domingo, 28 de outubro de 2007

Hoje é domingo

"Hoje é domingo
Pé de cachimbo
Cachimbo é de barro
Bate no jarro
O jarro é de ouro
Bate no touro
O touro é valente
Chifra a gente
A gente é fraco
Cai no buraco
Buraco é fundo
Acabou o mundo"

A vida poderia continuar simples assim.
Como nos tempos em que eu cantava essa musiquinha sem saber o porque.

Pelo menos teve cordel. Teve Nego bebendo cerveja do meu lado. Ao som de samba de coco.

Volto ao TCC e a à mais uma semana de carência.

Meu aniversário está chegando. Dia 31 para comemorar o 23.
E eu que contava com um aneurisma aos 20, hoje não sei bem o que fazer ou para onde ir.
E meu presente será uma noite de aflições de TCC.

E tudo o que eu queria era um buraco bem fundo para conhecer os desejos da terra. Ficar por lá.
Na suspensão do silêncio.
Eu e mais só eu. Me conhecendo e aprendendo a me respeitar.
Tenho medo de me encarar. Tive certos indícios do que sou e a visão não foi das melhores.
Não sei se aguento a queda ou o coice que vem logo em seguida.
Minha cama de improviso está me chamando.
Mas nem a escolha da tentativa de resistência eu tenho.
Só obrigações.
Uma vida inteira de obrigações.
E o Tim Festival acontecendo. A Bjork cantando.
Pessoas vivendo. A rua me chamando.
Uma vida de acontecimentos e eu tentando cumprir obrigações que nem sei mais se escolhi.

Ando afastada de tudo que mais gosto. Pelo menos sei bem do que gosto.
Gosto da noite. Dos bares. Da música. Da arte em suas diversas formas e segredos.
Gosto mesmo é de teatro e suas vertentes. Gosto de homens.
Gosto de bons livros e bons blogs.
Gosto das vozes de certas pessoas. De trejeitos elegantes. Gosto de sussurros.
Gosto de abraços e tudo que envolva o calor da pele.
Gosto bastante da sinceridade. Nua e crua.
Gosto da ingenuidade do nu. De sua exposição, de sua coragem. Não importa a forma ou a cor.
Ando aprendendo a gostar de dormir. E aprendendo a não querer acordar.
Gosto de crianças sapecas. Gosto de ficar em silêncio.
Gosto em excesso de sampa. Até além do que deveria.
Gosto de beijos em qualquer lugar, da cidade ou do corpo.
Gosto de certos compromissos. De algumas responsabilidades.

Porém ODEIO limites.

sábado, 27 de outubro de 2007

Quer saber?

ESTOU CAGANDO E ANDANDO PARA TODOS ESTES TEÓRICOS NADA ESTÚPIDOS DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS.
Estou cagando e andando para qualquer teórico de qualquer merda.
Bando de punheteiros homofóbicos.
Aposto que têm ódio das mulheres...
Aposto que são todos uns brochas...
Aposto que são tão feios que não têm nada melhor para fazer além de formular teorias estúpidas para outro bando de punheteiros menos competentes ficarem apreciando.
Quero que vocês vão à merda! Todos vocês.
A vida não é só isso porra!
Tanta teoria há tanto tempo pensada, formulada, para esse mundinho continuar essa bosta!
Que decepção hein!
E agora, por causa de vocês estou aqui, me fudendo dentro da inércia desses acontecimentos de teorias sem solução.
Vocês foram tão incompetentes que não ajudaram em nada.
Parabéns!
Agora, não exijam nada de mim!
Não sou obrigada atender as expectativas de ninguém!!!!
Menos ainda às suas...
Vocês queriam evolução, aplaudiram a evolução.
Olha aí o tamanho da merda!
Pra ajudar está tocando aqui na atmosfera essa porra desse rock remixado em funk...
De quem foi a idéia brilhante?!
Deve ter sido de algum teórico... ou de algum de seus amiguinhos. Bando de pederastas inválidos!
Graças a vocês estou perdendo todo o tesão pelo meu destino, pela vida.
Muito bem, conseguiram acabar com os sonhos de mais um ser humano.
Ah, mas que ingenuidade a minha. Pode crer! Afinal, este era o objetivo inicial de vocês, não era mesmo?
Acabar com os sonhos dos seres humanos e ficarem rindo, fumando seus charutos, brincando de deuses.
E ainda sou obrigada a perder a aula de teatro.
Foda-se. Preciso voltar ao TCC.

Beijinhos,

F.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Mastigando pensamentos

Preciso fazer minhas unhas.
Elas estão descascaaaannndo.
Meu cabelo está sujo. Preciso dar um tapinha em mim.
Eu estou desmontaaannndo.
Preciso fazer meu tcc.
Minha vida está desmontaaannndo.
Preciso reagrupar tudo. Eu e minha vida.
Preciso colocar essas duas coisas num mesmo caminho.
Eu e minha vida andamos caminhando separadas ultimamente.
É necessário reagrupar.
Eca! Que expressão mais corporativa.
Eu queria viver como num clipe da Joss Stone, onde todos são felizes e livres. Descabelados e bem vestidos.
Mas aprendi há muito tempo atrás que, apesar da trilha sonora, a vida não é um videoclipe.
Queria viver no coração do Cazuza. Andando sobre precipícios.
Não consigo definir ainda se quero me casar um dia, se vale a pena realmente.
Mas se fosse para escolher eu casaria com Devendra Banhart.
Aquele semi-hippie de maquiagem glam rock nos olhos.
Vegetariano? Que entende as dores do mundo.
A vida deve ser bem fácil do lado dele. Sem cobranças, sem amarras, sem "pré-conceitos", sem mesquinharias ou futilidades. Just love and music baby...
Não consigo mais arcar com minhas responsabilidades. Não sei se cheguei a um limite ou se desandei mesmo. Mas não consigo.
Alguma coisa dentro de mim está solta.
Algum laço desamarrou, arrebentou. Não consigo mais consertar.
É como se eu não conseguisse voltar atrás. E o pior é que não consigo nem me preocupar com isso.
Eu não era assim. Ando me estranhando.
Sem planos. Sem passado, sem futuro.
Algo não encaixa aqui dentro, e eu não consigo identificar qual é a peça.
Não faço planos porque não consigo querer mais nada. Ou ninguém.

- Se não quero mais nada estou satisfeita então? Se estou satisfeita, devo ser feliz. Pois tenho tudo o que quero? Então a felicidade é isso? É não ter mais o que querer. Perder as ambições, os planos? Viver no lado morno da vida? A felicidade é um cotidiano que te aprisiona à falta de novas vontades? A felicidade então é isso?
- Calma Fernanda. Sem pânico. A felicidade não deve ser só isso. Primeiro, porque você ainda não conseguiu definir o que é felicidade para você. Portanto, não sabe se o que tem é a sua felicidade. Segundo, não deve ser algo tão entediante assim. Terceiro, a felicidade não é uma constante. É uma variável influenciada por diversos fatores. Então, não é felicidade o que você tem, é estabilidade.
- Será? Falida desse jeito? Com esse monte de coisas que me afligem? Cadê essa maldita estabilidade?
- Ok, ok... desencana mais uma vez. Palavra inadequada.
- Se não tenho estabilidade, nem felicidade e ainda assim não quero mais nada, sobra essa falta de ambições, qual é meu problema?!
- A mais triste das conclusões querida... você se acomodou. Sinto muito.
- Droga. Juro que tentei evitar. Mas quando achamos nossa zona de conforto é muito difícil ter coragem de sair dela. E daí? Continuo sem saber o que fazer.
- Agora ninguém vai poder te ajudar filhinha...
- Putz... mas é o que tem pra hoje, não é mesmo?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

É. Venho me acostumando a esse silêncio.
Essa vida muda de energias.
Sei que uma hora passa. Só não passa agora. Enquanto o presente se faz presente.
Estou cansada dessas vozes conhecidas.
Quero ir pra rua tomar chuva.
Andar pela Paulista à toa.
Beber gotas de veneno paulistano.
Enxergar o cinza do cenário da minha terra.
Sentar no chão do vão livre do Masp, ao léu.
Vestindo um blue jeans confortável.
Quero aquele tempo de tempo de folga para folgar de volta.
Torço para que meus cabelos parem de cair e minhas preocupações parem de brotar.
Quero escrever até sangrar os dedos. Escrever com liberdade, sobre o que eu quiser. Sem satisfações às Instituições.
Quero esse silêncio sim, mas de forma saudável.
Ando buscando um tempo para mim. Para que eu possa marcar um reencontro comigo.
As futilidades andam transbordando. Em todos ambientes.
Já nem consigo mais me cansar.
Vejo que não sou a única a reclamar. Andam reclamando minhas reclamações ultimamente.
As minhas são de eternamente.
E olha que quando eu reclamava ainda me proibiam.
Daí parei de reclamar. Passei só a sentir. Ou melhor, a não sentir.
E agora os outros reclamam.
Cada vez mais a flor da pele e fria.
Uma gota de ácido cai sobre a pele, fere e cria uma outra camada, mais dura. Impenetrável. Insensível.
Ando cultivando dúvidas.
Me agarrando às oportunidades do momento para evitar carências futuras.
Me agarrando ao que aparece hoje para doer menos depois. Evitando qualquer sentimento mal-resolvido.
Curtindo esse vazio de não sei o quê.
As sensações me escapam aos sentidos, pelas mãos, pelos pés, pelos olhos.
Cada fim de semana que finda é contagem regressiva para o início de outro que está prestes a começar.
Correndo contra o tempo. Com essa pressa que não cabe, que não combina.
Que não sabe o que busca.
Dias são labirintos mentais.
A memória não me falha, pois não há mais o que lembrar.
Os pulmões respiram timidamente. Com medo de acabar com o ar.
A voz se altera para disfarçar a rouquidão.
O cabelo ganha ondas para espantar o toque alheio.
Há muito tempo que não sou tocada. Não com carinho.
A pele sempre sente o interesse por detrás do olhar.
Sou um produto que contém substâncias tóxicas.
Continue fugindo querido.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Enquanto procuro meu talento encontro o dos outros.
Esse cara vê essa cidade que amo de uma forma
contemporânea e bela.
It suits the city.
O jeito dele é esse. O nome dele é Paulo Stocker.
Peço a permissão dele para expor seu trabalho aqui no blog.
Enquanto vocês passeiam pela Paulista, Augusta, pelas ruas do centro, esse cara se camufla à calçada, asfalto, paredes, prédios, carros, trânsito, pessoas, acontecimentos e caos. Enquanto tudo isso acontece ordinariamente, ele extraordinariamente desenha. Desenha essa massa de acontecimentos, inclusive você que agora é parte da genialidade dele.
Se quiser conhecer um pouco mais dele segue o link:
http://estudandosampa.zip.net/

Agora, toda vez que eu estiver perambulando por aí, vou procurá-lo pelas calçadas inconscientemente e torcer para que em algum momento ele me transforme em uma de suas personagens cotidianas. Ficarei honrada quando isso acontecer.
Muito sucesso Paulo.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Centro. Miolo.
Rua Augusta. Podre de Sampa.
"O beijo do lixo na boca do luxo". Ou seria o beijo do luxo na boca do lixo?
Sempre assim.
Décadence avec Élegance.
Meninos-homens de olhos pequenos.
É muito fácil se encantar com alguém de boa aparência.
É o defeito da beleza.

Na Augusta a vida pulsa escancarada.
Muito vaidosa a vida se mostra toda nua. Crua.
Em cada porta uma luz vermelha, embaixo de cada luz um corpo se apresenta.
Tão cruel e nu quanto a vida em são paulo.
Mas esses corpos malandros já não tremem de frio.
Estão habituados às durezas cotidianas.
Não há nada lindo ou de decente nisso. Mas não há nada de indecente também.
São apenas elas que acharam o meio mais econômico de fazer dinheiro.
Usando algo apenas seu. Sem explorar nada além daquilo que elas mesmas possuem.
Pessoas normais. Com bom gosto ou não.
Estão ali. E assim como os mendigos, não podemos fingir que simplesmente não estão.

Na real não somos nada diferentes deles e delas.
Buscamos sim dinheiro, eternamente.
Nos vendemos, nos prostituimos ao meio corporativo sempre que aparece uma perspectiva um pouquinho melhor.
Esmolamos e nos oferecemos por inteiro por amor e ainda não ganhamos nada com isso.
Fazemos tudo isso e, ainda pior, não temos coragem de assumir e ainda adotamos essa posição moralista hipócrita.
Quando exploramos algo, além de nós, exploramos os sentimentos, as idéias e energia dos outros.
Somos cretinos de primeira linhagem.
Na vida profana há muito mais sinceridades do que nos mais altos escalões da sociedade.

