sexta-feira, 25 de março de 2011

*

Às vezes a saudade é tanta que parece que meu coração vai parar. Acredito que chegou a parar mesmo, em alguns momentos.São todas as saudades acumuladas. Uma risada espontânea. Morder o lábio inferior. Aquela expressão indecifravelmente séria. O perfil irreverentemente sedutor. Não sabia que sua ausência ia doer tanto. Mas é só que o viver junto demais também pode tornar-se insuportável. Eu acabo estragando tudo. Não estou pronta pra perfeição. Não fui ensinada a merecer o amor. Então eu fui te empurrando pra qualquer lado. Eu estava tão acostumada ao caos que confundi aquela paz com algo ruim. Com mau agouro. Acabei destruindo o que havia de mais bonito aí dentro. Não suporto mais a idéia de estar distante. Mas ainda não consigo considerar o conviver. Tenho o peito asfixiado e esmagado por todos os outros sentimentos da vida que a idéia de te contaminar com tanta tristeza dói mais que a própria saudade. A minha ausência veio para te poupar de mim. Para nos poupar. Para me poupar de te perder de uma vez por todas.

*

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A pé.

*

Você não entende
Nem nunca vai entender
O que é acordar cedo
E se prostituir
Todos os dias
Sentindo nojo
Vendendo a alma
Por alguns centavos a mais
Pra imbecis que não prestam
Atenção em qualquer palavra
Porque estão olhando para os seus
Seios
Pra garantir o seu sustento
E os dos outros
Você nunca vai entender
O que é ter que engolir
Cada palavra errada
E cada orgulho fútil
Segurar tudo isso goela
Abaixo
Enquanto você sente a raiva
Crescendo
Olhando pra esse monte de
Bolsos cheios e mentes fúteis
Querer tomar um trago
Pra rir e relaxar com os amigos
E lembrar da carteira vazia
E das caras vazias
Do coração vazio
E saber que ninguém ali
Vai compreender sua
Pobreza ou sua carência
E te pagar uma bebida
Você nunca vai entender
O que é considerar a possibilidade
De ir pra casa de madrugada
chorando
A pé

*

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

*


Quero acordar beija-flor
E escutar nada além do som constante
das minhas asas
desenhando o infinito no espaço
quero acordar beija-flor
e só conhecer o sabor
das flores
viver para voar
nada além
abusar dessa minha liberdade
de pássaro
enquanto observo os humanos
em seus aquários-escritórios
em seus aquários-casas
em seus aquários-carros
em seus aquários-pensamentos
quero acordar beija-flor
nada além.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Latente

*

Eu só consigo olhar para a paisagem
Porque todo o resto não me interessa.
Nasci em meio aos lobos e sei que
Humano nenhum vai me entender...
Vejo no escuro o brilho dos
Longos caninos brancos
E aguardo meu resgate.
Tenho tentado deixar minhas
Unhas crescerem
Para cavar uma saída
Porque tenho ouvido seu chamado
Mas perdi o tom do meu
Uivo.
Permaneço imóvel
Olhando a lua
E aguardo meu resgate,
Pois sou feita de
Material selvagem
E tudo que tentar me prender
Pede pra me perder.

***




sábado, 29 de janeiro de 2011

Down Fall

*

Foi você quem me olhou daquele jeito
e escolheu puxar papo
Mas fui eu quem amou primeiro
Cada uma das suas palavras
E o som da sua voz.
Então, eu tive que ir
Porque não tinha escolha
Mas a minha escolha,
Mais declarada do que o seu olhar,
Seria ficar ao seu lado
Definitivamente...
E se você tivesse me
Convidado mais uma vez
Para aquela gira pela Europa
Eu teria ido.
Mesmo sabendo que você é menos alto
Do que eu gosto
Ou mais moreno e bruto
do que eu prefiro.
Porque quando eu comecei
A duvidar
Você adivinhou cada um dos medos
E disse todas as palavras certas,
Mais importante do que tudo,
Você lembrou
E mostrou que tudo também
Houvera sido tão importante
para você.
E daí você me incluiu na sua vida
E eu te incluí nos meus sonhos.
Eu sigo ouvindo o som
Daquelas cordas...
Mesmo que elas nunca mais
Vibrem por mim.

