*
Sinto saudades do outono de cachecóis coloridos e céu azul-amarelo brincando de 7ºC.
*
quarta-feira, 18 de março de 2009
*
Aos curiosos, finalmente.
Nunca escrevi aqui com a pretensão de escrever um livro, ou poemas ou qualquer coisa bonita.
Nunca escrevi aqui pensando em atingir alguém.
Não montei esse espaço com intenções exibicionistas.
Não escrevo para emitir minhas opiniões ou uma opinião que seja sobre as coisas do mundo.
Não tenho essa pretensão de impressionar, ou enganar, ou mentir, inventar, mimetizar.
Não preciso disso.
Assim como não preciso dar tais satisfações.
Não tenho isso aqui por qualquer uma das razões que o mundo moderno leva as pessoas a montarem blogs (carência, atenção, fama literária(?), etc...).
Tenho sim a intenção, não me envergonho e assumo, apesar de muitos condenarem (mas eu não ligo at all, really don't care), de manter isso aqui como um diário.
Sim um diário. Aquela coisa de menininhas pré-pré-adolescentes.
Aquela coisa que quando eu não tenho pra onde correr, não tenho com quem falar, ou como falar, quando sei que ninguém no mundo teria paciência para minhas babaquices e crises existenciais, euforias adolescentes (nunca amadureci), paixonites agudas ou não, e todas as mazelas bem bem mulherzinha.
Sei que posso contar com esse espaço e escrever livremente, sem olhar para caras de reprovação ou de saco cheio, nesse fundo escuro todo meu.
Um espaço para ser livre, sem gastar folhas e folhas de papel, sem gastar tubos de tinta de caneta, sem me preocupar com o desmatamento, aquecimento global, pai, mãe, cachorro, julgamentos e preconceitos, o que meus amigos vão pensar de mim, sem considerar nada, eu venho aqui, olho o vazio e despejo o que há de pior e melhor em mim.
Digo tudo ao nada. Ao meu próprio eco.
Meu vômito sentimental. Minha própria regurgitofagia.
Meu diário todo meu com segredos todos meus.
Sei que um diário é um negócio íntimo, oculto, infantil.
Assim como um diário é deixado na primeira gaveta de uma cômoda sem chave, ou em cima da cama da menina antes dela sair para a escola...
Qual a graça de ter segredos se ninguém tenta descobrí-los?
*
Aos curiosos, finalmente.
Nunca escrevi aqui com a pretensão de escrever um livro, ou poemas ou qualquer coisa bonita.
Nunca escrevi aqui pensando em atingir alguém.
Não montei esse espaço com intenções exibicionistas.
Não escrevo para emitir minhas opiniões ou uma opinião que seja sobre as coisas do mundo.
Não tenho essa pretensão de impressionar, ou enganar, ou mentir, inventar, mimetizar.
Não preciso disso.
Assim como não preciso dar tais satisfações.
Não tenho isso aqui por qualquer uma das razões que o mundo moderno leva as pessoas a montarem blogs (carência, atenção, fama literária(?), etc...).
Tenho sim a intenção, não me envergonho e assumo, apesar de muitos condenarem (mas eu não ligo at all, really don't care), de manter isso aqui como um diário.
Sim um diário. Aquela coisa de menininhas pré-pré-adolescentes.
Aquela coisa que quando eu não tenho pra onde correr, não tenho com quem falar, ou como falar, quando sei que ninguém no mundo teria paciência para minhas babaquices e crises existenciais, euforias adolescentes (nunca amadureci), paixonites agudas ou não, e todas as mazelas bem bem mulherzinha.
Sei que posso contar com esse espaço e escrever livremente, sem olhar para caras de reprovação ou de saco cheio, nesse fundo escuro todo meu.
Um espaço para ser livre, sem gastar folhas e folhas de papel, sem gastar tubos de tinta de caneta, sem me preocupar com o desmatamento, aquecimento global, pai, mãe, cachorro, julgamentos e preconceitos, o que meus amigos vão pensar de mim, sem considerar nada, eu venho aqui, olho o vazio e despejo o que há de pior e melhor em mim.
Digo tudo ao nada. Ao meu próprio eco.
Meu vômito sentimental. Minha própria regurgitofagia.
Meu diário todo meu com segredos todos meus.
Sei que um diário é um negócio íntimo, oculto, infantil.
Assim como um diário é deixado na primeira gaveta de uma cômoda sem chave, ou em cima da cama da menina antes dela sair para a escola...
Qual a graça de ter segredos se ninguém tenta descobrí-los?
*
*
Sou terrivelmente romântica.
'Isso tem me destruído', ela conclui.
Me fez deteriorar ao longo dos anos.
Uma sensação de já ter visto de tudo.
Já viu o suficiente.
'She's so young', ele pensa.
Não é bem assim.