Isso vem me dando uma preguiça do ser humano.
Uma preguiça de fazer social. Preguiça de fazer joguinhos.
Esses joguinhos todos têm sempre uma intenção cafajeste por trás.
E nós ainda assim, nos rendemos, nos entregamos, nos vendemos ou compramos.
Estou cansada disso...
Estou cansada dos jogos de paquera, das palavras carinhosas desses caras que só querem aquilo no fim. Ou antes mesmo do começo.
Que querem a mim e além de mim todas as minhas amigas.
Que querem sempre "a garota mais popular ou a mais bonita do baile".
Estou cansada dessas pessoas que se rendem facilmente à beleza.
Estou cansada das atitudes motivadas por interesses. E todas as atitudes têm isso em comum.

Estou cansada desse mundo que se vende e se troca e se entrega e se quebra todas as vezes pelo dinheiro. Pelo sexo. Pelo consumismo. Pelo status. Pelas futilidades.

Estou cansada desses caras e dessas mulheres todos iguais. Fazendo jogos iguais.

E isso está em todos os lugares. Contaminando todos os paladares e ambições. Está entre as pessoas que eu conheço, está entre os intelectuais (todos eles), está dentro da minha família, está na mente e corpo de minhas amigas, está nas aspirações daqueles que gosto.

E não importa aonde eu vá, continuo sentada do lado de fora da roda gigante.

Venho perdendo a capacidade que eu tinha de sonhar, de fazer planos.
Tudo vêm perdendo o sentido gradativamente.
As pessoas têm ambições. As minhas vão e voltam.
Não consigo descobrir meus dons, minha vocação.
A vida vêm sendo simplesmente uma sucessão de dias.
A cada dia tenho vontade de ir mais fundo. Além.
Imagino que seja muito fácil se adquirir um vício. Pois é muito fácil ter uma desculpa ou qualquer algo que te faça esquecer dos problemas, das pressões, das cobranças.
Por isso mesmo me mantenho bem longe dessas coisas.

"Muitas companhias"
Na verdade não tenho nenhuma.
Não há nesse mundo alguém que realmente me acompanhe.
Que me aceite, que se importe.
E eu acho tão fácil aceitar e não cobrar nada de alguém.
Isso me afasta mais ainda da roda gigante.

Isso só faz aumentar ainda mais o deserto cheio de dunas aqui em volta.
Assim, vou me entregando aos pouquinhos e ninguém percebe. Assim é bom porque ninguém condena minha entrega.
Até o dia que eu sumir. Virar areia. Me misturar ao deserto.
Por enquanto não consegui encontrar o meu sentido nesse lugar.
Não faço bem ou mal a ninguém. Não causo grandes emoções. Muito menos grandes paixões.
Não faço ninguém rir. Muito menos chorar.

Por mais que pai e mãe amem eles nunca aceitam, nunca entendem.
Por mais que amigas sejam divertidas juntas e te apóiem elas nunca enxergam o tanto necessário.
Dos homens não vou nem comentar pois a decepção com estes é tão grande que eles foram rebaixados ao posto de simplesmente amigos e objetos úteis esporadicamente.
Perdi meu caminho há muito tempo. Eu tinha 15 anos e nem quero jogar a culpa em ninguém não.
Pois foi ali que eu vi que não valia a pena e foi ali que joguei tudo para o alto.

"Sou joguete do destino".

A vida não pulsa mais em mim. Pulsa apenas na Augusta, no centro, nos textos de certos bebuns brilhantes, pulsa nos palcos dos teatros, no sangue das personagens.
Eu sou só um cavalo, uma mula para tudo isso.

domingo, 21 de outubro de 2007

Faichecleres.
Os caras são realmente incríveis.
Mais uma vez camarins...
Assistindo a intimidade deles.
Eles são tudo o que cantam.
Mas são homens. E assumem que gostam dessa vida de "rock star".
Tão previsíveis quanto o resto dos homens.
Mas ainda assim interessantíssimos.

Foi legal. Foi normal. Foi Du Caralho!

Conheci pessoas interessantes, engraçadas.
Dancei sem pudores.
Foi no "Inferno".
Um lugar ao qual eu me habituaria facilmente em ir quando me desse na telha.

E mais uma vez essa porra desse blog se torna um diário. Quase um confessionário.
Quase, porque aqui ainda muita coisa é camuflada.

Mas não sou poetisa(!) ou escritora. Não tenho a obrigação de somente produzir coisas lindas, reflexivas, interessantes ou problemáticas.
Até porque mesmo que eu quisesse escrever um livro muitos sabem que os livros que mais vendem têm essa cara de diário.
Mas não sou interessante o suficiente para isso.

Voltando, ontem foi dia de Praça...
A praça estava de ressaca do Satyrianas. O que foi muito bom. Vê-la de volta ao normal.
Ver apenas os conhecidos. Sem flashes e afetações.
Cumprimentar apenas quem eu verdadeiramente gosto. Apesar de eu gostar muito de alguns deles e eles nem me conhecerem direito. Mas algumas pessoas merecem minha admiração. Merecem muita admiração.

Foi tranquilo. Voltei cedo. Estava com minhas amigas.
Se estivesse sozinha eu nem voltava. Se desse sorte ia amanhecer na feira comendo pastel.
Mas tudo a seu tempo.

Meu aniversário é dia 31.

Eu não queria estar sozinha esse dia. Especialmente nesse dia.
Vou comemorar na madrugada que une o dia 1º ao dia 2º. Na praça.
Eu não quero voltar para casa antes do sol. Quero amanhecer no Amistosos em boa cia...
Quero comer pastel na feira. Quero terminar/começar o dia ao lado de alguém que um dia, num futuro bem próximo vai me amar.
Mas essas coisas não se forçam. São espontâneas. Deixa acontecer.
Quero estar bem. Quero me sentir bonita nesse dia.
Quero não precisar voltar dirigindo. Quero ser levada. Para o céu ou para o inferno dele.
Quero ser levada, aprontar muito. Rir muito.
Aproveitar os bons e os maus excessos. E ainda assim ter ele do meu lado.

Não espero nada. Mas seu eu pudesse escolher ou sequer esperar, pediria para ele se apresentar até o dia do meu aniversário. Preciso conhecê-lo ainda.
Espero não decepcioná-lo.

Estou mergulhada no silêncio.

Agora licença que preciso cuidar do meu TCC(sic!)

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Oi.
Eu conheci o Nick.
Não fui na festa de lançamento do livro mas conheci a pessoa dele.
O Nick é um cara muito bacana. Agora entendo porque todo mundo é amigo dele e fala bem dele.
Vou comprar o livro dele. Porque ele me disse: "Leia meu livro e depois vem comentar comigo o que achou". Porque ele me prometeu esses minutos de filosofia de boteco. Coisa que adoro.
Vou comprar o livro dele porque ele é bacana. Muito bacana.
O Carcará fez um desenho. Ele é muito talentoso. Meio perdido às vezes, mas bastante talentoso.
Agora tenho dois novos itens na lista de sonhos de consumo: O "Go" do Nick e um desenho do Carcará.
Porque a vida é assim. Deve-se admiração ao talento de certas pessoas.
Conheci também outros dois caras muito engraçados. O Regis e o Fernando.
Conversas agradáveis. Histórias dignas de seram contadas qualquer outro dia.
Porque hoje estou sem paciência para contar histórias.

Porque hoje é dia de show do Faichecleres... e depois, só Deus sabe.

P.S.: Me desculpem se errei alguns nomes. Mas havia conversas e risadas por todos os lados. E minha atenção estava totalmente dispersa. Distrações interessantes.
Mas foi bastante agradável. Coisa rara. Agradeço os bons momentos.
Hoje terei que voltar lá pois deixei uma conta pindurada...
Que cooooisa mais chata.

Até.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Justamente por isso...

Maldito inferno astral!
Rejeitada. Mais uma vez.
I really needed him. I really did.
Eu precisava.
Ele não sabe que se continuar me tratando assim vai me perder pra sempre.
Isso não é difícil de acontecer.
Seu telefone já foi apagado de todas as memórias.
Daqui a pouco meu corpo perde a vontade da sua pele. Não há química no mundo que me faça aceitar esse tipo de tratamento.
Não te aceito mais. Nem me olhe daquele jeito na próxima vez que nos esbarrarmos por aí.
Não atendo mais aos seus chamados.
Meu menino, seu lugar pode ser substituído muito facilmente.
Você é sim doce. Foi um doce. É brando e lindo. E isso não deveria acabar assim. Aliás, não deveria nem ter começado. Principalmente do jeito que começou. Vocês geralmente pecam quando mostram que se importam um pouquinho comigo. Se não se importa, seja claro. Mas, por favor, não me iluda.
Mas vocês não aprendem mesmo, não é?
Eu não aprendo.

Por isso que não me envolvo mais!

Um de vocês já me perdeu.
Você está começando a me perder. Se não fizer nada a tempo, quem não poderá fazer nada serei eu.
Ainda bem que o apego é pequeno. Assim dói só um pouquinho quando resolvo arrancá-los daqui de dentro.

Para me acalmar: falei com um grande amigo hoje.
Acho que ele não sabe o quanto eu o considero.
Até porque ele nunca foi mencionado aqui no blog.
E não deveria ser mencionado. O que sinto por ele está bem além de todos os outros relatos que apareceram aqui.
Temos história sim. Aliás, nossa história não acontece assim de uma vez. Ela se arrasta e sempre me surpreende. O blog nasceu um mês depois que nossa afinidade se estabeleceu.
Tenho sorte que ele mora longe. O apego seria inevitável. Irresistível. Irreversível. Tenho sorte de tê-lo conhecido. Ainda bem que temos pouco contato. Pois de você eu teria muita sede. Eu ia acabar nos estragando.
Não sei se você vai voltar a visitar esse cabaré...
Não sei se vai ler esse texto a tempo. Mas fique sabendo que você é muito especial para mim.
Tenho até medo de assumir isso e estragar o que temos. De ficarmos artificiais. De não termos mais aqueles momentos divertidos de malabares na rua e luz da lua.
Engraçado que... não nos vemos há uns 3 meses? Mas não esqueço de nada daquele dia...
Da breja e do lanche naquela avenida... Do luar. Do meio tempo.
Da despedida na porta da casa da vó. De viajar de volta à realidade de sampa pensando em como você sem perceber tinha mudado toda minha história.

"Non, rien de rien"

"Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien"

"Não, nada de nada
Não, eu não lamento nada"

Eu estava aqui. Quieta. Lendo uns blogs com textos lindos.
Lendo a intensidade tão lindamente escrita por essas almas artísticas.
Lembrei-me de mim. Que amo a intensidade.
Lembrei-me de Edith Piaff, a personificação da intensidade.
Ela sim sentia. E por sentir assim extremamente ia até o fim. Se afundava sem medo, sem piedade.
E todos os outros, inclusive eu, somos apenas a imitação disso.
Apenas a inveja misturada com a covardia de ser tudo aquilo que ela foi.
Não me venham com moralismos hipócritas, pois nem disso sou digna.
Enquanto eu lia tive muitas surpresas. Boas.
É engraçado como as pessoas mais grossas são as mais delicadas.
As delicadas, as mais mundanas.
Será isso por que essas pessoas, nós, não nos sentimos a vontade na nossa própria pele?
Precisamos ir cada vez mais, um pouquinho mais fundo?
Nos destruirmos um pouquinho mais todas as vezes?
Sentir um pouco mais para provarmos a nós mesmos que estamos vivos...
Jogar a vida na cara aos tapas...
Arrancar sangue e lágrimas...
Se expor sem medo, sem arrependimentos... para tentar fazer os outros notarem como dói aqui dentro.
Precisamos de colo. Eu preciso de colo.

Minhas unhas vermelhas são a extensão dessa dor e do sangue das feridas abertas.
A mão simboliza a entrega que não acontece. A entrega de um momento que não chega.
As feridas não permitem essa entrega. Minhas unhas sangram.
Peço tapas na cara. Eles riem.
Tapas são toques intensos... Uma forma de cuidado malicioso.
Uma forma de preocupação extrema.
Meu coração vai se desfazendo no vento.
O topo de minha cabeça aberta deixa cair massa encefálica... isso me dá tonturas... Tonterias, besteiras... Assim todos vêem meus pensamentos. Minhas intenções ficam nas calçadas. Poluindo o visual.
Isso causa náusea aos outros.
Eles não aguentam a verdade.
Eu tenho que conviver com ela. E ela grita insandecida. Grita que vai explodir meu juízo.
Grita que vai rasgar meu peito. Vai dar nó nas minhas entranhas.
Vai roubar todas as minhas lágrimas.
Sobra esse vazio que eu não quero.
Minha pele se deforma. Meu rosto se deforma.
Meu corpo enrijecido se entorta.
Fico toda outra. Tensa. Vazia.
É só isso que eles enxergam.
Ninguém desconfia da dor. As aflições só sabem crescer.
O amor diminuir.
Olham e acreditam que está tudo bem. Que não há motivos para tais sentimentos.
A culpa não é de ninguém. Nem minha.
Redemoinho de pensamentos e emoções atordoam tudo o que sou.

