBRE AS PESSOAS. DANÇA. FICA DE QUATRO E PISA.
RIEM E BRINCAM, COMO CRIANÇAS SEM LIMITES. DEITAM-SE NO CHÃO MESMO. SE ESPARRAMAM.
ELA RI-SE TODA.
CUMPLICIDADE NOS OLHARES. SEGREDINHOS NAS ESCADAS.
A DANÇA DA BAILARINA COM A MENINA LINDA BORDADA DE FLOR. SEM VERGONHA ALGUMA E COM OS PÉS DESCALÇOS ENCHENDO DE POESIA OS OLHOS DE ALGUNS MENINOS-ESPECTADORES.
MOMENTO VAMOS TIRAR FOTOS E UM ELOGIO FOFO.
FOTOS, MUITAS FOTOS, NOS ÂNGULOS MAIS INUSITADOS. ENTRE ERROS E ACERTOS, REGISTROS, QUERENDO FAZER UMA MEMÓRIA DIGITAL DE ALGO QUE NÃO DEVERIA TER FIM.
A LENTE CAPTA ALGUNS SENTIMENTOS OCULTOS.
MAIS CIGARROS, MAIS ABRAÇOS, MAIS CONVERSINHAS DE PORTÃO.
INFELIZMENTE, ALGUNS TÊM QUE IR EMBORA CEDO.
OS QUE FICAM VÃO SE ACOMODANDO POR TODOS OS LUGARES DA CASA.
A MELODIA ACALMA. TODOS SE AQUIETAM, POIS BRINCARAM OU BEBERAM DEMAIS.
CONVERSINHAS, ABRACINHOS. UM DVD É COLOCADO EM SINTONIA.
ALGUNS CORPOS PROCURAM CALOR.
POUCOS CONSEGUEM AINDA PRESTAR ATENÇÃO.
UMA TRANQUILIDADE INVADE MEUS SENTIDOS. CHEIROS DE DOCES DA INFÂNCIA, COMO BAUNILHA E GELATINA DE MORANGO.
E ASSIM COMO NUM JOGO DE DETETIVE, UM SEGREDO INVADE UM DOS AMBIENTES DA CASA.
INTENÇÕES ESCALAM AS ESCADAS.
NA LINGUA, UM GOSTO MACIO. CALORES NO VENTRE.
OLHARES SÉRIOS E BRINCALHÕES.
NEM TODOS ADORMECEM.
E O SOL ABRE AS CORTINAS DA CASA AVISANDO QUE É HORA DE MAIS ALGUÉM IR EMBORA.
E ALGUNS VÃO, ESQUECENDO PERTENCES E DEIXANDO INDÍCIOS DE QUE QUERIAM FICAR.
BREVE ARRUMAÇÃO.
CAIO NA CAMA, RENDENDO MEUS SENTIDOS, FINALMENTE, AO ABRAÇO DE MORFEU.
*
"NEO"
*
ELA, NEO VEGETARIANA, SENTE REPULSA PELO CHEIRO DE CARNE NA CHAPA, QUE AS RUAS EXALAM, MAS NÃO CONSEGUE TIRAR O PEIXE DE SUA DIETA.
SUA DIETA, A QUAL VEM SOFRENDO TRANSFORMAÇÕES EM DOSES HOMEOPÁTICAS, ANDA TODA COLORIDA POR FOLHAS CLARAS E ESCURAS, LEGUMES, CEREAIS E GRÃOS COLORIDOS.
AGORA, NÃO CONSEGUE BEBER MAIS DO QUE 2 GOLES DE REFRIGERANTE E NÃO SENTE MAIS TANTA VONTADE DE DOCES COMO ANTES.
TODO SEU CORPO ESTÁ MUDANDO NAS ÚLTIMAS SEMANAS, E ELA É TODA DISPOSIÇÃO.
HÁ O BOM HUMOR E O SONO, UM POUQUINHO MAIS TRANQUILO, QUE ELA NÃO ENCONTRAVA ANTES.
HÁ MUITO MAIS ÁGUA E SUCOS E CHÁS DE ARCO ÍRIS.
O SOL VEM ENCHER SEU DIA DE SABOR AMARELO.
E O CÉU ANDA TÃO AZUL QUE CHEGA A DOER SUA ALMA.
ENTÃO ELA RESOLVE DANÇAR. E DANÇA.
ACARICIA O CHÃO E SE APÓIA NO AR.
