MINHA CIDADE ASSUME UM ASPECTO LONDRINO E MELANCÓLICO, ALGUMAS VEZES, E ME CONQUISTA.
Me re-apaixono. E então parece chover. Parece nevar. Parece que o asfalto, molhado e negro, consegue obscuramente refletir o céu. Tão negro que parece que vai engolir os carros num buraco infinito e cuspi-los na China.
Fica tudo cinza. Imitando meu peito. O transito pára e a chuva desce pra sussurrar segredos nos ouvidos das copas das árvores. Quando chove assim, o paulistano derrete e só a natureza tem vida. Quase consigo ouvir o relinchar dos cavalos agitados no Jockey Clube, pedindo aos tratadores um banho de chuva. Pedem a mesma liberdade que exijo ao cosmos. A liberdade de um banho de chuva. Sem roupas sociais ou limites de horários. Sem julgamentos de chefes. Apenas a pele e a chuva em contato, dançando loucamente, se lambendo e escorrendo. Infelizmente, as obrigações e a correria, falta de tempo e de espaço, fazem parte da arte e do charme dessa cidade. Sobra apenas olhar pela janela a linda vista cinza e úmida das ruas que correm afoitas e molhadas sob nossos pés.
sábado, 27 de março de 2010
22/03
Eu gosto de quem gosta da rua.
Não nasci pra casa. Fico desorientada.
Morro no sofá.
Agora, na rua as coisas são diferentes.
Tem cheiro, tem sabor. Há muita luz e um rumo.
Qualquer rumo pra seguir.
Então eu sempre vou pra rua e sigo todos os rumos.
Nem certos nem errados, porque eu não acredito nessa dicotomia.
Somos só nós dois. Eu e o pavimento.
As pessoas na mesma calçada são mera coincidência.
Dessas coincidências gostosas que nos fazem rir e não deixam que as pedras nos sapatos doam tanto.
Resido nas ruas.
É na rua que me encontro, me escondo e me perco.
O movimento, o barulho e a vida.
As ruas salvam.
Não nasci pra casa. Fico desorientada.
Morro no sofá.
Agora, na rua as coisas são diferentes.
Tem cheiro, tem sabor. Há muita luz e um rumo.
Qualquer rumo pra seguir.
Então eu sempre vou pra rua e sigo todos os rumos.
Nem certos nem errados, porque eu não acredito nessa dicotomia.
Somos só nós dois. Eu e o pavimento.
As pessoas na mesma calçada são mera coincidência.
Dessas coincidências gostosas que nos fazem rir e não deixam que as pedras nos sapatos doam tanto.
Resido nas ruas.
É na rua que me encontro, me escondo e me perco.
O movimento, o barulho e a vida.
As ruas salvam.
18/03
Uma saudade de mim, fina como a chuva, instalou-se em um lado desconhecido meu
Curiosamente, eu não fui a única a sentir essa falta
Cortei arestas
Desamassei vincos
Desfiz algumas rugas
Buscando o que parecia mais certo
Pra mim
Porque falar amém é coisa de santo
Coisa que eu não sou
É nova fase
De unhas negras
Heranças de Coimbra
De quatro
On fire
Mais ballet e le tutu
Agora me permito cafés da manhã de domingo
E cafunés, na cama
Mãos e pernas, braços, pêlos, lençóis
E desmaios
Por todos os lados
Estou mais nua
Crua
Mais autêntica
Não me vendo
Não sou vencida, vendida, nem estou vendada
E as pessoas não agüentam
Mas eu avisei que não seria fácil
Viver não é fácil
Mas a gente dificulta bastante também
Auto-sabotagem, manja?
Pois é
Pois eu parei
Me livrei dessa palhaçada
E garanto que muito do que está ao redor
Vai agüentar cada vez menos
“You win, you lose”
I’m just trying to win
Pois tenho muitas idéias
E muito amém pra ouvir.
Curiosamente, eu não fui a única a sentir essa falta
Cortei arestas
Desamassei vincos
Desfiz algumas rugas
Buscando o que parecia mais certo
Pra mim
Porque falar amém é coisa de santo
Coisa que eu não sou
É nova fase
De unhas negras
Heranças de Coimbra
De quatro
On fire
Mais ballet e le tutu
Agora me permito cafés da manhã de domingo
E cafunés, na cama
Mãos e pernas, braços, pêlos, lençóis
E desmaios
Por todos os lados
Estou mais nua
Crua
Mais autêntica
Não me vendo
Não sou vencida, vendida, nem estou vendada
E as pessoas não agüentam
Mas eu avisei que não seria fácil
Viver não é fácil
Mas a gente dificulta bastante também
Auto-sabotagem, manja?
Pois é
Pois eu parei
Me livrei dessa palhaçada
E garanto que muito do que está ao redor
Vai agüentar cada vez menos
“You win, you lose”
I’m just trying to win
Pois tenho muitas idéias
E muito amém pra ouvir.
Folhas de árvores suaves ao vento
Olhos incrivelmente claros me encaram no espelho
Os acordes de “Você me faz tão bem, você me faz tão bem”
Não saem mais da minha cabeça
Até me permito ser um pouco mais brega ultimamente
E usar roupas que parecem garimpadas no guarda-roupa da minha avó
Cores mais suaves
Que combinam com meus olhos
Menos duros
Há paz em torno
E eu finalmente consigo tomar decisões
E distribuir pingos em i’s rebeldes
Ando por aí bem mais francesa
Saindo à francesa também
Pois conheço bem meu lugar
E sei que não preciso insistir em outras coisas
Sei que posso simplesmente sentar ali do lado de fora
E fumar meu cigarro enquanto as pessoas passam
Admirando minha maquiagem bem feita.
Os acordes de “Você me faz tão bem, você me faz tão bem”
Não saem mais da minha cabeça
Até me permito ser um pouco mais brega ultimamente
E usar roupas que parecem garimpadas no guarda-roupa da minha avó
Cores mais suaves
Que combinam com meus olhos
Menos duros
Há paz em torno
E eu finalmente consigo tomar decisões
E distribuir pingos em i’s rebeldes
Ando por aí bem mais francesa
Saindo à francesa também
Pois conheço bem meu lugar
E sei que não preciso insistir em outras coisas
Sei que posso simplesmente sentar ali do lado de fora
E fumar meu cigarro enquanto as pessoas passam
Admirando minha maquiagem bem feita.
Petit poi, o rabo de cavalo e a pequena saia de tule
E com seu casaquinho de petit poi ela ouvia Elvis enquanto flertava com o moço mais velho e casado.
Arriscava e provocava, mesmo sendo ele casado, mesmo ela sabendo de tudo isso.
Porque ele era seu número. “Feitinho” pra ela. Tocava baixo. Não era qualquer coisa.
Porque ultimamente muitos desses eram pura tentação.
Casados ou solteiros. Apenas tentação.
Tudo porque seus olhos andavam mais claros.
Fenômeno curioso esse, ainda mais quando era algo cada vez mais freqüente e, por quê não dizer, delicioso.
Ela sabia que esse brilho todo vinha dele.
Ele que fazia bem demais a ela.
Que estava tentando enfeitiçá-la, sem saber como as conseqüências de seus feitiços poderiam ser bem sérias também.
Ela espairecia tudo isso, o feitiço e as cantadas, janela abaixo.
Vista aberta, afora.
Um cidade correndo a seus pés. Ela correndo contra a cidade.
A pele e os cabelos cada dia melhores, seus olhos mais e mais selvagens.
E claros. Um céu com uma força mais azul. O sol que veio acordá-la em meio a risadas, beijos e nudez.
O coração amansando, mesmo sem querer.
Pensava em como suas pernas e corpo conquistavam mais atenções.
Era mais do que isso. Era de dentro. Era o fumar seu cigarro sentada olhando para as árvores.
Era dominar a chuva que molhava a cidade enquanto ela também se molhava.
Era a descoberta da essência pura e puramente artística.
Olhar para os próprios pés e ver que eles tomavam forma e jeito.
As mãos já bem delicadas desenhando o ar e as palavras.
Então ela acordou, tomou seu café da manhã norte-americano, vestiu-se e maquiou-se como boneca.
Provocou todos os outros. Porque sabia bem quem era aquele único que a merecia.
Arriscava e provocava, mesmo sendo ele casado, mesmo ela sabendo de tudo isso.
Porque ele era seu número. “Feitinho” pra ela. Tocava baixo. Não era qualquer coisa.
Porque ultimamente muitos desses eram pura tentação.
Casados ou solteiros. Apenas tentação.
Tudo porque seus olhos andavam mais claros.
Fenômeno curioso esse, ainda mais quando era algo cada vez mais freqüente e, por quê não dizer, delicioso.
Ela sabia que esse brilho todo vinha dele.
Ele que fazia bem demais a ela.
Que estava tentando enfeitiçá-la, sem saber como as conseqüências de seus feitiços poderiam ser bem sérias também.
Ela espairecia tudo isso, o feitiço e as cantadas, janela abaixo.
Vista aberta, afora.
Um cidade correndo a seus pés. Ela correndo contra a cidade.
A pele e os cabelos cada dia melhores, seus olhos mais e mais selvagens.
E claros. Um céu com uma força mais azul. O sol que veio acordá-la em meio a risadas, beijos e nudez.
O coração amansando, mesmo sem querer.
Pensava em como suas pernas e corpo conquistavam mais atenções.
Era mais do que isso. Era de dentro. Era o fumar seu cigarro sentada olhando para as árvores.
Era dominar a chuva que molhava a cidade enquanto ela também se molhava.
Era a descoberta da essência pura e puramente artística.
Olhar para os próprios pés e ver que eles tomavam forma e jeito.
As mãos já bem delicadas desenhando o ar e as palavras.
Então ela acordou, tomou seu café da manhã norte-americano, vestiu-se e maquiou-se como boneca.
Provocou todos os outros. Porque sabia bem quem era aquele único que a merecia.
F.
Mais uma vez,
Com a cara no chão.
Um coração sujo.
Porque o amor é mesmo uma porcaria.
Mais uma vez, vendo que não tenho em quem confiar.
Porque as pessoas só querem tirar uma com a minha cara.
Vou mandar enterrarem meu coração.
Em praça pública. Uma pisada a mais não fará nenhuma diferença.
Está morto mesmo.
Mesmo depois de pedir pro diabo desistir da sua alma.
Mesmo depois disso.
Só o espelho viu a maquiagem escorrendo.
Só o espelho que viu.
A paisagem aqui ao lado é tão linda
Que eu quase acredito que não preciso de você
Num pulo só
Sem pára-quedas ou asa delta
Dessa janela eu vou
Deixar meu peito encontrar o chão
Pra lá embaixo enterrar seu nome
E(m) meu coração.
Com a cara no chão.
Um coração sujo.
Porque o amor é mesmo uma porcaria.
Mais uma vez, vendo que não tenho em quem confiar.
Porque as pessoas só querem tirar uma com a minha cara.
Vou mandar enterrarem meu coração.
Em praça pública. Uma pisada a mais não fará nenhuma diferença.
Está morto mesmo.
Mesmo depois de pedir pro diabo desistir da sua alma.
Mesmo depois disso.
Só o espelho viu a maquiagem escorrendo.
Só o espelho que viu.
A paisagem aqui ao lado é tão linda
Que eu quase acredito que não preciso de você
Num pulo só
Sem pára-quedas ou asa delta
Dessa janela eu vou
Deixar meu peito encontrar o chão
Pra lá embaixo enterrar seu nome
E(m) meu coração.
É disso tudo que falo
Em 08/03
Excessiva. Algumas vezes posso ser excessiva.
Excessivamente dengosa, excessivamente carinhosa, excessivamente fria.
Excessivamente insistente e/ou teimosa. Charmosa. Francesa.
Excessivamente mimada... ou mesmo exigente.
Cara de pau, grossa, bruta, indiferente.
Pensativa, arrogante, pedante, metida, pretensiosa.
Distante. Muito distante. Excessivamente distante.
Às vezes posso querer apenas me fundir a você.
Outras posso não querer sequer um olhar seu.
Interesseira. Descaradamente interesseira.
Exibidinha, abusadinha, narcisista.
Low profile. Fútil. Descabidamente boba e fútil.
Me importar demais ou de menos.
Excessiva nos desejos, a ponto de perder horas ou arriscar a vida.
Alegre. Hiperativa. Impulsiva. Desatenta. Nem aí, mesmo.
A verdade é que meus excessos moram na minha única e mais forte paixão.
Sou excessivamente atriz.
Pretensiosa? Sim..
Mais uma vez pretensiosa.
Excessivamente.
Mas atuar mora em mim. Mora nos meus gestos, mora nos meus olhares, mora nos meus pensamentos, nos meus sorrisos e nas minhas provocações. Mora no meu destino e na minha verve.
O sangue corre em excessos nas minhas veias. Todas elas.
E nesse sangue mora a arte. Esse sangue me eleva na dança, me firma no palco, me grita na voz, me expande o peito ao mundo.
E a arte, por sua vez, excessiva dentro de mim ultrapassa todos os limites, os limites do meu corpo e do espaço.
Somos uma coisa só, eu, a arte, meu sangue, o ar, o som, os sentimentos e o excesso.
Excessiva. Algumas vezes posso ser excessiva.
Excessivamente dengosa, excessivamente carinhosa, excessivamente fria.
Excessivamente insistente e/ou teimosa. Charmosa. Francesa.
Excessivamente mimada... ou mesmo exigente.
Cara de pau, grossa, bruta, indiferente.
Pensativa, arrogante, pedante, metida, pretensiosa.
Distante. Muito distante. Excessivamente distante.
Às vezes posso querer apenas me fundir a você.
Outras posso não querer sequer um olhar seu.
Interesseira. Descaradamente interesseira.
Exibidinha, abusadinha, narcisista.
Low profile. Fútil. Descabidamente boba e fútil.
Me importar demais ou de menos.
Excessiva nos desejos, a ponto de perder horas ou arriscar a vida.
Alegre. Hiperativa. Impulsiva. Desatenta. Nem aí, mesmo.
A verdade é que meus excessos moram na minha única e mais forte paixão.
Sou excessivamente atriz.
Pretensiosa? Sim..
Mais uma vez pretensiosa.
Excessivamente.
Mas atuar mora em mim. Mora nos meus gestos, mora nos meus olhares, mora nos meus pensamentos, nos meus sorrisos e nas minhas provocações. Mora no meu destino e na minha verve.
O sangue corre em excessos nas minhas veias. Todas elas.
E nesse sangue mora a arte. Esse sangue me eleva na dança, me firma no palco, me grita na voz, me expande o peito ao mundo.
E a arte, por sua vez, excessiva dentro de mim ultrapassa todos os limites, os limites do meu corpo e do espaço.
Somos uma coisa só, eu, a arte, meu sangue, o ar, o som, os sentimentos e o excesso.
Céu de cetim
Em 04/03
Abre a porta.
Sorrisos a aguardam.
Caminha até o vestiário. Música em bom tom.
Sapatos e sapatilhas. Meia calça e collant.
Um copo de chá, já devidamente trocada.
Risadas de outras meninas.
Confissões em corredores.
Sensação acolhedora.
Uma sala com espelhos nas paredes.
Mais música. Escolhida.
Aquecimento e alongamento.
E primeira posição. Segunda, terceira.
Battement. Pas de Burrée.
Pas de Chat. En Croix.
Degagè. Arabesque.
Meia ponta. Demi plié.
E plié... plié... plié.
Bater cabeça e Pirueta.
Barriga para dentro. Joelhos para fora.
Alonga a coluna. Postura. Vetores.
Olhos para o horizonte.
Dor. Alonga mais. Saltos.
As pernas tremem, os pés reclamam.
O peso do corpo, mesmo emagrecido, triplica.
Não se esqueça de contar, menina, seguindo a melodia.
Uma professora linda.
Muitas coisas novas. Dores novas também.
Olhos brilhantes de paixão e aprendizado.
Generosidade. Reconhecimento.
Sua idéia de paraíso é bem próxima disso.
Sua idéia de paraíso é um palco bem grande.
Céu de cetim. Céu de fitas e tulles.
Sempre sonhou voar.
Abre a porta.
Sorrisos a aguardam.
Caminha até o vestiário. Música em bom tom.
Sapatos e sapatilhas. Meia calça e collant.
