quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Amar assim...

Não estou apaixonada nem nada.
Pelo contrário. Estou justamento o contrário de apaixonada.
Nem sei se há no mundo palavra para isso. Para o que ando sentindo.
Mas sei que amar assim dói. E é bom também.
Pois tira o fôlego. E tira os pés do chão.
E arranca o juízo. E dói. E salva.

Para ouvir enquanto a chuva faz música na janela... ou enquanto o vento acaricia sua pele nesse dia cinza.

Caetano Veloso
"Pecado"

Yo no sé si es prohibido
Si no tiene perdón
Si me lleva al abismo
solo sé que es amor

Yo no sé si este amor es pecado que tiene castigo
Si es faltar a las leyes honradas
Del hombre y de Dios

Solo sé que aturde la vida
Como un torbellino
Que me arrastra, me arrastra
A tus brazos en ciega passión

Es más fuerte que yo
Que mi vida, micredo y mi sino
Es más fuerte que todo el respeto
Y el temor de Dios

Aunque sea pecado
Te quiero, te quiero lo mismo
Y anque todo me niegue el derecho
Me aferro a este amor

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

No espelho do banheiro

Quem é você?
Quem é você que me encara através do espelho?
De quem é essa imagem apagada de vontades.
De quem são esses olhos que eu já não reconheço a cor e não encontro o brilho.
De quem é esse cabelo que não sente o carinho do vento.
De quem são esse olhos que não sabem se riem ou se choram.
Quem é você que não consegue mais rir com a graça e nem se comover com a beleza ou a tragédia.
Quem é você que não sente mais dor ou prazer.
Quem é você que morre de medo de adoecer mas não quer mais acordar.
Que entrou em um labirinto mesmo sabendo que dificilmente encontraria a saída.
Quem um dia teve nobre o espírito mas age hoje com podridão de caráter.
Que se deixou frustrar.
Que deixou todos os sonhos caídos no caminho.
Que se deixou levar.
Que se deixou manipular.
Que se entregou até doer.
Que perdeu a essência, a criatividade.
Quem é você que fala roucamente.
Que perdeu a lucidez e a loucura.
Que não distingue mais dia ou noite.
Que desaprendeu a dizer não ou sim.
Que se amarrou às cordas de um títere.
Que se deixa acariciar por ventrílocos.
Que não ama mais os loucos.
Ou os sãos.
Que não ama.
Nem odeia.
Nem sente.
Nem chora mais!
Que não lembra do passado e nem consegue imaginar o futuro... Nem pensar no futuro. Nem no mais próximo.
Que caminha com os ombros caídos.
Que deixa os olhos varrerem o chão enquanto anda.
Que não expressa mais.
Que não fala mais.
Que não pensa mais.
Que não julga, nem critica.
Que não chora mais!
Que não sorri nem por desespero!
Que não tem compaixão!
Que não sabe ajudar, nem o que falar, nem como agir.
Que não consegue mais olhar nos olhos...
Nem nos olhos do espelho!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

S O L I T U D E

Aperta minha jugular entre seus dedos até faltar o ar.
Põe um elefante sentado sobre meu peito.
Pisa em meus pés com botas de salto agulha.
Quebra os ossos de minhas mãos a marteladas.
Enfia uma faca gelada em meu estômago, e torce.
Arranca meus cabelos e o couro com as unhas.
Arranca minhas unhas, uma a uma, com um alicate enferrujado.
Corta profundamente minha pele com estilete.
Quebra meus dentes e deforma meu rosto com pontapés.
ME TORTURA.
SOLIDÃO, me tortura.
Porque eu já não posso fazer mais nada.
Porque eu já não consigo me livrar de você.
Porque você me espera pelo caminho.
Porque você é o que vai sobrar em meu futuro.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Há muitas pessoas escrevendo sobre o silêncio e a solidão por aí.
Há muitas pessoas escrevendo sobre o silêncio e a solidão.
Há muitas pessoas escrevendo sobre ficar em silêncio e curtir o silêncio. Sobre meditar em silêncio. Sobre ficarem sozinhas em casa meditando no silêncio.
Curtindo sua solidão e seu silêncio. Meditando.
Descobri que preciso aprender a fazer isso.
Pois não sei.
Não sei ficar em silêncio. Não tenho silêncio.
Não sei da solidão boa de se curtir.
Sei ficar em silêncio e tenho solidão.
Talvez até sofra de solidão, mas não sei curtir isso.
Tenho uma casa sempre cheia de gente. Me pedindo mil coisas. Me cobrando mil coisas. Perguntando mil coisas o tempo todo.
Raramente tenho um momento meu.
É como se tivesse um ruído constante no meu cérebro.
Mesmo quando estou completamente sozinha e não tem ninguém cobrando, perguntando, pedindo, falando mil coisas. Há esse ruído.
Um ruído constante no meu cérebro.
Sinto solidão. Constantemente. Mas não aquela boa de se curtir. De fazer o que quiser sozinha em casa. De comer na hora em que quiser.
Nunca como na hora em que quero. Há sempre um horário imposto para isso.
Nunca tenho a liberdade de fazer o que eu quiser.
Há cobranças demais de todos os lados.
Não sei dormir até tarde.
Não posso nunca voltar para casa no meu horário.
A casa nem minha é. Estou lá de favor aos meus pais.
Até eu ganhar dinheiro suficiente para me libertar.
Mas não há dinheiro suficiente nessa cidade.
Não na minha conta.
Sei muito bem ficar em silêncio.
Suporto muito bem minha solidão.
Mas não tenho tempo ou lugar de curtir um ou outro.
Sou constantemente subjugada.
Constantemente cobrada.
Acho que preciso comprar um gato e um apartamento vazio.
Me internar com o gato no apartamento por um mês para aprender a ter um momento só meu.
Quando eu tinha um carro para usar eu tinha minha solidão e meu silêncio.
Aquele momento só meu dirigindo na Marginal, na Paulista, na Consolação. Sozinha.
Meu carro era meu refúgio. Minha liberdade. Minha paz. Mesmo que fosse por 20 minutos (o tempo que eu levava para chegar a qualquer lugar). Desafiando os únicos limites que eu tinha coragem de desafiar (a velocidade).
Não tenho mais nem isso.
Tenho só um ruído na minha cabeça que não me deixa nem pensar, nem trabalhar, nem sentir.
Só ruído.
Tudo ruído.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Loteria Romântica

Definitivamente o amor é algo aleatório.
Há pessoas que são amadas enquanto desprezam.
Há pessoas que têm tanto potencial para amar mas não são vistas da forma certa.
Há pessoas que recebem muitos tipos de amor de todos os lados
mas não sabem dar valor a isso. Apenas brincam com sentimentos.
Há pessoas que só amam.Enquanto há pessoas que só são amadas.
Há pessoas que sabem escolher quem amam e são amadas de volta.
Essas pessoas não tem um estereótipo, ou um tempo certo, ou um cupido certeiro.
Nem são mais inteligentes nem mais afetuosas.
São apenas pessoas. Enquanto o amor age aleatoriamente.
São pequenas loterias sentimentais.
Sorte no jogo ou sorte no amor?
Sorte no jogo e no amor?
Golpe de sorte?
Golpe de mestre?
Tanto faz.
Meu cupido foi dar uma mijada depois de ter errado e gastado todas suas flechas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

F R A G I L E

Ela era frágil.
Mas ninguém a manuseava com o devido cuidado.
Com cuidado. Qualquer cuidado.
E ela quebrava todas as vezes.
Até virar cacos.
Até viver em cacos.
Lentamente ela ia se recompondo.
Tentando colar os cacos.
Porém ela nunca estava inteira.
Pois sempre a quebravam antes dela se recompor por completo.
Todas as vezes.
Todas as vezes ela se entregava nas mãos dos outros acreditando que eles a ajudariam a se reerguer. A se reconstituir. Que este ou aquele finalmente seria delicado. Saberia lidar.
Saberia ser.
Mas eles não sabiam. Manuseavam de qualquer jeito.
Ela caía e quebrava.
Não é nem porque eles não sabiam.
É porque eles, na verdade, não ligavam.
Manuseavam de qualquer jeito pois não se importavam com a delicadeza dela.
Usavam de qualquer jeito.
Jogavam para cima e para baixo. Jogavam em qualquer lugar.
Atiravam na parede. Deixavam no chão.
Ela confiava. Todas as vezes.
E quebrava.
Cada vez que ela quebrava ela perdia um pedacinho dela no caminho.
Uma lasca minúscula ou não.
E assim ela ia perdendo pedacinhos importantes que a constituíam.
Mudando sua forma toda vez que se reconstituía.
Sua forma ficava cada vez mais feia. Cada vez mais delicada. Cada vez mais difícil de manusear.
Até o dia em que ninguém mais quis se aproximar.
Ela estava feia, deformada demais.
Quando alguém se aproximou demais, se assustou e a chutou, se machucando também.
Ela virou mil cacos pelo caminho.
Ela nunca mais encontrou seus pedaços.
Nunca mais conseguiu se reconstituir.
Dividida em mil cacos jogados pelo caminho, cada parte sua espalhou-se pela cidade.
Passou a viver assim. Nos sapatos dos outros.
No balanço do vento. Nas esquinas, nas calçadas. No chão.
Em mil pedaços que brilhavam para cada um que passava.
Para cada um que passava ignorando seu brilho.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Insônia - Serendipities