UM PÉ. UMA PONTA. MEIA PONTA.
EMPURRA, LANÇA. SENTE, ALINHA. ALONGA, ABRE.
TOPO DA CABEÇA PUXADO POR UM FIO.
UM GIRO, UMA PIRUETA.
EMPURRA O AR QUE EMPURRA SEU CORPO DE VOLTA.
E O AR É TODO ROSA E ROXO. O AR DANÇA COM ELA. TODO AO SEU REDOR.
A RUA DANÇA COM ELA. E ELA NEM ANDA MAIS.
AGORA LEVITA.
SEUS SAPATOS DE SALTO ALTO VIRARAM SAPATILHAS. AS RUAS TEM SABOR DE JAZZ.
FAZ DAS CASAS E DAS ÁRVORES SUA PLATÉIA PARTICULAR.
E DANÇA MAIS. LANÇA-SE NO AR, AO SOM DO JAZZ TOCADO PELO VENTO.
EM SEUS OUVIDOS, UM PIANO CANTA LIVREMENTE.
ATUA. ATUA DE QUALQUER FORMA, EM TODOS OS LUGARES.
ATUA ASSIM QUE TEM A OPORTUNIDADE DE ATUAR.
DESAPARECE. FAZ MÁGICA.
NÃO É MAIS ELA, É OUTRA. INVENTADA. REINVENTADA.
MUITAS OUTRAS SÃO ELA. PERDE-SE DENTRO DELAS.
ENCONTRA-SE. ALINHA-SE. ATUA MAIS. DANÇA MAIS.
TEM A ALMA LEVE E CONFORTÁVEL.
FINALMENTE CABE DENTRO DE SI.
AMA INCONDICIONALMENTE TUDO. TOLERA MAIS.
RECEBE INFORMAÇÕES E AVISOS IMPORTANTES QUE LHE CAEM DO CÉU COMO BILHETES AMARRADOS EM FLOCOS DE NEVE.
ANALISA TUDO, OUVE TUDO, AVALIA TUDO, ENTENDE O TODO. SABE LEVAR.
FALA MENOS, MAS SENTE MAIS. PORQUE AGORA ELA SABE MAIS.
ABRAÇA DE VERDADE, POIS APRENDEU A SER SINCERA.
ADIVINHA E OUVE PENSAMENTOS ESCONDIDOS.
SORRI QUANDO NÃO ESPERAM QUE ELA O FAÇA.
TOCA, ACOLHE, ACARICIA.
CONCENTRA-SE.
ESTÁ VIVA. ENTÃO VIVE.
*
ELA, NEO VEGETARIANA, SENTE REPULSA PELO CHEIRO DE CARNE NA CHAPA, QUE AS RUAS EXALAM, MAS NÃO CONSEGUE TIRAR O PEIXE DE SUA DIETA.
SUA DIETA, A QUAL VEM SOFRENDO TRANSFORMAÇÕES EM DOSES HOMEOPÁTICAS, ANDA TODA COLORIDA POR FOLHAS CLARAS E ESCURAS, LEGUMES, CEREAIS E GRÃOS COLORIDOS.
AGORA, NÃO CONSEGUE BEBER MAIS DO QUE 2 GOLES DE REFRIGERANTE E NÃO SENTE MAIS TANTA VONTADE DE DOCES COMO ANTES.
TODO SEU CORPO ESTÁ MUDANDO NAS ÚLTIMAS SEMANAS, E ELA É TODA DISPOSIÇÃO.
HÁ O BOM HUMOR E O SONO, UM POUQUINHO MAIS TRANQUILO, QUE ELA NÃO ENCONTRAVA ANTES.
HÁ MUITO MAIS ÁGUA E SUCOS E CHÁS DE ARCO ÍRIS.
O SOL VEM ENCHER SEU DIA DE SABOR AMARELO.
E O CÉU ANDA TÃO AZUL QUE CHEGA A DOER SUA ALMA.
ENTÃO ELA RESOLVE DANÇAR. E DANÇA.
ACARICIA O CHÃO E SE APÓIA NO AR.
UM PÉ. UMA PONTA. MEIA PONTA.
EMPURRA, LANÇA. SENTE, ALINHA. ALONGA, ABRE.
TOPO DA CABEÇA PUXADO POR UM FIO.
UM GIRO, UMA PIRUETA.
EMPURRA O AR QUE EMPURRA SEU CORPO DE VOLTA.