Um copo de chá, já devidamente trocada.
Risadas de outras meninas.
Confissões em corredores.
Sensação acolhedora.
Uma sala com espelhos nas paredes.
Mais música. Escolhida.
Aquecimento e alongamento.
E primeira posição. Segunda, terceira.
Battement. Pas de Burrée.
Pas de Chat. En Croix.
Degagè. Arabesque.
Meia ponta. Demi plié.
E plié... plié... plié.
Bater cabeça e Pirueta.
Barriga para dentro. Joelhos para fora.
Alonga a coluna. Postura. Vetores.
Olhos para o horizonte.
Dor. Alonga mais. Saltos.
As pernas tremem, os pés reclamam.
O peso do corpo, mesmo emagrecido, triplica.
Não se esqueça de contar, menina, seguindo a melodia.
Uma professora linda.
Muitas coisas novas. Dores novas também.
Olhos brilhantes de paixão e aprendizado.
Generosidade. Reconhecimento.
Sua idéia de paraíso é bem próxima disso.
Sua idéia de paraíso é um palco bem grande.
Céu de cetim. Céu de fitas e tulles.
Sempre sonhou voar.
Em 03/03
Uma vez um amigo meu disse sobre os homens:
“Cachorro de raça tem dono.”
Minha resposta?
Perdoem-me os donos, mas eu sou vira-lata.
“Cachorro de raça tem dono.”
Minha resposta?
Perdoem-me os donos, mas eu sou vira-lata.
Dedicatória
Ainda em 01/03...
Para Kik’s...
O amor não presta.
Exige coragem. Daquele tipo de coragem verdadeira. Não da coragem de montanhas russas ou de matadores de leões e animais peçonhentos. Coragem de verdade. Daquelas que só uma menina com olhos cor de ouro líquido teria. Daquelas que só uma menina que tem força para entregar o corpo ao prazer por puro amor teria. Daquela coragem que só uma menina que nasceu pra ser uma mulher bem grande e madura e forte teria.
O amor não presta. Mas exige coragem.
Daquele tipo de coragem que só um tipo de pessoa sabe ter.
É de você que eu tô falando.
Os outros são simples covardes.
Nunca vão saber o que é vida. Coisa que jorra de você.
Um beijo. Estou aqui de ouvidos atentos e olhos bem abertos pra você, amiga.
Para Kik’s...
O amor não presta.
Exige coragem. Daquele tipo de coragem verdadeira. Não da coragem de montanhas russas ou de matadores de leões e animais peçonhentos. Coragem de verdade. Daquelas que só uma menina com olhos cor de ouro líquido teria. Daquelas que só uma menina que tem força para entregar o corpo ao prazer por puro amor teria. Daquela coragem que só uma menina que nasceu pra ser uma mulher bem grande e madura e forte teria.
O amor não presta. Mas exige coragem.
Daquele tipo de coragem que só um tipo de pessoa sabe ter.
É de você que eu tô falando.
Os outros são simples covardes.
Nunca vão saber o que é vida. Coisa que jorra de você.
Um beijo. Estou aqui de ouvidos atentos e olhos bem abertos pra você, amiga.
Atmosferas
Em 01/03
E eu não fui.
Eu que disse que ia. Que queria estar entre os meus.
Porque sou deles e eles são meus. De uma forma ou de outra reconhecemos que sim.
Porque somos queridos e não queremos nada em troca.
Estamos ali pela diversão, pela afinidade.
Simplesmente estamos.
E mesmo depois de longos meses de sol e chuva, sem qualquer forma de contato, nos vimos como se a última fofoca tivesse sido dividida nessa madrugada.
Como se o afago nos cabelos ou o calor do abraço ainda estivesse presente e quente na pele.
Porque estava.
Mas não fui. Porque meus lábios foram monopolizados e minhas vontades ficaram amarradas.
Porque choveu de forma fina e gélida.
Porque minha razão lutava contra meu organismo, contra minha fisiologia e dizia coisas insanas à minha sorte.
Porque eu tinha mãos e palavras por todos os lados, mas eu ainda me sentia a pessoa mais sozinha e cúmplice daquela atmosfera.
Porque ao redor disso tudo tinha cansaço. Muito cansaço.
Então não fui.
E eu não fui.
Eu que disse que ia. Que queria estar entre os meus.
Porque sou deles e eles são meus. De uma forma ou de outra reconhecemos que sim.
Porque somos queridos e não queremos nada em troca.
Estamos ali pela diversão, pela afinidade.
Simplesmente estamos.
E mesmo depois de longos meses de sol e chuva, sem qualquer forma de contato, nos vimos como se a última fofoca tivesse sido dividida nessa madrugada.
Como se o afago nos cabelos ou o calor do abraço ainda estivesse presente e quente na pele.
Porque estava.
Mas não fui. Porque meus lábios foram monopolizados e minhas vontades ficaram amarradas.
Porque choveu de forma fina e gélida.
Porque minha razão lutava contra meu organismo, contra minha fisiologia e dizia coisas insanas à minha sorte.
Porque eu tinha mãos e palavras por todos os lados, mas eu ainda me sentia a pessoa mais sozinha e cúmplice daquela atmosfera.
Porque ao redor disso tudo tinha cansaço. Muito cansaço.
Então não fui.
Em 17/02
E assim, com a concentração de uma pipoca, ela partiu, em direção aos dias frios
Porque fazia calor demais
Depois que ela decidira abraçar o mundo, viu que esse largou todo seu peso nos ombros dela
Então partiu
Os dias frios tinham algo de atraente em suas cores
Algo refrescante, como se fossem a composição de um espírito jovem
Tudo que ela precisava
Diferente do seu espírito tão cansado e surrado e quente
Algo novo e fresco
Como raspadinhas de morango
Ou a neve, ou mesmo um ar condicionado gelado
Nas costas
Um dia bem branco e cinza, sem chuva
Só frio
Porque fazia calor demais
Depois que ela decidira abraçar o mundo, viu que esse largou todo seu peso nos ombros dela
Então partiu
Os dias frios tinham algo de atraente em suas cores
Algo refrescante, como se fossem a composição de um espírito jovem
Tudo que ela precisava
Diferente do seu espírito tão cansado e surrado e quente
Algo novo e fresco
Como raspadinhas de morango
Ou a neve, ou mesmo um ar condicionado gelado
Nas costas
Um dia bem branco e cinza, sem chuva
Só frio
Em 09/02
“E, do nada, ele é acometido por uma motivação desconhecida, bem no meio de seu dia, e envia um e-mail com apenas uma palavra:
!Delícia!
Ela, totalmente surpresa, rola parede acima de rir e, não podemos negar, acha toda a situação muito interessante. Igualmente interessante, a palavra escrita ativa um dispositivo em sua mente, jogando cada um de seus pensamentos aos céus, em meio a deleites e memórias. Memórias de brincadeiras, línguas, arrepios, movimentos, respirações, frases soltas, claridade do dia penetrando as frestas da janela, sons proibidos, descobertas, toques, quente e frio, insistências, pedidos e muitas satisfações. Uma vontade irresistível a amolece. Vontade de cama, vontade de inexistência das horas, inexistência de preocupações e perigos, vontade maior de reprise em câmera lenta.
!Delícia!
Ela, totalmente surpresa, rola parede acima de rir e, não podemos negar, acha toda a situação muito interessante. Igualmente interessante, a palavra escrita ativa um dispositivo em sua mente, jogando cada um de seus pensamentos aos céus, em meio a deleites e memórias. Memórias de brincadeiras, línguas, arrepios, movimentos, respirações, frases soltas, claridade do dia penetrando as frestas da janela, sons proibidos, descobertas, toques, quente e frio, insistências, pedidos e muitas satisfações. Uma vontade irresistível a amolece. Vontade de cama, vontade de inexistência das horas, inexistência de preocupações e perigos, vontade maior de reprise em câmera lenta.
Em outros tempos, quando os sentimentos não eram saudáveis...
Todos os dias, as pessoas me perguntam:
Por que você não namora?
Tenho certeza que vocês não vão querer saber a verdade.
Porque as pessoas tem problemas com a verdade, não sabem lidar.
Por quê? A razão é simples. Vaidade.
Por isso a verdade dói tanto, porque fere a vaidade.
Qual a relação disso com a pergunta feita ali em cima?
Hahaha
Agora, respondendo aos curiosos de plantão:
Porque eu sei somente ser leal. Não sei ser fiel.
Porque eu tenho medo de me comprometer.
Porque eu uso as pessoas (não se espantem, vocês também usam).
E não gosto de iludir.
Porque eu só sei amar coletivamente. Porque eu não amo um mais do que o outro.
Porque eu não suporto expectativas e pressão. Principalmente dos amigos que metem o bedelho.
Porque tenho alma de Frida Kahlo.
Porque não conheci alguém com coragem. Não aquela de heróis que salvam o mundo. É da coragem de verdade que eu tô falando. Tenho mais culhão que muito homem por aí.
Porque eu não quero ser vista como um casal.
Porque sou um indivíduo. Indivisível. Que sempre existiu. E sempre foi cheia de opiniões árduas e próprias e únicas.
Independente de quem está ou não ao meu lado.
Porque ninguém é igual a ninguém. Eu não sou. E todos em volta começam a dizer: Nossa, como eles são parecidos, nossa isso, nossa aquilo. E quando você perceber, fundiram os dois numa coisa só, sem sal e sem idéias independentes.
Porque ele usa seu MSN, se mete no seu Orkut, fica amigo dos seus amigos e quando você se der conta, sua melhor amiga já deu pra ele 732 vezes.
Porque depois que se começa a namorar você passa a ser visto como: o fulano e a fulana. Isso é simplesmente insuportável.
Todos os programas são em dois. As pessoas deixam de te chamar para alguns eventos, porque não sabem se o namorado vai gostar, ou usam a desculpinha eles devem estar fazendo sexo.
As pessoas tornam-se chatas e você menos interessante para o mundo. Para todo mundo.
Porque um dia você acorda só querendo beber e farrear e falar merda e tem lá um cara no seu pé, te agarrando, ou te beijando, ou te tocando. Ei, ei, ei! Que é isso? Eu deixei ou pedi pra você me beijar? Agora não... não vê que eu tô concentrada em me divertir ou em qualquer outra coisa!
E se eu quiser ir a um show sozinha?
E se eu quiser ir pro bar tomar meu uísque com alguns bons amigos e conhecer gente nova? Passar mal?
Dar vexame?
E se eu quiser fazer uma música ou um texto romântico para ninguém, assim descompromissadamente?
Ou para alguém diferente? Pela simples vontade de criar algo diferente?
Viajar pra longe? Sumir do mapa?
E se eu não quiser fazer sexo, só assistir televisão mesmo?
E seu eu quiser ter paz?
Porque, independente de quem está ao meu lado, eu vou fazer isso e quero fazer isso.
Porque sou humana e tenho desejos, tenho impulsos, tenho vontades.
Porque o mundo tem bilhões de possibilidades e de pessoas com seus universos interessantes.
Porque amor-amor mesmo, pelo menos a metade dos que estão lendo isso aqui não sabem e nunca saberão o que é.
Porque eu já aprendi e já senti e já doeu e já perdi e já morri um milhão de vezes no mesmo instante.
Porque amor-amor mesmo é insubstituível e inexplicável e imperdível e incomparável e não sufoca e não se cobra nem se julga. É assim mesmo, num fôlego só, porque é intenso e suave, e eu juro que não me refiro à parte carnal.
Não há jogo e um não rouba a energia do outro. É equilíbrio. Porque um não precisa do outro, porque não são necessárias explicações ou satisfações, porque um não espera nada do outro. Não se agregam, pois já são completos.
Simplesmente estão ali. E mesmo que nunca se toquem ou nunca mais se falem, um sorriso basta e ilumina uma eternidade.
Então, por favor, parem de perguntar por quê eu não quero namorar o fulano ou siclano ou beltrano. Eu também tenho o direito de escolha, de liberdade, de sentimento. Também sou um indivíduo que pensa e existe e sente.
Mas isso ninguém respeita.
“Bebo para afogar as mágoas. Mas as danadas aprenderam a nadar.”
Frida Kahlo
Quanto tempo tenho
Prá matar essa saudade
Meu bem o ciúme
É pura vaidade
Se tu foges o tempo
Logo traz ansiedade
Respirar o amor
Aspirando liberdade...
Tenho a vida doida
Encabeço o mundo
Sou ariano torto
Vivo de amor profundo
Sou perecível ao tempo
Vivo por um segundo
Perdoa meu amor
Esse Nobre Vagabundo...
Por que você não namora?
Tenho certeza que vocês não vão querer saber a verdade.
Porque as pessoas tem problemas com a verdade, não sabem lidar.
Por quê? A razão é simples. Vaidade.
Por isso a verdade dói tanto, porque fere a vaidade.
Qual a relação disso com a pergunta feita ali em cima?
Hahaha
Agora, respondendo aos curiosos de plantão:
Porque eu sei somente ser leal. Não sei ser fiel.
Porque eu tenho medo de me comprometer.
Porque eu uso as pessoas (não se espantem, vocês também usam).
E não gosto de iludir.
Porque eu só sei amar coletivamente. Porque eu não amo um mais do que o outro.
Porque eu não suporto expectativas e pressão. Principalmente dos amigos que metem o bedelho.
Porque tenho alma de Frida Kahlo.
Porque não conheci alguém com coragem. Não aquela de heróis que salvam o mundo. É da coragem de verdade que eu tô falando. Tenho mais culhão que muito homem por aí.
Porque eu não quero ser vista como um casal.
Porque sou um indivíduo. Indivisível. Que sempre existiu. E sempre foi cheia de opiniões árduas e próprias e únicas.
Independente de quem está ou não ao meu lado.
Porque ninguém é igual a ninguém. Eu não sou. E todos em volta começam a dizer: Nossa, como eles são parecidos, nossa isso, nossa aquilo. E quando você perceber, fundiram os dois numa coisa só, sem sal e sem idéias independentes.
Porque ele usa seu MSN, se mete no seu Orkut, fica amigo dos seus amigos e quando você se der conta, sua melhor amiga já deu pra ele 732 vezes.
Porque depois que se começa a namorar você passa a ser visto como: o fulano e a fulana. Isso é simplesmente insuportável.
Todos os programas são em dois. As pessoas deixam de te chamar para alguns eventos, porque não sabem se o namorado vai gostar, ou usam a desculpinha eles devem estar fazendo sexo.
As pessoas tornam-se chatas e você menos interessante para o mundo. Para todo mundo.
Porque um dia você acorda só querendo beber e farrear e falar merda e tem lá um cara no seu pé, te agarrando, ou te beijando, ou te tocando. Ei, ei, ei! Que é isso? Eu deixei ou pedi pra você me beijar? Agora não... não vê que eu tô concentrada em me divertir ou em qualquer outra coisa!
E se eu quiser ir a um show sozinha?
E se eu quiser ir pro bar tomar meu uísque com alguns bons amigos e conhecer gente nova? Passar mal?
Dar vexame?
E se eu quiser fazer uma música ou um texto romântico para ninguém, assim descompromissadamente?
Ou para alguém diferente? Pela simples vontade de criar algo diferente?
Viajar pra longe? Sumir do mapa?
E se eu não quiser fazer sexo, só assistir televisão mesmo?
E seu eu quiser ter paz?
Porque, independente de quem está ao meu lado, eu vou fazer isso e quero fazer isso.
Porque sou humana e tenho desejos, tenho impulsos, tenho vontades.
Porque o mundo tem bilhões de possibilidades e de pessoas com seus universos interessantes.
Porque amor-amor mesmo, pelo menos a metade dos que estão lendo isso aqui não sabem e nunca saberão o que é.
Porque eu já aprendi e já senti e já doeu e já perdi e já morri um milhão de vezes no mesmo instante.
Porque amor-amor mesmo é insubstituível e inexplicável e imperdível e incomparável e não sufoca e não se cobra nem se julga. É assim mesmo, num fôlego só, porque é intenso e suave, e eu juro que não me refiro à parte carnal.
Não há jogo e um não rouba a energia do outro. É equilíbrio. Porque um não precisa do outro, porque não são necessárias explicações ou satisfações, porque um não espera nada do outro. Não se agregam, pois já são completos.
Simplesmente estão ali. E mesmo que nunca se toquem ou nunca mais se falem, um sorriso basta e ilumina uma eternidade.