Ela ouve beatles enquanto volta pra casa.
Enquanto um motorista alucinado faz planos de vida e sonha e conta.
Ela acena afirmativamente com a cabeça.
E dança. Todas as segundas e quintas. Com a professora do sul.
'Segundas e quintas', ela pensa. Programação incomum.
De conceitos quebrados. De semanas quebradas.
De movimentos incomuns.
Ela dança sua vida quebrada.
E acha isso tudo muito entediantemente interessante.
Ela olha os cabelos loiros, negros, ruivos, grisalhos e sonha em poder tocá-los.
Sonha com alguém que a desejasse.
Uma chuva que sussurra molha o céu on fire.
Permanece on line para qualquer terráqueo que tente fazer contato.
E pensa em cada uma das palavras desperdiçadas. Despedaçadas.
Ela ouve Sophisticated Lady e lembra-se de tudo que se tornou.
Do caminho até ali. Da ausência de chegada.
Um barulho de chaves na bolsa dando o tom.
Dó menor.
*
Sou terrivelmente romântica.
'Isso tem me destruído', ela conclui.
Me fez deteriorar ao longo dos anos.
Uma sensação de já ter visto de tudo.
Já viu o suficiente.
'She's so young', ele pensa.
Não é bem assim.
Ela ouve beatles enquanto volta pra casa.
Enquanto um motorista alucinado faz planos de vida e sonha e conta.
Ela acena afirmativamente com a cabeça.
E dança. Todas as segundas e quintas. Com a professora do sul.
'Segundas e quintas', ela pensa. Programação incomum.
De conceitos quebrados. De semanas quebradas.
De movimentos incomuns.
Ela dança sua vida quebrada.
E acha isso tudo muito entediantemente interessante.
Ela olha os cabelos loiros, negros, ruivos, grisalhos e sonha em poder tocá-los.
Sonha com alguém que a desejasse.
Uma chuva que sussurra molha o céu on fire.
Permanece on line para qualquer terráqueo que tente fazer contato.
E pensa em cada uma das palavras desperdiçadas. Despedaçadas.
Ela ouve Sophisticated Lady e lembra-se de tudo que se tornou.
Do caminho até ali. Da ausência de chegada.
Um barulho de chaves na bolsa dando o tom.
Dó menor.
*
*
As unhas descascadas.
Sem acetona pra dar cabo desse aspecto... meio puta meio rock 'n roll...
Um par de olhos que tremem e ficam bem vermelhos sem consentimento da razão.
Um par de pernas que tem medo de se abrir e medo de cair.
A ausência e a overdose brincando na gangorra.
Um grito solto e louco percorrendo a masmorra sem portas ou janelas.
Aquela saudade que nunca morre.
Minha lucidez que dança e ri enquanto pula no ralo.
A mistura da intensidade da cidade com o vazio no peito da garota.
Da intensidade da garota com o vazio na mente da cidade.
Num corpo dessa idade.
Num copo dessa viagem.
A roupa nova encostada num carro bem sujo.
A inocência rasgada entre os dentes de um cão.
Um rosnado. Duas asas caídas.
Um egoísmo com o tamanho e força de um buraco negro que vai sugando tudo para dentro de si...
Até não restar mais nada além do próprio silêncio.
*
As unhas descascadas.
Sem acetona pra dar cabo desse aspecto... meio puta meio rock 'n roll...
Um par de olhos que tremem e ficam bem vermelhos sem consentimento da razão.
Um par de pernas que tem medo de se abrir e medo de cair.
A ausência e a overdose brincando na gangorra.
Um grito solto e louco percorrendo a masmorra sem portas ou janelas.
Aquela saudade que nunca morre.
Minha lucidez que dança e ri enquanto pula no ralo.
A mistura da intensidade da cidade com o vazio no peito da garota.
Da intensidade da garota com o vazio na mente da cidade.
Num corpo dessa idade.
Num copo dessa viagem.
A roupa nova encostada num carro bem sujo.
A inocência rasgada entre os dentes de um cão.
Um rosnado. Duas asas caídas.
Um egoísmo com o tamanho e força de um buraco negro que vai sugando tudo para dentro de si...
Até não restar mais nada além do próprio silêncio.
*
domingo, 15 de março de 2009
*
Minha cabeça pedindo silêncio e dizendo que eu deveria apenas ouvir um pouco de música.
O silêncio estava ali e foi rejeitado.
Bastou uma vírgula áspera, bem áspera, para eu entender que nada deveria ser dito.
Mas minha dura teimosia insistiu.
E eu ganhei muitos outros conflitos e caras feias.
Entupi meus ouvidos com mais músicas e minha cabeça quase caiu de meus ombros de tanta reflexão.
Parei de refletir e joguei um pouco de rímel e sombra sobre duas lágrimas que inundaram meu rosto.