Tive mais uma noite insone.
Mas acordei bem.
Muito bem.
Estranho.
Havia algo diferente no ar essa manhã.
Um cheiro diferente.
Um cheiro de novidade.
Uma brisa de vida nova.
Deve vir coisa boa pela frente.
Minha intuição tem tentado me sussurrar muitas coisas.
Mas desaprendi a ouví-la.
Essa manhã foi diferente.
Ouvi um sussurro. Um sussurro de novidades boas pela frente.
De mudanças.
Tomara que as mudanças, as novidades, a vida nova, seja tudo pra melhor.
Há tempos aguardo uma melhora.
A vida anda precisando de coisas novas.
Emprego novo, carro novo, namorado novo, salário novo (e mais alto), um curso novo. Saúde novinha em folha.
Tudo novo.
Dizem por aí que 2008 é um ano de recomeço, numerologicamente falando.
Preciso consultar um numerólogo.
E uma cartomante. E o horóscopo. E as runas. E qualquer coisa que me fale do meu futuro, da minha sorte, do meu destino. De minhas serendipities.
Reavaliar muitas coisas.
Me reinventar. Mais uma vez.
Preservar o que e quem me faz bem. Agregar apenas coisas e pessoas boas.
Pensar muuuuuuuito mais antes de agir.
Agir apenas quando valer a pena.
Recuperar aquele ar bom, aquele brilho e energia que a praça me dava quando comecei a frequentá-la em 2006.
Em finais de semana sozinha. Quando eu não conhecia ninguém...
Em tempos de Aldeotas. Em tempos de Coçando o Saccro. Tempos de Macbeth. Em tempos de Inocência.
Escolhi as companhias adequadas para tais momentos.
Voltarei à praça. Mas para redescobrir o que sempre me atraiu por lá.
A Arte pela Arte.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

R E S P E C T

Respeito...
É tudo que tenho procurado nas pessoas.
Não encontro em lugar nenhum.
O egoísmo deve estar na moda...
Predomina.
Eu nunca fui dada a seguir as tendências.
Muito menos as egoístas.

Ando com uma certa aversão a tudo e todos.
Uma espécie de enjôo homérico do mundo.
Como se estivesse grávida de opiniões e sentimentos.
Estou grávida de sinceridade.
As mentiras, a falsidade, os interesses, me embrulham o estômago.
Tudo isso configura uma falta de respeito sem tamanho.

Não vou enganar ninguém mais.
Não vou me enganar mais.
Serei sincera.
Nem que para isso tenha que parecer grossa.

Terei que voltar a cultivar muuuuita paciência.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Sem ensaio

Eu procurava alguém com quem eu pudesse dividir um silêncio confortável.
Sem aquela obrigação de preencher os espaços dos diálogos vazios com palavras fúteis.
Apenas um silêncio confortável.
Olhar direto na sua pupila não incomodaria.
Alguém que realmente estivesse ali.
Satisfeitos. Um ao lado do outro.
Para entender bastaria um olhar.
Um sorriso. Um levantar de sobrancelhas.
Nossos corpos se encontrariam o tempo todo. Mesmo sem mãos dadas.
Apenas cabeça no ombro, braço no antebraço, pé com pé.
Sem ensaio.
Nossos corpos dançariam em sintonia, sem música. Inconscientes. Mas seguindo a mesma melodia cotidiana.
Se houvessem problemas, estes teriam a forma de um balão. E nós seríamos as pontas de um mesmo alfinete.
Noites carregadas de vinho, conversas e sexo.
Vidas carregadas de respeito e sensatez.
Ambos muito conscientes. Independentes.
Mas inseparáveis.

Mas...
Decidi não buscar mais o amor.
Em prol de minha própria libertação.

Restos do que um dia não foi amor...

Esse são os restos. Meus restos. Só os restos.
Não sei se foi amor. Mas sei que dói.
Continua doendo. Mesmo após todo esse tempo.
Não é a rejeição que dói.
Dói não te ter aqui. Do meu lado.
Dói ter o coração assim tão vazio. Vazio de você.
Dói ter que fingir que estava tudo bem. Principalmente quando não estava.
Quando sua atenção não era minha.
Era dispersa. De todos os outros. Menos minha.
Menos minha. Cada vez mais menos.
Dói menos agora.
Lembro menos de você. Isso é triste.
Pois eu gostava de gostar de você.
Menos dor, menos lembranças, menos amor. Qualquer tipo de amor que eu insistia em ter por você. Agora é menos.
Até ser nada. Nada de dor, nada de lembranças, nada de amor, nada de você.
Nada.
Só nossa folia nos feriados.

Se fosse resolver
iria te dizer
foi minha agonia
Se eu tentasse entender
por mais que eu me esforçasse
eu não conseguiria
E aqui no coração eu sei que vou morrer
Um pouco a cada dia
E sem que se perceba
A gente se encontra
Pra uma outra folia
Eu vou pensar que é festa
Vou dançar, cantar
é minha garantia
E vou contagiar diversos corações
com minha euforia
E a amargura e o tempo
vão deixar meu corpo,
minha alma vazia
E sem que se perceba a gente se encontra
pra uma outra folia

Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Cyber Talks

Resposta a um amigo no orkut...

Achei divertido. Queria compartilhar. Mais uma vez.

"1º O blog é: www.cabarepsicodelico.blogspot.com

Mas não ando numa fase boa de escrita.

Não, não sou sado. Só estou do lado de fora. Não participo. Talvez por escolha.

Não estudo nada que estude a massa, a humanidade, o homem, ou derivados.

Não me integro porque nasci uma outsider.

2º Ponta do pelo do coelho??? Agora quem me deve explicações é você.

Não sou lunática. Talvez eu pense demais. Talvez eu seja realmente uma lunática. Mas prefiro acreditar que ainda não. Assim é mais confortável. Também não há mundo paralelo. Há sim um mundo dos seres humanos de verdade. Mas daí é outra teoria.

Se eu digo que a cidade morreu, não é porque eu odeio o mundo, a vida, a cidade, ou porque não me enquadro, ou não pertenço. Não é nenhuma dessas crises existenciais “emos” ou de sentimentos mal resolvidos na infância.. Se eu digo que a cidade morreu é porque ela realmente está morta há muito tempo. Com pessoas que agem como se estivessem mortas. Sem raciocinar. Se deixam levar por quaisquer influências. São comuns demais. Despreocupadas demais. Inconscientes, frias. Submetidas, subjugadas. Caracterizando, compondo uma cidade sem seres humanos reais. Uma cidade morta. Um país morto. Um mundo morto.

Daí a personalidade blasé. A falta de interesse no que está ao redor. A sensação de já ter visto, ouvido, vivido tudo. Da previsibilidade das pessoas.

Ao mesmo tempo em que sei que há sensações, sentimentos, momentos, que compensam toda essa previsibilidade e monotonia da vida. Daí a vontade de viver intensamente a cada rotação da Terra. Uma vontade que essa intensidade dure eternamente. Como se respirar tivesse o efeito de uma boa “bala”.

Nietzsche, Bukowsky, Bertollucci, esses caras decifraram o ser humano. O Homem. As dunas em que escolhi sentar foram construídas por eles. Partilhamos da mesma linha de raciocínio. Estamos do lado de fora do parque olhando para a roda gigante.

Se luto? Não luto, não vale a pena. Se luto? É uma luta silenciosa. Faço quantas cabeças eu quiser, quantas eu puder. Mas somente aquelas que acredito terem potencial. Somente aquelas que eu escolho.

Demorei um ano? E você? Vai precisar de um ano para continuar me analisando estudante de psicanálise?

Gostei desse meu desabafo. Vai pro blog na íntegra.

Beijos e piruetas no miolo do vinho com as unhas vermelhas..."

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Besides...

Apesar da pouca idade,
já vi, já fiz, já ouvi, já soube de muitas coisas que não deveria. Ou deveria.

Apesar da muita idade,
perdi minha liberdade.

Mas esse ano vai ser diferente.

Eu acho injusta demais essa história de que só pai e mãe amam verdadeiramente.
Quando eu amo fácil demais aqueles que não são eles. Além deles.
E aqueles que nem merecem...

Sob o Pôr do Sol - Versão Real e Sem Cortes

Essa é a verdadeira versão da história anterior.

Ela desceu a rua, daquele jeito descrito, enquanto o sol se escondia no horizonte.
Mas o menino hippie nunca passou.

E quando o menino hippie passou, ele não olhou para ela.
Simplesmente porque ele, e todos os outros homens, não notariam uma menina descabelada e cansada pela rua.
Não ligaria para a inspiração que um pôr do sol em São Paulo traz.
Não notou, simplesmente porque ela não era alta, loira e magra. Porque não estava bem vestida.
Porque não se chamava Gisele Bündchen.

A verdade é que ele nunca passou.
Mas ela sempre esperou.

Ela sempre esperou pela única coisa que não possuía.
Que nunca teve. Que não pode nem deve ser nomeado em um mundo onde isso não existe mais.
Em um mundo que vê isso como fraqueza. Quem assume isso é brega...

"O importante é a quantidade, é ser pegador", muitos diriam.
"O importante é ser bem cotada, popular, a mais gostosa, a mais bonita", muitas diriam.

Só os fracassados praticam disputa de egos. Dura realidade. Sinto muito. Na verdade, não sinto muito coisa nenhuma.

Os "fodões" não precisam disso. Estão acima disso.

Não tem pendências de baixa auto-estima adolescente.

Mas a verdade é que o menino nunca passou.
Quando passou, não a viu.
Quando a viu, não a encarou.
Quando a encarou, não a assumiu.

Covardes. Filhos mimados. É isso que vocês são.
Disputas de egos infláveis. Podem continuar meus queridos... isso não vai levá-los a lugar algum.

Ela só queria ser amada. De uma forma simples e sincera.
Talvez "com sabor de fruta mordida".
Era só isso.

Ela era amada. Pelos pais dela.
Que a amavam por convenção.
Não por obrigação, pois nem os pais são obrigados a amar seus filhos.
Apenas por convenção.
Porque se pais e filhos não se amam estão pecando.
É nisso que eles querem que nós acreditemos.

A verdade é que ninguém é obrigado a amar ninguém.

Mas ela continuava esperando o menino passar.
Se ele pelo menos olhasse para ela.
Nem tudo teria sido em vão.