Então, por favor, parem de perguntar por quê eu não quero namorar o fulano ou siclano ou beltrano. Eu também tenho o direito de escolha, de liberdade, de sentimento. Também sou um indivíduo que pensa e existe e sente.
Mas isso ninguém respeita.
“Bebo para afogar as mágoas. Mas as danadas aprenderam a nadar.”
Frida Kahlo
Quanto tempo tenho
Prá matar essa saudade
Meu bem o ciúme
É pura vaidade
Se tu foges o tempo
Logo traz ansiedade
Respirar o amor
Aspirando liberdade...
Tenho a vida doida
Encabeço o mundo
Sou ariano torto
Vivo de amor profundo
Sou perecível ao tempo
Vivo por um segundo
Perdoa meu amor
Esse Nobre Vagabundo...
Em 08/02...
Quero asas
Tenho a concentração de uma pipoca
E deveres
Muitos deveres e obrigações
Escutar uma música inteira tem sido difícil
As mãos não param
Os olhos procuram
Os pés descontam no chão
Quero abraços
Mas meus braços não cabem em si
Cantigas a plenos pulmões
Sem estranhamentos
Ou julgamentos
Tenho o corpo todo amarrado
Socialmente amarrado
Então dói
Tenho a concentração de uma pipoca
E deveres
Muitos deveres e obrigações
Escutar uma música inteira tem sido difícil
As mãos não param
Os olhos procuram
Os pés descontam no chão
Quero abraços
Mas meus braços não cabem em si
Cantigas a plenos pulmões
Sem estranhamentos
Ou julgamentos
Tenho o corpo todo amarrado
Socialmente amarrado
Então dói
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
***
O títere faz piruetas nas mãos de um deus com dois vazios obscuros e cósmicos no lugar dos olhos
Uma bailarina de pernas quebradas tenta se equilibrar sobre suas dores e muletas
Um disco de vinil riscado na penúltima palavra do refrão
Um pianista sem mãos tenta desesperadamente homenagear o filho em seu funeral
Ouve-se o último uivo de um lobo, extinto, enquanto sua casa e filhotes desaparecem sob o fogo criminoso
Pneus de carros que gritam
em freadas bruscas e inesperadas
A visão derradeira de um espetáculo das
pessoas que rodopiam no ar como patinadores de gelo,
antes de arrebentarem seus corpos contra a crueldade do asfalto
Luvas tentam aquecer pontas de dedos
necrosados
Sorrisos sem energia
Congelados
Crianças que nunca viram nada
Nem a praia
Apenas a doçura do chinelo, da cinta, da mão
Do cabo da panela, do fogo, do fogo, do fogo
Uma caixinha de música
A lembrança do sorriso do melhor amigo
Do melhor amor
Cai uma neve fina e ardilosa
Teia de aranha úmida
Reluz como diamante
Como os olhos verdes
E a pele verde oliva
dela
A garota que passeia com os pés em andeor
Roupa colada aos gestos
Delicada,
em contraponto à brutalidade do mundo
À brutalidade das coisas
Porque ela prometeu nunca se render
Nunca se vender
Dolorida e demorada
Em todas as suas coisas
De sono pesado
Vendada
Carrega cicatrizes feias nos braços
De tanto tentar se proteger
Mas alguns estilhaços sempre
Sobram
***
O títere faz piruetas nas mãos de um deus com dois vazios obscuros e cósmicos no lugar dos olhos
Uma bailarina de pernas quebradas tenta se equilibrar sobre suas dores e muletas
Um disco de vinil riscado na penúltima palavra do refrão
Um pianista sem mãos tenta desesperadamente homenagear o filho em seu funeral
Ouve-se o último uivo de um lobo, extinto, enquanto sua casa e filhotes desaparecem sob o fogo criminoso
Pneus de carros que gritam
em freadas bruscas e inesperadas
A visão derradeira de um espetáculo das
pessoas que rodopiam no ar como patinadores de gelo,
antes de arrebentarem seus corpos contra a crueldade do asfalto
Luvas tentam aquecer pontas de dedos
necrosados
Sorrisos sem energia
Congelados
Crianças que nunca viram nada
Nem a praia
Apenas a doçura do chinelo, da cinta, da mão
Do cabo da panela, do fogo, do fogo, do fogo
Uma caixinha de música
A lembrança do sorriso do melhor amigo
Do melhor amor
Cai uma neve fina e ardilosa
Teia de aranha úmida
Reluz como diamante
Como os olhos verdes
E a pele verde oliva
dela
A garota que passeia com os pés em andeor
Roupa colada aos gestos
Delicada,
em contraponto à brutalidade do mundo
À brutalidade das coisas
Porque ela prometeu nunca se render
Nunca se vender
Dolorida e demorada
Em todas as suas coisas
De sono pesado
Vendada
Carrega cicatrizes feias nos braços
De tanto tentar se proteger
Mas alguns estilhaços sempre
Sobram
***
*
*
*
F,
Venho, por meio deste, fazer um pedido:
Que você nunca mais me toque
Porque esse seu toque
é o que mais quero.
***************************************
Um bom sinal
Uma boa notícia
Tudo que preciso
Um amor que vem do ar
Ou que venha pelo mar
Um carro que pára em minha porta
Um homem de terno claro
e chapéu
O viajante que decidiu ficar
Com idéias sobre o futuro
Um profeta
Um poeta
Com as linhas do meu futuro
traçadas em seu peito
Do lado esquerdo
Que sabe de cor
os segredos escondidos
nas linhas da minha mão
Direita
Que veio me falar
sobre meu destino
tortuoso
Veio me corrigir
ou surpreender
Me salvar dos moinhos do vento
Que giram e
Estraçalham
Tudo
Dentro do seio
Esquerdo.
*
*
F,
Venho, por meio deste, fazer um pedido:
Que você nunca mais me toque
Porque esse seu toque
é o que mais quero.
***************************************
Um bom sinal
Uma boa notícia
Tudo que preciso
Um amor que vem do ar
Ou que venha pelo mar
Um carro que pára em minha porta
Um homem de terno claro
e chapéu
O viajante que decidiu ficar
Com idéias sobre o futuro
Um profeta
Um poeta
Com as linhas do meu futuro
traçadas em seu peito
Do lado esquerdo
Que sabe de cor
os segredos escondidos
nas linhas da minha mão
Direita
Que veio me falar
sobre meu destino
tortuoso
Veio me corrigir
ou surpreender
Me salvar dos moinhos do vento
Que giram e
Estraçalham
Tudo
Dentro do seio
Esquerdo.
Os becos de Paris

E se alguém perguntar por mim, diga que eu fui à Paris.
Diga também que fui atrás daquele romance tórrido com um integrante da população local do meu cenário atual.
Porque eu não nasci para menos.
Porque sou a personificação do romance e preciso de inspiração para meu novo livro.
Simplesmente porque eu quis assim.
Paixões sob luz de estrelas, nas ruas de paralelepípedos parisienses, ao som de acordeões, na boca dos leões.
A lua jorrando brilho e cantadas repletas de poesia.
Uma prosa de qualidade, talvez sobre Sartre, talvez sobre as coisas mais simples, uma baguete, um vinho.
Ou mesmo champagne.
Falar fazendo biquinho. Deitar na grama lendo um livro de algum poeta desconhecido do leste europeu.
Desvendar as sensações de Amelie Poulin. Encontrar Chico Buarque brincando de anônimo.
Beijar um desconhecido atravessando a rua. Quiches e bistrôs.
Mudar de opinião um milhão de vezes no mesmo segundo.
Usar preto, ser existencialista. Conhecer os becos de Paris. Os artistas dos becos de Paris.
Os pintores, os novos poetas, os músicos, os velhos escritores, os críticos, os ‘sem opinião’.
Invadir as telas daquele pintor calado, bruto e viciado em roer unhas.
Ser a tela do pintor e deixar que seus pincéis invadam meu corpo.
Trair, por amor ou safadeza, o pintor com o músico viciado em gesticular. Ser traída por amor.
E descobrir que ser amada pode ser bom. Fazer as pazes e, mesmo sabendo da hipocrisia de todos os relacionamentos, saber que ele escolheu ficar junto.
Que eu também escolhi ficar junto.
Ser blasé, na capital do blasé.
Ficar nua no calor do aquecedor do apartamento de sacada grande e arquitetura provinciana enquanto lá fora a cidade desaparece sob a neve.
Assistir a vida passando em câmera lenta... com o comprometimento dos dias que não sabem do fim.
Ou da noite. Correr pelo Louvre. Imitar a Monalisa. Fazer perguntas a Da Vinci.
Usar cachecóis e sentir a poesia escondida nas ruas esbranquiçadas. Incontáveis vernissages.
Intelectualóides irritantes tentando provar que sabem mais sobre arte.
Beijar, beijar, beijar, beijos franceses. Em elevadores, escadas, aeroportos, em pontes, taxis, cabines telefônicas.
Beijar apaixonadamente meu pintor de mãos eternamente sujas de tinta.
De mãos eternamente sujas de mim.
Rir dos gringos. E do mal humor xenofóbico dos parisienses.
Sem dar satisfações. Satisfazendo apenas a mim. Sempre sozinha.
Que fui sempre sozinha.
Viver o romance na mão dos inventores do romance. Castigá-los por terem inventado algo tão dominador e cruel.
Deleitar-me, refestelar-me em algo tão dominador e cruel. Até me libertar.
Deixar que a vida de Paris venha me tirar da minha cama. Até me atirar novamente em tais lençóis.
Em bons lençóis. Nos lençóis dele.
Escolher ser otimista e descobrir que ele também deseja um filho.
Diga que fui à Paris para viver todos os clichês. Ou só para viver, pois me cansei de apenas ver.
Porque agora é minha vez de sentir.
E porque dessa vez eu escolhi o romance. A contragosto.
Contra a vontade de todos. Inclusive a minha.
domingo, 31 de janeiro de 2010
E assim, como o sol se põe, a menina que um dia amava dois homens deixou de amar.
Deixou de gostar de outros também.
Descobriu o terror que era cativar alguém e ficou com mais medo ainda de se tornar responsável.
Ou de responsabilizar.
Perderam-na, simplesmente porque era mais fácil perdê-la do que ganhá-la.
Porque a liberdade e a falta de espaço, da mesma forma que confundem, sufocam.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Asfixia
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Na existência
Eu queria um sinal
De que vai parar de doer
Tudo que mora aqui dentro
De que os medos vão acalmar
A tempestade vai baixar
Quero calmaria
“um amor tranquilo com sabor de fruta mordida”
Oferecer meu colo e ser embalada daquele jeito lento
Quente
Sem moscas sobrevoando meu pão doce
Cheiro de café invadindo a varanda
Sem contar horas
Crianças pulando amarelinha
Meu cachorro deitado ao lado
Suor e saliva se encontrando
Fundindo a tarde e a madrugada
Dois corpos tentando ocupar o mesmo espaço
Numa briga pacífica e macia
Sem banalizações
Fins de semana de vinho e pizzas
De frenesis febris
Confusões de cheiros
Em todos os cantos da casa
Sem dores no peito
Sol no rosto
Sal no gosto
Pimenta na existência
De nós dois
De que vai parar de doer
Tudo que mora aqui dentro
De que os medos vão acalmar
A tempestade vai baixar
Quero calmaria
“um amor tranquilo com sabor de fruta mordida”
Oferecer meu colo e ser embalada daquele jeito lento
Quente
Sem moscas sobrevoando meu pão doce
Cheiro de café invadindo a varanda
Sem contar horas
Crianças pulando amarelinha
Meu cachorro deitado ao lado
Suor e saliva se encontrando
Fundindo a tarde e a madrugada
Dois corpos tentando ocupar o mesmo espaço
Numa briga pacífica e macia
Sem banalizações
Fins de semana de vinho e pizzas
De frenesis febris
Confusões de cheiros
Em todos os cantos da casa
Sem dores no peito
Sol no rosto
Sal no gosto
Pimenta na existência
De nós dois
Boleia
Em 12/01/10
É essa vontade de rasgar papéis.
De fugir correndo até o deserto do Atacama.
Vontade de ouvir só silêncios.
Closes de câmeras.
Sussurro de água escorrendo pelos pés em mortes de cachoeiras.
De estar além de qualquer pensamento. Além do bem e do mal.
Retornar aos lugares bonitos da infância. Cheios de verde.
Encontrar a paz nos colos de alguns meninos. Talvez em um colo, em especial.
De sentir aquelas mãos rodando em meus cabelos, descobrindo sensações.
Enxergar-me através das descobertas dos olhos, das mãos e da boca dele.
Aquele beijo púbico, precipitadamente proibido.
Um encontro de línguas que se mereciam. Desejavam-se.
Dedos frenéticos de inspiração castigando um teclado privado.
Palavras que não cabem na boca e que não sabem ganhar o ar.
- Adeus. Desculpe. Não posso mais.
Vontade de sentar com os pés balançando ao vento no parapeito do edifício mais alto.
Ser toda cigarros. Cinzas e lenços ao vento.
Dourar a pele e os sentimentos ao sol.
Saudade de ouvi-lo descobrindo o calor da minha pele.
Mãos por todos os lados, suavemente, como sua boca e seu beijo.
O som da saliva invadindo meus poros.
Fazendo acrobacias com o chiclete.
A vida girando em câmera lenta naquela madrugada.
Elogios à meia luz.
Mais closes de câmeras.
Dois corpos que se cabem e se entendem muito bem e um cinzeiro.
Segredos de caminhoneiros.
A saudade antecipada da falta do toque.
Uma despedida e o medo de nunca mais ouvir o timbre da voz do outro.
É essa vontade de rasgar papéis.
De fugir correndo até o deserto do Atacama.
Vontade de ouvir só silêncios.
Closes de câmeras.
Sussurro de água escorrendo pelos pés em mortes de cachoeiras.
De estar além de qualquer pensamento. Além do bem e do mal.
Retornar aos lugares bonitos da infância. Cheios de verde.
Encontrar a paz nos colos de alguns meninos. Talvez em um colo, em especial.
De sentir aquelas mãos rodando em meus cabelos, descobrindo sensações.
Enxergar-me através das descobertas dos olhos, das mãos e da boca dele.
Aquele beijo púbico, precipitadamente proibido.
Um encontro de línguas que se mereciam. Desejavam-se.
Dedos frenéticos de inspiração castigando um teclado privado.
Palavras que não cabem na boca e que não sabem ganhar o ar.
- Adeus. Desculpe. Não posso mais.
Vontade de sentar com os pés balançando ao vento no parapeito do edifício mais alto.
Ser toda cigarros. Cinzas e lenços ao vento.
Dourar a pele e os sentimentos ao sol.
Saudade de ouvi-lo descobrindo o calor da minha pele.
Mãos por todos os lados, suavemente, como sua boca e seu beijo.
O som da saliva invadindo meus poros.
Fazendo acrobacias com o chiclete.
A vida girando em câmera lenta naquela madrugada.
Elogios à meia luz.
Mais closes de câmeras.
Dois corpos que se cabem e se entendem muito bem e um cinzeiro.
Segredos de caminhoneiros.
A saudade antecipada da falta do toque.
Uma despedida e o medo de nunca mais ouvir o timbre da voz do outro.
Domesticada
Tenho o coração suspenso no ar. Ao léu. Para qualquer ventania reduzi-lo a pó.
E se eu assumisse, como no conto dos três mal amados, como no conto de qualquer mal amado, que o amor comeu meu juízo, que “o amor comeu meu medo da morte”?
Porque algo recente aconteceu, e eu não tenho mais medo. Só tenho medo da ausência.
A ausência das palavras. Ausência da presença. Ausência do carinho. Ausência do olhar. Ausência das atitudes mal criadas. Ausência dele.
Só quero a sensação do toque dele, do peso dele, da respiração dele, da voz dele, das mãos dele no meu cabelo, da língua dele, do olhar dele, do descontrole dele, da admiração dele.
De nenhum outro.
Não quero ser fiel. Nunca quis.
Agora, meu corpo e meu juízo me seguram. Rejeitam outros. Estou me traindo.
Ele dominou minha essência. Do-mes-ti-cou-me.
E nós fizemos tudo errado. O sono me fez trair minhas intenções.