*

Em paisagens e pescoços alheios

*

Olhar pro nada
Por horas
É o meu mais novo hobby.
Meu mais novo hobby é
Encarar o céu
Sem perceber que as nuvens mudaram
Passaram
Meu mais novo hobby é
Não querer abrir os olhos
Quando acordo
Early in the morning
É tentar sentir seu cheiro
Em paisagens
E pescoços alheios
É pensar que todo blues
Que eu ouço
Foi feito pra contar
a minha história
Meu mais novo hobby
É só conseguir pensar em champagne
E sexo
Com você
Na minha cama.
E, só às vezes,
É ficar imaginando seu
Corpo nu
Olhando pro meu
Enquanto alheios a nós mesmos
E a todos os outros problemas do mundo
Nós nos perdemos nos mesmos sonhos
E no mesmo sono
silencioso
*

domingo, 23 de janeiro de 2011

*

Por uma carência absoluta e irremediável de nossas almas
nossos corpos fizeram sexo.
Mas amor não havia ali.

*

My eyes are open...

*****

Perdemos contato com nós mesmos e com tudo que é natural.
Invadimos todos os espaços sem respeitar
o que ali havia de verdadeiro
Agora teremos que arcar com essas dolorosas conseqüências
Reconectar
Vocês estão prontos para enxergar o que há além dessa nossa dimensão?

My eyes are open.

Since 1969.

“Walking in Space”

My body
Is walking in space
My soul is in orbit
With God face to face


Floating, flipping
Flying, tripping

Tripping from Potsville to Starlight ["pot"sville]
Tripping from Starlight to Moonville


On a rocket to
The Fourth Dimension
Total self awareness
The intention

My mind is as clear as country air
I feel my flesh, all colors mesh


Red black
Blue brown
Yellow crimson
Green orange
Purple pink
Violet white
White white
White white
White white


All the clouds are cumuloft
Walking in space
Oh my God your skin is soft
I love your face


How dare they try to end this beauty?
How dare they try to end this beauty?


To keep us under foot
They bury us in soot
Pretending it's a chore
To ship us off to war


In this dive
We rediscover sensation
In this dive
We rediscover sensation


Walking in space
We find the purpose of peace
The beauty of life
You can no longer hide


Our eyes are open
Our eyes are open
Our eyes are open
Our eyes are open
Wide wide wide!


*

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

13/01/11

Comprei US$ 900 hoje.
O apartamento está ok, as passagens estão ok.
Eu sigo ouvindo música pop em alemão, tangos e buscando artigos sobre o novo circo francês.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

*
Eu não possuo vida para publicar aqui. Busco festinhas em apartamentos. E pessoas bonitas, para alimentar a futilidade da minha alma. Beleza faz bem. Ilumina, descontrai, relaxa, eleva. Felicidade de baixo custo. As pessoas comentam que esse espaço é um espaço de desabafo. É mesmo. Porque é tudo que posso fazer, ultimamente, desabafar. Hoje o rio está amarelo como bosta de neném. Ver tanta vida correndo lá fora não me fez bem. Quero morar na Argentina, mas ainda não descobri a possibilidade desse acontecimento. As casas lá são grandes e baratas. Construções de bons arquitetos, com pé direito bem alto. Sou apaixonada por pé direito alto. Em Buenos Aires as pessoas sabem dividir o espaço. Das casas, das ruas, das coisas, das pessoas. Aqui não. Aqui ninguém divide espaço. Aqui só roubam e invadem espaços. Eu quero espaço, mas meu chefe tem cabelo de militar e meus cachorros não conseguem passear na rua sem pegar uma doença. Na argentina as pessoas amam cachorros. Aqui, as pessoas ora chutam cachorros, ora agem como cachorros. E eu só tenho esse espaço aqui para desabafo. Só desabafo. Porque não tenho mais vida para publicar aqui.
*

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Rei de mim

*
Quando te conheci
não compreendi a tamanha paz
que você me deu de presente
Paz de acordes mansos de violão
de acordes de baixo e contrabaixo
Acho que tem a ver com aquela calma
que só encontrei dentro dos seus olhos verdes
dos seus olhos de gato
sinceros e doces como os de um cachorro
que você não é
ou da forma que eu gostaria que você não seja
quando eu puder te ver de novo
e olhar bem dentro desses olhos verdes
pra recuperar a minha paz
É que só de pensar em você
já fico entorpecida
e parece que não há problema no mundo
e até acordar faz sentido
mesmo sabendo que posso te ver nunca mais
ou logo daqui a pouco.
Por você, eu até não tenho mais medo de avião.
Porque os seus olhos verdes, e aquela paz dentro deles, me ensinaram a voar.
*