Edith estava fudida na vida. Bastou um cara enxergá-la para ela se transformar naquele ser humano grandioso.
Eu também mereço uma chance.
Quero ver é se alguém vai ter a coragem de me enxergar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Cabeça na bandeja

Engraçado... sempre que faço alguma besteira penso em minha mãe.
No quanto ela choraria ao descobrir.


Quinta-feira.
Como sempre aquele frenesi de atividades.
Saí do trampo, fiz as unhas (que agora permanecerão definitivamente vermelhas, ou até eu enjoar), passei em casa, falei com meu pai, comprei roupas, fui ao shopping comprar sapatos, voltei pra casa, jantei pizza com a família no Erich's, voltei pra home, tomei banho, fiz contatos, me arrumei e saí.
Ali começava meu feriado. Dando carona para dois grandes companheiros de aventuras, partimos em direção à Praça Roosevelt.
Chegamos já começando uma noite inspirada por Vitórias Régias, em homenagem à uma amiga dançarina-bailarina-coreógrafa-futura atriz-talento nato-modelo-sangue europeu-macaca-gazela.
Fomos bebendo aquelas bebidinhas e elas tomando conta da gente.
Enquanto isso o amigo argentino sumiu. Enquanto isso conhecemos várias pessoas.
Enquanto isso rolou um temperinho ao lado de grandes caras conhecidos na área, caras que eu admiro muito.
Enquanto isso estavam todos os caras que eu conheço e que me conhecem das mais diversas formas.
Pessoas fantásticas em saraus. Que apareciam e sumiam naturalmente.
Enquanto isso tudo foi se confundindo dentro de minha cabeça.
E quando eu vi já foi porque eu estava beijando meu melhor amigo e nem sou bem o que ele queria. Quando dei por mim, já tinha uma pessoa extra no nosso meio. Tudo lindo, tudo junto em plena praça, em frente ao Parlapatões. E de repente éramos cinco. Compartilhando nós.
Eu, ele e elas, as mais cobiçadas por todos os outros que estavam ali. Pocket show nosso. Naquele momento nos tornamos melhores amigos.
E eu já nem lembrava.
Fui ao banheiro, second pocket show. Meu amigo gritava meu nome na porta e as pessoas gritavam de volta que eu não estava bem. E minha cabeça se descontrolava.
E sei lá. Me lavei e saí mesmo com a maior cara lavada do mundo. Mantendo uma pose de "estou super bem, ninguém viu nada e ai se fizerem qualquer comentário apanham".
Voltamos ao murinho da praça. Comédia total. Aqueles ídolos todos ali encostados. Aquelas figuras de HQ Glam Rock. Os queridos da aldeia. Ali... temperinho com os queridos.
De repente conheço ela. Linda. Total Glam Rock. Total lenda.
Nada de simpatia mas nada de grosseria também.
Amiga da mina do meu cara eterno. Ex do meu cara temporário.
Fico pensando se esse O:\Temp de minha vida viu esse contato em segundo grau com a legendária. O que será que passou pela cabeça dele... Se é que passou alguma coisa.
Meu amigo foi todo cara de pau.
E ela disse que nunca teve a intenção de ser grossa.
Secret: She is not. Delicadeza mesmo. As pessoas que interpretam tudo errado.
Conversamos sobre nada. Daí ela tinha que sair em busca de mais um excesso.
Nós ficamos. Já tinhamos excedido.
As meninas iam e voltavam. Como alucinações.
O meu menino estava do meu lado. Me olhava e pedia para eu parar com tudo aquilo.
Dizia para meus amigos cuidarem de mim. Daí ele tinha que ir embora. Mais um convite. Dessa vez eu estava cansada demais para entender e encarar o convite.
Apareceu o pessoal da Olaria e quando percebi era dia.
O amigo argentino reapareceu do nada. Só quando ele voltou que percebi que estava sumido.
Hora de ir embora galera.
O Parlapatões vazio.
Um tchau atrapalhado a todos e fomos.


Sexta-feira.
Voltamos à praça.
Dessa vez eu e minha amiga. O amigo da noite anterior estava cansado demais.
Isso tudo depois de um dia inteiro de churras com a family.
Revi minha prima linda que agora está namorandinho.
Revi uma antiga amiga. Pessoa maravilhosa que nos ajudou muito nessa segunda noite de Satyrianas.
Vitórias Régias. Samba enquando nada acontecia. Confissões no meio da noite. A mesma galera da noite passada na rua.
Temperinho. Mais uma vez pocket show, dessa vez com direito à aparições de enfermeiras.
Tudo isso sem cair do salto.
A festa de minhas amigas acabou um pouco antes. Uma precisava ir pra casa e a outra precisava levar a primeira. Agradeço e peço desculpas às duas por tudo. Pelo cuidado e pela grosseria. Pelas peripécias.
Essa noite valeu muito a pena. Aconteceu tudo muito rapidamente. E era super cedo.
Mas a madrugada chegou e com ela chegou o Ilustre Nelsinho.
Roubei o momento dele junto aos amigos dele. Roubei ele dos amigos. Compartilhamos conversas, pizza, silêncios e carinhos. Olhares e mãos. Semi-confidências.
Compartilhamos silêncios.
Ele precisava ir. E eu precisava continuar a noite.
Pessoal da Olaria marcando presença. Risadas.
Afinidades. Descobertas. Saudade de algo que não se tem.
Discussões. Revelações. Carência.
A manhã apontando, o ânimo caindo.
Tchau para os amigos. Último abraço da noite. Esperando o amendoim descer goela abaixo.
O abraço. Eu podia ficar ali, naqueles braços para sempre. Ele nem desconfia. Se desconfia faz muito pouco caso.
Mas estou acostumada demais ao pouco caso desses meninos para ligar agora.
Abraço longo. Eu derretennnnndo.
Fui embora. Olhei para trás com esperança de qualquer coisa. Sempre em vão. Seria tão mais legal se eu não olhasse para trás, nunca. Mas sempre olho.


Sábado.
Maratona aula-família-teatro.
Levei todo mundo. Pai, mãe, tio e tia ao teatro. Levei mesmo.
Na porta dou de cara com ele. Vestido todo pela minha fantasia favorita, sem saber.
Lindo e vermelho, como só ele sabe ser.
Aquela cara dele. No olhar a abertura para o abraço. A timidez. O medo do pai e da mãe ficarem perguntando quem é. O medo do constrangimento tão cedo. Mais um desses.
Mais uma vez rimos com a peça. Os caras da Olaria Grandes Bosta são realmente incríveis!
Estão cada vez melhores. E são muito novos. Muito novos mesmo. Tomara que eles não percam a cabeça pelo caminho.
Fim. Aplausos.
Rumo centro. Bronca de pai. Cara fechada.
Só eu não entendi que aquela cara fechada do único homem que me ama nesse mundo era simples vontade de ir para a Praça. Desculpe meu velho, mas você precisa aprender a verbalizar.
Continuo te amando mesmo assim. Espero que você continue me amando do mesmo jeito quando começar a descobrir quem sou realmente.
Cheguei. Essa noite prometi a mim mesma: Coca-Cola.
Já cheguei tarde. Eram umas 3:00 am. O horário de verão comeu meu tempo.
Eu esperando o amigo. Aparece o meu menino. Lindo e brando. Silencioso.
Apenas me olhando. Fazendo apenas isso. E isso, naquele minuto, já me satisfazia.
Ainda bem que ele tinha compromissos. Ia acabar dando merda. Seu olhar ia passar a não me satisfazer mais. É incrível. Dele eu quero sempre mais.
Tomou um gole do meu refri. Olhou no meu olho. Atrevido. Foi abduzido por umas amigas. Sumiu assim como apareceu.
Meu lindo amigo companheiro de aventuras também chegou. E eu estava irritadinha. Não foi um dia fácil. Sorry my friend.
Momento especial: Nelsinho veio me cumprimentar.
"Amo-lo".
Estômago preparado para Vitória Régia lá pelas 4:17 am.
Galera Olaria. O comédia fazendo gracinhas. Ele também é uma gracinha.
Vitória Régia fazendo efeito levíssimo.
Hora de ir embora.
Hora de falar tchau.
Duplo tchau para os favoritos. Primeiro Nelsinho.
Os meninos-amigos-comédias.
O abraço mais esperado da noite. O abraço longo me fez querer ficar. Fiquei por dez minutos.
Depois percebi que ele não é meu e que ficar ali não resolveria em nada essa minha vontade dele.
Tchau! ... de novo
"Abraço longo mais uma vez. Será que só eu sinto isso no calor desse abraço?"
"Ui, preciso ir meninos."
Despedi-me de Nelsinho mais uma vez, porque ele merece todos os meus abraços.
Consegui no pretexto do tchau dar o abraço que eu queria no Super MB.
Super queridos esses caras da Rooooose.
Fomos embora.
Dessa vez não olhei para trás.


Domingo.
Aula de como derrubar seu ego e aceitar isso.
Churras em casa. Family day.
A criançada toda. Meus primos caçulas com suas namoradas. Grrrrrrrrr!
Eu sozinha. Meio perdida. Tentando estar ali em pensamento também. Tentando comer alguma coisa depois de três noites intensas para o estômago.
Todos saem. Ficamos eu, meus pensamentos, minha mãe rodeando, meu pai, tios e o som das bolas e tacos de sinuca lá no fundo.
Meus pensamentos me mandam para a rua.
Banho, perfume, chaves do carro. Amiga a tiracolo.
Mais uma vez chego à Praça.
Vejo ele e percebo que perdi algo para sempre. Uma pena, ele era tão divertido. Tão interessante. Antes de conhecê-lo eu não imaginava que precisava tanto assim dele.
Seria algo em seu timbre de voz? Até agora não decifrei o quê em você me arrematou desse jeito. Não entendi.
Não preciso mais de você. Mas sinto falta de te dar esse carinho que ficou todo aqui guardado. Contido em um espaço no qual não cabe mais. Desculpe eu não saber fazer você deixar eu te dar esse carinho.
Encerramos bem o feriado, com uma peça linda, linda, que valeu por todas que eu perdi nas Satyrianas.
"Cordel de um amor sem fim"
Dentro de um ônibus. Passeando pelo centro. Cortinas, peixeira, vestidos antigos, cantorias em belas vozes. Belo texto. Fim do passeio, fim do texto, fim da peça, fim do dia.
Tudo ali chegava ao fim. Até minha intensidade.


Lição do feriado: O olhar de um homem não é lugar pra se procurar ou encontrar a verdade.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Enquanto ela espera...