Mais grosseria. Mais confusões. Mais grosserias...
Olhei no espelho a maquiagem intacta e me entupi de cigarros. Presentinho da noite anterior. De despedida talvez.
As pessoas tem se despedido de mim.
Da pior maneira.
E eu sei que sou eu mesma a culpada de tudo isso.
E que tudo que posso fazer é castigar meus pulmões.
Mas o que essas pessoas não sabem é o quanto eu necessito delas.
Mesmo que seja só do silêncio ou do abraço.
Qualquer olhar me basta.
E ali no meio de tudo, quando eu estava prestes a perder minha lucidez, alguém confessa que também está cansado de tanta afetação, de tanta babaquice.
Vou traçar um plano e frequentar mais a vila madalena.
Beber mais quieta no meu canto. Ler uns livros na Mercearia São Pedro.
Não fazer mais amizades. Não com gente babaca.
Vou fazer um voto de silêncio.
Deixar de ser babaca também.
Porque eu não estou isenta.
Ninguém está.
*
Minha cabeça pedindo silêncio e dizendo que eu deveria apenas ouvir um pouco de música.
O silêncio estava ali e foi rejeitado.
Bastou uma vírgula áspera, bem áspera, para eu entender que nada deveria ser dito.
Mas minha dura teimosia insistiu.
E eu ganhei muitos outros conflitos e caras feias.
Entupi meus ouvidos com mais músicas e minha cabeça quase caiu de meus ombros de tanta reflexão.
Parei de refletir e joguei um pouco de rímel e sombra sobre duas lágrimas que inundaram meu rosto.
Mais grosseria. Mais confusões. Mais grosserias...
Olhei no espelho a maquiagem intacta e me entupi de cigarros. Presentinho da noite anterior. De despedida talvez.
As pessoas tem se despedido de mim.
Da pior maneira.
E eu sei que sou eu mesma a culpada de tudo isso.
E que tudo que posso fazer é castigar meus pulmões.
Mas o que essas pessoas não sabem é o quanto eu necessito delas.
Mesmo que seja só do silêncio ou do abraço.
Qualquer olhar me basta.
E ali no meio de tudo, quando eu estava prestes a perder minha lucidez, alguém confessa que também está cansado de tanta afetação, de tanta babaquice.
Vou traçar um plano e frequentar mais a vila madalena.
Beber mais quieta no meu canto. Ler uns livros na Mercearia São Pedro.
Não fazer mais amizades. Não com gente babaca.
Vou fazer um voto de silêncio.
Deixar de ser babaca também.
Porque eu não estou isenta.
Ninguém está.
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domingo, 1 de março de 2009
*
Abandono
Cada coisa
Aos poucos
Pra que ninguém sinta
Para que eu não sinta
Que fui esquecida
Nesse canto do mundo
Nessa posição
Fetal
Vou voltar
Para dentro
de mim.
Porque eu não existo
nesse calor
Eu não resisto.
Vou soltar os cachorros
Vou ligar o chuveiro
E o gás
Vou me deitar nua
Debaixo do ventilador.
Porque nesse calor
Eu não existo
Não resisto
Sem você.
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Abandono
Cada coisa
Aos poucos
Pra que ninguém sinta
Para que eu não sinta
Que fui esquecida
Nesse canto do mundo
Nessa posição
Fetal
Vou voltar
Para dentro
de mim.
Porque eu não existo
nesse calor
Eu não resisto.
Vou soltar os cachorros
Vou ligar o chuveiro
E o gás
Vou me deitar nua
Debaixo do ventilador.
Porque nesse calor
Eu não existo
Não resisto
Sem você.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
*
Estrangeiro,
O nosso silêncio conversa.
Gosto daquele jeito que seus olhos tem de olhar tudo e todos.
Bem quieto. Magro. Com seus cigarros e suas garrafas. Sempre generoso.
Verdadeiro.
Me pedindo pra tirar os pés da cadeira porque vai sentar. Decidido.
Arriscando sem conhecer. Jogando com a solidão.
Sem sentir medo disso.
Gosto da cor do seu cabelo. A cor que você desmente.
Gosto de te descobrir aos poucos.
Das nossas confusões.
Gosto da forma que você vai embora sem cerimônias.
Sem beijo de despedida.
*
Estrangeiro,
O nosso silêncio conversa.
Gosto daquele jeito que seus olhos tem de olhar tudo e todos.
Bem quieto. Magro. Com seus cigarros e suas garrafas. Sempre generoso.
Verdadeiro.
Me pedindo pra tirar os pés da cadeira porque vai sentar. Decidido.
Arriscando sem conhecer. Jogando com a solidão.
Sem sentir medo disso.
Gosto da cor do seu cabelo. A cor que você desmente.
Gosto de te descobrir aos poucos.
Das nossas confusões.