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cru

**

Só o que não é palpável me atrai. Os seres humanos, nós, vivemos uma insatisfação eterna e a maior parte de tudo que fazemos e sentimos e dizemos não faz sentido. Não há um porquê. É assim que é. Assim que somos. Nem as expressões faciais ou julgamentos mundanos tem razões. Nós, os seres humanos, não temos razões. Simplesmente acordamos e corremos. Trabalhamos e almoçamos. Fazemos sexo. Dormimos. Sonhamos. Por tédio. E assim seguem os nossos dias. Só isso. É assim que é. É assim que somos. Por isso o rock and roll. Pra dar um pouco de graça às coisas que nunca são diferentes. Tentamos entender o amor e o que sentimos e o que não sentimos. Mas não há explicação. Estamos aqui. Só isso. Somos uma experiência engraçada do universo. Eu estou aqui pra tentar entender ou desvendar o por quê disso tudo. Mesmo sabendo que não há necessariamente uma explicação. Nem que seja qualquer por quê. Do contrário não haveria música. Música é o segredo do universo. Porque a música une harmonia, matemática, paz, prazer, física quântica e cura numa coisa só. Pra quem não tem explicação nenhuma, mas se importa, isso já é um começo. Bom ou ruim? Não sei. Mas é um começo. Música não é palpável.
Na minha cidade há um rio. Ele é geralmente preto. Mas quando chove bastante ele fica marrom. Daí as pessoas dizem: Nossa, com essa cor de cocô, deve estar realmente muito poluído. O que as pessoas não entendem é que o marrom é mais saudável do que o preto. Marrom é terra, areia, vegetação. Preto é morte, luto. Tudo uma questão de ponto de vista e conhecimento que cada um julga que possui. Apesar de ser parcial em meus comentários, tenho plena consciência de que conhecimento é tudo que me falta. Sempre. Mas a maioria não pensa assim, não senhor. E seguem vivendo e impondo e pressionando e cobrando. Eu só quero gritar e tirar os sapatos. Isso pode não fazer sentido nenhum pra você, mas pra mim faz mais sentido do que a existência da aurora boreal. Mas isso não quer dizer que sou louca. Não senhor. E você, gosta de conversar com violinos?
Muitos dias simplesmente olhar pela janela, do trem ou do 15º andar, ouvindo Lou Reed resolve todos os meus problemas.

***

Vos

***

Eu te espero
Nessa ou numa próxima vida
Pela sua velha alma que compreende a minha alma velha
Porque entre tantas copas tintas, danças belas, sorrisos e sonidos você me encontrou
Destemido, me encarou
Com o olhar, esverdeado, me dedicou cada um daqueles golpes
Com sua voz e sua insistência, entorpeceu meu juízo
Lembrou. Chamou meu nome e minha atenção
Assumiu suas intenções
Me desejou bons sonhos e, em sonhos, me visitou
Mostrou que, com "vos", eu poderia falar sobre tudo
Conhecer a vos me abalou, ainda mais,
porque sei que isso também te balançou
Eu vou seguir perguntando por ti
mesmo quando vos parar de perguntar por mim
sempre teremos essa ou uma próxima vida.

***

E mais canções...

Entre Alvalade e as Portas de Benfica

Entra sempre em Campolide
Vem sentar-se à minha frente
E algo me diz que ele anda triste
Pela forma como insiste
Em olhar-me indiferente
E algo me diz que ele anda triste
Pelo forma como insiste
Em olhar-me indiferente

Quando deita para a rua
Os seus tristes olhos frios
Juro ouvir animais do zoo
Tilintar atrás do muro
Quando passa Sete Rios
Juro ouvir animais do zoo
Tilintar atrás do muro
Quando passa Sete Rios

Já pensei meter conversa
Perguntar-lhe pela vida
Mas acho que uma vida não cabe
No percurso entre Alvalade
E as Portas de Benfica
Mas acho que uma vida não cabe
No percurso entre Alvalade
E as Portas de Benfica
Só resta esperar que ele repare
No meu triste e frio olhar
Que eu adio a saida

Série - canções na última semana

Siempre se vuelve a Buenos Aires
Esta ciudad está embrujada, sin saber...
por el hechizo cautivante de volver.
No sé si para bien, no sé si para mal,
volver tiene la magia de un ritual.
Yo soy de aquí, de otro lugar no puedo ser...
¡Me reconozco en la costumbre de volver!
A reencontrarme en mí, a valorar después,
las cosas que perdí... ¡La vida que se fue!
Llegué y casi estoy, a punto de partir...
Sintiendo que me voy, y no me quiero ir.
Doblé la esquina de mi misma, para comprender,
¡que nadie escapa al fatalismo de su propio ser!
Y estoy pisando las baldosas,
¡floreciéndome las rosas por volver...!
Esta ciudad no se si existe, si es así...
¡O algún poeta la ha inventado para mí!
Es como una mujer, profética y fatal
¡pidiendo el sacrificio hasta el final!
Pero también tiene otra voz, tiene otra piel;
y el gesto abierto de la mesa de café...
El sentimiento en flor, la mano fraternal
y el rostro del amor en cada umbral.
Ya sé que no es casual, haber nacido aquí
y ser un poco asi... triste y sentimental.
Ya sé que no es casual, que un fueye por los dos,
nos cante el funeral para decir... ¡Adiós!
Decirte adiós a vos... ya ves, no puede ser.
Si siempre y siempre sos, ¡una razón para volver!
Siempre se vuelve a Buenos Aires, a buscar
esa manera melancólica de amar...
Lo sabe sólo aquel que tuvo que vivir
enfermo de nostalgia... ¡Casi a punto de morir!...