Vazio.
Pensamentos vãos. Não.
Nem pensamentos vãos.
Vão, buraco, fresta.
Fazendo tipo. Tipo para estes engravatados.
Gravatas. Engravatados fazendo tipo. Social.
Vestidos esvoaçantes. Floridos.
Belos discursos. Montes de palavras reunidas fazendo tipo.
Monte de palavras reunidas de forma coerente para não parecerem incoerentes. Fazendo tipo de texto bonito, de poesia.
O verdadeiro escritor é aquele que cria ou que reune palavras incoerentes fazendo melodia, rima?
Incoerência à flor da pele.
Na pele a incoerência dos poros. Delicadamente reunidos fazendo tipo de pele.
O eu lírico à flor da pele fazendo tipo.
Tipo de eu lírico. Tipo de eu mesma.
A melodia e a poesia soltos no ar. Longe do papel, longe da pena, longe do texto, que faz tipo de poesia.
Essa luz me favorece. Favorece meu eu lírico.
Meu eu lírico não se importa. Só se mostra.
Faz tipo de inspiração. A inspiração faz tipo de beleza.
Para alguns raros a inspiração se mostra verdadeiramente. Estupidamente. Sem fazer tipo.
Ela se apresenta descarada. Nasce e rasga entranhas. Provoca choques. Nas entranhas dos outros.
Os engravatados perdem as gravatas. As mulheres perdem as estribeiras. Minha inspiração perde a beleza. Eu perco as entranhas e o texto perde o tipo, o sentido e a rouquidão.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Extremos

Pare coração. Pode parar de bater agora!
Eu podia ter uma ataque cardíaco agora.
Eu queria ter um ataque cardíaco agora.
Eu quero ter uma parada cardíaca agora!
Muitas vezes por dia esse pensamento me ocorre.
Assim, sem explicação. Só com vontade. Muita vontade.
Acho que falta alguma coisa que me prenda à vida.
Se minha mãe lesse isso ela choraria. Com vontade de me esbofetear.
Ela responderia a isso com um tapa que abriria o lado esquerdo de meu lábio inferior.
Mas é isso. É a verdade. Tenho nada que me prenda a vida.
Lógico. Gosto muito de muitas coisas da vida.
Principalmente dos meus pais. Minha cachorra.
Principalmente do teatro, sem o qual eu não consigo mais imaginar uma vida sendo levada.
Minhas amigas queridas.
Mas ainda assim... sobra esse sentimento. De querer abandonar.
Não tem explicação.
Só não fui embora ainda por dó. Por dó de meus pais.
Eles são muito apegados. Mazelas de filha única.
Não sei o que eles fariam sem mim. Não sei o que sobraria deles sem mim.
Eu também não faria ou seria muito sem eles. Mas ainda assim sobreviveria.
É o curso natural da vida. Perder um filho é sempre mais difícil.
Hoje está um dia bonito lá fora. Eu faria uma última caminhada pela cidade que mais amo.
Escolheria um ponto bem bonito e alto para pular.
Ainda assim, torceria para meu coração parar na queda antes do chão chegar. Isso seria indolor.
Mas não sei se mereço o indolor.
Parada cardíaca. Deve ser o jeito mais fácil esse. O coração parando. Uma dor aguda e ...
Morrer deve ser como tirar uma roupa. Como se livrar de um excesso de peso.
Uma vez li em qualquer lugar que morrer seria como ter um último e mais intenso orgasmo.
Não fiquem chocados. Não precisa ficar com dó de mim.
Não estou em depressão nem nada. Minha vida está cada vez mais maravilhosa.
Desejar que o coração pare em um momento desses é até um grande gesto de ingratidão para/com tudo e todos. Uma grande hipocrisia.
É só que sobra essa falta de apego à vida.
Esse sentimento por um instante. Mais forte que tudo.
Enquanto isso, sinto meu peito arfando, meu coração pulando.
Talvez contra minha vontade.
Acho que sou realmente mais fraca que todos. Vejo aqueles diretores de grandes empresas, engravatados. Grandes cobranças por todos os lados. Tentando manter o controle sobre tudo.
Não é fácil estar em seus lugares. Assim como não é fácil ser mãe solteira aos 16, 18 anos.
Assim como não é fácil viver esmolando por qualquer coisa.
E logo eu, que tenho tudo, quero que dentro do peito algo pare de bater, de incomodar.
Giletes, armas, remédios, asfixias... vários métodos descarados, decepcionantes, previsíveis.
Métodos camuflados como beber, fumar, parar de comer, tudo em exagero e escondido.
Mas tenho pais que gostam demais de mim. Eles tentariam impedir todas as vezes, todas as tentativas, todos os métodos.
E daí, assisto um filminho desgraçado chamado "Dançando no Escuro" sobre uma mulher que não tinha nada nem ninguém, mas tinha uma vontade e alegria de viver filha da puta!
Só pode ser uma desequilibrada. Não sou forte como ela. Não consigo imaginar musicais na minha cabeça o dia inteiro. Pra completar ela fica cega!!
E eu aqui. Inteira. Querendo que o coração pare de incomodar dentro do peito.
Querendo tirar férias definitivas do universo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Esses caras...

E mais uma vez ficamos até amanhecer.
Desta vez, ao lado de um pessoalzinho bem engraçado. A noite foi aproveitada devidamente.
Do jeito que merecíamos.
Há algo de magnético naquela praça. Deve haver algum segredo em sua história.
Pois é lá que acontecem as nossas melhores histórias.


Conheci o ilustre Nelson Peres.
Da imaginação ao papel, do palco ao solo, ele se revelou ainda mais interessante e fantástico.
Se é que é possível ele conseguir ser ainda mais maravilhoso.
Pois ele é.
Foi um encontro, um momento mágico. Cheio de surpresas boas para mim.
Eu e a vodka, ele e a pizza. E foi assim que nos conhecemos.
Nossa conversa fluiu enquanto eu tentava conseguir gelo e ele tentava comer a pizza, toda hora interrompido pelo meu falatório, forçado a falar pelo meu inquérito.
Mas sempre muito simpático, receptivo, paciente, adorável. Afinal, aguentar a tietagem de uma garota de 22 anos não é fácil. Gostei tanto que se eu pudesse pagava a ele todas as cervejas do bar até a noite acabar.
Há algo raro nos olhos de Nelson Peres. Ele é raro. Único.
Ser humano fodástico. Especialíssimo.
Com ele a conversa é garantidamente deliciosa. Há vida nele. Sensibilidade do jeito certo.
Ele é daquelas pessoas que só de olhar te passam uma sensação boa.
Estou pra ver nascer outra pessoa assim. Justamente por isso, não posso perdê-lo de vista.
Sexta-feira tem mais de Nelson.
Lá no Maquinaria. Às 21h. "O Capote".
Quem for sábio irá. Até lá Nelson.


Continuando a noite... Estavam eles lá. Dois dos meus meninos.
O ponto de partida e o causador de tudo.
Ambos bem acompanhados. Por pessoas maravilhosas. Aposto!
Uma delas foi embora cedo. A outra eu acabei conhecendo e simpatizando.
Foi uma experiência boa para eu ver que estou bem assim. Que realmente não preciso deles. Apesar de muitas vezes, pelo menos um pouquinho eu querer eles mais.
Mas acho que essa noite me ajudou a superar tudo sobre eles.
Ao ponto de conseguir aceitar o fato de um deles se interessar e beijar minha amiga Kik's, a incrível.
Justo ele. O triste foi que, isso apenas para mim, ele caiu do pedestal de cara no chão. Mas beleza. O engraçado é que eu não esperaria nenhuma atitude diferente do outro menino meu.
Até já imaginei ele aprontando uma dessas.
É essa memória de um coração calejado por decepções. Cultivando cicatrizes.
Apesar desses fatos todos, não senti os cacos de vidro dentro dos sapatos.
Acho que finalmente estou bem. Mesmo sabendo da existência das cicatrizes. Que se fecham lentamente. Estou bem.


Um acontecimento que não pode deixar de ser mencionado é o aparecimento de um certo alguém por lá.
Um alguém desconhecido por mim. Talvez inédito no ambiente. Na praça.
Quem é esse cara?
Quem é esse cara?
Quem era esse cara de beijo bom?
De cheiro bom... carinho bom.
Que me fez acreditar? Que me convenceu a confiar?
Que me deixou a vontade o suficiente para ser sincera?
Quem é esse cara que realmente estava ali? Que parecia prestar atenção?
Quem é ele que quis segurar minha mão?
Quem é esse cara que faz tudo parecer certo?
Que faz tudo acontecer certo?
Que me faz acreditar que vai dar tudo certo...
Mais um príncipe que vai virar sapo?
Espero que não.
Te espero de braços abertos com aquele abraço do tamanho certo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Possibly Maybe: 2nd Act

A noite não prometia nada. Foi simplesmente acontecendo.
Visita à casa nova de um amigo novo. Ele acaba de se mudar. "Tudibom na casa nova!"
Passeios pela cidade com as amigas e a Cassia Eller. Carro grande e macio.
Tentações na cabeça fazendo as falas perderem os freios. Muitas besteiras ditas.
Decisões apressadas. Volta pra casa e sai de casa em busca de novas aventuras e inspirações.
Chega na praça. Ufa. Agora pode relaxar e aproveitar o momento. Uma breja. Horário de partida programado. Essas programações nunca dão certo.
A saideira virou uma saga. Conseguiram contar até a quinta saideira. Depois a breja simplesmente passou a brotar nos copos.
Reencontros. Pessoas queridas. Presenças ilustres.
Tentações na cabeça descontrolando a imaginação.
E justo quando o corpo dela mais sentia falta do seu, você reaparece.
Galanteios. Perguntas que mostravam delicadezas. Velha amizade reconquistada.
Proposta rápida. Ela conhece o papo e se deixa levar mais uma vez.
Caminham de mãos dadas para espantar o frio. Será só o frio?
Pra matar a saudade... sua pele, seu cheiro, seu gosto, seus movimentos ensinando os dela.
A dor se apresenta. Marcando mais um pouquinho. Dilacerando mais um pouquinho.
Ele, como sempre, brando. Lindo.
Um segredo: o corpo dela já sentia falta do seu há algum tempo.
É essa coisa da pele que ela tem só com você. Delícia.
O lugar não é mais desconhecido. A manhã ameaça chegar.
Roupas jogadas mais uma vez. A timidez começa a fugir.
Não olha mais de soslaio. Encara. Ele a encara de volta. Ambos sorriem.
O conforto continua naquela cama. O aconchego continua em seus braços. Num abraço do tamanho certo.
O telefone toca e estraga tudo.
Essa falta de tempo como sempre. Esse excesso de satisfações. Sensação de que precisa ir embora.
Uma vontade maior a impede de sair dali. Há confiança incerta, talvez indevida. É muito cedo e ela não sabe de nada.
Ela só sabe que ele não é mais desconhecido. É querido.
Ainda há medo. De desagradar, de fazer algo errado. Mas agora ela sabe para onde ir.
O dragão interno é novamente acalmado. Quase domesticado por um instante.
O telefone toca novamente. A rua está chamando. A realidade está chamando.
Ainda incompleto, porém bem melhor agora.
As roupas voltam aos corpos rapidamente. Ela precisa ir embora.
Eles ganham as ruas. Ele acende um cigarro para ele, e outro para ela.
Ele ainda não conhece a saudade que seu corpo causa na pele, nas curvas e pensamentos dela.
O corpo dele ainda guarda um segredo dela. O corpo dela continua marcado por ele.
Hoje eles se falam... a história continua.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

The Quidam

Pequenos momentos que nos emprestam alegria... uma música, um beijo inesperado, um café bem forte, um olhar cheio de cumplicidade trocado com um completo estranho, um silêncio todo seu no meio da rua, um ataque de riso, um sussurro, um cigarro... Venenos que invadem nosso cotidiano disfarçados de momentos e se revelam só para nós, enquanto indivíduos... Momentos que só nossos olhos captam... Que transformam a solidão numa dádiva... e viram nostalgia num futuro próximo.

Now I Know

Isso faz sentido agora... mas odeio pensar sobre isso como apenas uma fase.


Fica aqui uma tentativa de eternizar os acontecimentos do ano.


"Enjoy"


i wish: i want to stay here
i wish: this be enough
i wish: i only love you
i wish: simplicity


look at the speed out there
it magnetizes me to it
and i have no fear
i'm only in to this to


enjoy


i wish i'd only look
and didn't have to touch
i wish i'd only smell this
and didn't have to taste


how can i ignore?
this is sex without touching
i'm going to explore
i'm only into this to


"enjoy"


Yeah honey bunny...
I'm only here to enjoy.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Sábado: Nos braços de quem devia...

Foi aniversário dele... do querido Super.
Eu estava lá. Falei com ele mas não dei nenhum abraço.
Não paguei nenhuma bebida.
Eu não sabia.
Isso não é desculpa! Eu deveria ter advinhado.
Se eu soubesse não sei se teria coragem de dar o devido abraço.
Tudo bem, ele já estava bem abraçado nos braços de quem devia. Ver isso me fez bem.
"Os brutos também amam"
Eles se amam e não sabem... ou não querem saber. Não admitem e ignoram o fato.

Por que há tanto medo de amar nesse mundo? Será isso tudo medo de rejeição? De perda?
Será medo de cobrança? De prisão?
Não tenho a resposta e estou bem longe dela.
Mas tenho todos esses mesmos medos.
Como diferenciar as paixões do real amor?
As paixões são muito mais divertidas e interessantes que o amor...
Amor é lindo, porém muito brando.
Prefiro a paixão. Mesmo quando amo.
Por que paixão e amor têm que ser coisas distintas?
E se eu me apaixonar eternamente ou me reapaixonar de tempos em tempos pelo cara que amo?
Isso seria ideal.
E se eu somente amá-lo e nada mais? Posso amá-lo e continuar me apaixonando por outros?
E ter tudo o que quero com outros? Com todos?
Não deve haver explicação sobre nada disso. E ainda assim, através dos séculos muitos insistiram e insistem em tentar entender, tentar explicar, tentar sentir.
Não haverá nunca explicação ou controle.
Talvez no mundo de Aldous Huxley... Mas daí é outra história. Depende de criação, influências do meio, condicionamento do ser humano, liberdade e libertinagem, privação do direito de procriar, etc...
Amor deve ser só sexo camuflado pela vontade de procriar com o parceiro ideal dentro dos padrões de evolução física e intelectual humanas. Afinal de contas, só procriamos porque sentimos prazer, porra!
E muitas vezes, nem procriamos. Optamos apenas pelo prazer. Satisfeitos, voltamos para casa sozinhos.
Só Freud explica... isso faz girar o mundo.