Ela só precisava disso.
E não sabia o que fazer para conseguir.
Não sabia onde ir para conseguir.
Não sabia como agir.
Nem como lidar.

Pois também não sabia amar.

É só mais uma que vai continuar buscando algo que nunca existiu.
Se existiu está extinto.
Há muitos colaboradores para isso.

Viva a nova era!
Viva a disputa de egos infláveis...
Vai lá. Pode ir lá ver quantos mais vão olhar pra você.
Cuide para ser a mais bonita e cobiçada, ok?
Infle bem seu ego, ok?
Pode ir.

Não se preocupe comigo.
Fiz questão de romper meu ego.
Estou fora dessa competição há muito tempo. É que perdi a paciência para coisas assim.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Sob o céu estrelado - Meu final feliz

Antes de qualquer coisa, saibam que tenho verdadeira aversão por finais felizes. E, ao mesmo tempo, adoro quando estes se realizam na vida real.
Segue abaixo um final feliz que escolhi para mim, quando decidi reescrever minha história.
Poder ser bobo ou infantil, mas o amor é assim. Pode ser ridículo ou impossível, mas vou continuar esperando.


Sob o céu estrelado
Ela descia a rua com seu sapato social, sua calça social e sua blusa não tão social. Uma bolsa sóbria a tiracolo e os fios do Ipod conectando Mozart ao seu ouvido e pensamentos.
Ele subia a rua com sua calça xadrez de pano e sua bata indiana. Algumas pulseiras feitas à mão e colar de sementes. Uma mochila nas costas, uma gaita no bolso e um blues nos pensamentos.
O sol se punha ao fim da rua, em um dia que não era quente ou frio. Ameno. Logo em frente aos olhos dela.
O rapaz era lindo. Ela era normal. Nem alta, nem baixa. Nem gorda, nem magra. Ele era esculpido pela natureza. Cabelos loiros bem curtos, raspados, e pele dourada. Naturalista e vegetariano. De alma hippie. Ela, mesmo tendo um cotidiano capitalista, tinha seus refúgios alternativos. Também possuía uma alma hippie. Um lado adormecido em sua vida.
Ele a avistou. Ela tinha cabelos bagunçados, levemente ondulados e bem escuros. Pele desbotada de quem não sai do escritório ou da cidade há um bom tempo, mas não branca. Cheiro de um dia inteiro no corpo, hormônios e alguma fragrância adocicada.
Ela completamente distraída por suas preocupações, pelo Ipod e pelo sol, não notou o rapaz de alma livre do outro lado da rua. Ele, sempre discretamente antenado, atravessou a rua em direção à menina descabelada decididamente.
Ele, rapaz de ações firmes, parou na frente daquela menina comum, abordando-a com um sorriso inteligente.
Ela, devolveu ao sorriso um olhar desconfiado, escondendo o deslumbre causado por aquela beleza masculina, e titubeou.
Ele se apresentou: “Prazer, sou seu namorado”.
Ela devolveu: “Você demorou em me achar”.
Naquela calçada, eles se encararam por dois minutos. Ela, crente que ele estava arrependido, retomou seu rumo. Ele correu atrás dela e lhe deu um livro, o qual não mostrava título nenhum na capa.
Ela abriu o livro. Na página de dedicatória havia um convite escrito à mão para uma caminhada na Paulista e um telefone anotado.
Ela levantou os olhos do livro, com um meio sorriso esboçado nos lábios, dizendo: “Eu nunca vou te ligar”.
Ele, sentindo as intenções dela, retrucou: “Me dê esse resto de tarde então”.
Passaram a tarde toda numa livraria ali perto.
Jantaram juntos diversas porcarias vendidas na rua. Se descobriram juntos. Mas não dormiram juntos. Ele não quis.
Ele queria deixá-la com saudade. Fazer tudo certo dessa vez.
Ela, não se sentiu rejeitada. Pela primeira vez.
Eles se despediram na mesma calçada em que se encontraram.
Cada um voltou para sua casa, sem trocar nem um beijo. Apenas olhares. Longos e cúmplices.
Uma semana depois, ele a estava esperando na calçada.
Pediu a ela mais uma vez um resto de dia junto dele.
Em meio aos livros daquela livraria ele a pediu em namoro. Mais uma vez através da página de dedicatória de um livro. Primeiro presente dele quando ela o aceitou.
Foi tudo junto, o pedido de namoro, o primeiro presente e o primeiro beijo dos dois. Naquela noite, eles dormiram juntos.
Um mês e nove dias depois ele a levou ao teatro, para assistir à peça de alguns amigos dela. No meio da peça havia uma cena em que um casal discutia. O rapaz queria casar mas a moça não. No meio da cena e da discussão o rapaz-ator entregou a aliança à moça-atriz. A moça-atiz convidou a menina descabelada da platéia ao palco. O rapaz-ator convidou o namorado da menina descabelada ao palco. Em cena, os atores interrogaram a menina descabelada. Perguntaram a ela se ela aceitava se casar com seu rapaz hippie e loiro.
Dois meses depois eles estavam casados.
Em dezembro eles passaram o Reveillon juntos, descalços em alguma praia deserta. Ambos vestindo apenas batas brancas e roupas de banho por baixo.
Estouraram três champagnes. Fizeram de tudo juntos. Estavam felizes por finalmente estarem juntos. Adormeceram sob o céu estrelado.
Ele satisfeito por estar com ela e mais ninguém.
Ela plenamente linda e grávida.
Sob o céu estrelado.
Agora é hora de respirar mais fundo...
De tomar banhos de chuva...
Agora é hora de voltar à praça, que apesar da simplicidade e das loucuras, colore nossos dias cinzas paulistanos e nos mantém sãos.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

My Backyard

Cheguei na cidade.
Marquei de ver outras pessoas.
No fundo aconteceu o que eu queria. O que eu imaginava.
Naquela avenida favorita o avistei.
Natural, como só ele sabe ser.
Fantástica coincidência do acaso... que uniu nosso último momento juntos, minha última noite lá, no inverno, e nosso primeiro reencontro entre tantos outros, em meu primeiro dia de volta àquele lugar, no verão.
Nossos cinco minutos de serendipity... talvez a felicidade tenha dançado só ao meu lado. Talvez para ele não tenha significado nada. Talvez não.
Pelo menos para mim foi especial... deliciosos 5 minutos.
Um abraço longo, aconchegante e cúmplice.
5 minutos ao lado dele, que salvaram e fizeram valer todo o resto dos dias seguintes.
E ele não sabe o valor que tem para mim, ou talvez não se importe. Simples assim.
Desculpe se não sei demostrar e agir da maneira correta, mas se persisto em você é porque acredito que nós valemos a pena.
Foi isso.
Apenas um abraço longo.
Olhares cúmplices.
Minha adoração por ele se insinuando em meu sorriso.
Uma despedida sem jeito.
Um segredo que queria se revelar mas não poderia.
"Certos segredos desencantam... entenda."
Não o vi mais.
Ficou uma saudade no pensamento. Ficou uma saudade na pele.
Saudade do carinho sutil que você fez, sem perceber, no meu cabelo.
Sobrou aqui ao redor essa falta daquele seu abraço.
Daquela nossa lua.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Borboletas Contra o Parabrisa

Na balada dia 31/12. Por volta das 4 da manhã, dentro do PUB em Marília, ao som da banda D3:

Borboletas Contra o Parabrisa

É, Roleta Russa.
If you don't dig dancing, just don't try.
Coloquei gelo na minha sopa.
Sobra medo em meu sangue.
Mais um tapa não vai dar.
Eu não aguento mais. Falta paciência em meus ossos.
Há gelo em meu sangue, paralisado.
Minha espinha dorsal paralisada, temendo 2008.
Na cabeça estava tudo resolvido.
Na prática não há saída. Há saída mas não há caminho.
Sou Alice mas não alcanço a mesa de bolo.
Preciso crescer mas as correntes não deixam. Não me deixam.
Vai dar tudo certo. Tem que dar tudo certo.
Vou acender uma vela. Por mim e por você.
Uma oração, por mim e por você.
Resolução, por mim e por você.
Meu coração paralisado paira no silêncio, suspenso, à espera.
Nessa espera de que tudo dê certo.
Tem que dar certo, por mim e por você.
Mais por mim.
"Sou joguete do destino", e não quero mais.
Não tenho mais paciência.
Não quero esperar anymore.
Mas tudo que posso é esperar.
Estou trabalhando, torcendo, tramando para que o acaso, o destino e as coincidências estejam a meu favor.
Tenho tanto a realizar, e nem as palavras me acompanham mais. O medo não deixa.
A Alice está encolhendo.
Shrinking, falling down, catch me and throw me against the wall.
I'm your little doll. Please don't play with me. I'm not unbreakable.
I may look and act like a monster, like a monkey, but I have the heart of a Koala Bear inside a crystal soul.
Help me stand up. Catch me before I fall and lose it all.
Tudo vai dar certo. It has to.
O medo está encolhendo minhas idéias e transformando minhas batidas vitais em pesadelos.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Blood secrets

E é assim que vou terminar o ano?
Os cabelos caindo de preocupação.
Cansada de mim mesma.
Cansada de viver minha história...
Cansada das minhas besteiras impensadas e principalmente das besteiras pensadas.
Prometi a mim mesma, fiz um juramento, em 2008 não bebo mais. Pelo menos não até perder a razão e deixar o coração dominar tudo.
Mas prometi a mim mesma não perder mais a razão. Não posso. Ando tomando tapas demais na cara.
Eu não suportaria mais um tapa.
Não é justo. Justo eu que sempre fiz e quis tudo certo.
Um escorregão, uma pisada na bola e fode tudo.
A vida anda intolerante demais comigo.
Eu não aguento mais.
Não planejo mais.
Só espero e rezo para que tudo dê certo.
Estou com muito medo.
Muito medo.
Se ele vier, juro que vou dá-lo a quem poderá arcar, cuidar dele.
Não posso. Não quero. Não consigo.
Não nesse momento.
Vai estragar tudo. Ainda mais.
Estou gritando socorro onde o som não se propaga.
Vou ficar muito sozinha.
Socorro. Socorro...
Estou perdendo o coração pela boca.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Too fast