Porque minha vida se resumiu a canções na última semana...

Uma canción

La copa del alcohol hasta el final
y en el final tu niebla, bodegon...
Monotono y fatal
me envuelve el acordeon
con un vapor de tango que hace mal...
A ver, mujer! Repite tu canción
con esa voz gangosa de metal
que tiene olor a ron
tu bata de percal
y tiene gusto a miel tu corazón...

Una canción
que me mate la tristeza;
que me duerma, que me aturda
y en el frio de esta mesa
vos y yo, los dos en curda...
Los dos en curda
y en la pena sensiblera
que me da la borrachera
yo te pido, cariñito,
que me cantes como antes,
despacito, despacito,
tu canción una vez mas...

La dura desventura de los dos
nos lleva al mismo rumbo, siempre igual,
y es loco vendaval
el viento de tu voz
que silba la tortura del final...
A ver, mujer! Un poco más de ron
y cierrate la bata de percal
que vi tu corazón
desnudo en el cristal,
temblando al escuchar
esta canción...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

15º




15º andar.
Bem próxima do céu
Perdendo minha lucidez por qualquer alegria fútil
Enquanto sirenes de ambulâncias dançam sob meus pés
Nuvens do tamanho de cidades inteiras cobrem minha cabeça
O choro do contrabaixo em meus ouvidos me forçando a lembrar de você
A imortalidade dessa saudade e o caráter surreal do meu amor zombando de mim
Minhas roupas largas me sufocam
Minhas unhas gritam cavando o ar do caixão que a minha cidade se tornou
Meu peito arrebenta como cordas desesperadas de violino
Minha solidão compõe uma sinfonia usando o silêncio
Que cai em gotas
Ardendo minha consciência.
Preciso de água, de saliva, de suor
Dessa fonte que jorra da sua boca,
Do seu peito e do seu sexo.
Sua voz, sua pele, seu calor e seu cheiro como presentes de natal.


*

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Moradia tua

Minha admiração nasceu em um tango.
Mas meu amor cresceu em fado.
É nesse fado que me recordo do seu rosto.
Aqueles olhos bem pequenos e misteriosos.
Tenho saudade de tudo que não tive com você.
Um amor de imaginação.
Talvez não seja nada, e não vingue.
Mas me pergunto todos os dias se você também escreve sobre mim, ou sequer, se lembra.
Olhar teus olhos dói e vibra tudo que sou.
O que sinto é calmo demais para ser apenas paixão.
Poderia ser paixão e amor.
Paixão pelo desespero desse fôlego de falta tua.
Amor pela tranquilidade de sua existência.
Minha paz nasceu nessa tua residência em meu peito.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Você me dedica seu arco e eu te amo em violoncelo
Minhas veias vibram com cada um dos seus golpes
Misturando as minhas fibras com as fibras do seu arco
Os pêlos do corpo arrepiados pela tensão harmônica
Entre o Dó, o Ré, o Mi e o nós
Penetra em meus ouvidos
Arrancando meus agudos
e minha alma
Acalenta meu sufoco de estar cá
Com a doçura desse Lá
Acaricia essas curvas, deita em teu colo
E golpeia, concentrado apenas no gozo
Do contrabaixo
Enquanto isso, eu me perco na loucura do Si...



In you I feel so dirty
In you I crash cars
In you I feel so pretty
In you I taste God
We must never be apart

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

sobre essa minha paz...

Quanta melancolia...
Tenho caminhado por aí entre a lama e o cosmos
Com saudades de um fim de tarde de groselha
A grama verde-ludo do jockey clube me agride
Me dizendo que meu corpo não foi feito para tantas horas de chá de cadeira
Aviões alcançam o céu enquanto penso na previdência social
As vozes mais doces invadem meus ouvidos
enquanto meu cérebro matemático esquece que há vida lá fora.
Enquanto meu cérebro esquece
que há vida lá fora
Que há vida lá fora
Há vida lá fora
Lá fora
Ignorando que, aqui dentro, está tudo morto.