Só sei que ando perdendo esse medo... o medo da entrega, o medo de quebrar a cara, o medo da dor.
Sei que dói... e que vai doer toda vez. Sei que vou acabar sempre sozinha.
Guardando cacos de vidro nos sapatos.
Meus pés não vão cicatrizar nunca. Dificilmente ficarão calejados.
Os cortes geralmente são muito profundos.
Sempre dou a eles o direito de não serem cobrados por nada.
Talvez eles queiram ser cobrados.
Dou a eles toda liberdade. Eles a aproveitam bem demais.
Eu fico aqui. Rendida. Só observando eles se refestelarem na liberdade.
Fico livre também. Cansada de ter muito disso. E sem saber o que fazer com essa liberdade toda.
Com a minha e com a deles.
Me jogo de cabeça todas as vezes. Como não sou Luana Piovani eles nunca esperam minha queda de braços abertos. Raramente estão lá embaixo.
Os cacos de vidro se espalham e passeiam por dentro de minhas roupas.
Meu corpo fica inteirinho cortado.

Depois dos acontecimentos do mês de agosto, descobri que perdi o medo.
Descobri que vou continuar me jogando de cabeça. Me estourando inteira na queda.
Até encontrar algum corajoso que me ampare lá embaixo ou que pule comigo, segurando minha mão.

Em um momento, assisti os dois saindo juntos da praça. Abraçados. Cena rara.
Foi lindo. Tive vontade de fazer uma mágica por eles e por todos os amantes do mundo.
Mas como não sou cupido ou fada...
Ela vai continuar não aprendendo e ele vai continuar se protegendo.

Eu... continuarei cultivando os cacos de vidro dentro dos sapatos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Mini Maratona

Quarta-feira: Mini-maratona pessoal de Teatro em São Paulo.

21h - Teatro Fábrica - Querência
24h - Satyros II - AntiJustine


Fali mais uma vez...
Gastei meus redondos R$ 50,00 em menos de 4 horas.
Sem contar as peripécias no trânsito e as aventuras contra as ampulhetas no caminho.
Saída do trampo: às 19:24h
Chegada na casa da Kik's: às 19:50h
Saída da casa da Kik's (Moema): às 20:16h
Passadinha rápida no Banco.
Parada no Posto. Vários Semáforos. Casa do Mardonis. Paulista (20:50h). Consolação. Achar um estacionamento e parar o carro.
Chegada no Teatro Fábrica (Consolação): às 20:57h
Nesse meio tempo, várias buzinadas no trânsito lento, várias risadas dentro do carro com meu querido amigo. Várias manobras perigosas. Muitos caminhos cortados. Pressa.
Paramos o carro, falamos correndo com o tiozinho do estacionamento. Saímos correndo pela Consolação. Eu de salto, ele me puxando. Bombinha para asmáticos. Compramos ingressos. No more money for me. Ele ainda tinha cheques. Nos prometemos passar no banco após a peça. Ou pedir emprestado em último caso.
Entramos, sentamos, causamos desligando os celulares histéricos. Silêncio.
Num canto, um homem, um violão.
Outro homem. Noutro canto. Facas. Chicote. Manta. Terço. Chapéu. Lenço florido.
A vibração das cordas do violão interrompem o silêncio. O som chama o ator ao palco.
Ele aparece. E de dentro dele saem outros eles. Outros vários eles. O menino, o Avô. O Lobisomem, a Mula. O adestrador de cavalos, o sertanejo arrogante e esbanjador, o Pai, a Mãe e a menina, Vicentina. Vicentina rouba o coração do adestrador, e junto rouba o coração da platéia. Sem precisar sequer mostrar seu rosto. Apenas nas palavras do fabuloso ator. Melhor ainda, nas palavras do texto nas expressões do ator, interpretando o amansador dos potros chucros narrando como é belo seu amor por Vicentina.
Ela vem assim, suave, constituída por nada mais que um lenço florido e um chicote dobrado. Ela ganha vida e sentimento nas mãos daquele ser humano maravilhoso presente em cena.
Ausente de si, mas cheio de personagens e sentimentos.
Uma surpresa na história muda seu rumo completamente. As emoções das personagens no Nelson se confundem com as emoções da platéia. Nós choramos cada vez que ele engole seco e prende os lábios para conter o próprio choro. Cabra macho não derrama lágrimas. Por que ele chora? Se você não assistiu a peça não vou tirar o encanto da história. Até porque o encanto pertence somente a Nelson.
Nós, platéia, acompanhamos a busca do chucro amansador de potros a galope. Viajamos por todo Brasil.
Sofremos sua agonia e ansiedade juntos. Empunhamos seu facão com todas as nossas mãos. Nos unimos em mãos e respiração. Respiramos silenciosamente em coro. Sentimos o sangue e o ódio do traidor.
De tão bem ambientados que fomos por Nelson e pelo texto, sentimos o silêncio, o cheiro do mato, o casebre mal iluminado, o cheiro da pinga, talvez até um grilo ou outro começando a cantar lá fora.
A luz enfraquece gradativamente, a música vai se perdendo. Recobramos a realidade e os sentidos. Ou perdemos os sentidos definitivamente, não sei ao certo.
A luz acende. Aparece um homem com o violão encostado aplaudindo o outro homem no centro do palco. Em pé a platéia faz questão de chover aplausos. Uma nostalgia, misturada com uma alegria, misturada com uma tristeza, misturada com todos os sentimentos de fim da infância nos invade. Dá vontade de ligar pra mãe.
Vontade maior dá de ser amada, assim como foi Vicentina por seu repentista de palavras simples e olhar humilde, ele, o amansador de cavalos mais querido.
Meu coração lembra e chora. Queria eu virar tinta preta, grafite ou carvão e viver dentro desse lindo texto que é "Querência".

Se ficou com vontade de ver Querência agora é uma pena mesmo, porque não tem mais. Ontem foi o último dia. O último dia do texto mais lindo da cidade.
Peguei Nelson Peres nos braços e o deixei no pedestal escondido ao lado de Gero Camilo. Agora meus dois atores favoritos estão juntos e guardados para sempre.

Peças Favoritas: Querência e Aldeotas
Atores Favoritos: Nelson Peres e Gero Camilo.

Fica aqui registrado, caso algum dia eu esqueça das razões que me aproximaram do mundo maravilhoso do teatro. Ou caso alguns homens me machuquem fazendo com que eu me afaste.

Quanto ao AntiJustine, lógico que y estava lá, e lógico que ele perguntou das outras. Se referindo às adoradas amigas. Nunca é de mim. Ele simplesmente não se interessa. Muito fácil?
"- Nenhum deles quer saber de mim."
E eu, mais uma vez, senti os cacos de vidro dentro de meus sapatos. Muitos cacos de vidro.
Graças à vida, eu estava amparada por dois grandes amigos. Um deles rebateu à pergunta do mocinho-bandido com um comentário surpresa.
Ele fez uma cara de sei lá o que... meio que de curioso misturado com medo misturado com loucura. Aquelas caras dele. Mas no fundo ele não liga!
Pra essa peça eu já não tinha um puto no bolso. Meu amigo tinha cheques. Muitos cheques que salvaram nossa noite e forraram nosso estômago. E gelaram nossa cabeça com Serra Malte... delícia.


Momento alto da noite: Eu e meu querido amigo. Comendo e bebendo. Aparece meu ser humano favorito, o Super.
No clima do PPP, ele troca olhares, cumprimenta com aquele quase sorriso misterioso que eu gosto muito. Faz brincadeiras com o garçom e abre espaço para uma gostosa conversa enquanto bate um big sanduba. Presença ilustre e rápida no recinto. A melhor presença. Ele nos conta suas peripécias de bebum. Rimos todos. Tenho vontade de lhe fazer um carinho. Meu carinho fica no olhar. Não sei o que ele faria se eu o tocasse espontaneamente. Talvez nada. Talvez me rejeitasse com o olhar de mau que ele sabe fazer muito bem. Eu não suportaria ser rejeitada por ele. Por ele não!
Mas ontem foi tudo bem. Ele estava conversando com um de seus amigos caricatos. Eu me aproximei intrometida que só e ganhei um carinho na cabeça. Ponto alto da noite. Depois disso qualquer um poderia me rejeitar aquela noite. Eu já tinha conquistado o cuidado da pessoa mais especial da área.
"- Super, você precisa de repouso. Mas entendo sua alma inquieta. Tenho nas veias e na alma o mesmo mal, o mesmo bem. Super heróis se recuperam quando se atiram dos precipícios. Eu estarei lá embaixo esperando de braços abertos."


Às amigas maravilhosas que não me viram chegando ou saindo: Agradeço a acolhida em seu lar...

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Balanço do mês

Nenhuma novidade nesse último mês.
Não conheci ninguém que me convencesse... não cedi.
Gostei de um cara... sem futuro total.
Assisti as peças 120 dias de Sodoma, Roxo e Solidores.
Bebi até falir.
Fui até o underground para ouvir um Blues de caras que sabem o que estão fazendo.
Destruí minha imagem na Praça Roosevelt.
Reconstruí outra de mim.
Passeei em lembranças... e carências.
Escrevi TCC.
Criei uma outra pessoa.
Mais desbocada, mais livre, mais sensível.
E criei também uma outra, toda louca e cheia de traumas.
Trabalhei até ficar doente.
Gostei até ficar doente.
Ouvi até ficar doente.
Falei até ficar sem voz.
Observei até embaçar a imagem.
Guardei até quase explodir.
Senti até perder a pele.
Respirei até ficar asmática.
Bebi até me afogar.
Degustei até queimar a lingua.Dancei até quebrar os pés.
Sofri até perder o som.
Toquei até não sentir mais.
Andei até rasgar as solas.
Amei até ficar solta na amplidão. Sozinha na amplidão.
Caminhei até fazer buraco no chão.
No chão... te encontrei de chapéu na mão.
De chapéu e chicote na mão.
Te encontrei... me perdi em sua direção.

Hoje...

Hoje é um daqueles dias em que eu poderia tomar vários Lexotans para não acordar nunca mais...
Minha garganta dói. Meu ouvido dói. Meu pescoço dói. Minha cabeça dói.
Não consigo falar. Não consigo respirar. Não consigo pensar.
Não tenho paciência para as pessoas. Não tenho forças para um sorriso.
Não quero me mexer nunca mais...
Estou cansada do trampo. Estou cansada desse abuso. Cansada desse absurdo.
Cansada do escuro e do claro.
Hoje tudo o que eu queria era sentar sozinha no meio da neve, vestindo um sobretudo vermelho.
Lendo um Bucowsky.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Impressões na madrugada de sexta

Alterada.
Ao som de um belo Blues na voz de Super MB.
Em uma das mãos dele o microfone, na outra uma garrafa de qualquer coisa que o fizesse entrar no clima.
Como sempre, naquele jeito doce e tranquilo que poucos sabem que ele tem.
O som da Fabrica de Animais eu curti diferente. Vendo a interpretação fudida da Fernanda D'Umbra. Sentindo o som. Pensando as letras. Assimilando o clima. Uns vocais du caralho!
O som do Tempo Instável me induziu instável e eu só queria saber da cerveja gelada na cabeça, do mundo nas mãos, do gato ao redor e de dançar como eu bem quisesse. Até deixei de lembrar que os sapatos de salto alto e bico fino castigavam meus pés.
A promessa de uma sinuca que nunca foi paga.
O cara dizendo que meu perfume era maravilhoso.
A amiga sociabilizando no meio da galera.
O som solto na atmosfera.
Num lugar que me conquistou, ao lado das pessoas mais interessantes de sampa.
Não saio dessa terra nunca mais. Nascida aqui, vou morrer aqui.
No centro, no miolo da cidade e dos acontecimentos. Vou consumir esse lugar e deixar que esse lugar me consuma.
Desde que haja sempre um bom blues dançando no ar...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Blah! Passou essa fase criança, né...