O tempo está passando rápido demais para Eva Green...
O tempo está passando rápido demais para mim.
Mas minha beleza não é efêmera, como essas que vejo em bancas por aí.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Din Don

Então é natal...
Lá vamos nós para mais uma noite de comilança, diversão e solidão no meio da multidão...
E eu só espero que tudo dê certo.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Sarau

Foi nosso primeiro sarau...
Saiu assim meio de improviso, meio descalculado.
Mas saiu maravilhoso.
Íntimo.
Para poucos privilegiados.
Nasceram ali muitas idéias, projetos esperançosos para 2008.
Aprofundou-se a amizade.
Estabeleceu-se um grupo.
Nasceram profissionais das artes.
Do mundo da escrita, da música e dos palcos...
Um brinde!
Muito sucesso, muita merda e muitas idéias para nós!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Para embalar a sexta-feira

É disso que ando sentindo falta.
De ser olhada.
Bem olhada...
Admirada devidamente.
Sem precisar ter algum resultado... positivo ou negativo.
Apenas estar ali e ser olhada.
Desejada. Despida pelo sorriso, pelo olhar de alguém.
Perder o fôlego, sentir as pernas falharem, ter palpitações, corar sem graça...
Sem precisar sequer ser tocada.
Mas os caras desse nosso presente andam muito sem imaginação.
E eu ando cheia de investidas ousadas.
Chega... Parei com isso.
Farei greve até encontrar um daqueles olhares... que tiram sua roupa e seu fôlego.

"Malemolência"
Céu
Composição: Alec Haiat / Céu

veio até mim
quem deixou me olhar assim
não pediu minha permissão
não pude evitar
tirou meu ar
fiquei sem chão

menino bonito
menino bonito ai

ai menino bonito
menino bonito ai

é tudo o que eu posso lhe adiantar
o que é um beijo se eu posso ter o teu olhar
cai na dança cai
vem pra roda da malemolência

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

No farol atrás das brumas...

Muitas vezes olho para ela subindo as escadas e fico com dó da dor, com medo de um passo em falso, fico apreensiva com uma possível queda.
Fico me perguntando até quando ela vai conseguir subir uma escada.
Ela segura as coisas já sem firmeza, e eu me pergunto se ela vai conseguir segurar os netos.
Se ela vai ter saúde mental e física para isso.
A cada dia noto uma nova ruga. E desconheço um pouco mais um rosto que já foi tão lindo.
Os pensamentos já não acompanham as conversas.
O raciocínio está mais lento. A memória falha o tempo todo. A atenção é muito dispersa.
O brilho dela diminuindo.
A saúde titubeia.
Se eu fico muito tempo longe, ela entra em depressão, coisa de velho que tem medo de ficar sozinho. Mais carente, mais sensível.
Mais mal humorada.
Todos os dias.
Todos os dias ela me cobra um bom emprego, um bom salário, um bom casamento e netos.
Sei que é porque ela quer me ver bem, estável. Mas não sei se conseguirei dar isso a ela em tempo.
Preciso dar isso a ela.
Ela é tudo o que tenho.
Mais nada.

... e no futuro,
quem vai cuidar de mim?
Quem vai cuidar de mim...

Affffff...

Eu deveria estar dormindo uma hora dessas...
Mas não consigo.
Muitas coisas in my head...
Vou tentar... amanhã, quer dizer, hoje será um big long day.
Só para registrar: são 00:43 am.
É cedo.

Vou pro cinco contra um... quem sabe relaxo e durmo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

É galera...
Sempre descobrindo novos talentos.

Som bacana e caras gatos!

Vale a pena conferir.

http://sublimecover.blogspot.com/

Aguardo o próximo show...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Projetos 2008

- Fazer aulas de canto
- Fazer aulas de dança
- Prestar Célia Helena e ser aprovada
- Prestar EAD e ser aprovada
- Ganhar um excelente salário
- Achar paz interior
- Descobrir o que é realmente importante na minha vida
- Casar antes do final do ano
- Engravidar antes do final do ano (somente se eu casar)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Cianureto: elas estão chegando

Ela está chegando.
Eu posso sentir.
É sempre assim perto do natal.
Eu já deveria estar acostumada.
E tudo vai passando cada vez mais rápido.
Começou tudo dando certo e terminou tudo dando errado.
Ok, nem tão errado assim. Poderia ter sido pior.
Pelo menos eu tenho casa, comida e roupa lavada.
Isso não é tudo o que alguém pode querer na vida.
Quero fama e dinheiro também.
Quero independência.
Mas acima de tudo, quero ser amada. Por completo. Exatamente do jeito que sou.
E isso ninguém conseguiu fazer ainda. Nem meus pais. Nem eu.

Acho que estou perdendo o juízo.
Creio que estou perdendo o juízo.
Em todos os lugares, em qualquer momento, ouço pessoas gritando meu nome.
Minha criação espiritual tem toda uma explicação fundamentada para isso.
Mas na prática, é bem estranho.
Apesar de qualquer explicação, não consigo encontrar uma explicação.

Estou me esvaziando de mim mesma.
Tem uma goteira aqui e não consigo achá-la.
Há perda de sentimentos, perda de energia.
Uma vazão desagradável, incontrolável.

Estou no alto e no baixo.

Na bipolaridade. Intercalando euforia e depressão a cada dois minutos.

Não consigo controlar. Mas todo natal é assim.
Elas vêm me atormentar.

Minhas pernas não sabem para onde correr.
Estou sem ação.
Tudo o que eu queria era sentar no meio da Av Paulista com um livro na mão e ler, surda, em meio aos carros.

Há essa torneira vazando no meio do meu peito.
Bem aqui. Sem lágrimas.
Apenas essa água cristalina indo embora.

Minha cabeça pede diversão.
Meu coração pede colo.
Minhas veias cianureto.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Weekend impressions

Prova de alemão.
Unhas feitas. Carona dos pais.
Confraternização com pessoas brilhantes e queridas.
Críticas e elogios.
Minha atenção se volta para um cara mais velho, fora dos padrões, mais inteligente, mais interessante, meu pirata. Projeto a longo prazo.
Bar com amigas. Reflexões, desabafos.
Rápida aparição do ilustre Nelson.
Reencontro com amigos.
Presente.
Mais elogios. Mais cerveja.
Risadas e confissões. Abraços, cumplicidade.
Brinde ao sucesso.
Paqueras inesperadas. Olhares cúmplices.
Tchau praça.
Táxi e trânsito. Muito trânsito!
Amigas outras.
Maquiagem, produções e fotos.
Egos infláveis...
Festa a pé.
Disputa de vaidades e discotecagens.
Telão. Decoração. Casarão.
Uma porcentagem da turma da praça se transferiu para o casarão perto da Paulista.
Eu sou Paulista.
Não tenho mais paciência para a futilidade desses garotos. Nem para a disputas de egos infláveis ou de vaidades.
Passo a noite muda e dançando minimamente.
Bebendo minimamente.
Alguns olhares discretos interessados, interessantes e novos, porém, não tenho mais paciência para isso.
Sorry boys... it's just the wrong day.
Sarcasmos múltiplos. Metralhados em todas direções.
Alguns nem mereciam meu sadismo.
Brigas de namorados... submissões.
Cafajestagens.
Ando beeeeeeeemmmm cansada da futilidade de certas pessoas.
Amo o teatro. Mas como em tantos outros meios, vemos tantas coisas, ações, pessoas medíocres.
A sorte é que quando encontramos algo bom nesse meio, daí esse bom realmente vale a pena. Não é só enganação.
Very few people know what I mean...
Voltar para uma casa que não é a minha, comer e dormir.
E eu só queria minha cama.
Eu só queria que tudo valesse a pena como antes das lágrimas. Como antes dos ruivos.
Eu só queria que tudo valesse a pena.
Dormir misturando reflexões e sonhos das 6 a.m. às 10 a.m.
Voltar finalmente para casa, vestindo um ônibus e um Ipod, e maquiagem borrada.
Encontrar o sofá disponível dentro de minha agenda depois de meses.
Dormir enquanto a televisão me olha. Acordar, comer.
Dormir, acordar, comer.
Agredir as teclas do Jack enquanto a palavras se arrastam na tela.
Me encaram da tela.
Muitos de meus pensamentos andam me julgando ultimamente.

"Não importa o caminho quando não se sabe aonde quer chegar"

Assisto ao filme "DOMINO" e considero firmemente a possibilidade de me tornar uma caçadora de recompensas.

Meu pai foi viajar. Minha mãe já foi dormir.
Os cachorros dormem e sonham com ossos de elefantes em suas casinhas.

Restamos só eu e o Jack à meia luz, nos encarando.

A árvore de natal piscando.

Tento não pensar na rotina que recomeça daqui algumas horas de madrugada.

Pelo menos há as luzes. Pelo menos há uma árvore.
Pelo menos haverá natal.

Já pra cama!

Boa noite,

F.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Genes Brilhantes!

Muito bem!

Que seja pelo bem da ciência, pelo bem do ser humano...

Agora fazemos gatos que brilham, quando expostos à luz ultravioleta, através da manipulação genética.

Muitas vezes acho que esse cientistas estão é tirando onda da humanidade.

Estão brincando de deuses tempo demais.

Ou será que eles são realmente deuses e estão tirando onda de nós só para passar o tempo?

Enquanto nós temos crises existenciais e muitos outros sofrem problemas reais esses deuses brincam com nossa estrutura molecular.