E O AR É TODO ROSA E ROXO. O AR DANÇA COM ELA. TODO AO SEU REDOR.
A RUA DANÇA COM ELA. E ELA NEM ANDA MAIS.
AGORA LEVITA.
SEUS SAPATOS DE SALTO ALTO VIRARAM SAPATILHAS. AS RUAS TEM SABOR DE JAZZ.
FAZ DAS CASAS E DAS ÁRVORES SUA PLATÉIA PARTICULAR.
E DANÇA MAIS. LANÇA-SE NO AR, AO SOM DO JAZZ TOCADO PELO VENTO.
EM SEUS OUVIDOS, UM PIANO CANTA LIVREMENTE.
ATUA. ATUA DE QUALQUER FORMA, EM TODOS OS LUGARES.
ATUA ASSIM QUE TEM A OPORTUNIDADE DE ATUAR.
DESAPARECE. FAZ MÁGICA.
NÃO É MAIS ELA, É OUTRA. INVENTADA. REINVENTADA.
MUITAS OUTRAS SÃO ELA. PERDE-SE DENTRO DELAS.
ENCONTRA-SE. ALINHA-SE. ATUA MAIS. DANÇA MAIS.
TEM A ALMA LEVE E CONFORTÁVEL.
FINALMENTE CABE DENTRO DE SI.
AMA INCONDICIONALMENTE TUDO. TOLERA MAIS.
RECEBE INFORMAÇÕES E AVISOS IMPORTANTES QUE LHE CAEM DO CÉU COMO BILHETES AMARRADOS EM FLOCOS DE NEVE.
ANALISA TUDO, OUVE TUDO, AVALIA TUDO, ENTENDE O TODO. SABE LEVAR.
FALA MENOS, MAS SENTE MAIS. PORQUE AGORA ELA SABE MAIS.
ABRAÇA DE VERDADE, POIS APRENDEU A SER SINCERA.
ADIVINHA E OUVE PENSAMENTOS ESCONDIDOS.
SORRI QUANDO NÃO ESPERAM QUE ELA O FAÇA.
TOCA, ACOLHE, ACARICIA.
CONCENTRA-SE.
ESTÁ VIVA. ENTÃO VIVE.
*
Canto dos olhos
Um maço sempre preparado.
A chama apontando para o outro lado.
Tudo aqui dentro. Contido.
Sigo me perdendo nas pessoas.
Olho demais para fora.
Olho demais para dentro.
Não há meio termo.
Cansaço.
Esqueci da vida no canto dos olhos de alguém.
Se não estamos mais tão perto deve ser porque esse caminho é natural.
Sensação de que nada é realizável.
Muitos dedos de solidão, pura, sem gelo.
Muitas palavras.
Vozes em decibéis excessivos.
É tão longe. É tudo tão longe.
Dorme, acorda, come, trabalha.
Ninguém por perto. Ninguém quer estar perto.
A vida deve ser só isso.
A chama apontando para o outro lado.
Tudo aqui dentro. Contido.
Sigo me perdendo nas pessoas.
Olho demais para fora.
Olho demais para dentro.
Não há meio termo.
Cansaço.
Esqueci da vida no canto dos olhos de alguém.
Se não estamos mais tão perto deve ser porque esse caminho é natural.
Sensação de que nada é realizável.
Muitos dedos de solidão, pura, sem gelo.
Muitas palavras.
Vozes em decibéis excessivos.
É tão longe. É tudo tão longe.
Dorme, acorda, come, trabalha.
Ninguém por perto. Ninguém quer estar perto.
A vida deve ser só isso.
Diálogo virtual 2 - fragmento
Em 14 de abril de 2009, às 15:40h...
"Sim, pela rua, sem rumo. Apenas vagar. Não chegar.
Não ter que dar satisfações. Não quero mais ter a necessidade de comer, menos ainda sentir fome.
Não quero suar, nem precisar de banho, nem me sujar.
Não quero sentir falta das coisas do mundo. Não quero precisar de mais nada.
É isso."
"Sim, pela rua, sem rumo. Apenas vagar. Não chegar.
Não ter que dar satisfações. Não quero mais ter a necessidade de comer, menos ainda sentir fome.
Não quero suar, nem precisar de banho, nem me sujar.
Não quero sentir falta das coisas do mundo. Não quero precisar de mais nada.
É isso."
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Diálogo virtual
Em 20/03/2009, às 12:15h:
"Eu vou. Preciso acertar um tiro na testa da saudade. Chegarei às 21h.