Meus gestos me abandonaram e só sobrou meu cansaço e as palavras mal ditas.
Fui invadida por um milhão de aflições e passei todas as impressões erradas. Fui uma baita duma chata.
Ele nunca mais vai me procurar. Nunca mais. Porque o universo é assim, tem uns planos bem estranhos.
Ilude. E eu que sempre odiei ilusões... Iludi.
*
*
*
Eu acreditei, do fundo da minha existência, que eu não pertencia a ninguém.
Descobri que tenho muito a aprender.
Agora, pago e recebo na mesma moeda. Mas a dor, ah, essa eu conheço bem.
Porque algo recente aconteceu, algo que eu realmente não esperava, apesar de saber que poderia acontecer.
Verdadeiramente, não pertenço. O perigo reside no querer pertencer.
À pessoa errada.
E se eu assumisse, como no conto dos três mal amados, como no conto de qualquer mal amado, que o amor comeu meu juízo, que “o amor comeu meu medo da morte”?
Porque algo recente aconteceu, e eu não tenho mais medo. Só tenho medo da ausência.
A ausência das palavras. Ausência da presença. Ausência do carinho. Ausência do olhar. Ausência das atitudes mal criadas. Ausência dele.
Só quero a sensação do toque dele, do peso dele, da respiração dele, da voz dele, das mãos dele no meu cabelo, da língua dele, do olhar dele, do descontrole dele, da admiração dele.
De nenhum outro.
Não quero ser fiel. Nunca quis.
Agora, meu corpo e meu juízo me seguram. Rejeitam outros. Estou me traindo.
Ele dominou minha essência. Do-mes-ti-cou-me.
E nós fizemos tudo errado. O sono me fez trair minhas intenções.
Meus gestos me abandonaram e só sobrou meu cansaço e as palavras mal ditas.
Fui invadida por um milhão de aflições e passei todas as impressões erradas. Fui uma baita duma chata.
Ele nunca mais vai me procurar. Nunca mais. Porque o universo é assim, tem uns planos bem estranhos.
Ilude. E eu que sempre odiei ilusões... Iludi.
*
*
*
Eu acreditei, do fundo da minha existência, que eu não pertencia a ninguém.
Descobri que tenho muito a aprender.
Agora, pago e recebo na mesma moeda. Mas a dor, ah, essa eu conheço bem.
Porque algo recente aconteceu, algo que eu realmente não esperava, apesar de saber que poderia acontecer.
Verdadeiramente, não pertenço. O perigo reside no querer pertencer.
À pessoa errada.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Medos
É que eu tô com medo, pela minha vida.
E eu sei que não tenho uma mão segurando a minha e dizendo “fica tranqüila, vai dar tudo certo, não é nada”. E eu nem quero ter. Porque se precisar chegar a esse ponto, terei certeza que a casa caiu, hermano.
Tenho também um medo fútil. Medo de ficar deformada. De ninguém olhar mais pra mim.
Tenho um medo aterrorizante do irremediável, mas sobre esse eu prefiro não pensar.
Sempre que algo assim atormenta os pensamentos, nascem algumas reflexões.
Por quê? O que fiz de errado? Será que mereço? Quem pode me ajudar? O que isso é realmente?...
Medo do medo. Medo do sofrimento. Medo da morte.
Medo do julgamento, medo da cara que minha mãe vai escolher para olhar pra mim, medo da dor que vou sentir e da dor que vou causar.
Medo de saber que ainda quero realizar tantas outras coisas. Medo de não realizar.
Medo da rejeição e do isolamento. Medo do medo dos outros.
Deus, eu tentei ser melhor, mas não consigo lembrar porque eu não consegui.
Deve ter sido por medo. Pelo pior deles, o de solidão
E eu sei que não tenho uma mão segurando a minha e dizendo “fica tranqüila, vai dar tudo certo, não é nada”. E eu nem quero ter. Porque se precisar chegar a esse ponto, terei certeza que a casa caiu, hermano.
Tenho também um medo fútil. Medo de ficar deformada. De ninguém olhar mais pra mim.
Tenho um medo aterrorizante do irremediável, mas sobre esse eu prefiro não pensar.
Sempre que algo assim atormenta os pensamentos, nascem algumas reflexões.
Por quê? O que fiz de errado? Será que mereço? Quem pode me ajudar? O que isso é realmente?...
Medo do medo. Medo do sofrimento. Medo da morte.
Medo do julgamento, medo da cara que minha mãe vai escolher para olhar pra mim, medo da dor que vou sentir e da dor que vou causar.
Medo de saber que ainda quero realizar tantas outras coisas. Medo de não realizar.
Medo da rejeição e do isolamento. Medo do medo dos outros.
Deus, eu tentei ser melhor, mas não consigo lembrar porque eu não consegui.
Deve ter sido por medo. Pelo pior deles, o de solidão
Escrevo aqui porque não encontrei outra forma de me comunicar.
Deus, preciso de ajuda.
Faço mal às pessoas. Carrego o caos dentro do meu peito e, algumas vezes, nas minhas palavras e nos meus olhares.
Agora entendo porque o amor é tão difícil. O amor é punição.
Não sei se resisto. Preciso também de força. Preciso de leveza.
Preciso de saúde. Quero saúde.
Meu peito tá apertado demais...
Preciso de alguém que cuide de mim. Segure minha mão.
Tenho os olhos mareados e a sinceridade cálida do espelho. Não há um colo seco que possa acalmar as aflições.
A maciez gelada das mãos dos médicos que não dão a mínima, mas atuam fingindo consideração.
Alguém que tenha consideração. Um humano de verdade ao meu lado.
Não estou pedindo muito. Apenas um.
Estou pagando pelos pecados de quem? Esse desespero brega me entorpece.
Eu quero um humano, demasiado humano, como eu.
Deus, preciso de ajuda.
Faço mal às pessoas. Carrego o caos dentro do meu peito e, algumas vezes, nas minhas palavras e nos meus olhares.
Agora entendo porque o amor é tão difícil. O amor é punição.
Não sei se resisto. Preciso também de força. Preciso de leveza.
Preciso de saúde. Quero saúde.
Meu peito tá apertado demais...
Preciso de alguém que cuide de mim. Segure minha mão.
Tenho os olhos mareados e a sinceridade cálida do espelho. Não há um colo seco que possa acalmar as aflições.
A maciez gelada das mãos dos médicos que não dão a mínima, mas atuam fingindo consideração.
Alguém que tenha consideração. Um humano de verdade ao meu lado.
Não estou pedindo muito. Apenas um.
Estou pagando pelos pecados de quem? Esse desespero brega me entorpece.
Eu quero um humano, demasiado humano, como eu.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Quando as estrelas encaram o futuro cravado em nossas retinas...
Em horário ultrapassado, ela acariciava suas mãos com a parte mais macia de seu corpo.
Pensava nele, neles, e naqueles, sem imaginar que no dia seguinte sua cama seria tingida de tinta vermelha.
Agradeceu a existência de toda aquela cor. It's good news, como ela mesma disse, um dia, em um filme. Always good news.
Ouviu, naquele dia, histórias que a apavoravam, mesmo contra todas as evidências.
E prometeu que se jogaria do alto do terraço itália, de vestido azul de seda, se aquela fosse sua história.
Eu não tenho dúvidas de que ela se jogaria, pois sua expressão era bem séria, apesar do tom desesperado e sarcástico de sua voz.
Ela sabia ser bem má, um inferno, apesar da carinha de anjo, como outro dia dissera sua pessoa favorita nesse mundo.
Mas nada disso importava, nem mesmo a distância das palavras do outro dia supracitado, pois ele decidira voltar, melhor do que isso, decidira permanecer. E essa notícia já bastava, pois ela amava. Mesmo sem correspondências de qualquer parte do ser dele.
Aquele último abraço dera-lhe forças para continuar uma vida inteira, mesmo que fosse apenas sabendo que ele estaria bem.
Pensava nele, neles, e naqueles, sem imaginar que no dia seguinte sua cama seria tingida de tinta vermelha.
Agradeceu a existência de toda aquela cor. It's good news, como ela mesma disse, um dia, em um filme. Always good news.
Ouviu, naquele dia, histórias que a apavoravam, mesmo contra todas as evidências.
E prometeu que se jogaria do alto do terraço itália, de vestido azul de seda, se aquela fosse sua história.
Eu não tenho dúvidas de que ela se jogaria, pois sua expressão era bem séria, apesar do tom desesperado e sarcástico de sua voz.
Ela sabia ser bem má, um inferno, apesar da carinha de anjo, como outro dia dissera sua pessoa favorita nesse mundo.
Mas nada disso importava, nem mesmo a distância das palavras do outro dia supracitado, pois ele decidira voltar, melhor do que isso, decidira permanecer. E essa notícia já bastava, pois ela amava. Mesmo sem correspondências de qualquer parte do ser dele.
Aquele último abraço dera-lhe forças para continuar uma vida inteira, mesmo que fosse apenas sabendo que ele estaria bem.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
“Like a Hurricane”
Escrito em 17/12.
E ontem eu recebi a melhor notícia do mundo!
Não vou entrar em detalhes agora por ser também uma questão de exposição, não minha, mas dos outros.
Por uma questão de orgulhos e comparações e invejinhas que eu não quero cutucar.
Mas fica registrado que foi uma das melhores notícias do mundo.
Fica registrado também que por isso, mas não só por isso, não vou parar de dançar. Nunca!
Que é a única outra coisa que eu amo tanto quanto o teatro.
Achei meus mundos. Meus lugares. Meus holofotes.
Foi meu segundo sinal significativo.
Firmarei meus pés nesse terreno.
É sobre quando alguém descobre a que veio.
Fôlego e força. O melhor presente de fim de ano.
Sim, sim, alguém acredita em mim.
Não inibirei meus pés nunca mais. Porque ainda há tempo.
E o ser humano só é limitado quando quer.
Abram espaço em meu caminho, pois aqui nesse peito despertou um furacão.
“Once I thought I saw you
in a crowded hazy bar,
Dancing on the light
from star to star.
Far across the moonbeam
I know that's who you are,
I saw your brown eyes
turning once to fire.
You are like a hurricane
There's calm in your eye.”
E ontem eu recebi a melhor notícia do mundo!
Não vou entrar em detalhes agora por ser também uma questão de exposição, não minha, mas dos outros.
Por uma questão de orgulhos e comparações e invejinhas que eu não quero cutucar.
Mas fica registrado que foi uma das melhores notícias do mundo.
Fica registrado também que por isso, mas não só por isso, não vou parar de dançar. Nunca!
Que é a única outra coisa que eu amo tanto quanto o teatro.
Achei meus mundos. Meus lugares. Meus holofotes.
Foi meu segundo sinal significativo.
Firmarei meus pés nesse terreno.
É sobre quando alguém descobre a que veio.
Fôlego e força. O melhor presente de fim de ano.
Sim, sim, alguém acredita em mim.
Não inibirei meus pés nunca mais. Porque ainda há tempo.
E o ser humano só é limitado quando quer.
Abram espaço em meu caminho, pois aqui nesse peito despertou um furacão.
“Once I thought I saw you
in a crowded hazy bar,
Dancing on the light
from star to star.
Far across the moonbeam
I know that's who you are,
I saw your brown eyes
turning once to fire.
You are like a hurricane
There's calm in your eye.”
Marshmellows e Monstros
Me faz falta o ar.
Meus pulmões do tamanho de caroços de azeitonas.
Minha pele amarelada de apatia.
Mais tarde chega o natal.
Mas eu não sei se anseio por isso.
Minha garganta engolindo minha voz.
Moinhos de vento lentamente giram no meu peito.
Muitas preocupações desnecessárias molham minha linha de raciocínio.
Muda, gélida, telepática, asmática.
Mamãe, sinto saudades daquela época em que meu mundo era seu colo.
Meteoros rasgavam nosso céu de veludo púrpura.
Minha morada era a copa de nosso pé de goiaba.
Marshmellows brotavam nas escadas.
Monstros ainda não dançavam em minha sala.
Meu mundo era seu colo.
Meus pulmões do tamanho de caroços de azeitonas.
Minha pele amarelada de apatia.
Mais tarde chega o natal.
Mas eu não sei se anseio por isso.
Minha garganta engolindo minha voz.
Moinhos de vento lentamente giram no meu peito.
Muitas preocupações desnecessárias molham minha linha de raciocínio.
Muda, gélida, telepática, asmática.
Mamãe, sinto saudades daquela época em que meu mundo era seu colo.
Meteoros rasgavam nosso céu de veludo púrpura.
Minha morada era a copa de nosso pé de goiaba.
Marshmellows brotavam nas escadas.
Monstros ainda não dançavam em minha sala.
Meu mundo era seu colo.
I don’t love anyone...
Não amo ninguém.
Acho que isso está bem claro, não?
Nem adianta comentar do brilho dos meus olhos, que sempre brilharam um pouco além e isso não mudou agora, por qualquer razão romântica que as pessoas insistem em acreditar.
Na verdade, amo a todas as pessoas do mundo, exatamente da mesma maneira. Ninguém é privilegiado.
E quando vocês acham que eu sou a carente da história, na realidade, sou a única caridosa. Mas isso é amplo demais para vocês entenderem.
Ok, talvez eu ame dois cachorros e umas três ou quatro pessoas de forma mais especial do que o resto. Mas é só.
Eu garanto.
Ninguém pode afirmar o que acontece aqui, bem lá dentro, ou no funcionamento de meu juízo.
Só eu.
Eu aconselho que não criem expectativas. Não se iludam. Isso vai poupá-los.
E não vão julgando que sou inocente ou boba demais para cair nesse joguinho de vocês, para não perceber as piadinhas internas e risadas altas demais.
Pois, além de mais velha, já encarei mais brigas e corri com mais lobos.
Tenho mais veneno na saliva e carrego um furacão de caos no lugar do coração.
Descobri algo recentemente. Descobri que você não gosta de mim.
Você pensa que sim, mas na verdade não gosta.
Você primeiro precisa aprender a fazer isso, gostar. Para então descobrir se gosta. Complicado, não?
Mas fique tranqüilo, porque eu nunca tive a pretensão de que fosse diferente. É até um alívio.
Cuidado, porque essa sua brincadeira pode ficar muito perigosa.
E no fim das contas, a única pessoa que não vai sentir absolutamente nada serei eu.
Nada diferente do que sempre foi.
Fui clara?
Acho que isso está bem claro, não?
Nem adianta comentar do brilho dos meus olhos, que sempre brilharam um pouco além e isso não mudou agora, por qualquer razão romântica que as pessoas insistem em acreditar.
Na verdade, amo a todas as pessoas do mundo, exatamente da mesma maneira. Ninguém é privilegiado.
E quando vocês acham que eu sou a carente da história, na realidade, sou a única caridosa. Mas isso é amplo demais para vocês entenderem.
Ok, talvez eu ame dois cachorros e umas três ou quatro pessoas de forma mais especial do que o resto. Mas é só.
Eu garanto.
Ninguém pode afirmar o que acontece aqui, bem lá dentro, ou no funcionamento de meu juízo.
Só eu.
Eu aconselho que não criem expectativas. Não se iludam. Isso vai poupá-los.
E não vão julgando que sou inocente ou boba demais para cair nesse joguinho de vocês, para não perceber as piadinhas internas e risadas altas demais.
Pois, além de mais velha, já encarei mais brigas e corri com mais lobos.
Tenho mais veneno na saliva e carrego um furacão de caos no lugar do coração.
Descobri algo recentemente. Descobri que você não gosta de mim.
Você pensa que sim, mas na verdade não gosta.
Você primeiro precisa aprender a fazer isso, gostar. Para então descobrir se gosta. Complicado, não?
Mas fique tranqüilo, porque eu nunca tive a pretensão de que fosse diferente. É até um alívio.
Cuidado, porque essa sua brincadeira pode ficar muito perigosa.
E no fim das contas, a única pessoa que não vai sentir absolutamente nada serei eu.
Nada diferente do que sempre foi.
Fui clara?
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Pareados
A menina que gostava de dois homens. E nunca foi diferente disso. Sempre dois.
Talvez o 2 não seja um número auspicioso.
Olho todas essas planilhas e todos esses números e nada disso faz sentido.
Não porque não entendo. Entendo. Mas essas coisas estão deixando o sentido, de ser o que são, cair pela estrada.