Sinfonia para uma geladeira

Com você ao meu lado
Eu não tenho medo de avião
Porque com você
Eu tenho menos medo da morte

Todos os dias as suas células envelhecem
As minhas células envelhecem
E eu sinto que estou perdendo seu tempo
Mais o meu

Pateticamente, eu insisto em aguardar
Porque daqui em diante
Tem que fazer sentido
E causar qualquer coisa que seja
Algo que se sinta
Debaixo dessa minha casca grossa.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Te extraño

Esperando. Na sua rua.
Aquela de pedras.
Engatilhei meu melhor sorriso.
Venha desarmado.
Vou congelar.
Aqui

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Minha milonga

Lembrou-se.
Se fez presente.
Me mandou o que eu mais precisava.
13 palavras foram suficientes para criar esse
delicioso caos
que me move.
26 anos foram comemorados em um dia
Em sua homenagem.
Indiretamente, ao seu lado.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

***

Eu nunca quis jogar.

Quando criança. Eu sempre ficava de fora dos jogos.
Não por achar que eu não era capaz, mas porque realmente não tinha vontade nem interesse.
Todos brigavam comigo, não aceitavam essa postura.
Ninguém sabia explicar porque, mas tentavam de todas as formas me convencer que o “certo” era participar do jogo.
Eu nunca achei aquilo tudo certo ou coerente.

A vida é um grande jogo.

E ainda assim, muitas vezes, eu não quero participar.
Os relacionamentos, o trabalho, a rotina, o dinheiro, as expectativas, as pessoas, as tarefas são pequenos jogos.

Ainda não vejo coerência e vontade tenho cada vez menos.

O que há de errado em não querer participar de algo?
Minhas vontades são, ficar em casa e não me comunicar com as pessoas, exceto quando estou no palco ou no ballet.
O resto do tempo eu poderia passar apenas lendo, ouvindo e escrevendo.
Minha alma é Quidam. Minha vocação é Quidam.

Destinada somente à solidão.

*


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

... Uma pequena lembrança para que meu coração derreta e invada todos os outros órgãos, congelando meu estômago, rins e pulmões. Tão assustador quanto andar de avião. Eu sorrio com o diafragma e o peito estourados, sujando a tela do meu computador. Ao redor, as pessoas acham que minhas palpitações e tonturas são fruto de minhas dietas malucas. Não são não. Essas sensações são o fruto insano de um feitiço. Um feitiço de cinco palavras que me faz querer viver e voltar no tempo, ou correr com o tempo, todos os dias. Insano o suficiente para me fazer abrir os olhos todas as manhãs. Essa história, sem início nem fim, já desafia todas as possibilidades. Você se preocupa, mas eu não ligo. E essa mera lembrança, mesmo dolorosamente não bastando, basta.

Idéia fixa



Não consigo tirar aquelas palavras da minha cabeça.
Você se instalou como uma idéia fixa,
chegou invadindo meus poros.
Com apenas um sorriso,
veio parar em minhas veias.
Os dias passam porque eu me lembro
de quando você me prometeu o mundo,
a neblina misteriosa,
os olhares declarados e proibidos,
dos movimentos dramáticos
ao hipnótico aroma do vinho.
O vermelho do meu vestido e o negro da sua camisa.
O morno mel dos meus olhos
envolvendo o verde incandescente dos seus.
Você me ofertando uma dança violenta
com um corpo de madeira chorando em seu colo.
Um desejo novo a cada golpe.
E se hoje eu sinto essa falta de ar é só porque
eu inspiro e expiro você.

É...
“Nos encontramos numa próxima vida.”

sábado, 2 de outubro de 2010




Hoje acordei pra ouvir meu pianista favorito.
Essa chuva é tão adequada. A cidade toda cinza. De novo.
Como ontem, anteontem e na véspera.
Urubus pendurados em fios de postes.
A antena parabólica apontando, solitária, um céu que não vemos.
Carros correm como formigas. Pessoas defendem-se como saúvas.
Rasgando a pele de tudo que ameaça.
Eu piso em espelhos d’água exibidos na calçadas.
Não penso em comprar um guarda chuva.
Penso nas gotas que enchem meu casaco de petit poi.
Lembro da liberdade...
Essa deve ter gosto de chuva.

Menina-bolha

*

Sem fome, sem dormir, hiperativa, distraída.
Cansada de cobranças. Cansada das expectativas dos outros.
Cansada de me forçar a ser boazinha e adequada e querida.
Cansada da falta de maturidade de tudo que há em volta.
Da falta de leveza.
Da falta de sentido das ações, dos acontecimentos, dos pensamentos e dos sentimentos.
Cansada de tanta gente sugando minha energia e da falta de compreensão.
Da falta de liberdade.
Cansada de explicar que a solução não está na terapia.
Cansada de tantos olhos incomodados com minha expressão mais séria.
Cansada de ter que dar explicações pelo simples fato de ter assumido essa autenticidade.
Cansada de dar explicações. Quando tudo que eu preciso é viver. Em paz.