Também não posso beber, mas há decepções e pecados demais para não falar ao pé do ouvido de um copo cheio de Jack.
Aguardo vocês para muitas piruetas pela "praça do franklin".
Baccio."
"Eu vou. Preciso acertar um tiro na testa da saudade. Chegarei às 21h.
Também não posso beber, mas há decepções e pecados demais para não falar ao pé do ouvido de um copo cheio de Jack.
Aguardo vocês para muitas piruetas pela "praça do franklin".
Baccio."
Jujubas
ELA GOSTAVA DE MÚSICAS INACABADAS E DE DIZERES SEM SENTIDO.
GOSTAVA DE FALAR EU TE AMO, MAS NÃO LIGAVA PARA A FORÇA DAS PALAVRAS.
SEMPRE ESCOLHIA UM LIVRO PELA DEDICATÓRIA.
E SEGURAVA NAS MÃOS DE VELHOS DESCONHECIDOS EM PARADAS DE ÔNIBUS.
APENAS TOMAVA ÁGUA LAMBENDO AS GOTAS QUE SE ACUMULAVAM NAS PAREDES DO BOX DO BANHEIRO.
ANOTAVA TODOS OS TELEFONES QUE LHE INTERESSAVAM NA DOBRA DE SEU COTOVELO.
SÓ DORMIA SE ESTIVESSE USANDO PULSEIRAS CARAS.
CONVERSAVA COM CADA UMA DAS ESTRELAS QUE VIA.
SERVIA A MESA PARA DOIS, MAS SEMPRE COMIA SOZINHA. O JANTAR? JUJUBAS.
GOSTAVA DE FALAR EU TE AMO, MAS NÃO LIGAVA PARA A FORÇA DAS PALAVRAS.
SEMPRE ESCOLHIA UM LIVRO PELA DEDICATÓRIA.
E SEGURAVA NAS MÃOS DE VELHOS DESCONHECIDOS EM PARADAS DE ÔNIBUS.
APENAS TOMAVA ÁGUA LAMBENDO AS GOTAS QUE SE ACUMULAVAM NAS PAREDES DO BOX DO BANHEIRO.
ANOTAVA TODOS OS TELEFONES QUE LHE INTERESSAVAM NA DOBRA DE SEU COTOVELO.
SÓ DORMIA SE ESTIVESSE USANDO PULSEIRAS CARAS.
CONVERSAVA COM CADA UMA DAS ESTRELAS QUE VIA.
SERVIA A MESA PARA DOIS, MAS SEMPRE COMIA SOZINHA. O JANTAR? JUJUBAS.
Inacabada
Deixei a memória e os sentimentos por aí. Bem por aí ó.
Ali do lado direito, tá vendo?
O problema é que tá tudo meio fora de alcance e eu estou com medo das pessoas pisarem.
Daí vai bagunçar mais ainda. Pode até machucar alguém.
E vai ficar ainda mais difícil de recolher tudo de volta.
O mundo anda hostil e eu tenho um problema com a humanidade.
Não sei o que fazer com as minhas mãos. Nunca sei.
Cultivo um olho que chora, sem consentimento, enquanto o outro olho só mente.
Tenho a alma cansada de brincadeiras.
Não sei mais como lidar com toda essa demanda.
Vou devolver cada um dos presentes.
Não, não, esse é novo. Talvez ele até aceite tomar uma taça de vinho.
Talvez não se incomode com a fumaça do cigarro, talvez goste tanto de blues quanto eu.
Talvez ele aceite meus segredinhos, talvez ele queira contar os dele.
Quem sabe ele até aprecie as coincidências.
Tenho o corpo todo mastigado pela arte e me parece que ele também andou levando umas boas mordidas.
Há um inverno intenso lá fora, mas ainda não tive a chance de...
Ali do lado direito, tá vendo?
O problema é que tá tudo meio fora de alcance e eu estou com medo das pessoas pisarem.
Daí vai bagunçar mais ainda. Pode até machucar alguém.
E vai ficar ainda mais difícil de recolher tudo de volta.
O mundo anda hostil e eu tenho um problema com a humanidade.
Não sei o que fazer com as minhas mãos. Nunca sei.
Cultivo um olho que chora, sem consentimento, enquanto o outro olho só mente.
Tenho a alma cansada de brincadeiras.
Não sei mais como lidar com toda essa demanda.
Vou devolver cada um dos presentes.