Milhões investidos em pesquisas para gatos brilharem no escuro e nada feito a respeito das crianças prostituidas no nordeste, nada feito pela seca, nada feito pelo desespero mudo da vida na favela, nada feito pelo choro seco e rouco daqueles que passam fome na África, daquele que nasce e é enterrado vivo ou atirado no rio dentro de um saco plástico com poucas horas de vida, daquele que cheira cola na esquina de sua rua...

Até que ponto isso é válido?


Chega de panfletagem! Vamos Agir. Mas, por onde começar?

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Blindness (ou) Asfixia

I woke up today
The streets were dead
The sun was quiet
My heart was empty

I danced through the ways today
The streets were empty
The sun had hidden a secret
My love was dead

The sun was quiet today
Everything around was looking inside of me
I had hidden a broken secret in my heart
The sun kept on shining inside my head

I woke up today with frozen tears
I had no mouth
My eyes tried to show my words to the world
But everything around was blind
And I couldn’t speak, or hear, or cry.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Across the Universe

Agora sei bem porque devemos todos assitir ao romancezinho musical chamado "Across the Universe"

Porque é um musical.
Porque é surreal e psicodélico.
Porque tem uma influência fantástica de beatles.
Porque é político. Porque mostra o amor de um artista. Porque todos artistas são intensos.
Porque é moderno e careta. Porque fala de liberdade.
Porque trata da guerra.
Porque não é mais um romancezinho qualquer.
Porque é uma obra de arte.
Porque é algo irreverente em meio a tantas coisas batidas.
Porque pode ter surpreender e marcar sua vida para sempre.
Porque pode simplesmente não mudar nada, mas ser um bom jeito de gastar o tempo.
Leve uma mão para segurar a sua.
Eu não levarei. Não sei se terei uma mão carinhosa.
Não levarei, pois não sei se quero que me vejam chorando.
Chorando justamente pelo tipo de amor, de história de amor que eu gostaria de ter.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Spotlight

Eu poderia dizer tantas coisas agora.
Tais como: o fato de que eu odeio romances no cinema mas adoro musicais.
Mas justamente por ser um musical moderno, de músicas bonitinhas, de namoradinhos or whatever, eu quero assistir. Pelas músicas cantadas por um gatinho, principalmente por aquela música dos beatles...

http://www.acrosstheuniverse.com/

A proposta é interessante... atores que cantam e dançam... ahá! E ainda atuam...
"Estou demais nesse mundo."
Deve ser justamente isso que minhas amigas estão falando nesse exato segundo na praça Roosevelt, enquanto eu fico degladiando com o teclado do Jack (para aqueles que perderam os textos anteriores ou são meio lerdinhos, Jack é meu notebook, my new best friend).

Anyways... minha cachorrinha está deitada em meu colo... escorregaaaaando enquanto bato nessas teclas. E nesse momento isso me satisfaz. Meus cachorros, brincando aos meus pés ou dormindo no meu colo. Me amam gratuitamente. Entram em deperessão se levam alguma bronca minha. Amor de graça. O que mais posso querer?

Voltando aos romances, por que não ver o filme? Por que ver?
Filmes românticos retratam pretensiosamente na telona tudo aquilo que nós sabemos que nunca será verdade no cotidiano. É um exagero e uma ingenuidade descabida em relação à imaginação, criatividade e dedicação masculina.
Mas essa pode, de repente, ser uma impressão só minha.
Pelo menos nunca vivi o outro lado dessa realidade. Romance para mim sempre aconteceu a duras penas... quando aconteceu.


Mudando de alhos para bugalhos (essa expressão é assim mesmo? Patética!)
Palco no mesmo nível da platéia.
There was no spotlight (sem holofotes).
Uma mesa, uma cadeira.
Uma menina descabelada com a saia mais curta de sua vida. Um cara vestido de malandro.
Maquiagem carregada. Meia arrastão.
Muitos cigarros. Uma bolsa escancarada ao público. Escancarando a idade e sentimentos da personagem.
Humilhação. Intensidade pura. Lágrimas. Jogo.
A maquiagem, as roupas, as lágrimas... nem nada mais ali fazia parte de mim.
Apenas o chão. O chão sim era meu. Pisava com firmeza. A cada passo se sentia mais acolhida e colocada.
Ao fim, aplausos.
Leveza. Sensação de encontro. Talvez reencontro. Encontrei meu lugar.
Esse palco e todos os outros me pertencem. Eu sou deles por completo.
Sensação de finalmente estar fazendo algo certo na vida. Finalmente.
Puro tesão. Por tudo ali.

Agora só falta o TCC. Só falta concluir o semestre de alemão.
Agora só falta um amor.
Agora só falta você.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Cai o mundo aqui ao lado.
As gotas na janela impossibilitam ver qualquer coisa lá fora.
Até as flores, até os espíritos.
O mundo vem castigando nossos dias.
Nem por amor às crianças de férias.
As propagandas estão ficando cada vez mais subversivas...
Unhas postiças sendo vendidas até em bares. Termômetros.
Céu azul. Escuro. Céu azul-marinho.
A cidade vem me dar boa noite mais cedo essa tarde.
Mas não...
O sol beija meus olhos por mais meia hora.
Só ele me basta. Brilhou sobre mim uma vida inteira. A minha vida inteira.
Sem abandonos, sempre lá no alto.
Iluminando meus dias.
Se devo esperar algo de bom de alguém, ou de qualquer coisa nessa vida, é dele que devo esperar.
Meu amor. Meu sol.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Acorda. Enrola na cama.
Mais cinco minutinhos.
O despertador gritando.
A mãe gritando.
Levanta.
Se arrasta até o banho.
Cochila em pé debaixo da água quente.
Se apressa para não perder o horário.
Inútil a pressa. O horário já está perdido.
Ela já está perdida e o dia ainda começa.
O ônibus atrasa uma hora só para contribuir com o stress matutino.
Conhece pessoas na rua que sempre esperam muito tempo.
Que sempre esperaram e não têm saída, alternativa, opção.
Ela sente compaixão por aqueles pés de galinha, pelos riscos na testa, pela postura de dor nas costas.
Sente vontade de chorar. Mas só consegue esboçar um sorriso solidário à dor alheia.
Os olhos dos outros, donos de tantas rugas e preocupações, não entendem o olhar triste da menina e sorriem sem graça, em troco ao sorriso que marca o jovem rosto dela.
Sobe no ônibus. Abre os últimos tempos do velho Buk.
Ipod no canal auditivo. Bjork embala sua manhã.
Ônibus quebra (!). Rosna.
Agradece ao universo por existir a música e Bukowski.
Chega no trampo sã e salva.
Enfrenta mais uma vez, mecanicamente por fora, redemoinho por dentro, o cotidiano.
Os mesmos rostos. Os mesmos gestos. Os mesmos sorrisos amarelos.
A mesma posição, o mesmo computador.
As mesmas ladainhas. O mesmo toque do telefone. Os mesmos problemas.
E-mails lotam sua caixa de e-mail e entopem sua paciência.
Mais do mesmo.
Ela lembra da cena do baile do "Romeu + Julieta" de Baz Luhrman.
A drag, amiga do Romeu, dando showzinho e mechendo o dedinho.
Eles se casam e Julieta vai para o céu com o bolso cheio de pílulas e os miolos espalhados sobre Romeu.
Ela pensa no Romeu que não tem. Que, por isso, não choraria por sua morte.
Ela morre por dentro mais um pouquinho.
E naquelas pequenas mortes dela, não há presença alguma.
Não há olhar triste ou compaixão alguma.
Há só solidão... enquanto a roda gigante se mantém rodando iluminada e ela permanece sentada nas dunas do deserto. Só olhando as pessoas vibrarem lá no alto.
Deixa elas acreditarem que estão voando e que a cidade é colorida.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Deságua

Vou me esvaziando das pessoas.
Tenho essa tendência de ir me esvaziando das pessoas... enjoando...
Primeiramente, é tudo intenso, lindo, delicioso, psicodélico, extremo, divertido.
Depois... os lugares cansam, as conversas cansam, as risadas cansam.
Os olhares já não conseguem se sustentar, perdem o motivo e o brilho.
Não há mais porque se olhar.
As roupas perdem a estica. Vai ficando tudo amassado do lado de fora.
E aqui dentro.
Perde a graça.
A maquiagem parece estar sempre borrada.
A pele sempre machucada, amarelada.
Os olhos secos. O sorriso opaco.
O sorriso cai da boca. A boca assume um risco reto e sério.
Não há mais paciência, só a bebida e a decadência.
A atmosfera, que um dia foi encantadora, misteriosa e bela, torna-se nublada, escancarada, podre como todo o resto.
Então saio em busca de novas pessoas, de novos detalhes, dou várias outras chances ao mesmo lugar e às mesmas pessoas de me surpreenderem. Mostrarem detalhes novos, tentar me reconquistar.
Porém, mais uma vez tudo se revela exatamente daquele jeito chatinho que eu acabei desvendando antes.
Saio em busca então de outros lugares, novas pessoas, novos sorrisos, novos brilhos, encantamentos, novos amores...
Não suporto a forma como tudo vai se revelando e perdendo o encanto da mesma forma todas as vezes. Adoro descobrir quem são as pessoas, não gosto de descobrir que essas pessoas desistem de mim tão facilmente.
Acho que esse é o início do desencantamento.
É do mistério e da novidade que todos nós gostamos.
E enquanto todo o resto se conforma com aquilo, continua se enganando e aceitando aquilo, eu fico inquieta e enjoada.
Como um veneno sem remédio.
Uma sombra que cobre o sol.
O vento que irrita e bagunça seu cabelo arrumado para o casamento.
O cuspe escarrado na cara da criança morta.
Vou me destruindo com as conta-gotas de meu próprio veneno.
Até queimar a alma e o corpo de amargura e tristeza.
Uma espécie de preparação e preservação de forças.
Para quando aparecer um novo brilho no olhar de alguém, um novo sorriso franco, um novo encantamento, eu possa ressurgir de minhas cinzas nova e de roupas limpas. De idéias novas e olhar limpo. De pele nova e penas limpas.
Como uma Fênix.
Como uma Fênix.
Como uma Fênix.