E a estrada, nada monótona, não tem posto de gasolina e também parece não ter faixa de chegada.
Sobe todas as escadas de dois em dois degraus. Só de dois em dois. Acha que assim é mais divertido.
A estrada é sempre uma só. Tem nuances e curvas. Tem opções de entradas e saídas. Mas é sempre a mesma estrada a percorrer. Não há de dois em dois na estrada. Sempre em frente. Mas ela quer mais. Ela quer para o alto e avante. Quer transcender, quer tele-transportar, quer desvendar o que há ali, ó, ali na frente, tá vendo? Não né?
Tudo bem...
Ela se comunica com as estrelas, porque as estrelas são as únicas que sempre escutam de forma adequada e são as únicas que respondem, nem sempre de forma adequada.
Pratica telepatia com cães de rua, pois sabe que eles conseguem ler pensamentos. Mais do que isso, sabem ler olhos.
Amava, com todas as fibras de seu ser, dois homens e não entendia como as pessoas não entendiam que isso era possível sim.
Talvez o 2 não seja um número auspicioso.
Olho todas essas planilhas e todos esses números e nada disso faz sentido.
Não porque não entendo. Entendo. Mas essas coisas estão deixando o sentido, de ser o que são, cair pela estrada.
E a estrada, nada monótona, não tem posto de gasolina e também parece não ter faixa de chegada.
Sobe todas as escadas de dois em dois degraus. Só de dois em dois. Acha que assim é mais divertido.
A estrada é sempre uma só. Tem nuances e curvas. Tem opções de entradas e saídas. Mas é sempre a mesma estrada a percorrer. Não há de dois em dois na estrada. Sempre em frente. Mas ela quer mais. Ela quer para o alto e avante. Quer transcender, quer tele-transportar, quer desvendar o que há ali, ó, ali na frente, tá vendo? Não né?
Tudo bem...
Ela se comunica com as estrelas, porque as estrelas são as únicas que sempre escutam de forma adequada e são as únicas que respondem, nem sempre de forma adequada.
Pratica telepatia com cães de rua, pois sabe que eles conseguem ler pensamentos. Mais do que isso, sabem ler olhos.
Amava, com todas as fibras de seu ser, dois homens e não entendia como as pessoas não entendiam que isso era possível sim.
Uma carta leviana, para Nietzsch
Os homens e o amor difícil.
Sim Nietzsch, nós somos o inferno de Deus.
Custamos muito a entender esse conceito, a aceitá-lo. E não nos envergonhamos nem um pouco disso, para desespero dele. Para desespero nosso. Não arredondamos nada. Apenas criamos mais e mais e mais arestas. Pontudas. Cortantes. Dilaceramos tudo que há de bom e puro em nossos caminhos. Porque temos vários caminhos, mas não enxergamos isso. Somos cegos, desmaiados, ignorantes por livre arbítrio. Somos fracos por escolha. Enquanto touros sobrevivem e cospem milagres em nossas caras. Enquanto o sol não explode e cospe fogo em nossas caras. Reclamamos. Doemos. Somos covardes. Somos a maior dor daquele que carregou a maior dor. Uma cruz. A mais pesada cruz. Nós todos. Uma humanidade em existência. Humanos desgraçados, insatisfeitos, mal agradecidos. A pior raça, por livre arbítrio, por vontade própria. Escolhemos ser a pior raça. Dentre todas as constelações, fomos os únicos que escolheram errar atrás de erros. Encostamos as costas e os pés nos muros, e não nos movemos mais. Com audácia para botar defeito em tudo que foi criado. Sem coragem de mover uma palha. Corremos pesadamente nas salas do universo, destruindo tudo pelo caminho, destruindo a decoração divinal, comendo rostos de divindades, como porcos pútridos e famintos. Cegos como cobras subterrâneas desesperadas por achar um caminho, uma resposta, quando a resposta estava o tempo todo bem ali, explodindo as nossas caras.
Sim Nietzsch, nós somos o inferno de Deus.
Custamos muito a entender esse conceito, a aceitá-lo. E não nos envergonhamos nem um pouco disso, para desespero dele. Para desespero nosso. Não arredondamos nada. Apenas criamos mais e mais e mais arestas. Pontudas. Cortantes. Dilaceramos tudo que há de bom e puro em nossos caminhos. Porque temos vários caminhos, mas não enxergamos isso. Somos cegos, desmaiados, ignorantes por livre arbítrio. Somos fracos por escolha. Enquanto touros sobrevivem e cospem milagres em nossas caras. Enquanto o sol não explode e cospe fogo em nossas caras. Reclamamos. Doemos. Somos covardes. Somos a maior dor daquele que carregou a maior dor. Uma cruz. A mais pesada cruz. Nós todos. Uma humanidade em existência. Humanos desgraçados, insatisfeitos, mal agradecidos. A pior raça, por livre arbítrio, por vontade própria. Escolhemos ser a pior raça. Dentre todas as constelações, fomos os únicos que escolheram errar atrás de erros. Encostamos as costas e os pés nos muros, e não nos movemos mais. Com audácia para botar defeito em tudo que foi criado. Sem coragem de mover uma palha. Corremos pesadamente nas salas do universo, destruindo tudo pelo caminho, destruindo a decoração divinal, comendo rostos de divindades, como porcos pútridos e famintos. Cegos como cobras subterrâneas desesperadas por achar um caminho, uma resposta, quando a resposta estava o tempo todo bem ali, explodindo as nossas caras.
“Convalescente”
Pelo abraço.
Pelo olhar.
Pelos sonhos que tentaram dizer alguma coisa.
Pela saudade.
Por todas aquelas razões que ficaram escritas com saliva nos copos.
Pelo brilho que mora em seu cabelo.
Pela estranha luz que corria ao seu redor naquele momento.
Pelo meio sorriso de meia felicidade que eu sei que você sentiu ao me ver...
Eu voltei.
E fui feliz pelo instante da duração de um abraço sem jeito. Sem encaixe, mas do tamanho certo.
Mesmo com os meus cabelos bagunçados, como você sempre deixa. Mesmo com um susto certeiro.
Eu contei com você e tudo valeu à pena.
Porque tudo sempre volta ao normal e você fez uma escolha que não me decepcionou.
Porque apesar de tudo-tudo-tudo que já foi sentido e visto e falado, você nunca me decepciona.
(F. B.)
Pelo olhar.
Pelos sonhos que tentaram dizer alguma coisa.
Pela saudade.
Por todas aquelas razões que ficaram escritas com saliva nos copos.
Pelo brilho que mora em seu cabelo.
Pela estranha luz que corria ao seu redor naquele momento.
Pelo meio sorriso de meia felicidade que eu sei que você sentiu ao me ver...
Eu voltei.
E fui feliz pelo instante da duração de um abraço sem jeito. Sem encaixe, mas do tamanho certo.
Mesmo com os meus cabelos bagunçados, como você sempre deixa. Mesmo com um susto certeiro.
Eu contei com você e tudo valeu à pena.
Porque tudo sempre volta ao normal e você fez uma escolha que não me decepcionou.
Porque apesar de tudo-tudo-tudo que já foi sentido e visto e falado, você nunca me decepciona.
(F. B.)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Irremediável
---
Te ver assim tão bem e amando é bom, muito bom.
Mas dói em tudo que há em mim.
Dói o mesmo tanto que não dói em você me ver assim tão bem também.
Agora, pertencemos menos um ao outro. Mesmo quando nunca foi diferente disso.
Por aqui, para a hora que você quiser voltar. Ou só me olhar.
Porque meu amor por você, além de impossível, platônico, ridículo, é assim... irremediável.
---
Te ver assim tão bem e amando é bom, muito bom.
Mas dói em tudo que há em mim.
Dói o mesmo tanto que não dói em você me ver assim tão bem também.
Agora, pertencemos menos um ao outro. Mesmo quando nunca foi diferente disso.
Por aqui, para a hora que você quiser voltar. Ou só me olhar.
Porque meu amor por você, além de impossível, platônico, ridículo, é assim... irremediável.
---
sábado, 28 de novembro de 2009
Não pode
Hoje eu sonhei com quem não deveria mais sonhar...
E no sonho beijei e fui beijada de volta. Acudi. Ajudei. Acolhi. Orientei. Bebi uísque junto, como em outros tempos.
Sonhei com ele, que deveria estar chegando em casa na hora em que acordei.
E algo muito forte me disse que ele precisava de mim.
Assombração, eu te amo, e é pra sempre, mas eu preciso de paz assim como preciso de você, assim como preciso da minha vida de volta.
Mesmo sozinha. Mesmo sem você.
Um beijo no seu ombro, porque na boca não pode.
E no sonho beijei e fui beijada de volta. Acudi. Ajudei. Acolhi. Orientei. Bebi uísque junto, como em outros tempos.
Sonhei com ele, que deveria estar chegando em casa na hora em que acordei.
E algo muito forte me disse que ele precisava de mim.
Assombração, eu te amo, e é pra sempre, mas eu preciso de paz assim como preciso de você, assim como preciso da minha vida de volta.
Mesmo sozinha. Mesmo sem você.
Um beijo no seu ombro, porque na boca não pode.
Band-aid.
Deus... tenho salvação? Ainda nessa vida?
As pessoas estão me abandonando... aos pouquinhos, como um band-aid.
Só que dói em mim. Só em mim. Dói mais quando é aos pouquinhos.
Dá pra sentir mais. Prolongadamente.
Cordas de guitarras desafinadas vibram na minha cabeça. Dentro e ao redor.
Tenho estado mais longe do céu. Minha saúde também notou isso.
Então eu danço, pra pensar menos, para sentir menos. Me entorpeço.
Substituo uma dor por outra. Pé em ponta. Coxas alongadas. Coluna ereta.
Vou tentando alcançar a virtuosidade que desconheço, que não encontro em outros lugares.
Deixo ele me adorar e me sinto cada vez mais culpada.
Tenho tomado uns remédios que não deixam as dores físicas entrarem.
Ando com tonturas e leveza. Não encontro concentração. Ou motivação.
Meu corpo busca o dele inconscientemente. E minha mente sempre deixa.
Sou assim tão desprezível? Mesmo?
Sinto dor e dó... emoções envenenadas.
Euforias súbitas. Alegrias desconexas. Vazio.
Como se chovesse purpurina atrás de minhas retinas.
Minha ambição? Ficar saudável. Não sofrer muito quando o sertão virar mar.
O que ficou escrito em meu destino que me faz temer e tremer tanto?
Fico pensando se minha lucidez extrema é uma dádiva maldita...
E essas febres sem explicação?
Me sinto na obrigação de tirar mais fotos e de escrever mais, mas sobre o quê?
Preciso de foco. E de mais cigarros.
Sinto que eles precisam de mim, mas não faço idéia de como suprir.
Eles precisam do meu abraço e do meu apoio. Estamos invertidos. Não sei quem vai cuidar de mim agora.
Não me prepararam para isso. Esqueceram-se de me avisar que seria assim.
Não me preparei para ser sugada e cobrada e julgada. Eu sempre achei que teria uma corda de segurança, mas quando notei eu já estava caindo... e só caindo.
There is no Mother Mary when I find myself in times of trouble...
No words of wisdom have been whispered.
Sem resposta. Um coração partido.
Só isso.
As pessoas estão me abandonando... aos pouquinhos, como um band-aid.
Só que dói em mim. Só em mim. Dói mais quando é aos pouquinhos.
Dá pra sentir mais. Prolongadamente.
Cordas de guitarras desafinadas vibram na minha cabeça. Dentro e ao redor.
Tenho estado mais longe do céu. Minha saúde também notou isso.
Então eu danço, pra pensar menos, para sentir menos. Me entorpeço.
Substituo uma dor por outra. Pé em ponta. Coxas alongadas. Coluna ereta.
Vou tentando alcançar a virtuosidade que desconheço, que não encontro em outros lugares.
Deixo ele me adorar e me sinto cada vez mais culpada.
Tenho tomado uns remédios que não deixam as dores físicas entrarem.
Ando com tonturas e leveza. Não encontro concentração. Ou motivação.
Meu corpo busca o dele inconscientemente. E minha mente sempre deixa.
Sou assim tão desprezível? Mesmo?
Sinto dor e dó... emoções envenenadas.
Euforias súbitas. Alegrias desconexas. Vazio.
Como se chovesse purpurina atrás de minhas retinas.
Minha ambição? Ficar saudável. Não sofrer muito quando o sertão virar mar.
O que ficou escrito em meu destino que me faz temer e tremer tanto?
Fico pensando se minha lucidez extrema é uma dádiva maldita...
E essas febres sem explicação?
Me sinto na obrigação de tirar mais fotos e de escrever mais, mas sobre o quê?
Preciso de foco. E de mais cigarros.
Sinto que eles precisam de mim, mas não faço idéia de como suprir.
Eles precisam do meu abraço e do meu apoio. Estamos invertidos. Não sei quem vai cuidar de mim agora.
Não me prepararam para isso. Esqueceram-se de me avisar que seria assim.
Não me preparei para ser sugada e cobrada e julgada. Eu sempre achei que teria uma corda de segurança, mas quando notei eu já estava caindo... e só caindo.
There is no Mother Mary when I find myself in times of trouble...
No words of wisdom have been whispered.
Sem resposta. Um coração partido.
Só isso.
Conto - Como suspeitos de um crime...
Ela acorda com a barriga gelada de expectativa pela tarde que chega. Afasta, com um banho demorado, todos aqueles pensamentos impacientes. Prepara o corpo e a mente. Arruma sua mala para o dia seguinte, pois sabe que hoje poucas peças serão necessárias. Está louca para sair logo de casa mas enrola. Está com medo de sair de casa e se apressa. Se convence de que não está sonhando, pois há muita lucidez nessa loucura toda. Lucidez excessiva é altamente prejudicial, conclui. Dragões incandescentes percorrem seu corpo. Um pouco de febre também. Um truque e mais uma brilhante atuação perante a família. A pressão de olhar nos olhos deles. Bigornas em queda livre acertam seus pés. Verifica a chave e foge para a rua. Respira. Está livre. Decide que vai de táxi para conservar o perfume no corpo. Passa no mercado e compra uma bebida de menina, quase rosa. Compra também chicletes e coragem. Finge prestar atenção na conversa do taxista enquanto seu coração quase explode no céu da boca. Um caminho conhecido. Paga o taxista tagarela com vontade de enfiar o dinheiro na boca dele. Chega e encara o porteiro descaradamente, assumindo as peripécias iminentes, como se ele quase conseguisse adivinhar seus planos. A longa e asfixiante espera no elevador. A porta. Ela, previamente orientada que deveria entrar, pois a porta já estaria aberta. Clec. Estava aberta. Segurando o coração com as mãos para que esse não fugisse pela janela, a visão do corredor, o som da presença dele no banheiro. Cheiro de perfume masculino. A sala asseada. Ela passeia pela casa reconhecendo os cômodos, matando saudades de bons momentos, da primeira vez em que pisou no quarto, só para ler alguns contos, das outras visitas um tanto comprometedoras. Ela ainda passeia pela casa, já descalça, com um sorriso leve, infantil e malicioso. Encosta na janela e acende um cigarro. Ela veste seu lenço favorito, só para despi-lo depois.
Ele, perfumado, chega a sala com seu olhar perigoso de cigano. Beija-a com vontade, invadindo sua boca com língua e dentes sedentos, violentos, a mão já preparada com aqueles óleos próprios e irresistíveis. É ali no sofá da sala, a luz do dia, que iniciam sua manobras de amor tendo como platéia os moradores dos prédios vizinhos e os passageiros dos aviões que se preparam para aterrissar no aeroporto da cidade. Deliciando Voyers, quase gozam juntos. Aproveitando o pique adolescente dele e a eterna vontade dela, retomam as ações, mas em posições trocadas. O sofá torna-se, então, um aparelho de acrobacias enquanto ele abusa do alongamento dela. Um ponto nunca antes devidamente explorado é encontrado. Um tesouro numa praia deserta. Um tesouro úmido em uma praia explosiva. Ela sem fôlego, os pés próximos à cabeça, explodindo em mil sóis. Novas constelações nascem no céu que desaba sobre a cidade. Ela chove-se toda sobre a cidade. O céu inunda o chão de janelas abertas da sala. Consegue contar só até 7, depois perde-se em quantidades e sensações. O corpo dela aperta o dele ferozmente, retardando, atrapalhando, molhando todo ele. “Só posso estar morrendo”, conclui ela. “Ah, se morrer fosse tão bom assim! Indescritível”.