*

sábado, 25 de setembro de 2010

Eu acredito
em anjos e fadas. E em bolhas de sabão e abelhas.
Acredito em céus cor de violeta, em ovnis, em pessoas que ajudam sem esperar nada em troca. Acredito nas crianças, com suas mentiras cheias de chocolate. Acredito no invisível, no visível, na mais alta velocidade, na mais alta estima, acredito na lua e no homem pisando nela. Acredito nos sonhos, acredito na vida e acredito que a combinação de ambos pode dar certo. Acredito no som, que é invisível e usa o ar e toda aquela transparência e clareza para se propagar, se alongar, me tocar. Acredito na delicadeza e na educação. Acredito nas constelações. Acredito nos livros, nos contos, nas canções, nos corações. Acredito no amor. Acredito em avião, em Buenos Aires, no tango. Acredito no sol e na comida colocada em meu prato, todos os dias. Acredito na franqueza. Acredito na ironia, no sarcasmo, nas segundas intenções e até nas boas intenções. Acredito em você.
E acredito no dia que, depois de atravessar todas aquelas milhas de distância, milhas de orgulho e milhas de machismo, você vai aparecer na minha porta, mesmo que seja só pra dormir sozinho na minha sala.
Porque quando eu comecei a acreditar que seria possível só numa próxima vida você apareceu ainda nessa e me disse que também acreditava.

Fábula

Todos os dias ela segurava uma lágrima no canto esquerdo do olho direito.
Aquele pedacinho de diamante que ninguém via. Ou ignorava,
porque era mais conveniente não se importar.
Não pedia ajuda a ninguém, porque tinha aprendido que cada um deve cuidar de seu cada qual.
No dia em que a lágrima rolou face, queixo, pescoço, colo abaixo,
ela não acordou.
Então, realmente ninguém teve que se importar.
Anymore.
O tempo não perdoa.
Eu continuo buscando paz. Quero trabalhar em paz. Viver em paz.
Em silêncio, ou ouvindo música clássica.
Sem dar satisfações. Sem amolações fúteis de números e metas e valores que nunca chegam
ao meu bolso.
Tenho preguiça das pessoas e das coisas e dos sons que não são artísticos.
Tenho preguiça dessa minha dor no peito. Nas costas. Pontas de facas.
Uma vontade asfixiante de só acordar e vestir sapatilhas, pintar as ruas de preto e lilás, e ganhar a cidade dançando
em pontas de ballet.

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Todas as noites recrio um mundo inteiro só pra mim. Perfeito.
Mas peco por acreditar demais na minha criação.

Seria esse o mesmo erro cometido por D e u s ?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

*

Mas é que ela sabia desenhar estrelas tão lindas e agora não conseguia acertar qualquer traço reto que fosse.
Porque ela costumava chorar com qualquer cena ou história de almas gêmeas. Porém hoje estava bem confusa com contextos de triângulos amorosos.
Não concordava com doenças de fundo emocional, mas é que de uns tempos pra cá havia essa vertigem e uma asfixia que não a deixavam viver em paz.
Talvez por isso só conseguia pensar em remédios e bebidas e banheiras e gás. Mesmo sabendo que isso tudo não era motivo suficiente.

*

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ela estava toda empedrada por dentro. Mostrava um sorriso e uma pele branca, sem manchas, reluzente. Por dentro era um cinza só. Ninguém discutia a razão de seus cabelos negros estarem sempre emaranhados daquela forma. Só viam a jovialidade do sorriso entalhado naquele rosto de cera de 17 anos. Seus gestos desleixados e delicados. O corpo esguio sempre parcialmente a mostra. Um ombro, as coxas, uma cintura virginal, o colo alongado. Poderia ter sido bailarina, mas nem imaginava o que significava sonhar.
Nascida em berço pobre, desde os 11 anos fora forçada pela mãe a se prostituir. Do contrário, teria que conversar com a fome. Era a única realidade que conhecia. Gostava de molhar os pés no baixo cais, todo fim de tarde corria pra ver o mar e brincar, como a criança que ainda era. Dizia que o mar preparava um fôlego novo para cada noite malcriada. Não pensava no amanhã, pois desconfiava que não passaria de hoje.
ACHO QUE PRECISO CHORAR
ATÉ VOCÊ SAIR POR INTEIRO DA MINHA ALMA
O QUE VAI ADIANTAR
CORRER PRO BANHEIRO CHORAR
VOLTAR COM A CARA MAIS LAVADA
E PÁLIDA
SE SEMPRE TODOS PRESUMEM QUE TUDO
DEVE ESTAR BEM
QUE NÃO HÁ PROBLEMA
SE NÃO FOR FOME OU CÂNCER
QUE NÃO HÁ PROBLEMA
SE NÃO FOR TRÁGICO
QUE NÃO HÁ PROBLEMA
PORQUE NÃO PODE HAVER