"Help me, I'm falling down
Help me, I'm falling down the stair
Of my thoughts, my heart
Help, I'm slipping down
Help meI'm slipping down, I feel my skin dry
Miles away they could be rebirth
They could become a cloud
They could be anyhow
Just a small portion of the ocean, so…
Give me something softer cautionly (?)
Give me some feathers so that I can stop it and glide
And glide up
Like a little birds and glide up
Like an eagle
With gigantic wings
Master the winds of change
Master the winds
Reborn again
Like a phoenix
So help me
Help me, I'm gonna fly
Help me
Help me, I'm gonna fly so high
Like a phoenix
Born again like a phoenix
Born again like a phoenix
Born again"

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Parceiro Jack

Agora minhas noites serão carregadas de Jack.
Não da garrafa, mas do meu Jack.
Ajeitarei Jack todas as noites em meu colo, nos relacionaremos daqui até 2008.
Ele vai dormir todas as noites ao meu lado.
Pelo menos até nosso primeiro filho juntos ficar pronto.
Feito isso, se as pessoas aprovarem essa nossa parceria e o resultado dela, produziremos muitos outros filhos... eternamente.
Sempre com crítica.
Prometo me entregar ao Jack até meus dedos sangrarem.
Vamos expor nossas vísceras.
E que venha nosso primeiro livro...
Que a genialidade do velho Buck me ilumine.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Lição aprendida

A noite prometeu...
Prometeu aprontar comigo.
Bati o carro de manhã, voltando para casa.
Ainda bem que eu estava devagar...
Ainda bem que a rua estava vazia...
Ainda bem que ninguém se machucou.
O fuço de meu carro encontrou a traseira de uma moto.
Ainda bem que as pessoas não voaram.
Meu pai não vai mais vender o carro.
Eu não poderei dirigir por alguns meses.
Estou solta nessa cidade desse tamanho, nos ônibus e táxis.
Correndo o risco de ter que carregar nas costas um processo.
Falida até 2009 tentando juntar dinheiro para pagar esse conserto.
Sem carro agora.
Sem namorado.
Perdendo as amigas que aos pouquinhos vão embora.
Um amor perdido no peito. Asfixiando até morrer.

Falando em amores...
Não me importo mais se você é ator, cantor, compositor, músico, palhaço, escritor, ou diretor ou mesmo executivo... se você tenta ser legal ou não. Se você quer mostrar uma personalidade fantástica ou não... se você é loiro, ruivo ou moreno...
Não te quero mais.

Nenhum cara presta. E eu cansei de aguentar qualquer coisa apenas por gostar de você.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Então...

Falando em acontecimentos, esqueci de mencionar que ontem estourei o pneu do carro na Av. Vereador José Diniz pouco depois das 23h a uns 80km/h.
Sabe lá Deus como nada pior aconteceu.
Graças a Deus...
Mocinha indefesa impedindo o trânsito perto da meia noite.
Pneu trocado pela ajuda do pai e do tio.
Conclusão: Meu pai vai vender o carro.
Agora estou a pé.
Agora está todo mundo a pé.
Voltarei a frequentar os ônibus da cidade.
Viva o taxista Gilson!

Acontecimentos...

Essa noite promete.
Vai ter mini-maratona de teatro.
Vai ter encontro com a galera da praça.
Vai ter disputa de egos.
Vai ter muita coisa errada e certa a ser dita.
Vai ter loiros e ruivos e morenos.
Vai ter reencontro.
Vai ter eu calada observando tudo isso acontecer, praticando tudo o que aquele cara me ensinou, sem descer do pedestal.
Espero que tenha palhaçadas de anjos ou músicas em meus ouvidos.

Meu peito está sentindo. Essa noite promete.

Até lá.

F.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Uma noite rápida no gatilho

Mais uma noite despretensiosa.
Mais uma noite de zoeira, beer, drugs and blues na praça.
Todos os rostos conhecidos por lá, mais uma vez...
Minhas amigas queridas dentro da bolsa, espalhafatosamente em todos os cantos.
Cada uma de olho no seu cada qual.

Antes de qualquer coisa, peça linda de nome "ABO - A travessia de Ilana".

Assistam, terças, às 21:30h, até meados de dezembro.
Uma peça de visão feminina, que comove até os mais brutos machões.
Sensível, linda. Elenco jovem, da praça, eles mandam muito bem.
Uma peça sobre sentimentos que só as mulheres têm força para enfrentar.

Pós peça, "sociabilizações".
Encontro com novos velhos conhecidos.
A galera aumenta. Saideira à uma da manhã?
Duvido.
Amiga linda liga vindo de outra festa, dizendo para aguardar sua chegada na praça.
Sua chegada põe fogo no lugar.
A zoeira começa.
Histórias novas das amigas.
Histórias velhas se reencontrando.

Meus antigos dois meninos estão no recinto.
Um deles me dá a atenção devida. Leve. Me cumprimenta.
Como sempre deveria ter sido. Sem maldade. Sem cobranças, sem expectativas.
Apenas como bons amigos. Nem tão bons assim ainda, mas dê tempo ao tempo.
Tudo será superado. E seremos apenas bons amigos. Sem essas pontadinhas que vão e voltam aqui dentro.

O outro menino chega tardiamente na praça. Sempre lindo e brando.
Dá atenção à minhas amigas. Mas me dá atenção também.
A devida atenção. Me deu, despercebidamente, carinho também.
Se diverte comigo. Me divirto com ele.
Nos divertimos às custas um do outro.
Várias indiretas.
O banheiro ganha uma história para contar.
Com a visão de nossos all stars sujos por baixo da porta.
Tudo na maior discrição, se não fosse o flagra de uma das amigas.

Batem na porta e voltamos com a maior cara lavada do muuuunnndo.
Um de cada vez para disfarçar.
Ninguém no bar desconfia da bagunça. Exceto aquela ali que já sabe porque viu.
"All Stars vão pro blog".
Aguardamos uma boa história.

Quanto ao outro, descubro da boca do melhor amigo dele que nada foi dito.
Que ele me respeitou. Sempre.
Mesmo após ter ouvido da boca das amigas dele que "homens comparam" suas histórias, suas mulheres.
Mas ele me respeitou.

E isso me fez acreditar mais uma vez que eu gosto muito dele.
As pontadinhas no meu peito vão e voltam mais uma vez.
Crença que eu gostaria de perder. Sentimento que eu gostaria de perder.
Peço um selinho a ele.
Não em mim, mas na minha amiga.
Realizam meu desejo, ambos. Através de meu pedido realizo um desejo dele.
Só os tontos não percebem. Fica dado meu presente, Don Juan.
Afinal, não nos pertencemos.

O menino brando fica me instigando.
Ele diz: "Fernanda, ainda vou te pegar de jeito!"
Ela diz: "Bom mesmo, pois você está me devendo".
Engraçado, já ouvi essa história antes...
Violenta e preocupante. Terminou mal. Terminou muito bem.
Agora só resta o tempo passar para as pontadinhas aqui dentro passarem.
Mas logo passa.

Menino brando e eu nos rodeamos e ficamos de segredinhos.
Ouço da boca dele que meu segredo está bem guardado.
Me deixo acreditar. Me faço acreditar.
Vou filando mais alguns cigarros.
Ficamos de brincadeiras. Mas somos discretos demais.
É bom. Um menino não pode saber do outro.
Ele me convida a "deixar a mochila lá em casa, rapidinho".
Essa é outra história que conheço muito bem.
Neguei. Não neguei o privilégio do ato.
Neguei no troco. Troco por ter me negado a mesma coisa há algum tempo atrás.
Neguei porque agora quero algo seguro e sério, mais maduro.
Um namorado talvez.
O menino brando, puto ou não, vai embora. Bom mesmo, pra acabar com a putaria de resolver certas frustrações de fim de noite. Eu não sou descarga ou ponto de descarrego, caralho!
Quem me quiser agora, vai ter que penar.

Essa noite estava lá também aquele meu ruivinho. O mais velho.
Ele olhou para todas as minhas amigas, e no meio tempo olhou para mim também.
Foda-se. Ele olhou pra mim.
Veio me falar oi e tchau. Sabia meu nome.
Me chamou de brava.
Pois sou mesmo. Vá se acostumando. Porque quando eu mostrar o anjo que posso ser, você não vai querer ir embora. Então, acostume-se com minha braveza. Ainda desenrolaremos algo. Prometo.

Fiz amizade com um cara que está sempre na praça. Esse sabe de tudo.
Pois quando estão todos alterados, ele continua inteiro. Vê tudo, sabe tudo.
Ele sabe quem chega ou vai embora, em qual horário, com quem...
Ele já meu viu tanto no pedestal quanto beijando a boca do lixo.
E essa noite viramos amigos.
Ele me deu conselhos...
"Nunca pense que em um bar você vai conhecer e beijar um cara que de cara vai querer te namorar... No bar os homens estão por acaso, pela zueira, pela curtição, pelos amigos, não para achar um amor."
"É fácil lidar com os homens. Para que eles te dêem valor você tem que pisar neles. Pise mesmo. É isso que eles merecem. Seja poderosa. Só assim que eles cedem e vêm atrás."

Terminamos a noite na padoca. A galera junkie de sempre.
Dei conselhos a um menino de 23 anos. Que não sabe, mas ainda vai sofrer tanto por amor.