Entre banhos e muito mais chuva, entre cama e sofá, pia da cozinha, entre copos de vinho cor-de-rosa, entre mais cigarros e conversas e cócegas e piadinhas, entre saudades e mais vontades, entre calcinhas com brilhos e lambidas, entre outros veste-e-despe, quente e frio, entre pizzas e esperas, ela morreu e deliciou-se tantas outras vezes por todas aquelas vinte e quatro fantásticas horas seguintes.
Ele, perfumado, chega a sala com seu olhar perigoso de cigano. Beija-a com vontade, invadindo sua boca com língua e dentes sedentos, violentos, a mão já preparada com aqueles óleos próprios e irresistíveis. É ali no sofá da sala, a luz do dia, que iniciam sua manobras de amor tendo como platéia os moradores dos prédios vizinhos e os passageiros dos aviões que se preparam para aterrissar no aeroporto da cidade. Deliciando Voyers, quase gozam juntos. Aproveitando o pique adolescente dele e a eterna vontade dela, retomam as ações, mas em posições trocadas. O sofá torna-se, então, um aparelho de acrobacias enquanto ele abusa do alongamento dela. Um ponto nunca antes devidamente explorado é encontrado. Um tesouro numa praia deserta. Um tesouro úmido em uma praia explosiva. Ela sem fôlego, os pés próximos à cabeça, explodindo em mil sóis. Novas constelações nascem no céu que desaba sobre a cidade. Ela chove-se toda sobre a cidade. O céu inunda o chão de janelas abertas da sala. Consegue contar só até 7, depois perde-se em quantidades e sensações. O corpo dela aperta o dele ferozmente, retardando, atrapalhando, molhando todo ele. “Só posso estar morrendo”, conclui ela. “Ah, se morrer fosse tão bom assim! Indescritível”.
Entre banhos e muito mais chuva, entre cama e sofá, pia da cozinha, entre copos de vinho cor-de-rosa, entre mais cigarros e conversas e cócegas e piadinhas, entre saudades e mais vontades, entre calcinhas com brilhos e lambidas, entre outros veste-e-despe, quente e frio, entre pizzas e esperas, ela morreu e deliciou-se tantas outras vezes por todas aquelas vinte e quatro fantásticas horas seguintes.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Sub(in)consciente
Hoje eu acordei com uma saudade de você no meio das minhas pernas.
Daquele cheiro que deixamos impregnado no quarto.
Do seu cheiro misturado ao meu. Do meu gosto misturado ao seu.
Das nossas risadas silenciosas. Estripulias maliciosas.
Sua língua passeando sem pudores pelos meus cantos.
Relâmpagos iluminando as frestas da veneziana.
A chuva visitando cinza e mansa o asfalto da cidade pela janela indiscreta.
Beijos em lugares surpreendentes. Descobertas.
Compasso e descompasso. Arrepios. Pé e mão.
Multiplicidade de sensações. Prazeres.
Fôlego e água derramados no lençol.
Suor acumulado entre ventres.
Pêlos e cabelos enroscados no chão.
Aquela cena perdida por muitos cineastas.
Dentes e mordidas roxas. Mimo, oferta de colo.
De todas as partes e tipos de colo.
Do útero ao seio.
O banho que não foi dado e nem tomado junto. O banho de gato.
Do sussurro, da pressa e do segredo.
Nossa prece para que a cidade se movesse em câmera lenta.
A vontade de não desperdiçar nem o último segundo.
Mesmo com ou sem cigarros.
Daquele cheiro que deixamos impregnado no quarto.
Do seu cheiro misturado ao meu. Do meu gosto misturado ao seu.
Das nossas risadas silenciosas. Estripulias maliciosas.
Sua língua passeando sem pudores pelos meus cantos.
Relâmpagos iluminando as frestas da veneziana.
A chuva visitando cinza e mansa o asfalto da cidade pela janela indiscreta.
Beijos em lugares surpreendentes. Descobertas.
Compasso e descompasso. Arrepios. Pé e mão.
Multiplicidade de sensações. Prazeres.
Fôlego e água derramados no lençol.
Suor acumulado entre ventres.
Pêlos e cabelos enroscados no chão.
Aquela cena perdida por muitos cineastas.
Dentes e mordidas roxas. Mimo, oferta de colo.
De todas as partes e tipos de colo.
Do útero ao seio.
O banho que não foi dado e nem tomado junto. O banho de gato.
Do sussurro, da pressa e do segredo.
Nossa prece para que a cidade se movesse em câmera lenta.
A vontade de não desperdiçar nem o último segundo.
Mesmo com ou sem cigarros.
Outro lugar
Algo pontual.
Uma distração para minhas lagriminhas. Sem ter que explicar nada.
Cheguei, tomamos cerveja, otras cositas, sex, more sex, cigarrettes, muitas risadas.
Colo. Me deu colo, em sentido literal.
Nada demais. Foi demais, por não ser nada demais.
“Entramos, pecamos e partimos”.
Uma distração para minhas lagriminhas. Sem ter que explicar nada.
Cheguei, tomamos cerveja, otras cositas, sex, more sex, cigarrettes, muitas risadas.
Colo. Me deu colo, em sentido literal.
Nada demais. Foi demais, por não ser nada demais.
“Entramos, pecamos e partimos”.
As coisas estão perdendo a graça.
A comida está menos saborosa. As emoções escorrem pelo ralo.
As pessoas riem, mas eu não consigo esboçar um sorriso.
Acontecimentos explodem na minha cara, mas não consigo percebê-los.
Tenho a pele anestesiada e o toque, o meu e o dos outros, parece qualquer coisa sobre qualquer pedaço de carne morta.
Não consigo reproduzir mais as cenas porque não consigo mais sentir.
Parece que não estou mais ali. Não estou mais aqui. Tudo acontece maior e melhor dentro da minha cabeça. É como se minha alma tivesse se desprendido do meu corpo e ficasse presa no interior do topo do meu crânio, entre o cérebro e as têmporas, olhando pra baixo e para dentro. Estou vazia. Minha alma só vê esse vazio. Um vazio irônico que quer arrancar o que há de pior nas outras pessoas. Um vazio que aponta seu dedo indicador na minha e na sua cara e debocha e ri até vomitar.
.
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A comida está menos saborosa. As emoções escorrem pelo ralo.
As pessoas riem, mas eu não consigo esboçar um sorriso.
Acontecimentos explodem na minha cara, mas não consigo percebê-los.
Tenho a pele anestesiada e o toque, o meu e o dos outros, parece qualquer coisa sobre qualquer pedaço de carne morta.
Não consigo reproduzir mais as cenas porque não consigo mais sentir.
Parece que não estou mais ali. Não estou mais aqui. Tudo acontece maior e melhor dentro da minha cabeça. É como se minha alma tivesse se desprendido do meu corpo e ficasse presa no interior do topo do meu crânio, entre o cérebro e as têmporas, olhando pra baixo e para dentro. Estou vazia. Minha alma só vê esse vazio. Um vazio irônico que quer arrancar o que há de pior nas outras pessoas. Um vazio que aponta seu dedo indicador na minha e na sua cara e debocha e ri até vomitar.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Após completar 1/4 de século...
"
TENHO SENTIDO UMA VONTADE DE COLO.
SIM, DE COLO. É INCONTROLÁVEL. INSACIÁVEL.
QUERO COLO. DE MÃE, DE AMIGA, DE NAMORADO, DE PRIMA, QUERO COLO, SEM DISTINÇÃO.
E TEM QUE SER UM COLO VERDADEIRO, DAQUELES QUE SUSTENTAM PERNAS E LOMBO, APÓIAM CABEÇA E OMBROS.
QUERO COMPRAR UMA GARRAFA DE VINHO BRANCO, SENTAR NAQUELA PRAÇA PERTO DA VILA E ASSISTIR O PÔR-DO-SOL. SIMPLES ASSIM.
QUERO ASSISTIR MINHA PELE ALARANJAR-SE COM O REFLEXO DOS RAIOS. QUERO FICAR MORNA DE SOL QUE VAI DORMIR. OS PÊLOS ARREPIADOS DE CALOR. OS OLHOS CINZAS-CASTANHOS MAIS VERDES.
QUERO QUE O SOL ME INVADA PELO UMBIGO, PELA BOCA DO ESTÔMAGO, PELO NARIZ, PELOS JOELHOS, PELOS DEDOS INDICADORES E SE MISTURE AO VENTO NO MEU CABELO. PENETRE NO MEU SANGUE E ME ENTORPEÇA JUNTO AO VINHO. ME ACARICIE OS PÊLOS, OS POROS, O PULMÃO DIREITO E O ESQUERDO, ACALME ESSA SENSAÇÃO NA BOCA DO ESTÔMAGO, AQUEÇA MEU ÚTERO, ME LIBERTE E ME PEGUE... NO COLO.
"
TENHO SENTIDO UMA VONTADE DE COLO.
SIM, DE COLO. É INCONTROLÁVEL. INSACIÁVEL.
QUERO COLO. DE MÃE, DE AMIGA, DE NAMORADO, DE PRIMA, QUERO COLO, SEM DISTINÇÃO.
E TEM QUE SER UM COLO VERDADEIRO, DAQUELES QUE SUSTENTAM PERNAS E LOMBO, APÓIAM CABEÇA E OMBROS.
QUERO COMPRAR UMA GARRAFA DE VINHO BRANCO, SENTAR NAQUELA PRAÇA PERTO DA VILA E ASSISTIR O PÔR-DO-SOL. SIMPLES ASSIM.
QUERO ASSISTIR MINHA PELE ALARANJAR-SE COM O REFLEXO DOS RAIOS. QUERO FICAR MORNA DE SOL QUE VAI DORMIR. OS PÊLOS ARREPIADOS DE CALOR. OS OLHOS CINZAS-CASTANHOS MAIS VERDES.
QUERO QUE O SOL ME INVADA PELO UMBIGO, PELA BOCA DO ESTÔMAGO, PELO NARIZ, PELOS JOELHOS, PELOS DEDOS INDICADORES E SE MISTURE AO VENTO NO MEU CABELO. PENETRE NO MEU SANGUE E ME ENTORPEÇA JUNTO AO VINHO. ME ACARICIE OS PÊLOS, OS POROS, O PULMÃO DIREITO E O ESQUERDO, ACALME ESSA SENSAÇÃO NA BOCA DO ESTÔMAGO, AQUEÇA MEU ÚTERO, ME LIBERTE E ME PEGUE... NO COLO.
"
Extintos (Instintos)
*
Perdi a chave do meu coração. E meu peito foi rasgado e escancarado para as moscas.
Sentimentos extintos. Vagas abertas.
Se você possui mais de 40 anos e cabelos cor de prata, para combinar com meus olhos cor de prata, inscreva-se.
Recomendações: não ouse me dobrar.
Cansei de cuidar das pessoas. Agora eu quero alguém que cuide de mim. Que me coloque na cama, ou no colo, e me balance. Quero ser ninada.
Porque tenho lágrimas nos olhos há tempo demais, e elas não secam, não cessam.
Quero ir embora. Ir pra casa. Deitar na minha cama e acordar só na vida seguinte.
Eu quero escolher nunca mais ter dessas febres repentinas no meio da semana, no meio do nada, e finalmente dormir. E descansar. E acordar sendo amada.
Quero um beijo que invada a minha nuca. Levantar sem ter que escolher roupas, sem ter que vestir roupas, passear pela MINHA CASA com uma taça de vinho, um cigarro, nua, e escrever descomprometidamente para a vida. Dar vazão de mim no papel. E adormecer sobre a pena na mão na mesa. Acordar entre milhares de penas e sentir que o mundo é fofo e confortável e leve assim, com papéis e inspiração se misturando por todos os lados. Ter sempre o beijo que invade a nuca para me acordar. Tenho corrido com lobos e meu corpo todo dói. Dói porque tenho ressaca das pessoas. Enquanto isso minha mão formiga e eu passo frio. Os lobos são meus amigos e eles aprenderam que não conseguem me dobrar. Então, brindamos e bebemos à nossa corrida. Bebemos uísque, que é feito para aqueles que cansaram de sentir o gosto do mundo.
Por isso, agora escancaro meu peito dolorido e dilacerado pela 5ª vez e abro todas as vagas, mesmo que seja só para as moscas. Quem sabe o 6 seja meu número de sorte.
Ultimatos: Mas não vá pensando que sou sua, nem que estou garantindo uma morada no meu peito. Porque não é possível domesticar um lobo que nasceu para correr o universo.
É a chance. Se você tem o cabelo ou os olhos cor de prata, para combinar com os meus, ou se você é selvagem o suficiente para correr do meu lado... chegou nossa hora. Te aguardo de frente para a avenida com as luzes mais fortes, perto da última floresta.
*
Perdi a chave do meu coração. E meu peito foi rasgado e escancarado para as moscas.
Sentimentos extintos. Vagas abertas.
Se você possui mais de 40 anos e cabelos cor de prata, para combinar com meus olhos cor de prata, inscreva-se.
Recomendações: não ouse me dobrar.
Cansei de cuidar das pessoas. Agora eu quero alguém que cuide de mim. Que me coloque na cama, ou no colo, e me balance. Quero ser ninada.
Porque tenho lágrimas nos olhos há tempo demais, e elas não secam, não cessam.
Quero ir embora. Ir pra casa. Deitar na minha cama e acordar só na vida seguinte.
Eu quero escolher nunca mais ter dessas febres repentinas no meio da semana, no meio do nada, e finalmente dormir. E descansar. E acordar sendo amada.
Quero um beijo que invada a minha nuca. Levantar sem ter que escolher roupas, sem ter que vestir roupas, passear pela MINHA CASA com uma taça de vinho, um cigarro, nua, e escrever descomprometidamente para a vida. Dar vazão de mim no papel. E adormecer sobre a pena na mão na mesa. Acordar entre milhares de penas e sentir que o mundo é fofo e confortável e leve assim, com papéis e inspiração se misturando por todos os lados. Ter sempre o beijo que invade a nuca para me acordar. Tenho corrido com lobos e meu corpo todo dói. Dói porque tenho ressaca das pessoas. Enquanto isso minha mão formiga e eu passo frio. Os lobos são meus amigos e eles aprenderam que não conseguem me dobrar. Então, brindamos e bebemos à nossa corrida. Bebemos uísque, que é feito para aqueles que cansaram de sentir o gosto do mundo.
Por isso, agora escancaro meu peito dolorido e dilacerado pela 5ª vez e abro todas as vagas, mesmo que seja só para as moscas. Quem sabe o 6 seja meu número de sorte.
Ultimatos: Mas não vá pensando que sou sua, nem que estou garantindo uma morada no meu peito. Porque não é possível domesticar um lobo que nasceu para correr o universo.
É a chance. Se você tem o cabelo ou os olhos cor de prata, para combinar com os meus, ou se você é selvagem o suficiente para correr do meu lado... chegou nossa hora. Te aguardo de frente para a avenida com as luzes mais fortes, perto da última floresta.
*
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Prata
*
Inconstante.
Eu sou muito inconstante.
Não vou pedir desculpas por isso.
Gosto é de chegar sozinha nos lugares e beber sozinha e observar sozinha e escrever sozinha e conhecer pessoas.
Não consigo me desacostumar. Sou e sempre fui uma anti-social profissional. Odeio o burburinho.
Gosto quando o mundo gira aos meus pés. Meu corpo é só meu.
Sou egoísta sim, mas disso você já sabia.
Então não fale assim comigo. Não desse jeito manso.
Não me toque. Por favor, não me toque.
Tenho espinhos no couro.
E eu garanto. Você vai se machucar. Não-me-toque, eu disse.
Me deixa em paz. E me deixa beber em paz. E não se aproxime assim, porque sou perigosa assim.
Porque assim eu sufoco.
Tome cuidado e não vá achando que sou sua. Porque nunca quis ser sua. Ou de qualquer alguém.
Porque jogo e brigo com artilharia pesada. Estou em um outro lugar.
Vou acabar te estragando também.
Vou destruir sua inocência e sua pouca experiência.
E vou te jogar aonde cheguei. Onde sangrei.