EU PRECISO ME ISOLAR
NÃO QUERO SER RESPONSÁVEL
PELOS SENTIMENTOS DOS OUTROS
POR QUALQUER OUTRO
NUNCA MAIS

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quando damos nome aos bois

*

Eu desaprendi
Não sei mais ser carinhosa
Não sei mais gostar das pessoas
Não sei mais me importar
Não sei mais olhar além das lentes alemãs

Me tornei um ser humano frio
Frígida

Porque quando nomeamos os acontecimentos
Eles começam a pesar como lasanha estragada
no fundo do estômago

Me tornei menos criativa
menos imaginativa

Como cachorro amarrado com fio de luz
em poste de alta tensão

Não sei mais me importar
e não quero mais satisfazer
muito menos dar satisfações

Quero ficar bem quieta,
bem sozinha
e pagar pela minha paz
e pelo meu copo de uísque.

*

quarta-feira, 21 de julho de 2010

As Capivaras do Rio Preto





*

Eu poderia contar-lhes as histórias
das Capivaras de São José
do Rio Preto
As Capivaras da represa
amareladas de amargura
amareladas pela falta de espaço
amareladas de asfixia
Que atravessam ruas
fora das faixas
dos pedestres
E se misturam
aos desumanos

Mas não vou

Porque não.

*

domingo, 11 de julho de 2010

"Meu Disfarce"

*

Thigas, obrigada pelas conversas, cigarros, ouvidos atentos, conselhos, caronas e compreensão de alma.

Erika, obrigada por ainda ser você. Por ser inteira. Ou por tentar.

Marcio Américo, obrigada por, no meio de todas as risadas, dizer sempre coisas tão bonitas. Obrigada pelas risadas. Obrigada por se lembrar.

Wandeco, obrigada pela sinceridade e por tentar olhar nos olhos, quando já é bem difícil.

Mario, obrigada por ainda notar.

Fábio, obrigada por estar sempre ali e por enxergar.

Du, muito obrigada.

*

A música mais bonita do fim de semana...

"Meu Disfarce"

Composição: Carlos Roque / Carlos Colla

Você vê esse meu jeito
De pessoa liberada
Mas não sabe que por dentro
Não é isso, não sou nada...

Tenho ares de serpente
Mas em casos de amor
Sou pequena, sou carente
Sou mais frágil que uma flôr..

Eu me pinto e me disfarço
Companheira do perigo
Eu me solto em sua festa
Mas sozinha eu não consigo...

Digo coisas que não faço
Faço coisas que não digo
Eu te quero meu amado
Não te quero meu amigo...

Cada vez!
Que eu sinto um beijo seu
Na minha face
Eu luto prá manter
O meu disfarce
E não deixar tão claro
Que te quero...
Cada vez!
Se torna mais difícil
O meu teatro
Não dá mais prá fugir
Do seu contato
Estou apaixonada por você...

Eu me pinto e me disfarço
Companheira do perigo
Eu me solto em sua festa
Mas sozinha eu não consigo...

Digo coisas que não faço
Faço coisas que não digo
Eu te quero meu amado
Não te quero meu amigo...

Cada vez!
Que eu sinto um beijo seu
Na minha face
Eu luto prá manter
O meu disfarce
E não deixar tão claro
Que te quero
Cada vez!
Se torna mais difícil
O meu teatro
Não dá mais prá fugir
Do seu contato
Estou apaixonada por você...

*

quinta-feira, 8 de julho de 2010




*

Porque eu pisei novamente no palco
E após meses de árduos duelos e batalhas
Consegui me sentir em casa
E quando comecei a acreditar que era possível
ser feliz novamente
Acabou
Porque a felicidade é algo efêmero
É o que dizem
E então restam apenas as salas de ensaio
as músicas de pianos no ipod
E sou lançada ao início
Marco Zero
Forçada a uma eterna busca
Reconstrução da alma
Entre a falta de ar
E o preço da minha paz
e da minha liberdade

*

terça-feira, 22 de junho de 2010

Muitas pernas no metrô.
Todas dividindo um mesmo vagão. Que é só um.
Ainda assim, cheio de pernas, dentre tantas outras que andam por aí. Todas buscando um caminho. A maior parte indo por inércia...
Acordam, se apóiam nos pés e partem rumo às ruas. Descontroladas.
Do futuro, só sabem que retornam pra casa.
Talvez, nem isso.

%

Quantos?

Quantos de nós?

Quantos de nós gostamos?

Quantos de nós gostamos do que fazemos?

Quantos de nós gostamos do que fazemos?

Quantos de nós gostamos do que fazemos?

