segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Ela era mil e umas em uma noite só.


Fase vermelha:
Unhas dos pés e unhas das mãos vermelhas.
Coração vermelho.
Sangue vermelho.
Gengivas sangrando.
Cabelos caindo.
Sonhos desbotando.
No copo, um vinho vagabundo desenrola seus pensamentos.
O colo do útero vazio da energia dele, pulsando vermelho de desejo.
Na boca um gosto de metal.
Ela não consegue ver o dia. Espera pelo chamado da noite.
Ela não sente mais nada na pele.
Nem dor, nem alegria, nem apego, nem desespero.
Durante a noite ela sai em busca de novos acontecimentos e conhecimentos.
Apesar de fazer tudo acontecer ela continua sem sentir. E volta para casa mais uma vez.
Uma espécie de medo a prende a essa rotina, que envenena aos poucos. Ela vai adoecendo aos poucos.
Mas não sente. Não vê. O declínio acontece sem percepções reais.
Tudo vai se alienando dela.
Tudo vai acontecendo ao redor. Para todos.
Ela não esboça sequer arrependimentos.
Ela está perdida. Não sabe o que fazer ou para onde ir.
O vermelho se instala ali. Lindo e intenso, como um papel de parede maldito e bem colocado.

7 comentários:

Blower's Daughter disse...

"Ela está perdida. Não sabe o que fazer ou para onde ir."
Bingo!Somos duas assim!=/
Queria poder comentar o texto,queria poder dizer tanta coisa,mas não posso.As palavras tb se perderam de mim e minha cabeça dói.Deve ser a vida indo embora.
Mas uma coisa eu ainda consigo dizer:adorei mto ter te visto sábado,estava com saudades de verdade!
Te adoro!
Bjokas!

Ximene disse...

Perder-se e não se encontrar...
Me sinto assim, perdida e só... Sabendo das minhas fraquezas e me entregando ao desespero... Um desespero interno, uma máscara falsa no rosto...

Curti o blog, visitarei mais vezes...
Bjo!!!

Duli disse...

Eu não tenho percepção, todos os momentos parecem ser bons, todos. Mas, enfim, eu não tenho percepção.
Pensamentos intimos rodeam a cabeça nas horas mais absurdas. Nas horas que tudo está em paz. Bem nessa hora.
Apesar da falta de percepção, acredito ter sensibilidade, maldita sensibilidade, e sei que isso preenche em certas horas, isso se torna único, como se não tivesse solução, como se sempre, como se estivesse condenado a ser assim.
E sabe o q descobri? Que mesmo nas horas mais insanas, eu consigo estar sensível e perceptível a dor. Só aí eu tenho percepção.
A frase referente ao vinho vagabundo me lembrou: "e com um vinho barato e um cigarro no cinzero e minha cara embriagada no espelho do banheiro"...

Erika Horn disse...

Ao menos a tarde de cantoria e o vinho vagabundo lavaram a alma não é mesmo?

Erika Horn disse...

Ou envenenaram mais ainda.

Erika Horn disse...

Deixa fudê.
:)

Anônimo disse...

Oi, minha linda!!
Vermelho é uma cor muito intensa, e muito significativa. Eu diria que é uma boa escolha. Bom, não sei ao certo o que comentar,é estranho, a gente entende, mas não sabe o que dizer, as palavras fogem aos lábios...
Mas posso dizer que eu gostei muito de ter passado a noite de domingo com vcs lá no Parlapatões. E adorei conhecer o Luciano, falando nisso, passa o meu email para ele, por favor: kzick@hotmail.com
e se puder passar o dele para mim, eu ficaria grata. Ele ficou de me passar os textos que ele escreve.
Bom, linda, vc sabe que eu te admiro, né. Gosto muito de vc, e fiquei muito felizcom o seu comentário a respeito da minha cena. Obrigada!
Beijokas!!
=]