Para me acompanhar, querido, você precisa de um pouco de malícia e uma dose de sorte.
Além da paciência e da experiência que só se adquirem quando os cabelos ficam grisalhos.
*
Inconstante.
Eu sou muito inconstante.
Não vou pedir desculpas por isso.
Gosto é de chegar sozinha nos lugares e beber sozinha e observar sozinha e escrever sozinha e conhecer pessoas.
Não consigo me desacostumar. Sou e sempre fui uma anti-social profissional. Odeio o burburinho.
Gosto quando o mundo gira aos meus pés. Meu corpo é só meu.
Sou egoísta sim, mas disso você já sabia.
Então não fale assim comigo. Não desse jeito manso.
Não me toque. Por favor, não me toque.
Tenho espinhos no couro.
E eu garanto. Você vai se machucar. Não-me-toque, eu disse.
Me deixa em paz. E me deixa beber em paz. E não se aproxime assim, porque sou perigosa assim.
Porque assim eu sufoco.
Tome cuidado e não vá achando que sou sua. Porque nunca quis ser sua. Ou de qualquer alguém.
Porque jogo e brigo com artilharia pesada. Estou em um outro lugar.
Vou acabar te estragando também.
Vou destruir sua inocência e sua pouca experiência.
E vou te jogar aonde cheguei. Onde sangrei.
Para me acompanhar, querido, você precisa de um pouco de malícia e uma dose de sorte.
Além da paciência e da experiência que só se adquirem quando os cabelos ficam grisalhos.
*
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Badabá
FODA-SE.
VIM AQUI ESCREVER SÓ PRA ME SENTIR VIVA.
MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE EU VOU ESCREVER ALGO QUE VAI MUDAR SUA VIDA. PORQUE EU NÃO VOU.
OUTRA COISA QUE ME FAZ SENTIR VIVA, UM SER PENSANTE, É A MÚSICA. E HOJE ME DEI CONTA QUE HÁ ALGUM TEMPO EU NÃO OUVIA NADA MELÓDICO QUE VALESSE A PENA.
DAÍ EU ESTAVA A TOA. A TOA NÃO, TAVA TRABALHANDO (RSRS) E GARIMPEI MEU CELULAR DE DENTRO DA BOLSA, COLOQUEI UNS FONES NELE, PROCUREI UMAS RÁDIOS E ACHEI POUQUÍSSIMAS COISAS BOAS.
MAS UMA VALEU A PENA. ESTAVA TOCANDO “COMO NOSSOS PAIS”.
E A RAIVA NA VOZ DAQUELA MULHERZINHA FÉLADAPOTA QUE É A ELIS FEZ ARREPIAR CADA PÊLO DO MEU CORPO NADA MAGRO, MAS AINDA PEQUENO.
ISSO SEM MENCIONAR REM, KID ROCK COM O POP-ROCK-FOLK “SWEET HOME ALABAMA”, A VOZ DA JANIS JOPLIN PEDINDO UM MERCEDEZ-BENZ PRA DEUS...
E DAÍ EU LEMBREI EM COMO EU SOU FELIZ E VIVA POR TER A MÚSICA, MESMO QUANDO JÁ ESTÁ TUDO FERRADO MESMO...
COMO FUI FELIZ DE TER UM PRIMO QUE INJETAVA MTV E THUNDER BIRD NO MEU CÉREBRO DE 6 ANOS DE VIVÊNCIA 77H POR DIA.
MEU VELHO! COMO AQUILO TUDO ME DEIXOU IRRITANTEMENTE LÚCIDA, NEM PRECISEI LER SARTRE AOS 15 ANOS PRA TER CRISES EXISTENCIAIS E OVERDOSE DE MUNDO.
MAS FOI TUDO VÁLIDO.
DIA DESSES TIVE A CHANCE DE FALAR COM O THUNDER... E DEVO TER IRRITADO ELE PÁCACETE COM MEU BLÁBLÁBLÁ ÉBRIO. MAS, IMAGINEM SÓ, EU TINHA TOMADO UM MONTE DE VINHO E ME DEPAREI COM O ÍDOLO DA MINHA INFÂNCIA E PRÉ-ADOLESCÊNCIA... DEPOIS DO CARA, A MTV NUNCA MAIS FOI A MESMA!
BEM, MAS ESSA É SÓ MINHA OPINIÃO.
MAS TAMBÉM TEVE MUITO DE BEETHOVEN E MOZART NA MINHA FORMAÇÃO. MINHA MÃE, CANTORA LÍRICA FRUSTRADA, DEIXAVA O DIA INTEIRO TOCANDO A “CULTURA FM”, ACHO QUE É ESSA A RÁDIO... AQUELA QUE FICAVA UMA MULHER CANTANDO BADA BÁ BADABÁ BADABÁ BADABÁÁÁDA, SABE? ENFIM, ISSO ME APRESENTOU UM OUTRO MUNDO.
UMA COISA LOUCA QUE CONDUZIA MEU CÉREBRO PSICODÉLICO DE 7 ANOS POR OUTRAS ERAS...
TINHA TAMBÉM A PAIXÃO DO MEU PAI POR MPB.
TODOS OS FINAIS DE SEMANA NÓS VIAJÁVAMOS DE CARRO PRA PRAIA OU PARA MARÍLIA, NO INTERIOR PAULISTA, E DAÍ ERA INJEÇÃO DE GUILHERME ARANTES, ROUPA NOVA, CAETANO VELOSO, MILTON NASCIMENTO, ZELIA DUNCAN, ROBERTO CARLOS.
ISSO, QUANDO NÃO ERA CARMINA BURANA QUE TOCAVA INTEIRINHA NAS VIAGENS E EU CANTAVA INTEIRINHA AOS 8 ANOS, TODA SERELEPE. A 9ª SINFONIA AOS 9 EM ALEMÃO.
E TINHA MAIS UMA QUE EU OUVIA REPETIDAS VEZES ATÉ DORMIR. O REFRÃO ERA ALGO ASSIM “VIVER É FÚRIA E FOLIA RUMO AO MÁGICO” QUE NÃO LEMBRO DE QUEM É... EU ADORAVA. ME DAVA UMA SENSAÇÃO DE INTENSIDADE, OLHANDO A ESTRADA, O SOL NASCENDO NAS COSTAS DO CARRO. UMA SENSAÇÃO DE “ADEUS, AGORA, TUDO BEM”.
EU ACHO QUE EU ERA AUTISTA QUANDO CRIANÇA, NÃO FALAVA COM QUASE NINGUÉM, VIVIA EMBURRADA, TUDO ERA PSICODÉLICO, O VENTO E SEUS SONS, A MÚSICA E SUAS CORES, OS SENTIMENTOS, O FRIO, O CALOR, TINHA UM MILHÃO DE AMIGOS IMAGINÁRIOS E TROCAVA DE ROUPA VÁRIAS VEZES EM UM DIA, PARA AGIR DE ACORDO COM MEU ACOMPANHANTE IMAGINÁRIO OU COM A SITUAÇÃO. EU SEGURAVA FORMIGAS NAS MÃOS E FICAVA CONVERSANDO COM ELAS. DEPOIS EU AS AFOGAVA E UM MINI POÇA DE ÁGUA AO LADO DO BEBEDOURO. DAÍ EU AS SECAVA E FICAVA ESPERANDO ELAS REVIVEREM (ISSO RARAMENTE ACONTECIA). EU ACHAVA QUE TINHA O PODER DE COMANDAR O TEMPO E FICAVA TESTANDO ISSO NO QUINTAL. MANDANDO AOS CÉUS QUE CHOVESSE, POR PURA VONTADE.
A COURTNEY LOVE ERA MEU ÍDOLO. EU QUERIA CRESCER E SER EXATAMENTE IGUAL A ELA.
SONHO PARTIDO BEM CEDO, HAJA VISTA MINHA PELE MORENA E MEU CABELO NEGRO. E A HERANÇA VOCAL NÃO HERDADA DE MINHA MÃE.
MINHA MÃE CANTAVA MUITO. OS VIZINHOS DO QUARTEIRÃO AO LADO VINHAM COMENTAR QUE A TINHAM OUVIDO E QUE ERA LINDO. ERA LINDO! MAS MEU OUVIDO DOÍA MUITO E ELA PAROU DE CANTAR.
NÃO ME LEMBRO DISSO. POR BLOQUEIO DEVE SER. SEI QUE DEPOIS QUE DESCOBRI QUE ELA PAROU DE CANTAR POR MINHA CAUSA ME DOEU MUITO.
DÓI ATÉ HOJE QUANDO LEMBRO QUE ELA TEM UM CALO NA VOZ E QUE NÃO CONSEGUE MAIS ATINGIR AQUELAS NOTAS.
É...
CHICO BUARQUE EU DESCOBRI SOZINHA. E LEMBRO QUE FOI DELICIOSO. NÃO SEI SE FORAM OS OLHOS DELE OU A VOZ DE OURO LÍQUIDO, SEI QUE DERRETEU MEUS SENTIDOS. PULSOU.
O BLUES VEIO ESPONTANEAMENTE, COMO AQUELE GAROTO DO BAIRRO QUE SEMPRE ESTEVE ALI POR PERTO, MAS VOCÊ SÓ REPAROU QUANDO ADQUIRIU CERTA MATURIDADE, ENTENDE?
O MAIS ENGRAÇADO É QUE A MATURIDADE TROUXE UM CERTO APREÇO POR CAIXINHAS DE MÚSICA.
UMA SENSAÇÃO DE INFÂNCIA PERDIDA... OU DE ALGO PERDIDO NA INFÂNCIA. NÃO SEI AO CERTO.
UMA COISA É CERTA, E NÃO É BRINCADEIRA, SEM MÚSICA EU JÁ TERIA ABANDONADO O BARCO HÁ MUITO TEMPO.
AOS 13 ANOS, COMECEI A TER INSÔNIAS INFERNAIS.
AOS 14 ANOS, EU DESEJAVA ME TRANSFORMAR EM ALGO SEM VIDA, UMA PEDRA, UM FOLHA CAÍDA NA CALÇADA.
AOS 15 ANOS, O MEDO DE TER CÂNCER DE MAMA, UM CHOQUE E UMA PERDA.
AOS 16 ANOS, SOLIDÃO.
AOS 17 ANOS, NÃO QUERIA CHEGAR AOS 20.
AOS 18 ANOS, UM CORAÇÃO, PELA TERCEIRA VEZ, ESTRAÇALHADO (DUPLAMENTE), SÓ ESPERANDO O PRAZO FINAL.
MAS A MÚSICA SEMPRE ESTEVE ALI. DENTRO DO RÁDIO, NA TV. DENTRO DA PELE. NA GARGANTA. ESCONDIDA NOS FONES DE OUVIDO SOB MOLETONS.
FALANDO TUDO QUE EU NÃO PODIA FALAR.
VIM AQUI ESCREVER SÓ PRA ME SENTIR VIVA.
MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE EU VOU ESCREVER ALGO QUE VAI MUDAR SUA VIDA. PORQUE EU NÃO VOU.
OUTRA COISA QUE ME FAZ SENTIR VIVA, UM SER PENSANTE, É A MÚSICA. E HOJE ME DEI CONTA QUE HÁ ALGUM TEMPO EU NÃO OUVIA NADA MELÓDICO QUE VALESSE A PENA.
DAÍ EU ESTAVA A TOA. A TOA NÃO, TAVA TRABALHANDO (RSRS) E GARIMPEI MEU CELULAR DE DENTRO DA BOLSA, COLOQUEI UNS FONES NELE, PROCUREI UMAS RÁDIOS E ACHEI POUQUÍSSIMAS COISAS BOAS.
MAS UMA VALEU A PENA. ESTAVA TOCANDO “COMO NOSSOS PAIS”.
E A RAIVA NA VOZ DAQUELA MULHERZINHA FÉLADAPOTA QUE É A ELIS FEZ ARREPIAR CADA PÊLO DO MEU CORPO NADA MAGRO, MAS AINDA PEQUENO.
ISSO SEM MENCIONAR REM, KID ROCK COM O POP-ROCK-FOLK “SWEET HOME ALABAMA”, A VOZ DA JANIS JOPLIN PEDINDO UM MERCEDEZ-BENZ PRA DEUS...
E DAÍ EU LEMBREI EM COMO EU SOU FELIZ E VIVA POR TER A MÚSICA, MESMO QUANDO JÁ ESTÁ TUDO FERRADO MESMO...
COMO FUI FELIZ DE TER UM PRIMO QUE INJETAVA MTV E THUNDER BIRD NO MEU CÉREBRO DE 6 ANOS DE VIVÊNCIA 77H POR DIA.
MEU VELHO! COMO AQUILO TUDO ME DEIXOU IRRITANTEMENTE LÚCIDA, NEM PRECISEI LER SARTRE AOS 15 ANOS PRA TER CRISES EXISTENCIAIS E OVERDOSE DE MUNDO.
MAS FOI TUDO VÁLIDO.
DIA DESSES TIVE A CHANCE DE FALAR COM O THUNDER... E DEVO TER IRRITADO ELE PÁCACETE COM MEU BLÁBLÁBLÁ ÉBRIO. MAS, IMAGINEM SÓ, EU TINHA TOMADO UM MONTE DE VINHO E ME DEPAREI COM O ÍDOLO DA MINHA INFÂNCIA E PRÉ-ADOLESCÊNCIA... DEPOIS DO CARA, A MTV NUNCA MAIS FOI A MESMA!
BEM, MAS ESSA É SÓ MINHA OPINIÃO.
MAS TAMBÉM TEVE MUITO DE BEETHOVEN E MOZART NA MINHA FORMAÇÃO. MINHA MÃE, CANTORA LÍRICA FRUSTRADA, DEIXAVA O DIA INTEIRO TOCANDO A “CULTURA FM”, ACHO QUE É ESSA A RÁDIO... AQUELA QUE FICAVA UMA MULHER CANTANDO BADA BÁ BADABÁ BADABÁ BADABÁÁÁDA, SABE? ENFIM, ISSO ME APRESENTOU UM OUTRO MUNDO.
UMA COISA LOUCA QUE CONDUZIA MEU CÉREBRO PSICODÉLICO DE 7 ANOS POR OUTRAS ERAS...
TINHA TAMBÉM A PAIXÃO DO MEU PAI POR MPB.
TODOS OS FINAIS DE SEMANA NÓS VIAJÁVAMOS DE CARRO PRA PRAIA OU PARA MARÍLIA, NO INTERIOR PAULISTA, E DAÍ ERA INJEÇÃO DE GUILHERME ARANTES, ROUPA NOVA, CAETANO VELOSO, MILTON NASCIMENTO, ZELIA DUNCAN, ROBERTO CARLOS.
ISSO, QUANDO NÃO ERA CARMINA BURANA QUE TOCAVA INTEIRINHA NAS VIAGENS E EU CANTAVA INTEIRINHA AOS 8 ANOS, TODA SERELEPE. A 9ª SINFONIA AOS 9 EM ALEMÃO.
E TINHA MAIS UMA QUE EU OUVIA REPETIDAS VEZES ATÉ DORMIR. O REFRÃO ERA ALGO ASSIM “VIVER É FÚRIA E FOLIA RUMO AO MÁGICO” QUE NÃO LEMBRO DE QUEM É... EU ADORAVA. ME DAVA UMA SENSAÇÃO DE INTENSIDADE, OLHANDO A ESTRADA, O SOL NASCENDO NAS COSTAS DO CARRO. UMA SENSAÇÃO DE “ADEUS, AGORA, TUDO BEM”.
EU ACHO QUE EU ERA AUTISTA QUANDO CRIANÇA, NÃO FALAVA COM QUASE NINGUÉM, VIVIA EMBURRADA, TUDO ERA PSICODÉLICO, O VENTO E SEUS SONS, A MÚSICA E SUAS CORES, OS SENTIMENTOS, O FRIO, O CALOR, TINHA UM MILHÃO DE AMIGOS IMAGINÁRIOS E TROCAVA DE ROUPA VÁRIAS VEZES EM UM DIA, PARA AGIR DE ACORDO COM MEU ACOMPANHANTE IMAGINÁRIO OU COM A SITUAÇÃO. EU SEGURAVA FORMIGAS NAS MÃOS E FICAVA CONVERSANDO COM ELAS. DEPOIS EU AS AFOGAVA E UM MINI POÇA DE ÁGUA AO LADO DO BEBEDOURO. DAÍ EU AS SECAVA E FICAVA ESPERANDO ELAS REVIVEREM (ISSO RARAMENTE ACONTECIA). EU ACHAVA QUE TINHA O PODER DE COMANDAR O TEMPO E FICAVA TESTANDO ISSO NO QUINTAL. MANDANDO AOS CÉUS QUE CHOVESSE, POR PURA VONTADE.