Quantos de nós realmente gostamos do que fazemos?

Twenty years of clean ou o conto de uma geração

Se o mundo não fizer silêncio
A natureza vai se encarregar disso
E daí não vai adiantar
Reclamar
Dos coquetéis molotov
Das inundações
E dos acidentes de trânsito
Ou da dor nos pulmões
Eu quero saber o nome
Daquele que vai ter a coragem
De olhar nos olhos do passado
E explicar ao presente
O tamanho da culpa que (não) sente
Eu estava tão acostumada a sua calma
E ao teu modo de tentar mostrar coragem
Esse modo bruto de mostrar que gosta das coisas
E das pessoas
Que achava que minha calma longe de você
Não existiria
Mas foi tudo sendo domesticado
E a nossa extinção arranjou explicação
As horas começaram a passar de um jeito
Mais tranquilamente rebelde
O frio que existia do lado de fora
Passou a incomodar só do lado de dentro
Quando eu vi, já estava toda coberta
Por todos os lados
Mas o maior frio ainda mora
onde
só você sabe incendiar

Uma dose de asas cortadas

Cada vez mais decepcionada com o ser humano
que é cada vez menos humano
Só uma boa dose de Bukowski
pra me fazer recuperar a lucidez
Eu já sabia que seria assim
só assim
Asfixiada e aconselhando os outros a
respirarem mais
Porque eu só acredito
no oxigênio
Mesmo quando o oxigênio
não acredita mais em mim
E agora é assim
tem essas cordas por todos os lados
e goteiras dentro das orelhas
Como um pássaro que conhece aquele horizonte
lindo
e observa a tudo com as asas cortadas
Com Dylan ao pé do ouvido
O sol me chamou pra dançar
Um horizonte que não conseguia tirar os olhos de mim
Uma imaginação trabalhando para não desperdiçar a beleza do dia
O balanço das vozes pendurando o ar em varais
Copa do mundo e férias iminentes acariciando minha pele
Um sorriso secreto escondido nas nuvens
A vida acontece de forma orgástica
Pode ser um grande prazer ou uma grande agonia
Você passa sua infância e adolescência ali parado, tranqüilo ou não
Esperando sabe lá deus o quê
Então é jogado num fluxo esmagador
E se vê obrigado a correr em direção a um objetivo desconhecido
Não importa como nem porque, você tem que chegar lá
É obrigado
A disputa é desleal e você nem sabe se o resultado desse desespero
Vai ser bom ou ruim
Pode ser um grande prazer ou uma grande agonia
Correndo sem saber pra onde, tentando chegar
Carregando um milhão de incertezas na mão
Nós somos um orgasmo do universo

sexta-feira, 4 de junho de 2010















Vai bater 18 horas no relógio, mas não vai dar 17h.
Preciso fazer as unhas, que começam a africanizar.
Sei que estou muito ansiosa, mas não fico mais magra ou mais nova com isso.
Preciso estudar, o sono não deixa.
Quero olhar aquela carinha linda do meu amigo pra ficar melhor. As horas estão congeladas.
Tenho saudade de outros tempos, de quando eu era virgem das histórias do mundo.
Mas dois aviões invadiram as torres gêmeas e tudo mudou. Era apenas irremediável.
E muitos corpos bateram no chão fazendo aquele barulho horrível de fim.
É necessário estar alegre para viver até os 102 anos.
Deus deve ser muito alegre.
O dia em que ele não foi alegre, Nietzsche teve uma grande sacada.
E o rio pinheiros chorava até ontem, antes da chuva. Agora está calmo como criança cheia de lodo no colo da mãe.
Eu não. Vejo o lodo, mas não vejo o colo da mãe.

Salas sem gravidade











Papai do céu, por que as pessoas não aprendem a calar suas bocarras?
Assim não dá, assim não quero.
Falam coisas inúteis em alto e bom som e me desconcentram. De tudo.
O tempo todo.
E eu, que já tenho a concentração de uma pipoca, tenho os pensamentos desmembrados
Flutuantes
Alheios de si
Fugazes
Suspensos do lado de fora da janela
Sobrevoando o Jockey clube
Aquela pracinha em Pinheiros
O apartamento da Daniela Cicarelli
O Palácio do Governo
E a Avenida Paulista
As horas correndo
Em sentido contrário às minhas obrigações.
E meus pensamentos organizados como bolinhas de ping pong
Em salas sem gravidade.

quarta-feira, 12 de maio de 2010













*

I’m in love.
I’m in love with the air
With the falling days
With the winter sunny skies
I’m in love with the green green grass
With the smell of the road
And the colors of the fields passing by
I’m in love with the laughs of my many friends
With the tears rolling down my eyes
My luggage is laying by the door
I’m in love and I’m gone

*