Não, não, esse é novo. Talvez ele até aceite tomar uma taça de vinho.
Talvez não se incomode com a fumaça do cigarro, talvez goste tanto de blues quanto eu.
Talvez ele aceite meus segredinhos, talvez ele queira contar os dele.
Quem sabe ele até aprecie as coincidências.
Tenho o corpo todo mastigado pela arte e me parece que ele também andou levando umas boas mordidas.
Há um inverno intenso lá fora, mas ainda não tive a chance de...
Porque, em 2009, eu inexplicavelmente adoro:
- Biscoito de Polvilho salgado mole, que parece um pão de queijo comprido...
- Pessoas que comem com gosto. Nunca fui fã das pessoas que comem pouco ou sem vontade. Em minha opinião, as melhores pessoas, comem muito e saboreiam e emitem sons quando o fazem!
- Cheiro de gasolina e cheiro de café novo
- Clima de dia de casamento, que geralmente é quente e me tira do sério porque faz derreter minha maquiagem
- Beber café em canecas enormes e conversar com minha mãe pela manhã, durante o café, antes de sair de casa para o trabalho
- Pegar meus cachorros no colo
- Dormir pelada
- Dançar sozinha
- Dançar pelada e sozinha
- Filmes de terror e Histórias de Disco Voador
- Andar de trem
- Descobrir uma forma de arte em cada canto escondido dessa cidade
- O TEATRO, O PALCO E A PLATÉIA
- Receber cócegas em todos os lugares do corpo
- Escrever páginas e páginas nervosas e desenfreadas, sem pontuação, sem regras, quando estou bêbada
- O frio
- Imaginar que um artista plástico ou pintor quebra a barreira das telas e vem desenhar/pintar no meu corpo, na minha pele
- Andar sozinha por aí, meio sem rumo
- Sopa de feijão com queijo ralado e pão francês
- Tomar chuva, enquanto todos correm
- Andar pelas ruas de madrugada
- Brincar de cantar
- Ler todos os livros que me indicam
- Pessoas que se comunicam com os olhos
- Bolas vermelhas e Bolas de sabão
- Ganhar dinheiro e presentear pessoas
- Flertar
- Novos perfumes e Luvas vermelhas
- Trufas de maracujá
- Ter muitos amigos bagunçando minha casa
- Acordar de madrugada e olhar a lua dançando pela janela do meu quarto
- Os homens errados
- Revelar alguns segredos
- Me envolver, em segredo
- Conhecer pessoas novas
- Desaparecer por algum tempo
- Sentir a evolução das coisas
- Beber vinho e uísque
- Ouvir as vozes de pessoas muito queridas, quando falam, quando cantam, quando lêem
- Ser dançarina às terças e quintas
- Ter surtos e só comer coisas saudáveis
- Enjoar do mundo e me entupir de besteiras
- Buscar a cura para minha decepção com a humanidade
- Me imaginar vivendo no interior da França, escrevendo um romance, enquanto tenho um caso tórrido com um misterioso artista local
- Percorrer todas as manhãs a 9 de Julho de ônibus, porque é uma das avenidas mais bonitas dessa cidadezinha
- Pensar que São Paulo é uma cidadezinha e que as pessoas conhecidas se esbarram em qualquer esquina
- Fantasiar que estou fazendo s*e*x*o com aquele meu amigo
- Sentir desejo pelas pessoas
- Pensar que o novo conhecido pode vir a ser "o cara"
- Descobrir, criar, pensar, imaginar, ver como a vida pode ser mil vezes mais interessante.
- Pessoas que comem com gosto. Nunca fui fã das pessoas que comem pouco ou sem vontade. Em minha opinião, as melhores pessoas, comem muito e saboreiam e emitem sons quando o fazem!