É isso.
Estavam eles lá. O Don Juan, o menino brando e o ruivo.
Olhei para os três. Me ofereci discretamente para os três.
Apenas um me entendeu. Esse sempre me entende.
Esse sempre tem umas atitudes du caralho! Sempre me seduz.
Eu poderia gostar dele, ou do ruivo, ou do outro ruivo (nossa... na praça sempre há uma certa concentração de ruivos. Eu adoro!).
Eu poderia gostar de quem gosta de mim.
Mas ninguém tira a máscara. Ninguém decide ou assume o que quer.
E as pontadas no peito vão e voltam pelo cara mais errado.

Ponto a ser considerado da noite: O tempo todo eu estive esperando meu anjo-palhaço ou meu músico.

"Não sou volúvel, sou volátil" - Amigo Renato.
O que quero dizer, meu bem, é que se você considera que me interesso por pessoas demais ao mesmo tempo, não é um defeito de meu caráter. Não sou fácil.
Talvez eu seja sim inconstante, mas só porque você, meu bem, não cuida de mim como deveria.
Acabo perdendo o interesse facilmente. Cabe a você tentar me reconquistar.
Todos têm a chance de me conquistar, quero ver é conseguir.
Enquanto isso, vou me divertindo com os caras errados.
"Girls just wanna have fun"

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Ok...
Acho que tinha um ácido no suco que tomei hoje à tarde.
Estou numa euforia...
Se passar um circo agora na minha frente fujo com ele e me caso com o mágico.
Ou seria o palhaço?
Shhhhhhiiiiu... é segredo.
Ontem três pessoas, das mais queridas precisaram de mim. Da minha companhia.
Não pude estar lá pelas três. Mas tentei ajudá-las com tudo o que eu tinha nas mãos.
E, naqueles segundos, naqueles olhos, naquelas vozes eu percebi o quanto essas três pessoas são muito importantes para mim.
Percebi o quanto eu gosto delas. O quanto eu preciso delas.
E percebi como cada uma dessas pessoas, à sua maneira, mudou minha vida para sempre.
Mesmo que sutilmente. Mesmo que fortemente.
E pensei o quanto eu amo essas pessoas e no quanto minha vida seria menos colorida sem elas.
E pensei em tudo o que já pensei na vida, e em tudo o que fiz, da forma que fiz, e vi como tudo valeu a pena, e como me arrependo de ter feito certas coisas erradas, e no quanto me orgulho da forma como tudo sempre, com muita sorte, termina bem...
E pensei em todas as vezes que pensei em me agredir de qualquer forma. Em como fui muito ingrata com a vida.
E como eu não poderia viver um dia sem essas pessoas.
Sem mim.
Pensei em como é bom viver, e amar, mesmo que sejam as pessoas erradas, e errar o tempo todo, e aprender o tempo todo também.
E temi, por mim, pela minha saúde, pela minha vida.
E pensei em tudo que ainda tenho que realizar.
Sei que muitos de meus textos são depressivos, intensos. São fiéis sim. Não mentem.
Mas são momentos.
Que não superam os momentos ao lado de todas pessoas maravilhosas que conheço.
Obrigada Luciano, Erika e Karina.
Por me ensinarem que a vida é maravilhosa. Apesar de suas frações desagradáveis.
Por mostrar que alguns de vocês precisam de mim e gostam de mim. Assim como gosto e preciso de vocês.
Por me ajudarem a finalmente enxergar da forma mais bela e mais completa.
Por me ajudarem a árvore de cegueira que vinha crescendo aqui dentro e que eu não sabia como começar a podar.
Agora, saiu do meu peito.
Agora ficou aqui um medinho. De tudo o que pode acontecer, de um dia me faltar a saúde. Meu bem mais importante.
Mas sei que terei alguns que me amam para me apoiar... do jeitinho que amo vocês, do jeitinho que tento apoiá-los.
Espero que esteja tudo bem com cada um de vocês... e comigo.
Vamos em busca de vida e aventuras, enquanto estamos todos bem e podemos.
Fiquem bem próximos de mim para sentir essa sensação que meu peito exala, que parece que vai me explodir, que vai explodir essa cidade inteira de tão intensa e boa...
Sei que não vai durar pra sempre. Então me deixa aproveitar agora.
Vem aproveitar comigo.
Fica aqui do meu lado e sente a intensidade chegando. Porque ela é minha e sua.
Não tenha medo de nada.
Só espera explodir.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Estupro

Chorei.

No lugar errado. Na sua frente.

Mendiguei por você.

Lutei por você.

Mas você não se importou com a guerra.

Por dó ou compaixão você me deu, por algumas horas, o que eu precisava.

Mas me deu apenas migalhas.

Tentei desesperadamente te arrancar daqui.

Ficou esse buraco. Só buraco.

Olha aqui meu peito aberto. Dolorido.

Por dó ou compaixão você ficou ao meu lado.

Se forçou a estar comigo.

E agora eu aposto que se sente usado, estuprado.

Arrependido.

Deve ter nojo de mim.

Seus olhos não conseguem mais encarar os meus.

Não há mais nada a ser dito.

Te conduzi à exaustão.

Assim como meus sentimentos me exauriram.

Te contaminei gota a gota com meu veneno.

Estraguei tudo mais uma vez.

Estraguei o nós que nunca houve.

E agora a solidão veio deitar ao meu lado.

Cantar no meu ouvido. Abrir minha geladeira.

Dançar na minha sala. Bagunçar minha cabeça.

Apertar minha garganta. Morder os meus olhos.

Perfurar os meus pés.

Preencher o buraco no meu peito.




Dos Três Mal Amados

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


"João Cabral de Melo Neto"

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Goteira

Há uma goteira pingando.
Há uma torneira vazando.
Há uma goteira aqui.
Algo em mim está vazando.
As gotas não param.
Plec... Plec... Plec... Plec...
Estou enlouqueceeeeennnndo.
Não posso enxugar. Não consigo secar.
Há algo vazando aqui.
No meu peito.
Esvaziando.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Bob

Meu amor agora tem nome: Bob.
Nenhum cara nunca vai me amar como ele me ama.
Ele nem me enxerga direito ainda, mas já é completamente apaixonado.
Fica me olhando. Me encarando de um jeito delicioso.
É guloso. Super novinho. Manso.
Adora tudo o que faço.
Adora minhas mãos e meus pés.
Me morde toda.
Chora se não estou por perto.
Esse é o amor da minha vida.
Inigualável.
Bob é um cachorro vira-lata que ganhei de um guardador de carros perto do Sesc Pompéia.
Ele é literalmente um cachorro. Late, morde, pula, lambe, come, corre, brinca e dorme.
Bob tem apenas dois meses mas já soube roubar meu coração eternamente.
Meu amor é todo de Bob.
Que soube me amar e me cativar como qualquer cara real nunca soube.
Eu precisava te ter por inteiro
Para exorcizá-lo por completo de mim.
Foi isso mesmo. Tudo premeditado.
Porque você foi o último fator que me levou a não acreditar mais no amor.
Porque eu já não acreditava mesmo em finais felizes.
Porque agora eu só acredito em sexo.
Não acredito mais em segurar vontades.
Porque as vontades e as falta de realizações enchem minha cabeça de minhocas.
Porque eu precisava ir até o fim. Para perceber se eu devia abraçar a causa ou abandonar o barco.
Mas meu coração ignorou o fato de que o barco estava furado esse tempo todo.
Porque ter vontade de alguém faz você se apegar a isso tudo. A essa vontade, a essa pessoa.
Ter vontade faz o corpo e o coração sentir falta. Sentir falta desenvolve um carinho. Apego desnecessário. O apego corre o risco de acabar virando sentimento.
O sentimento vem e fode com tudo.
Não sobra nem a amizade.
O engraçado é que nós tivemos tudo. Só faltou a intimidade e cumplicidade.
Já estávamos fadados ao fracasso.
Eu estraguei o nosso único momento de cumplicidade.
Sou veneno em conta-gotas.
Destruo tudo o que me prova.
"Não sou pra casar. Para andar de mãos dadas no shopping."
Sinto muito se é isso que você procura. Medíocre.
A felicidade não é conjugal.
Sou veneno em conta-gotas...
E você tomou uma dose exagerada.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Serendipity

E quando eu achava que tudo estava perdido, acabado, ele reapareceu.
Ele veio até mim.
Ele me achou.
Antes de me encontrar ele me procurou, isso foi ainda mais significativo.
Meus pés já não tocam mais o chão.
Não consigo me conter.
Não consigo...
Mas continuo esperando. Não sei o que fazer. Como agir.
Qual o próximo passo. Tenho medo de estragar tudo. Eu, ele, nós.
Descobri ontem que eu o estava procurando há alguns meses.
Desde junho.
Eu o conheci displicentemente no meu lugar favorito em São Paulo.
Na Avenida Paulista. Um domingo lindo no outono. Ele realizando um de meus sonhos.
Ele distibuindo abraços grátis pela Paulista vestido de palhaço.
Meu anjo palhaço.
Me dá uma pista... me fala como é agir certo com você, pra você.
Porque eu tenho uma intuiçãozinha que já comecei tudo do jeito errado.
Agora se você gosta do errado, eu sei ser bem errada.
Se você gosta do certo, eu faço um esforço. Até aprendo.
Mas me dá um sinalzinho de que faço parte de seus interesses, se que estou entre suas preocupações, de que resido nos seus gostos. Bons gostos de preferência.
Me dá um sinal.
Por enquanto eu espero, mas se você me der um sinal, vai ficar tudo beeemm mais fácil.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Anéis de Saturno

Boa noite anjo.
Caí. Caí do último anel de cabelo que me segurava.
Mais uma vez de cara no chão.
Mais uma vez sem colchão ou cama elástica ou abraço para amparar minha queda.
Isso dói sabia?
Eu sempre soube que ia doer.
Acho que acabei escolhendo isso.
Já é noite e minha cama continua vazia.
Nenhuma chamada perdida no meu celular.
Nenhuma chamada sua.
Você consegue sentir minhas veias pulsando?
Consegue ouvir minhas entranhas chorando?
Claro que não. Nem você, nem ninguém.
A noite chegou para mim mais uma vez.
Estou perdendo o medo do escuro.
Me acostumando à cegueira.
Deixando ela crescer aqui dentro.
Sem forças para podar o que há de ruim.
E o sol veio para nos separar. Para me tirar tudo o que mais gosto.
Agora, tudo o que posso desejar é um "boa noite".
Um Adeus que não quer ser dito.
Um sussurro sem sentido.
Um beijo seco no portão do teu ouvido.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Das coisas que eu queria te falar...