Pssssiuuu! Shhhhh...
Não chora... Por favor, não chora.
Vai passar. Isso que você está sentindo vai passar.
Dói um tempo, mas passa.
Não chora, vai... Eu não sei o que fazer quando você está chorando... me perco.
Se é colo o que você quer eu te dou. Sem maldade, só carinho.
Tá bom, se você quer um pouco de malícia posso te dar também. Mas vê se não abusa, tá?
Agora me pega um pouquinho no colo também? Me abraça até o mundo desaparecer ao nosso redor...
Não tenho medo de mendingar amor... Você tem? Então não sabe o que está perdendo.
Quem tem boca vai a Roma... não é assim que funciona?
Eu sei que é feio pedir amor... é mostrar fraqueza, fragilidade. Isso é proibido. Eles não gostam.
Nunca gostam.
Prometo ir até onde o vento faz a curva para buscar algo que te anime. Prometo lhe ensinar a levitar antes de lhe ensinar a andar.
Prometo não soltar sua mão. E quando estivermos à beira do abismo, prometo pular primeiro.
Prometo te molhar com a mangueira quando estiver lavando o carro.
Prometo fazer brigadeiro, nas tardes tediosas de domingo.
Prometo tentar virar as panquecas no ar. Prometo raspar meu cabelo todinho, se você pedir.
Prometo realizar suas fantasias mais podres... Te ajudar a superar cada bloqueio.
Mas, por favor, não chora assim. Não me deixe assim.
Prometo transformar suas lágrimas em diamantes. Desvendar os segredos da esfinge, só para te fazer mais feliz.
Quero ter os braços prontos para você, no tamanho certo, sem a angústia da falta de espaço.
Essa nossa ingenuidade nos protege.
Agora chega... sai daqui!
Vou embora. Não me deixe ir. Por favor, não me deixe ir.
Me arrasto até a porta, só pra dar tempo de você vir correndo me segurar pelo braço.
Nada. Nem um movimento, nem um sussurro, nem um suspiro.
Sua falta de cuidados está me dando solidão de presente.
9º andar. Encostada na porta vejo a janela aberta. Dez passos. Apenas dez passo pra dar cabo de todas preocupações mundanas.
Não penso. Simplesmente corro e pulo. Abraço o ar. Recebo o fim de braços abertos, com um sorriso igualmente aberto. Liberdade em queda livre.
Corre até a janela e sem conseguir respirar olha lá embaixo. Nada. Por dentro apenas o velho vazio conhecido. Nele, no alto. Nela, no chão. Perplexidade. No reaction.
Olhe só meu bem, você finalmente parou de chorar.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

9

Ah finalmente descobri que posso muito bem ir além dos cem anos, bem antes de chegar aos 25.

Nove idades para nove planetas. Nove planetas para nove signos. Nove signos para nove idades...

Em Mercúrio tenho hoje 95 anos e sou de sagitário... cavalgo estrelas.
Em Venus, no alto de meus 37 anos ganho toda a sensualidade da própria deusa que dá nome ao planeta e sou de peixes...
Na Terra, nada novo sob o sol, os mesmos 22.8 anos, que se completam 23 no próximo solstício.
Em Marte sou criança de apenas 12 anos e brinco pelo planetinha como ariana.
Em Jupiter mal aprendi a andar e sequer sei falar... completo 2 anos em 22 de julho.
Saturno e Urano me seguram como um bebê, nem um ano tenho ainda... mas tenho os ímpetos de escorpião e áries comigo.
Em Netuno e Plutão mal cheguei ao universo, nas formas de leão e gêmeos, com dias incompletos.
A idade, os signos, o aniversário, que ganham tanta mágica com o horóscopo, que podem parecer às vezes tão especiais, são mera marcação cronológica. Será que se morássemos em Mercúrio, e não tostássemos com a proximidade do sol, envelheceríamos mais rapidamente? Será que em Jupiter, nossos sonos de beleza funcionariam melhor?
É melhor mesmo crer que nosso envelhecimento independe do tempo, terrestre ou sideral, mas sim da quantidade de alegria amarradas às nossas mentes por estarmos presentes aqui, vivos...

Sua idade em todos os planetas.
http://www.minerva.uevora.pt/ticiencia/estrelas/idade_noutros_planetas.htm

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Um degrau acima

Pois é Freud... mais uma vez o lixo da ciência comprovando que as crises sociais e sentimentais do lixo humano não passam de impulsos biológicos e químicos... Proteção e perpetuação da espécie... é isso aí.

Mas, ainda assim, é estranho os seres humanos serem tão diferentes uns dos outros. Se o objetivo é a perpetuação da espécie com os melhores (subentende-se mais belos) por que não há só Brad Pitts e Angelinas Jolies no mundo?

Se é assim, vai continuar mesmo essa eterna luta pela disseminação de esperma masculino e competição pelos melhores “machos” por parte das mulheres.
Sempre em busca dos mais belos e interessantes... sempre com medo da traição, sempre com medo daquele que for mais bonito(a).
Daí, aqueles que não conseguem disseminar suas sementes mágicas, ou aquelas que não são bem comidas por um gatíssimo, tem crises existenciais e depressão por se julgarem incapazes e feios(as) demais para arranjar um par romântico.
Chegando a crer que tudo que eles realmente precisam é um par romântico, achando que tanto a vida como a felicidade são constituídas por romance, por filhos, por ter alguém do lado para envelhecer junto, ou por ter dinheiro para conseguir demonstrar poder e finalmente conseguir tudo isso (o romance, os filhos, o casamento, principalmente o sexo)...
Quando na verdade, meus jovens, é tudo pura necessidade biológica de perpetuação da espécie... a vontade de sexo, a carência, o medo da solidão, a baixa auto-estima, a vontade de casar, as paixões, o tesão e até o amor... é tudo fruto de impulsos nervosos, necessidades biológicas, químicas, instintivas corporais e primitivas de perpetuação da espécie.
Eis que é daí que vem o medo e o interesse pelos bonitinhos de plantão, surge também daí o pavor da traição... As crises de “ele não me ama”... “porque ele não olha pra mim?”... “O que será que ela tem que eu não tenho”... “essa minha amiga é muito bonita, não vou apresentá-la para meu namorado”...
É Freud, você tinha razão... todas as paixões e motivações humanas são geradas pelo simples ato e impulso primitivo do sexo.
Só os inteligentes sobrevivem ao caos da humanidade... Ghandi era gênio. Madona é sabedoria. Demasiadamente humana só Madre Teresa de Calcutá.

“NOVA YORK (Reuters) - Quem não acredita em amor à primeira vista vai pensar melhor depois de conhecer uma nova pesquisa, segundo a qual as pessoas levam meio segundo para decidir se acham outra pessoa bonita e se a consideram como um possível parceiro. 'O estudo chega aos aspectos perceptivos básicos na busca de parceiros', disse o psicólogo Jon Maner, da Universidade Estadual da Flórida, que chefiou a pesquisa. 'Ele mostra o quão rapidamente, fortemente e automaticamente as pessoas ficam sintonizadas com a atratividade física, seja procurando parceiros ou guardando seus parceiros de potenciais rivais', disse ele em entrevista.
Os autores do estudo publicado na revista Journal of Personality and Social Psychology descobriram que as pessoas tendem a se fixar em rostos atrativos até meio segundo depois de vê-las, e então as qualificam como possíveis parceiros ou rivais.
No estudo, alunos universitários viam durante 1 segundo fotos de pessoas muito atraentes ou de aparência mediana, e então tinham de olhar para outras coisas. Ao medir o tempo de reação das pessoas, Maner e sua equipe conseguiram determinar que basta meio segundo para aferir se alguém é atraente. Além disso, as pessoas tendiam a se fixar nos rostos atraentes por meio segundo a mais além do limite de 1 segundo.
Já as pessoas envolvidas em um relacionamento afetivo pareciam, ao ver as fotos, mais interessadas nas pessoas do mesmo gênero. '[Em relação às pessoas mais bonitas] nós temos ciúmes e ficamos vigilantes, preocupando-nos com a infidelidade ao tentarmos guardar nossos parceiros', explicou Maner.
O estudo também mostrou as armadilhas da fixação visual, inclusive os efeitos negativos para a auto-estima quando se olha uma pessoa atraente do mesmo sexo. Segundo Maner, essa negatividade pode estar ligada a distúrbios como a bulimia.
Outro inconveniente é que as pessoas se tornam menos satisfeitas com suas atuais relações. 'A evidência nos mostra que quando vemos alternativas atraentes aos nossos parceiros isso nos faz sentir menos satisfeitos e menos comprometidos com o nosso atual parceiro, o que claramente tem implicações para o sucesso da relação.”
Os universitários solteiros em geral se interessavam pelo sexo oposto. '[As muito atraentes] são o tipo de pessoa que podemos preferir como parceiros românticos, mas não significa que seríamos capazes de ter um relacionamento com elas, porque pessoas altamente atraentes são muito disputadas', disse Maner.
Já as pessoas envolvidas em um relacionamento afetivo pareciam, ao ver as fotos, mais interessadas nas pessoas do mesmo gênero. '[Em relação às pessoas mais bonitas] nós temos ciúmes e ficamos vigilantes, preocupando-nos com a infidelidade ao tentarmos guardar nossos parceiros', explicou Maner.
O estudo também mostrou as armadilhas da fixação visual, inclusive os efeitos negativos para a auto-estima quando se olha uma pessoa atraente do mesmo sexo. Segundo Maner, essa negatividade pode estar ligada a distúrbios como a bulimia.
Outro inconveniente é que as pessoas se tornam menos satisfeitas com suas atuais relações. 'A evidência nos mostra que quando vemos alternativas atraentes aos nossos parceiros isso nos faz sentir menos satisfeitos e menos comprometidos com o nosso atual parceiro, o que claramente tem implicações para o sucesso da relação.”

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Possibly maybe

Roubada...
Rasgada...
Dilacerada...
Cortada...
Machucada...
Usada...
Observada...
Experimentada...
Preenchida...
Apreciada...

Mas nada disso contra a vontade.
Um lugar desconhecido. Amanhecendo.
Roupas jogadas. A timidez arrancada a força.
Vergonha impede de olhar para o lado.
Olha de soslaio. Gosta do que vê.
Conforto em uma cama que não é a sua.
Aconchegada em um calor que não é o seu.
Sensação de que precisa ir embora.
Uma vontade maior a impede de sair dali.
Depreparadamente preparada para tudo que está ali.
Adorando estar ali. Encontra confiança no desconhecido.
Naquele momento ele é perfeito. Para ela isso não faz diferença.
Ele é calmo e doce. Delicioso. Brando.
Medo de desagradar. De não saber o que fazer. De não saber pra onde ir.
Medo de sair dali. Ali ela encontrou algo que acalma o dragão interno.
Morde o queixo dele. Tentando mostrar a ele a dor que ele causou.
Ele é fraco demais para isso.
Sente pena. Se arrepende. Ele não merece dor.
Não depois do modo como agiu. Agiu certo.
Ela age errado e, não dando ouvidos ao "descanse um pouco" dito de forma errada,
veste sua alma de preocupações. Quer deixá-lo em paz. Sente pena por não realizá-lo de forma plena.
Veste sua bolsa, leva as roupas a tiracolo e parte. Perturbando o sono dele para que ele possa dormir em paz.
Ela sente saudades dele até hoje. Ele não sabe. Nem ligaria.
O corpo dele guarda um segredo do corpo dela. O corpo dela está marcado pra sempre pelo dele.
Eles quase não se falam hoje. Mas ele estará para sempre na história dela.

Possibly maybe...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

"Na tensão dos mínimos movimentos"

Fiquei meio triste mas estou melhorando. Algo entre sábado às 6 horas da manhã e o atual instante me fez feliz.

Domingo fui assistir a peça ROXO, no Satyros, na mesma praça de sempre. É lá que me sinto em casa... até solto os cabelos. Gostei bastante. Assistiria de novo, pois o texto do Jon Fosse é foda! Parecem fragmentos de diálogos... todos os pensamentos, dúvidas e incertezas ficam retidos nos olhares... na tensão dos mínimos movimentos...
Ele trata os sentimentos de maneira muito incisiva. É um texto bastante delicado. Fiquei muito comovida, fui a única... o objetivo deles era causar estranheza. Tenho a impressão de que só eu entendi os problemas das personagens. Isso não é verdade. A verdade é que fiquei muito comovida. Só não chorei porque tenho vergonha. Pra tentar manter a velha imagem de força e indiferença, ou de superioridade. Mas na verdade estava pisando em cacos de vidro.

Muitas vezes me sinto como uma personagem. Uma marionete do destino, do acaso, da vida, das circunstâncias... do que for que se encarrega de girar o mundo. Se eu fosse uma personagem eu seria de Jon Fosse.
Me deixei envolver pela peça. Me deixei envolver pelo teatro. Pelos atores. Toda minha atenção e pensamentos estavam ali com eles. Isso é raro.
Em um certo momento, o cara chora, de costas para nós. Humilhado, sozinho, sem amigos, sem garota, sem avó nem mãe pra dar colo. Eu chorei junto com ele. Mas ninguém viu. Porque ninguém nunca vê. Porque alguns até sentiram ódio dele. Mas eu senti ele. Ela sentiu também. E levou ele embora.

Mesmo acompanhada, recebi a atenção desejada. Indevidamente, mas recebi. Desculpe se eu estava chata ou introspectiva, o problema é que penso demais. Um dia você também vai notar e me falar isso.