- Cheiro de gasolina e cheiro de café novo
- Clima de dia de casamento, que geralmente é quente e me tira do sério porque faz derreter minha maquiagem
- Beber café em canecas enormes e conversar com minha mãe pela manhã, durante o café, antes de sair de casa para o trabalho
- Pegar meus cachorros no colo
- Dormir pelada
- Dançar sozinha
- Dançar pelada e sozinha
- Filmes de terror e Histórias de Disco Voador
- Andar de trem
- Descobrir uma forma de arte em cada canto escondido dessa cidade
- O TEATRO, O PALCO E A PLATÉIA
- Receber cócegas em todos os lugares do corpo
- Escrever páginas e páginas nervosas e desenfreadas, sem pontuação, sem regras, quando estou bêbada
- O frio
- Imaginar que um artista plástico ou pintor quebra a barreira das telas e vem desenhar/pintar no meu corpo, na minha pele
- Andar sozinha por aí, meio sem rumo
- Sopa de feijão com queijo ralado e pão francês
- Tomar chuva, enquanto todos correm
- Andar pelas ruas de madrugada
- Brincar de cantar
- Ler todos os livros que me indicam
- Pessoas que se comunicam com os olhos
- Bolas vermelhas e Bolas de sabão
- Ganhar dinheiro e presentear pessoas
- Flertar
- Novos perfumes e Luvas vermelhas
- Trufas de maracujá
- Ter muitos amigos bagunçando minha casa
- Acordar de madrugada e olhar a lua dançando pela janela do meu quarto
- Os homens errados
- Revelar alguns segredos
- Me envolver, em segredo
- Conhecer pessoas novas
- Desaparecer por algum tempo
- Sentir a evolução das coisas
- Beber vinho e uísque
- Ouvir as vozes de pessoas muito queridas, quando falam, quando cantam, quando lêem
- Ser dançarina às terças e quintas
- Ter surtos e só comer coisas saudáveis
- Enjoar do mundo e me entupir de besteiras
- Buscar a cura para minha decepção com a humanidade
- Me imaginar vivendo no interior da França, escrevendo um romance, enquanto tenho um caso tórrido com um misterioso artista local
- Percorrer todas as manhãs a 9 de Julho de ônibus, porque é uma das avenidas mais bonitas dessa cidadezinha
- Pensar que São Paulo é uma cidadezinha e que as pessoas conhecidas se esbarram em qualquer esquina
- Fantasiar que estou fazendo s*e*x*o com aquele meu amigo
- Sentir desejo pelas pessoas
- Pensar que o novo conhecido pode vir a ser "o cara"
- Descobrir, criar, pensar, imaginar, ver como a vida pode ser mil vezes mais interessante.
Sobre o que realmente importa.
EU QUERO VIVER DE ARTE.
POSSUIR UM CENTRO CULTURAL.
ORGANIZAR INÚMEROS SARAUS.
VIVER SÓ DISSO. SEM PREOCUPAÇÕES.
COM MUITO DINHEIRO. O SUFICIENTE PARA DAR CONTA DE FAZER SÓ ISSO DA VIDA.
E QUANDO EU BEM QUISER E ONDE EU BEM QUISER SIMPLESMENTE ATUAR.
ATUAR, ATUAR, ATUAR.
SER LIVRE PARA ESCOLHER.
SER LIVRE PARA REALIZAR.
SER PLENA.
ME CUIDAR.
RELACIONAR-ME APENAS COM PESSOAS PURAMENTE ARTÍSTICAS.
E NÃO ESTOU FALANDO DE GLOBAIS, MUITO MENOS DESSA NOVA GERAÇÃO DO TEATRO QUE ACHA O MÁXIMO FAZER POSE EM BALADAS OU FAZER POSE PELA PRAÇA.
ESTOU FALANDO DAQUELES QUE VERDADEIRAMENTE POSSUEM TALENTO E PAIXÃO.
QUE PASSAM FOME POR AMOR A ESSE MUNDO.
QUE NÃO SABERIAM FAZER OUTRA COISA.
E NÃO ESTÃO ALI PELOS SEUS ROSTOS OU SEUS CORPOS.
ESTÃO ALI PELA AFINIDADE, PELA MENTE, POR GOSTO, PELA EVOLUÇÃO, POR PAIXÃO, POR CONSCIÊNCIA, PELO ESPÍRITO. PORQUE SABEM O REAL SENTIDO E FORÇA DE ESTAR NO PALCO.
PURAMENTE ARTÍSTICOS.
RESPIRAM, SOFREM, SENTEM, VIBRAM, ESCREVEM, PINTAM, DESENHAM, COMPÕEM, ILUMINAM, CRIAM, MONTAM, CANTAM, DANÇAM, COMPARTILHAM, TOCAM, EMOCIONAM, ENSINAM, BRINCAM, VIVEM A ARTE.
ENGAJADOS O SUFICIENTE PARA MUDAR E FORMAR OPINIÕES.
SÃO PLENOS. CARREGAM E TRANSMITEM PAZ.
PORQUE CADA FIBRA DO MEU SER SÓ CONSEGUE VIVER ASSIM.