A COURTNEY LOVE ERA MEU ÍDOLO. EU QUERIA CRESCER E SER EXATAMENTE IGUAL A ELA.
SONHO PARTIDO BEM CEDO, HAJA VISTA MINHA PELE MORENA E MEU CABELO NEGRO. E A HERANÇA VOCAL NÃO HERDADA DE MINHA MÃE.
MINHA MÃE CANTAVA MUITO. OS VIZINHOS DO QUARTEIRÃO AO LADO VINHAM COMENTAR QUE A TINHAM OUVIDO E QUE ERA LINDO. ERA LINDO! MAS MEU OUVIDO DOÍA MUITO E ELA PAROU DE CANTAR.
NÃO ME LEMBRO DISSO. POR BLOQUEIO DEVE SER. SEI QUE DEPOIS QUE DESCOBRI QUE ELA PAROU DE CANTAR POR MINHA CAUSA ME DOEU MUITO.
DÓI ATÉ HOJE QUANDO LEMBRO QUE ELA TEM UM CALO NA VOZ E QUE NÃO CONSEGUE MAIS ATINGIR AQUELAS NOTAS.
É...
CHICO BUARQUE EU DESCOBRI SOZINHA. E LEMBRO QUE FOI DELICIOSO. NÃO SEI SE FORAM OS OLHOS DELE OU A VOZ DE OURO LÍQUIDO, SEI QUE DERRETEU MEUS SENTIDOS. PULSOU.
O BLUES VEIO ESPONTANEAMENTE, COMO AQUELE GAROTO DO BAIRRO QUE SEMPRE ESTEVE ALI POR PERTO, MAS VOCÊ SÓ REPAROU QUANDO ADQUIRIU CERTA MATURIDADE, ENTENDE?
O MAIS ENGRAÇADO É QUE A MATURIDADE TROUXE UM CERTO APREÇO POR CAIXINHAS DE MÚSICA.
UMA SENSAÇÃO DE INFÂNCIA PERDIDA... OU DE ALGO PERDIDO NA INFÂNCIA. NÃO SEI AO CERTO.
UMA COISA É CERTA, E NÃO É BRINCADEIRA, SEM MÚSICA EU JÁ TERIA ABANDONADO O BARCO HÁ MUITO TEMPO.
AOS 13 ANOS, COMECEI A TER INSÔNIAS INFERNAIS.
AOS 14 ANOS, EU DESEJAVA ME TRANSFORMAR EM ALGO SEM VIDA, UMA PEDRA, UM FOLHA CAÍDA NA CALÇADA.
AOS 15 ANOS, O MEDO DE TER CÂNCER DE MAMA, UM CHOQUE E UMA PERDA.
AOS 16 ANOS, SOLIDÃO.
AOS 17 ANOS, NÃO QUERIA CHEGAR AOS 20.
AOS 18 ANOS, UM CORAÇÃO, PELA TERCEIRA VEZ, ESTRAÇALHADO (DUPLAMENTE), SÓ ESPERANDO O PRAZO FINAL.
MAS A MÚSICA SEMPRE ESTEVE ALI. DENTRO DO RÁDIO, NA TV. DENTRO DA PELE. NA GARGANTA. ESCONDIDA NOS FONES DE OUVIDO SOB MOLETONS.
FALANDO TUDO QUE EU NÃO PODIA FALAR.
Sobre a verve, a ação e a melancolia...
Carente, carente, carente. Como um cachorro em dia de chuva.
Atribuo isso ao período fértil e cíclico de meu corpo.
Gosto tanto da lua que a peço em casamento. Sem resposta.
Dias nublados e noites pesadas.
Caminho pelas ruas sem parar. Acendo um cigarro. Outro.
Minha cabeça toca um blues. Sinto falta do som de um baixo, nessa história toda.
Um pouco de transparência nos braços e nas pernas.
A pele pálida exigindo maquiagem. Um pedido declaradamente ignorado, por enquanto.
Os pés tristes porque não estão dançando.
E a noite prometendo segredos que não existirão.
Uma garrafa de vinho abandonada na mão esquerda.
Não sei aonde meu corpo me leva então caminho sem rumo. As ruas barulhentas da cidade gritam meu nome.
Gritam todos os meus nomes, dessa e de outras vidas.
Os sentimentos se confundem dentro da minha cabeça e eu sinto uma coisa só. Que já não sei mais se é boa ou ruim.
Meus pés não param, e seguem um caminho traçado por impulso e instinto.
A rua ainda grita tantos nomes que eu não sei se ainda reconheceria o meu próprio.
Luzes amarelas e vermelhas passam agressivamente sobre meus olhos.
Jogo mais fumaça em meus pulmões. E a fumaça, sem encontrá-los, se espalha por todo meu corpo, entorpecendo meus sentidos, como se isso ainda fosse possível.
Uma música metálica e de acordes repetidos não me abandona.
Vagando, olho nos olhos de uma mendiga velha, e talvez sábia, que tenta me aconselhar em dialeto próprio.
Num dialeto igualmente antigo que deve ter sofrido influências de todas as outras línguas do mundo.
Estranhamente, ela baba enquanto fala e sua saliva reluz como ouro à sombra das luzes dos automóveis.
Uma luz forte no final da rua, o som alto de uma freada brusca e...
Uma luz forte no final da vida.
A boca invadida por um gosto salgado e ácido. Devo estar comento pilhas.
Mas é só sangue. Só sangue. Por todos os lados.
Atribuo isso ao período fértil e cíclico de meu corpo.
Gosto tanto da lua que a peço em casamento. Sem resposta.
Dias nublados e noites pesadas.
Caminho pelas ruas sem parar. Acendo um cigarro. Outro.
Minha cabeça toca um blues. Sinto falta do som de um baixo, nessa história toda.
Um pouco de transparência nos braços e nas pernas.
A pele pálida exigindo maquiagem. Um pedido declaradamente ignorado, por enquanto.
Os pés tristes porque não estão dançando.
E a noite prometendo segredos que não existirão.
Uma garrafa de vinho abandonada na mão esquerda.
Não sei aonde meu corpo me leva então caminho sem rumo. As ruas barulhentas da cidade gritam meu nome.
Gritam todos os meus nomes, dessa e de outras vidas.
Os sentimentos se confundem dentro da minha cabeça e eu sinto uma coisa só. Que já não sei mais se é boa ou ruim.
Meus pés não param, e seguem um caminho traçado por impulso e instinto.
A rua ainda grita tantos nomes que eu não sei se ainda reconheceria o meu próprio.
Luzes amarelas e vermelhas passam agressivamente sobre meus olhos.
Jogo mais fumaça em meus pulmões. E a fumaça, sem encontrá-los, se espalha por todo meu corpo, entorpecendo meus sentidos, como se isso ainda fosse possível.
Uma música metálica e de acordes repetidos não me abandona.
Vagando, olho nos olhos de uma mendiga velha, e talvez sábia, que tenta me aconselhar em dialeto próprio.
Num dialeto igualmente antigo que deve ter sofrido influências de todas as outras línguas do mundo.
Estranhamente, ela baba enquanto fala e sua saliva reluz como ouro à sombra das luzes dos automóveis.
Uma luz forte no final da rua, o som alto de uma freada brusca e...
Uma luz forte no final da vida.
A boca invadida por um gosto salgado e ácido. Devo estar comento pilhas.
Mas é só sangue. Só sangue. Por todos os lados.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
"O carro encosta.
Ela segura uma garrafa de vinho.
Tem fones e ouve uma música do Lou Reed que incendeia seus ouvidos.
Masca chicletes. Sem dizer nada.
Analisa a deliciosa pele branca da amiga-namorada.
My milky-love, ela pensa.
Se depara com um olhar irresistível do pirata, ao volante.
Entra no banco de trás do carro e estoura uma bola de chiclé,
apreciando as expressões registradas pelo espelho retrovisor.
Pra onde nós vamos? – Alguém pergunta.
É segredo, ela sussurra.
Em silêncio todos concordam.
Pois cada um sabe que vai se perder na pele e nos sentidos dos dois outros...”
Ela segura uma garrafa de vinho.
Tem fones e ouve uma música do Lou Reed que incendeia seus ouvidos.
Masca chicletes. Sem dizer nada.
Analisa a deliciosa pele branca da amiga-namorada.
My milky-love, ela pensa.
Se depara com um olhar irresistível do pirata, ao volante.
Entra no banco de trás do carro e estoura uma bola de chiclé,
apreciando as expressões registradas pelo espelho retrovisor.
Pra onde nós vamos? – Alguém pergunta.
É segredo, ela sussurra.
Em silêncio todos concordam.
Pois cada um sabe que vai se perder na pele e nos sentidos dos dois outros...”
Só porque, às vezes, o universo conspira...
*
SEUS CABELOS, SENDO DA COR DO TRIGO, DO FOGO, DO CARVÃO OU DA MADEIRA, SÃO EMARANHADOS, DESARRUMADOS OU CACHEADOS.
SUA PELE É DE MÁRMORE E TEM MÃOS COM DEDOS LONGOS DE ANJO.
CONSCIENTE E VEGETARIANO. GOSTA DE CRIANÇAS E CONVERSA COM ANIMAIS.
É INTELIGENTE E CHARMOSO COMO UM DIABO.
SENSATO E CÓSMICO.
TOCA VIOLÃO COM A BELEZA DE UM CATALÃO E ANDA DE SKATE COMO SE TIVESSE ASAS.
SABE CANTAR E ME ENCANTA COM OLHARES INOCENTES.
CARREGA UM NARIZ DE PALHAÇO NO BOLSO E FAZ CHARME COMO CHAPLIN.
É BRAVO E INTENSO, FIEL E POSSESSIVO COMO UM LOBO.
BEIJA-ME COM LEVEZA E CARINHO, SÓ PARA ME ENLOUQUECER, MAS ENTÃO ME DOMINA.
ME MORDE.
E ME COME, COM FORÇA. TRANQUILO, COMO SE FOSSE MORRER.
TEM APETITE DA MINHA PELE... ME DEGUSTA.
QUANDO NOS ENCOSTAMOS EXPLODIMOS EM MIL SÓIS. NOVAS CONSTELAÇÕES.
DEIXA A BARBA MAL FEITA SÓ PARA ENLOUQUECER MEUS SENTIDOS.
ELE TEM A MINHA PAIXÃO POR TEMPEROS E NA COZINHA REINVENTA. INOVA E ME PROVA.
SEGURA MEU COrPO DE UÍSQUE E ROUBA VÁRIOS GOLES...
ENQUANTO MURMURA UM BLUES.
BRINCA COM MINHAS SARDAS NUAS E MEUS PÊLOS.
TEM O CORPO QUENTE COMO SE TIVESSE FEBRE. ME AQUECE POR TODOS OS LADOS. ME INVADE.
DORME SEGURANDO MEU SEIO ESQUERDO, O QUAL ALEGA SER SEU FAVORITO POR TER UMA CICATRIZ EM MEIA LUA.
MAS NUNCA DEIXA O OUTRO SEIO ENCIUMADO POR CARÍCIAS. NEM NENHUMA OUTRA PARTE.
ENXERGA ARTE EM MEUS GESTOS E CONSIDERA O CIGARRO, QUE EU SEGURO COM DESLEIXO, UM TANTO POÉTICO.
NOSSOS OLHOS CONVERSAM EM TELEPATIA.
E O TÉDIO DESCONHECE NOSSAS TARDES CHUVOSAS.
NOSSAS CONVERSAS TEM CHEIRO DE CRAVO E ARDÊNCIA MALAGUETA.
FEZ DE MEU COLO SEU PRÓPRIO ORATÓRIO.
AMA TANTO QUE DÓI.
*
SEUS CABELOS, SENDO DA COR DO TRIGO, DO FOGO, DO CARVÃO OU DA MADEIRA, SÃO EMARANHADOS, DESARRUMADOS OU CACHEADOS.
SUA PELE É DE MÁRMORE E TEM MÃOS COM DEDOS LONGOS DE ANJO.
CONSCIENTE E VEGETARIANO. GOSTA DE CRIANÇAS E CONVERSA COM ANIMAIS.
É INTELIGENTE E CHARMOSO COMO UM DIABO.
SENSATO E CÓSMICO.
TOCA VIOLÃO COM A BELEZA DE UM CATALÃO E ANDA DE SKATE COMO SE TIVESSE ASAS.
SABE CANTAR E ME ENCANTA COM OLHARES INOCENTES.
CARREGA UM NARIZ DE PALHAÇO NO BOLSO E FAZ CHARME COMO CHAPLIN.
É BRAVO E INTENSO, FIEL E POSSESSIVO COMO UM LOBO.
BEIJA-ME COM LEVEZA E CARINHO, SÓ PARA ME ENLOUQUECER, MAS ENTÃO ME DOMINA.
ME MORDE.
E ME COME, COM FORÇA. TRANQUILO, COMO SE FOSSE MORRER.
TEM APETITE DA MINHA PELE... ME DEGUSTA.
QUANDO NOS ENCOSTAMOS EXPLODIMOS EM MIL SÓIS. NOVAS CONSTELAÇÕES.
DEIXA A BARBA MAL FEITA SÓ PARA ENLOUQUECER MEUS SENTIDOS.
ELE TEM A MINHA PAIXÃO POR TEMPEROS E NA COZINHA REINVENTA. INOVA E ME PROVA.
SEGURA MEU COrPO DE UÍSQUE E ROUBA VÁRIOS GOLES...
ENQUANTO MURMURA UM BLUES.
BRINCA COM MINHAS SARDAS NUAS E MEUS PÊLOS.
TEM O CORPO QUENTE COMO SE TIVESSE FEBRE. ME AQUECE POR TODOS OS LADOS. ME INVADE.
DORME SEGURANDO MEU SEIO ESQUERDO, O QUAL ALEGA SER SEU FAVORITO POR TER UMA CICATRIZ EM MEIA LUA.
MAS NUNCA DEIXA O OUTRO SEIO ENCIUMADO POR CARÍCIAS. NEM NENHUMA OUTRA PARTE.
ENXERGA ARTE EM MEUS GESTOS E CONSIDERA O CIGARRO, QUE EU SEGURO COM DESLEIXO, UM TANTO POÉTICO.
NOSSOS OLHOS CONVERSAM EM TELEPATIA.
E O TÉDIO DESCONHECE NOSSAS TARDES CHUVOSAS.
NOSSAS CONVERSAS TEM CHEIRO DE CRAVO E ARDÊNCIA MALAGUETA.
FEZ DE MEU COLO SEU PRÓPRIO ORATÓRIO.
AMA TANTO QUE DÓI.
*
Início
DUAS BOCAS LINDAS.
A PELE BRANCA DELA, O ROSTO DE PIRATA DELE.
EU E ELA DERRETIDAS PELA INTELIGÊNCIA SARCÁSTICA DELE. E ELE NEM DESCONFIAVA.
EU EM UMA FASE DE ENTREGA E DESCOBERTAS. ELA NAMORANDO.
A TENTAÇÃO SERPENTEANDO EM NOSSOS CORPOS.
O TEMPO PASSA ENTRE DECEPÇÕES E DEVANEIOS.
NÓS TRÊS VOLTAMOS A DIVIDIR O AMBIENTE E AS INTENÇÕES.
A PELE BRANCA DELA, O ROSTO DE PIRATA DELE.
EU E ELA DERRETIDAS PELA INTELIGÊNCIA SARCÁSTICA DELE. E ELE NEM DESCONFIAVA.
EU EM UMA FASE DE ENTREGA E DESCOBERTAS. ELA NAMORANDO.
A TENTAÇÃO SERPENTEANDO EM NOSSOS CORPOS.
O TEMPO PASSA ENTRE DECEPÇÕES E DEVANEIOS.
NÓS TRÊS VOLTAMOS A DIVIDIR O AMBIENTE E AS INTENÇÕES.
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