Continuarei indo pra casa num estado meio alterado até encontrar alguém que queira cuidar de mim.

Vai perder uma boa parte dos cachinhos... gritei em pensamento NÃO!
Momentos de silêncio... não disfarça não, eu vi você olhando...
Rouba um gole da minha cerveja... não precisa pedir, é só roubar. Gosto muito.
E mais uma vez... ali na mesa do bar, senti que gosto dele. Que não posso, mas que gosto.

Foi isso. Daí tomei bronca do meu pai, por chegar em casa meia noite no domingo... Assim não dá! Não sou mais criança. Será que as pessoas ao meu redor não entendem que as horas não funcionam comigo?

Hoje eu casaria com você. Ou com qualquer um que me prometesse algo diferente. Apenas para não ter mais horas...

É isso.

domingo, 16 de setembro de 2007

Desencantando

Foi simples assim.
Ele e ela. Ela que era o quarto elemento se tornou o primeiro.
Logo ali. Um no outro e o outro no um. Bem ali na minha frente.
Eu que acreditava que amava descobri que não estava enganada.
O lance do amor é mudar o foco. "O amor é sempre o mesmo, o que muda é o objeto amado". Só eu tenho esse poder sobre meus sentimentos. Nada mais vai ajudar.
Será sempre assim.
Desencantando aos poucos. Até encontrar um novo feiticeiro.

Ainda assim a noite foi ótima. Nunca vou estragar minha noite por causa deles.
Por enquanto, diversão vem em primeiro lugar.

Que venha o próximo feiticeiro!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Sexta será...

Minha noite não promete nada.
Minha tarde será constituída por encerrar o expediente.
Ir ao salão dar um jeito nas unhas, para que um dia elas fiquem tão afiadas como as de uma gata boêmia.
Fazer a gênese de “Miss Fipps”. Estudar alemão.
Passar no sex shop e fazer umas comprinhas para o chá-lingerie de uma amiga.
Curtir o paizão que chega hoje de viagem.
Selecionar trilha sonora de guerra, medo, sofrimento e solidão.
Pensar na solução da sinuca de bico da viagem à Europa no próximo ano.
Hoje tudo o que eu queria era jogar cerveja tomando uma sinuca.

“Já usou copos de vidro como caçapa e caçapas como cinzeiro?”
Edu... esse cara sempre me traz boas surpresas.

Du, se nossa viagem juntos der certo, prepare a máquina. Para cada foto sua, um texto meu será elaborado. Vamos bolar nosso “Memorial do Andarilho”. Se nossas fotos e textos fizerem sucesso num livro, viveremos assim, viajando, fotografando e escrevendo juntos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Não... não sou hipócrita o suficiente para dizer que amo meu país. Porque não amo, ué.
Sim, gosto bastante daqui. Boas histórias. Lugarzinho interessante. Bons teatros.
Um pessoalzinho intelectualóide que só porque leu uma coisa ou outra de Bucowsky e conhece um pouquinho dos beatniks, acredita que vive fora da sociedade...que é mais inteligente, underground e superior.
Aff...
Mas a vida é assim, andamos buscando desculpas pra nos convencer de que somos melhores. Pelo menos um pouquinho.
Mas somos todos ratos sujos... do planalto às praças.
Todos queremos dinheiro, bebida, luxo e sexo. Uma coisa sempre leva a outra.
Não se esqueçam que a vida dos insetos é curta. Basta um dedo invocado para acabar com o banquete.

Meu amor, pra ser sincera...

Engraçado como algumas músicas podem traduzir nossos sentimentos e momentos incisivamente...

"Pra ser sincero eu não espero de você
Mais do que educação,
Beijo sem paixão,
Crime sem castigo,
Aperto de mãos,
Apenas bons amigos...

Pra ser sincero eu não espero que você
Minta
Não se sinta capaz de enganar
Quem não engana a si mesmo
Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.

Pra ser sincero eu não espero de você
Mais do que educação,
Beijo sem paixão,
Crimes sem castigo,
Aperto de mãos,
Apenas bons amigos...

Pra ser sincero não espero que você
Me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma ao diabo
Um dia desses
Num desses encontros casuais
Talvez a gente se encontre
Talvez a gente encontre explicação
Um dia desses
Num desses encontros casuais
Talvez eu diga, minha amiga,
Pra ser sincero, prazer em vê-la
Até mais... (até mais)

Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos."

Engenheiros do Hawaii
Pra Ser Sincero (Humberto Gessinger)

Ando tão musical hoje...
"There must be a reason for all the looks we gave
And all the things we never said before"

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Ok. Basta.

Entrei no orkut dele. Lá vi uma outra ela. Um quarto elemento em nossa história.
Realmente, nossa história não é nossa. Nem minha, nem dele. É da galera. Se é da galera, então é uma história a dois que nunca existiu.
Isso desconfigura qualquer história a dois.

Mas o que estou querendo? Nunca fomos dois... menos ainda só nós dois.

Ela, o quarto elemento, é linda... digna do mundo que o rodeia. Sim beleza é fundamental nesse mundo. Pelo menos vai levantar a moral e auto-estima dele.
Pior, ela também é de escorpião.

Ele só não sabe que está gostando do escorpião errado.

Eu estou amannndooo o ariano errado. Foda-se! Todos arianos são errados. Para as questões sentimentais são sim.

Então Fernanda D'Umbra. Sou mais uma tonta que não aprende. Estou amaaanndo. Mas logo passa.

Vou começar a mudar meu foco para os virginianos.

Deu certo com Lirinha.
Sonho estranho essa noite.
Sonhei que a Bárbara Paz me dava conselhos sexuais... (!)
Depois eu ficava presa dentro do box do banheiro. Sentada em um banquinho de plástico.

Alguém aí sabe interpretar sonhos?

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Burrecência

Não posso mais...
Ando lendo um blogs legais. Umas pessoas super pensantes. Acho que vou desistir do meu blog.
Meus pensamentos são nada, são frios, são inocentes demais, burros demais... sentimentais demais (!).
Nem quando tenho inspirações consigo produzir algo verdadeiramente belo.
Não consigo falar sobre nada relevante... preciso me antenar mais. Eu queria falar sobre política, sobre o caos, sobre o mundo... mas sempre que encosto os dedos nas teclas... acontece isso. Esse vômito sentimental.
Daí coloco todas essas aflições adolescentes, fora de época, pra fora. E não me sinto melhor.
Só lixo. Sou lixo.
"Nem pra escrever direito Fernanda?! Porra, meu!"
Mais um lado de minha vida que acabarei desistindo...
Desculpe-me Alice. Você não é tão fácil quanto parece.
Preciso de algo mais concreto. Inspirações palpáveis.
Minhas inspirações são como coitos interrompidos. Começam deliciosas, mas no momento do ápice, da explosão, perco a fonte. Nada desenrola, apenas degringola. Trava.
Me perco em pensamentos e saudades. Preciso de algo mais próximo.
Preciso de você, meu lindo, mais próximo. Viver algo com você. Sentir você.
O tempo todo vivo através de estímulos. Parece que nenhuma destas sensações é minha verdadeiramente. Vivo através dos outros. Porque a vida não acontece comigo.
Vira tudo essa masturbação intelectual e sentimental... nunca há gozo.
Eu queria muito viver de escrever, mas desse jeito dá medo de largar tudo por essa paixão, e ela também acabar me deixando.
Estou vivendo do lado de fora, enquando as ampulhetas se camuflam, levando embora todo meu tempo.
Meu pescoço continua doendo muito. E eu só consigo lembrar de você me olhando e disfarçando a preocupação momentânea. Aquele segundo de preocupação é tudo, relacionado a você, que me pertence.
Por favor, vem me fazer um carinho. Preciso do seu toque. Cansei dessa sua ausência. Vem logo, nem que seja só pra bagunçar meu cabelo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Eu não aguento. Eu não aguento!!!
Até minhas amigas acreditavam que eu estava de boa. Forte. Sossegada, bem-resolvida, tranquila.
Mas a fé delas em mim foi que me deu um pouquinho de forças...
Mas não é verdade... a verdade é que eu não aguento.
Não estou assim tão de boa. Estou de bem, mas não de boa.
Está começando a doer... ainda mais quando eu começo a descobrir que ela ainda gosta dele. E que ele ainda pensa nela.
Ela diz que dói. Mas dói mais em mim. Ela tem todas as chances e vínculos do mundo com ele, apesar de negar. Eu não tenho nada. Realmente, nada a oferecer. Nem a fama, nem o luxo, nem o lixo.
Eu estava sossegada... na minha. Por que que ele veio me perturbar? Por que eu me deixei encantar?
Ele nem era meu objetivo no momento. Mas ele veio, bem de mansinho, cheio de molecagens.
Ele não tinha esse direito! Não mesmo! E ele nem é tão moleque para agir assim!!!
Não é justo. Ela é mais velha do que eu. Ela deveria estar estabilizada, podia até ser com ele mesmo! Assim ele nunca me perturbaria. Eu não sofreria.
Não é justo! Eu sou tão nova...
Existe idade para sofrer por amor?
Amor... uma palava forte essa, né? Vocês devem estar pensando que eu nem deveria usá-la. É tão recente Fernanda, como você pode achar que já está amaaannnndoo? Como disse o Leo: "Eu te amo não é bom dia".
Pois estou! E ninguém no mundo ama como eu. Com a mesma sensibilidade ou intensidade! Ninguém! Tenho certeza disso...
Tenho certeza. Mas não vou falar pra ele. Só pra ser rejeitada de novo, na cabeça dele isso viraria até motivo para deboche. Se ele um dia ler isso aqui e desconfiar... ele vai sumir pra sempre.
Entendeu? Leia meu querido: "Prometo nunca dizer que te amo. Pode perder o medo e ficar sossegado. Prometo nunca ficar no seu pé, nunca te controlar, nunca te cobrar, nunca demonstrar ciúme. E se você assim o quiser, prometo não mais te olhar". Ficamos combinados, então? Olhe que já comecei a não mais te olhar... por favor, não suma.
Estou tão cansada de amar sozinha. Ai, como isso ficou brega. Mas o amor é assim ué... brega!
Sei que ele tem os bloqueios dele também... ele não se entrega, nem a mim, nem a ela.
Mas eu não aguento... sou muito nova... e já estou com os sentimentos calejados...
Não é justo comigo nem com ela. Como ele pode ter tanto amor assim de duas pessoas e nós duas sem amor nenhum dele. Se pelo menos ele fosse mais direto.
Posso estar enganada... ele pode ser um outro ariano. Aquele lá dela. Talvez uma grande coincidência. Sei lá.
Por mais que eu acredite e goste de coincidências, seria uma coincidência grande demais...
Eu estava muito bem até ele aparecer. Ou até eles aparecerem.
Eu vi os dois conversando numa mesa de bar. Não ele e ela, mas ele e ele. Situação desconcertante. Bem ali, como amigos, conversando amenidades. Bem ali, os dois, me olhando. Eu fantasiando aqui imagens, sons e críticas.
Pior ainda, num dia anterior ouvi o nome dela saindo da boca dele... Ele dizia algo como: "é porque ela é assim mesmo" ou "ela faz isso porque ela é assim mesmo".
Me deu uma vontade de sair correndo e ir contar tudo pra ela. Que eu gosto dele, que ele pensa nela, que eles deveriam ficar juntos, que eles deveriam deixar o orgulho de lado e se resolver juntos... ela disse que precisa dele, eu também. Ele precisa dela. E eu preciso dos dois juntos, pra me conformar e parar de sofrer. Pra ver ele parar de sofrer. Não aguento sofrer... pior ainda se quem sofrer for ele.
Não tenho raiva, nem ciúme, nem nada dela. Esse é meu problema. Quando gosto de alguém, gosto de tudo que envolve aquela pessoa, da atmosfera aos segredos e defeitos. Como ela faz parte dele, da história dele, acabo gostando dela também. Quero vê-la bem... feliz... ao lado dele ou não. Como ela quiser.
Mas quero vê-lo feliz... só assim posso ser feliz.
Tsc! Por que ele resolveu um dia falar comigo?! Que merda!
Sou nova... para alguns talvez na idade, talvez nas experiências... Mas nos sentimentos já estou virando pó.
Meu coração já completou bodas e bodas... bodas de solidão.
Uma amiga minha diria... pelo menos ele foi sincero do começo ao fim... foi amigo. Foi "de boa".
Mas quem disse que eu estava procurando um amigo?
Preciso dizer para ele: - Desculpe, você escolheu meu momento mais carente para aparecer... quando você se aproxima de alguém, mostra interesses, fala certas coisas, age com detalhes, você corre o risco de cativar a pessoa ou de, pior ainda, dessa pessoa se apegar a você. Agora arque com as consequência... Por favor, seja digno ou no mínimo sensato.
Minha sensibilidade aos homens dói. Entendo quando ela diz que "dói aqui, ó".
Mas se ele não quer por que ainda me olha curioso quando estou preocupada com a dor no pescoço? Por que me abraça com espontaneidade e bagunça meu cabelo?
"Ai Fernanda, assim também o menino não vai poder fazer mais nada que você vai achar que é relacionado a você..." ou então "ele não pode nem querer ser seu amigo e agir naturalmente, coitado..."
"Se situa garota! Esses seus pensamentos são formas camufladas de cobranças"
Odeio cobranças...
Sei lá só queria desabafar.
Obrigada.
P.S.: Espero que o super MB venha me salvar com seu poço de delicadezas... às vezes eu acho que ele é o único além da Alice que me entende... que me capta. Te amo Super MB.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Para todos os lados errados