DE ARTE.
POSSUIR UM CENTRO CULTURAL.
ORGANIZAR INÚMEROS SARAUS.
VIVER SÓ DISSO. SEM PREOCUPAÇÕES.
COM MUITO DINHEIRO. O SUFICIENTE PARA DAR CONTA DE FAZER SÓ ISSO DA VIDA.
E QUANDO EU BEM QUISER E ONDE EU BEM QUISER SIMPLESMENTE ATUAR.
ATUAR, ATUAR, ATUAR.
SER LIVRE PARA ESCOLHER.
SER LIVRE PARA REALIZAR.
SER PLENA.
ME CUIDAR.
RELACIONAR-ME APENAS COM PESSOAS PURAMENTE ARTÍSTICAS.
E NÃO ESTOU FALANDO DE GLOBAIS, MUITO MENOS DESSA NOVA GERAÇÃO DO TEATRO QUE ACHA O MÁXIMO FAZER POSE EM BALADAS OU FAZER POSE PELA PRAÇA.
ESTOU FALANDO DAQUELES QUE VERDADEIRAMENTE POSSUEM TALENTO E PAIXÃO.
QUE PASSAM FOME POR AMOR A ESSE MUNDO.
QUE NÃO SABERIAM FAZER OUTRA COISA.
E NÃO ESTÃO ALI PELOS SEUS ROSTOS OU SEUS CORPOS.
ESTÃO ALI PELA AFINIDADE, PELA MENTE, POR GOSTO, PELA EVOLUÇÃO, POR PAIXÃO, POR CONSCIÊNCIA, PELO ESPÍRITO. PORQUE SABEM O REAL SENTIDO E FORÇA DE ESTAR NO PALCO.
PURAMENTE ARTÍSTICOS.
RESPIRAM, SOFREM, SENTEM, VIBRAM, ESCREVEM, PINTAM, DESENHAM, COMPÕEM, ILUMINAM, CRIAM, MONTAM, CANTAM, DANÇAM, COMPARTILHAM, TOCAM, EMOCIONAM, ENSINAM, BRINCAM, VIVEM A ARTE.
ENGAJADOS O SUFICIENTE PARA MUDAR E FORMAR OPINIÕES.
SÃO PLENOS. CARREGAM E TRANSMITEM PAZ.
PORQUE CADA FIBRA DO MEU SER SÓ CONSEGUE VIVER ASSIM.
DE ARTE.
sábado, 1 de agosto de 2009
***
Doente. Bem doente.
Ensaiando pra sumir, de uma vez por todas, da vida de quem me conhece.
Sumir assim não dói.
Ninguém sente falta.
***
Doente. Bem doente.
Ensaiando pra sumir, de uma vez por todas, da vida de quem me conhece.
Sumir assim não dói.
Ninguém sente falta.
***
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Instantâneas
------------------------- // ---------------------
A vida é uma festa. E o teatro é o meu banquete.
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Crack your shell(f) open.
-------------------------//-----------------------
Mulheres são artefatos cheiros de cores...
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A vida é uma festa. E o teatro é o meu banquete.
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Crack your shell(f) open.
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Mulheres são artefatos cheiros de cores...
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Sobre "Letras em Cena"
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E segunda-feira foi dia de “Letras em Cena” no MASP. Foi a primeira vez que fui prestigiar esse evento. Sim, porque é um evento. Vou falar um pouco sobre as minhas impressões (mesmo não tendo propriedade para isso).
É um evento em que os atores, o autor e a direção deixam o texto ser protagonista.
O texto era do dramaturgo contemporâneo Sergio Mello, e foi adoravelmente lido pelo querido Nelson Peres e pela linda Lavínia Pannunzio. Os dois atores, apesar do pouco tempo de intimidade com o texto tão cheio de “nuances” (usando as palavras da própria Lavínia), nos conduziram com maestria através da história. Proporcionaram-nos um espetáculo de interpretação vocal e mostraram que mesmo quando estão apenas lendo conseguem manter uma presença F U D I D A. Eu poderia ser cega... e sei que as vozes dos dois atores me carregariam delicadamente pelas mãos, passando por cada uma das emoções das personagens.
Vimos no palco também um tímido Sergio Mello, que aparecia ali na posição criador-espectador, se deliciando com a leitura de sua obra e com a interpretação dos atores, tanto quanto a platéia. Se deliciando também com a reação da platéia às nuances e sensações de sua obra.