Tivemos um tchau com gostinho de adeus.
Cada um para seu lado. Apesar do telefone trocado, não estou mais do seu lado.
Fui embora independente, mas esqueci de avisar que fiquei enroscada nos cachos de seu cabelo.
Estou enroscada na sua barba.
Não consigo me desvencilhar do seu cheiro, do seu gosto, do seu jeito.
Vem cá, aquele nariz de palhaço que você me deu deveria realmente ser usado?
Pois o nariz está muito apertado... acho que ficou preso.
E vai continuar preso enquanto eu estiver esperando você me ligar.
Vou avisando, não vou desistir assim tão fácil. Vou esperar. Estou esperando.
Assumi esse papel que você me deu.
Esperando, esperando, esperando, esperando, esperando.
Não tenho medo de me jogar daqui do alto por você.
Não tenho medo, não. De repente você me fez acreditar que valeria a pena.
E nem percebeu que fez isso.
Olha, você deve ser é muito esperto. Me dobrar desse jeito não é fácil.
Mas, de repente, você vale a pena.
Se você não me ligar vou me arrepender tanto de ter te conhecido.
Não dos momentos que tivemos juntos. Esses momentos... Ah! Foram melhores do que eu esperava.
Foram simplesmente... únicos, incomparáveis.
Mas é que agora, que passou, sinto falta. Foi pouco. Intenso, mas pouco. Muito pouco.
De você, não fico satisfeita assim tão fácil.
E te ter para não ter mais vai acabar doendo muito mais do que eu queria.
Desculpe se eu não te conheci em minha melhor forma.
Alterada. Despreparada. Displicente. Distraída. Descuidada.
Mas é que a vida não avisa quando as grandes oportunidades e os momentos especiais aparecem.
Acontece tudo assim, de repente. Sempre sou surpreendida. E ficar em guarda o tempo todo não é o meu perfil.
Gosto de ver tudo acontecendo de forma natural. Do jeito que tem que ser. Mesmo com defeitos. Com realidades duras.
Exatamente do jeito que foi com nós.
Por favor, vem pra mim. Eu valho a pena. Prometo.
Me liga vai? Vem roçar sua barba em mim. Deixa eu tocar seus cabelos mais uma vez.
Já comecei a mendigar por você. E não tenho medo ou vergonha de fazer isso.
Pois você... você sim vale a pena.

sábado, 10 de novembro de 2007

De sapatos novos...

A princípio, eu era a mais quieta, mais introspectiva, mais mal-humorada.
Minhas amigas felizes... por todos os lados, radiantes.
Eu não estava sequer maquiada.
Logo de cara, rostos conhecidos.
Confortável. Roda de amigos.
Entrei no bar procurando algo sem saber direito o que era...
Encontrei. Encontrei meu querido amigo Nelson.
Parecia que eu já sabia que ele estaria ali dentro, daquele jeito. Exatamente como me lembro dele. Com aquela presença marcante, grandiosa. Que só ele sabe ter.
Cumprimentos afetuosos. "Depois eu volto, vou ali fora beber com umas amigas".
Voltamos à roda de amigos.
Conversas engraçadas. Incoerentes, descontroladas.
Pit Stop para "sociabilizar" com as amigas.
As cervejas brotando nos copos.
"Busca outra lá". Está certo, é a minha vez.
Faz social. Volta. "Sociabiliza".
Tudo vai ficando gradativamente mais engraçado.
Tudo acontecendo muito rápido.

Converso com a Marcinha. Ela sim é um ser humano maravilhoso. Não há quem não simpatize com ela. Carismática. Pena que nunca consigo estabelecer uma conversa decente com ela. Geralmente, quando me solto o suficiente para conversar estou muito alterada. Ela deve me achar mais uma dessas descontroladas boêmias da Praça Loservelt (peguei seu termo emprestado Marião).

Aparecem amigos. Que vão embora assim como surgiram.
Comentários dele. Ele repara em muita coisa.
"Seria ciúme? Esse humor levemente ácido, algumas observações expostas na roda."
Droga, estou cansada desses caras que não sabem o que querem.

Volto ao bar para finalmente conversar com meu amigo Nelson.
Como sempre, agradabilíssimo. Afagos. Saudade. Mãos.
Meu carinho por ele vem crescendo de forma muito intensa e rápida.
Ele de ressaca adquirida, eu trabalhando na minha.
Mais cerveja brotando no copo. Uma caninha vem nos visitar.
Eu misturo as bebidas e elas bagunçam minha cabeça. Ainda mais.
Muitos elogios de meu ser humano favorito.
Obrigada. Obrigada, obrigada. Meu anjo!***
A noite só foi melhor pela graça de sua companhia. Meu querido Raro.

Volto para a roda de amigos.
Um deles foi embora à francesa. Eu perdi a partida sem direito a um tchau.
Odeio e adoro despedidas. Odeio por simplesmente ser esse momento de abandono. Adoro por ser dado nas despedidas o melhor abraço. O abraço mais apertado. É nas despedidas que se dá para sentir a intensidade do outro em relação a você. E sentir esses segundos é o que me dá forças até o próximo encontro.
Portanto, não me privem das despedidas nunca. Isso me enfraquece.

Devido aos elogios, à sucessão de acontecimentos da noite, estou leve. Quero dançar, voar, dar piruetas, fazer de conta que estou em um musical.
Percebo que a bebida (ou a mistura delas) fez efeito.
Tudo começa a acontecer mais lento e rápido. Tudo ao mesmo tempo. As conversas ficam fragmentadas. Minhas neuras me lembram de minhas carências.
Todos conversando e eu ausente. Alguns foram embora e eu nem percebi. Não lembro se disse tchau ou não.
Começo a ficar puta por perder trechos dos acontecimentos. Quero saborear tudo, ver tudo, sentir tudo e não consigo mais.

Nelson anuncia que vai embora. Esse tchau eu não perco nem morta!
Ele vai. Não sei porque um segundo tchau é sempre mais gostoso do que o primeiro. No primeiro tchau fica tudo meio atrapalhado. Mas no segundo rola aquela coisa do abraço. Da entrega.
Por isso mesmo, corro atrás dele. Luto pelo segundo tchau. Esse amigo está tão instalado nos meus carinhos que sinto que posso folgar com ele e exigir esse segundo abraço. Tenho direito de ter saudades a poucos metros de distância.
Esse tipo de saudade sinto de pouquissimas pessoas. É quase um privilégio. Mas... sssshhhhiiiuuu, é segredo.

Aproveito e faço a via sacra. Satyros 1, La Barca, Parlapatões, Satyros 2. Vou encontrando mais rostos conhecidos pelo caminho. Todos alterados.
Meu eterno objetivo reaparece. Me concentro nele. A bebida me atrapalha. Eu o assusto. Estrago tudo. Tudo que estava indo perfeitamente bem. Até aquele segundo. Ele até estava me olhannnndooo. Tenho carência dele. Meu Ghandi.

Vejo meu breve e recente passado me confrontando, junto ao presente. Presente que já não deu certo, e que já desencanei. Desencanei desses meninos. Eles são meninos.
Agora eu preciso de homens. De caras que sabem o que querem, o que sentem e que não têm medo de assumir isso. Que se deixam gostar.
Distantes, ele e elas, vejo um desses meninos conversando com minhas amigas. Brando, como sempre. Ele é ótimo. Porém, muito menino. Esse não sabe mesmo o que quer. Ele quer minhas amigas. Todas minhas amigas. Todos eles querem elas. Podem ficar querendo, porque agora quem não quer mais sou eu.

No meio dessa minha via sacra sou abordada. Prometo voltar, pois a abordagem pareceu interessante.
Mando todos que encontrei no caminho à merda (mentalmente) e volto em direção ao meu abordador(?). A surpresa se revela ainda melhor quando ele conta que trabalha com música e palhaçadas (na verdade, é bem mais complexo e interessante do que isso, porém não vou lembrar do extenso nome de sua profissão de belos valores, que envolve uma porrada de coisas artísticas e lindas). Para completar a perfeição, ele pergunta meu signo e me presenteia com um nariz de palhaço... Detalhe: ele tem lindos cabelos cacheados (eu derreteeennnnndooo).
Meu Deus! Ele entende de astrologia e é palhaço!!! Logo eu deveria conhecê-lo mesmo, juro que sempre quis fugir com o circo e namorar um palhaço. Em relação a signos, quem me conhece entende.
Ele é de caranguejo. Química fudida!
Um palhaço de caranguejo, que me abordou e me deu um presente, um nariz de palhaço, que entende de astrologia, engraçado, inteligente, de amigos gente boa, que beija bem pra porra, gostoso, de cabelos cacheados, que é todinho bem feito, que tem o nome mais perfeito do muuunnndo.

Conheci um anjo. Um daqueles anjos descritos no blog do Nelson (www.escutaze.zip.net)
E que, com certeza, eu já estraguei com meu veneno.

Fui sincera com você o tempo todo. Espero que você tenha retribuído da mesma forma. A diversão fez cada segundo valer a pena. Até te dei meu telefone.
Juro que vou esperar você ligar. Juro que vou esperar. Vou esperar. Estou esperaaannndo.

Minhas amigas foram embora cedinho.
Foi com esse anjo que terminei minha noite e comecei meu dia. Com direito a segundo, terceiro, quarto abraço e até um loooongo beijo.
E o sol nascendo sobre nós.