Só aumenta. Só aumenta!
Essa carência filha da puta só aumenta.
Assim como meu cabelo só aumenta, para todos os lados errados.
Isso não era comum. Eu não estava acostumada a esse tipo de sentimento. Não consigo me habituar. E olha que nunca tive problemas com isso. Nunca fui assim...
Mas de um mês pra cá o sentimento só faz aumentar... e judiar.
Pra que existe a carência? Sentimento composto por sensações das mais estúpidas e desnecessárias. Assim como o ciúme.
Graças a Deus não sinto o segundo.
A carência, pelo menos a minha, é como que um vazio, uma ausência inexplicável, indomável, que acelera os batimentos cardíacos, até eu achar que terei um colapso, isso tudo mesmo sem fazer um movimentozinho, daí de repente o coração cala, quase pára de bater, o silêncio chega a doer. Vazio.
O vazio dói, a cabeça acelera. Mil pensamentos de uma vez só. Mais uma vez chego a acreditar que terei um colapso, um aneurisma. Tudo some, pára repentinamente, fico vazia de tudo novamente, na cabeça e no coração.
Não sinto. Quase não existo. Nesse momento estar viva ou morta não faria a menor diferença. Eu nem saberia distinguir, pra ser sincera.
Não consigo me mecher, tenho preguiça do mundo. Vontade de esvanecer sem dar satisfações, sem avisar. Dormir pra sempre.
Uma sensação aparece... um sentimento sozinho, a carência. E tudo recomeça. Os batimentos, os mil pensamentos, o vazio e a depressão.
Hoje foi assim, meu dia inteiro.
Quero sair, mas não consigo. Quero meus amigos, mas não os encontro.
Nem escolher uma roupa consigo, pois sei ou tenho a sensação de que qualquer uma me deixará horrível... Pra ajudar, faz calor. E eu só consigo pensar que estou gorda. Quando faz calor e eu estou gorda não consigo usar pouco pano. Por isso gosto do inverno, consigo me esconder melhor. Camuflo meus defeitos. Com calor até a maquiagem borra.
Mas ainda assim, preciso passar por cima de tudo isso. Me convencer de que sou uma mulher razoavelmente atraente e de que tudo dará certo no fim da noite, mesmo tendo que voltar pra minha cama e dormir no quarto ao lado do quarto de meus pais, sozinha.
Sozinha não. Eu e a carência.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Blues...

Quem quiser me encontrar hoje nessa cidade... Sairei em busca de um blues.

Porque hoje é dia de blues com o multifuncional Mario Bortolotto... seguem abaixo as palavras do inusitado vocalista:
“Tempo Instável é : Mário Bortolotto (Voz) / Marcello Amalfi (guitarra) / Noa Stroeter (baixo) / Fernando Manoel (Teclados) e Conrado Maia (Bateria) E a bagaça é grátis. É só passar na bilheteria e pegar o ingresso. Amanhã é feriado. Ninguém tem desculpa pra não aparecer e não encher a cara com a gente depois do show. Afinal você vai acordar cedo pra que? Pra ver o desfile de 7 de Setembro?”
“Participações : Paulão (Velhas Virgens), Paulo "Picanha" de Tharso, Fábio Brum e Fernanda D´Umbra.
E às 23h Flávio Vajman vai abrir o Juke Joint (Rua Frei Caneca, 304) pra encerrar a noite tocando com sua banda "Fábrica de Animais". E tudo deve virar uma grande jam com toda a rapaziada que aparecer.
Nesse você paga a exorbitante quantia de R$ 1,00.
Fábrica de Animais é : Fernanda D´Umbra (voz) / Sérgio Arara (guitarra) / Leo Costa (contra-baixo) / Cris Miranda (Bateria) e Flávio Vajman (gaita, guitarra e acordeon)”

Simplesmente, porque o blues alimenta esse meu estado de espírito tão decadente, elegante e boêmio pré feriado...

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Dentro

É... falando em clichês, estou cansada de estar sozinha.
Estou cansada de estar sozinha e de estar a procura...
Estou cansada de ter que procurar...
Estou cansada de ter que voltar sozinha pra casa.
Estou cansada de a lua ser a única a me olhar durante a noite.
Estou cansada de não conhecer muitas coisas há tanto tempo ditas e feitas...
Estou cansada da falta de tato deles.
Cansada da ausência de carinhos deles...
Cansada dessa insensatez.
Cansada de precisar de tudo isso.
Estou cansada... estou...
Já não estou mais...
Estou me fechando pro mundo... enquanto o mundo se abre pra mim.
Isso tudo é vontade de engolir o mundo... quero o mundo na barriga. O mundo dentro de mim. Tudo dentro de mim.
Eles dentro de mim.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Preciso fazer o TCC. Preciso fazer o TCC. Preciso Fazer o TCC. PRECISO FAZER O TCC!!!
Mas a internet não me deixa... mas minha cabeça não me deixa... estou cheia de idéias e nada relacionado aos fluxos migratórios, ou às políticas migratórias, ou aos políticos migratórios refugiados, asilados, bando de filhos da puta. E eu tenho que fazer o TCC...
Vou sair daqui e pedir asilo como refugiada em qualquer outro lugar... bem longe do TCC.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Que mau humor infernal esse meu!
Até eu não estou me aguentando...
Estou sem paciência para as coisas, para os acontecimentos e principalmente para as pessoas.
Todos chegam falando alto, me tocando... não encosta, Porra!
Você não consegue falar sem encostar, não?!
Sim, eu cortei o cabelo... se não for para elogiar então nem comenta... Nem pense em chegar fazendo as brincadeirinhas do tipo "lugar-comum".
"Tomou chuva e encolheu?"
"Tirou o cabelo para lavar?"
Ai, que saco.
Ou então, a confirmação do óbvio... "Hummm, cortou o cabeeelooo?"
Não, escondi no seu cu...
Além do meu mau humor, tenho que ficar aguentando os pitacos externos... como se minhas perturbações mentais não fossem suficientes!
Daí, adoto uma postura cínica e ácida... sarcástica... e os outros, o inferno naquele meu momento, se tornam super sensíveis...
"Nossa, eu não conhecia esse seu lado!"
"Está toda engraçadinha hoje, hein?"
Mentalmente tento entor o ômmmmmmmmmmm.
De nada adianta... não encontro paz interna e não consigo me isolar... Eu grito:
- Miss Piffs! Traga os eletrodos!
Tento puxar assunto com Alice... but she is too high to remember that a world is spinning around...
Esse mau humor, será que é de fundo hormonal ou emocional?
Muitas vezes as alterações emocionais são causadas por alterações hormonais e vice-versa...
Alice acorda e murmura: - Isso pode ser resolvido com um bom p***.
Fico envergonhada. Alice é assim mesmo. Desbocada.
Eu não.
Caso com o silêncio e tento enfrentar o resto do expediente após o almoço.


Tomo uma decisão.
Mario Bortolotto? Gosto muito dele hoje, e tenho raiva de quem não gosta.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Estou perdida...
Depois que montei isso aqui não consigo mais parar de escrever.
Não consigo mais passar um dia sem pelo menos rascunhar algo... em qualquer horário, qualquer lugar... mesmo que meus pensamentos não sejam publicados, a escrita se fez sempre presente.
Estou ficando viciada...
Acordo no meio da noite com a cabeça cheia de acontecimentos, de reflexões, de aflições... ainda bem que o sono me segura na cama.
Tenho vontade de escrever o tempo todo, sobre tudo!
De escrever tudo sobre tudo... de rasgar o verbo e nem ligar se minha família vai ler, se alguém vai ler... por enquanto, os valores muito bem impostos em minha educação têm me segurado. Só isso me impede de transformar isso aqui num "Secrets" ou "100 escovadas antes de ir para a cama", ou qualquer outra coisa do gênero.
O problema é que descobri que posso ter confissões e análises ainda piores do que as delas...
Mas não quero que isso vire um diário.
É bom que vocês continuem conhecendo apenas a minha interpretação (da forma mais leve) dos fatos.
Freneticamente... vou escrevendo a vida... que eu nem sei se é minha.
Intensamente... vou vivendo os fatos.
Sigo desenhando esse rascunho, desenvolvendo essa novela.
Cuidado... vocês são meus personagens. Se eu resolver pular do prédio vocês estarão todos acabados.
Aff... conheço tanta gente pretensiosa que vai achar que os dois últimos textos foram escritos para eles...
Porque não tem como falar de amor sem ser brega.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O frio que sinto hoje é seu

Já faz nove anos...
E eu descobri hoje que ainda te amo.
Descobri hoje que todas as vezes que chorei por alguém, era por você que eu chorava.
Todas as vezes que eu pensava que amava alguém, era você que eu amava.
Todas as vezes que eu senti qualquer sentimento, eram reações a todas as impressões causadas pelos seus pensamentos... pelas suas palavras... pelos seus gestos... pelos seus olhares.
Isso há nove anos.
Todas as minhas reações aos outros, são reações contidas por você, reservadas a você.
Tenho um sentimento mal resolvido, mal começado, mal terminado.
Como você conseguiu me marcar assim? Por tanto tempo?
Recebi hoje uma mensagem de um amigo meu dizendo que eu estou conseguindo abrir meu coração aqui... finalmente conseguindo me libertar.
Mas posso saber quem foi que disse que tenho um coração?
Eu achava que a vida me tivesse arrancado esse coração, ou o reduzido a pó.
Mas foi você, que há nove anos atrás, o roubou...
O frio que sinto hoje é seu.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Crime sem culpados

Não, eu nunca dormi no calor dos seus braços.
Eu já estava até considerando a idéia de virar lésbica...
Após tantas decepções era só o que me restava.
Mas daí você apareceu... com aquele humor leve e ácido... chegou todo dono de mim, na frente de todos.
E eu me submeti, me entreguei, gostei do seu calor, do seu cheiro, do seu sono, da sua liberdade. Você tem me cativado lentamente, e nem sabe como isso pode ser perigoso.
Mas não é culpa sua, não é mesmo?
Você só estava ali... numa boa.
É tão bonito te ver assim tão livre, tão do mundo, tão intenso, que tenho medo de estragar.
Por favor, não me deixe te estragar. Não se aproxime mais, não me cative mais... assim vai ficar muito perigoso, muito difícil.
É duro admitir isso hoje, mas eu quero sim alguém só pra mim... não pra chamar de meu, apenas para ter um conforto mais certo, uma liberdade a dois maior.
E você é tão claramente dos outros. Provavelmente vou te estragar... vou estragar é nós dois.
Além disso, existem elas... aquelas que te pertencem, a quem você pertence. Aquelas que te cativaram por toda a vida, que estão em pedestais e merecem por serem simplesmente maravilhosas. Independentes de tudo, até de você.
Se eu pudesse teria você assim mesmo... todo dono de si, livre, inseguro, com seu humor grosso e a ausência de carinhos que você me proporciona... mesmo com a presença delas em sua vida...
Você sabe que abomino ciúme e cobrança... prometo não te incomodar com isso.
Apenas pare de me cativar... de me castigar.
Quando eu lhe ver de novo, prometo não cumprimentá-lo.
Só pra que você não fuja de mim com medo de ser enjaulado por sentimentos...
Você é mais velho do que eu, deveria encarar a mim e a isso tudo com mais maturidade, mas maturidade não é seu ponto forte, né?
O Pequenho Príncipe costumava dizer que quando um cativa outro ser, automaticamente o primeiro torna-se responsável pelo segundo.
Ou seja, agora que você me cativou a culpa é toda sua e eu aqui com esses sentimentos todos não posso fazer nada a respeito!!!
Mas o que você tem a ver com isso, não é mesmo???
Desculpe minha síndrome de Princesa... e olha que você nem é tão príncipe assim.
É tudo culpa da Disney... e do Pequeno Príncipe.