Sim, Sergio Mello, seu texto é delicioso. Mais do que isso, e sempre muito mais, os textos do Sergio Mello têm essa qualidade de manter nossos pensamentos e emoções presos ali, do começo ao fim. Esperamos ansiosos por um não sei o quê, uma revelação, um algo escondido nas entrelinhas, que pode surpreender a nós, platéia-voyer, assim como aos próprios atores. Falar de Sergio Mello é falar de tensão e leveza, brutalidade e delicadeza, é falar de um cara que escreve com muita sensatez e franqueza (qualidades esquecidas pelo ser humano atual), que sabe enxergar e sentir o mundo, sem se alienar. É tudo dele, está tudo ali. Depositado instintivamente e na medida certa, generosamente para o leitor/espectador.
O que eu pude ver, ouvir e sentir ontem foi um presente. Na realidade não há o que dizer, porque impressões são acontecimentos sensoriais muito particulares. Dá vontade de ficar quietinha e guardar essas impressões para sempre só para mim, e não perder nada-nada-nada.
Mas não sou egoísta o suficiente para deixar de dividir isso com o mundo. E se há algo que o mundo deve conhecer é a existência dessas três pessoas: Sergio, Nelson e Lavínia.
Recomendo que aqueles que lerem isso aqui não se satisfaçam com as minhas impressões. Não apenas com as minhas impressões, mas que vão atrás deles e tenham as suas próprias. Porque ali, bem ali, naquelas três pessoas, além de muita riqueza, há ainda muita coisa magnífica a ser descoberta e sentida, tanto por eles quanto por nós. Todos nós.
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E segunda-feira foi dia de “Letras em Cena” no MASP. Foi a primeira vez que fui prestigiar esse evento. Sim, porque é um evento. Vou falar um pouco sobre as minhas impressões (mesmo não tendo propriedade para isso).
É um evento em que os atores, o autor e a direção deixam o texto ser protagonista.
O texto era do dramaturgo contemporâneo Sergio Mello, e foi adoravelmente lido pelo querido Nelson Peres e pela linda Lavínia Pannunzio. Os dois atores, apesar do pouco tempo de intimidade com o texto tão cheio de “nuances” (usando as palavras da própria Lavínia), nos conduziram com maestria através da história. Proporcionaram-nos um espetáculo de interpretação vocal e mostraram que mesmo quando estão apenas lendo conseguem manter uma presença F U D I D A. Eu poderia ser cega... e sei que as vozes dos dois atores me carregariam delicadamente pelas mãos, passando por cada uma das emoções das personagens.
Vimos no palco também um tímido Sergio Mello, que aparecia ali na posição criador-espectador, se deliciando com a leitura de sua obra e com a interpretação dos atores, tanto quanto a platéia. Se deliciando também com a reação da platéia às nuances e sensações de sua obra.
Sim, Sergio Mello, seu texto é delicioso. Mais do que isso, e sempre muito mais, os textos do Sergio Mello têm essa qualidade de manter nossos pensamentos e emoções presos ali, do começo ao fim. Esperamos ansiosos por um não sei o quê, uma revelação, um algo escondido nas entrelinhas, que pode surpreender a nós, platéia-voyer, assim como aos próprios atores. Falar de Sergio Mello é falar de tensão e leveza, brutalidade e delicadeza, é falar de um cara que escreve com muita sensatez e franqueza (qualidades esquecidas pelo ser humano atual), que sabe enxergar e sentir o mundo, sem se alienar. É tudo dele, está tudo ali. Depositado instintivamente e na medida certa, generosamente para o leitor/espectador.
O que eu pude ver, ouvir e sentir ontem foi um presente. Na realidade não há o que dizer, porque impressões são acontecimentos sensoriais muito particulares. Dá vontade de ficar quietinha e guardar essas impressões para sempre só para mim, e não perder nada-nada-nada.
Mas não sou egoísta o suficiente para deixar de dividir isso com o mundo. E se há algo que o mundo deve conhecer é a existência dessas três pessoas: Sergio, Nelson e Lavínia.
Recomendo que aqueles que lerem isso aqui não se satisfaçam com as minhas impressões. Não apenas com as minhas impressões, mas que vão atrás deles e tenham as suas próprias. Porque ali, bem ali, naquelas três pessoas, além de muita riqueza, há ainda muita coisa magnífica a ser descoberta e sentida, tanto por eles quanto por nós. Todos nós.
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