Gosto da forma que você vai embora sem cerimônias.
Sem beijo de despedida.
*
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
*
Tem um cara gordo na minha TV.
Enquanto meu corpo permanece em silêncio para tudo que a noite promete.
Para bons cigarros, o copo de whisky colado na mão e aqueles caras dizendo como minha amiga é linda.
E ela é.
Uma cidade vazia esperando estripulias. As minhas e as suas.
Vamos estar muito bem acompanhados essa noite.
Mas bem sozinhos também.
Enquanto isso a música vai fazer minha cabeça e arranhar sua garganta.
Porque hoje é um daqueles dias em que a cidade passa correndo por cima de nossas cabeças.
Mesmo quando tudo permanece em silêncio.
*
Tem um cara gordo na minha TV.
Enquanto meu corpo permanece em silêncio para tudo que a noite promete.
Para bons cigarros, o copo de whisky colado na mão e aqueles caras dizendo como minha amiga é linda.
E ela é.
Uma cidade vazia esperando estripulias. As minhas e as suas.
Vamos estar muito bem acompanhados essa noite.
Mas bem sozinhos também.
Enquanto isso a música vai fazer minha cabeça e arranhar sua garganta.
Porque hoje é um daqueles dias em que a cidade passa correndo por cima de nossas cabeças.
Mesmo quando tudo permanece em silêncio.
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domingo, 15 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
*
Felicidade?
Eu saquei qual era o papo da realidade bem antes de completar 15 anos.
Essas meninas que andam por aí fazendo cara de que sabem das coisas e
vestem atitude blasé, não imaginam a metade.
Estão é habituadas a serem lindas e ricas, sustentadas pelo papai.
E habituadas a parecerem o que parecem. Porque assim é tudo mais fácil.
Usando o que ganham como semiseresconhecidos neopobres para sustentar seus falsos vícios.
Fingindo que são tristes.
Fazendo suas poses em baladas bem badaladas.
Mas eu tô cansada demais.
Pra isso.
Pra explicar qualquer coisa pra qualquer um.
E daí ficam tirando conclusões erradas.
E eu concordo.
Por pura preguiça.
Por egoísmo.
E me deito em camas alheias.
E entrego meu silêncio pra qualquer um.
E assisto a tudo com um copo e um cigarro nas mãos.
As pernas cruzadas e o meu pé pequeno apontando o que acontece.
Já não procuro com quem dividir o cinzeiro.
Descobri que o cara pra quem eu ofereci o cigarro não fuma.
*
Felicidade?
Eu saquei qual era o papo da realidade bem antes de completar 15 anos.
Essas meninas que andam por aí fazendo cara de que sabem das coisas e
vestem atitude blasé, não imaginam a metade.
Estão é habituadas a serem lindas e ricas, sustentadas pelo papai.
E habituadas a parecerem o que parecem. Porque assim é tudo mais fácil.
Usando o que ganham como semiseresconhecidos neopobres para sustentar seus falsos vícios.
Fingindo que são tristes.
Fazendo suas poses em baladas bem badaladas.
Mas eu tô cansada demais.
Pra isso.
Pra explicar qualquer coisa pra qualquer um.
E daí ficam tirando conclusões erradas.
E eu concordo.
Por pura preguiça.
Por egoísmo.
E me deito em camas alheias.
E entrego meu silêncio pra qualquer um.
E assisto a tudo com um copo e um cigarro nas mãos.
As pernas cruzadas e o meu pé pequeno apontando o que acontece.
Já não procuro com quem dividir o cinzeiro.
Descobri que o cara pra quem eu ofereci o cigarro não fuma.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
*
Aulas de dança experimental.
Pra conhecer algo diferente.
Preciso sair sozinha mais vezes.
Esqueço como me acompanho muito bem.
Ir aos lugares.
Sentar mais nas calçadas.
Fumar mais cigarros.
Beber mais Bourbon, que é bom.
Fazer menos rimas baratas...
Chegar fumando. Sujar o vestido.
Conversar com o copo.
Ouvir mais e melhor quando tentam se comunicar comigo.
Ser menos ansiosa.
Beber mais café.
Me desapaixonar.
Definitivamente.
*
Aulas de dança experimental.
Pra conhecer algo diferente.
Preciso sair sozinha mais vezes.
Esqueço como me acompanho muito bem.
Ir aos lugares.
Sentar mais nas calçadas.
Fumar mais cigarros.
Beber mais Bourbon, que é bom.
Fazer menos rimas baratas...
Chegar fumando. Sujar o vestido.
Conversar com o copo.
Ouvir mais e melhor quando tentam se comunicar comigo.
Ser menos ansiosa.
Beber mais café.
Me desapaixonar.
Definitivamente.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
domingo, 8 de fevereiro de 2009
*
Recentemente tive a oportunidade de conhecer o escritor, dramaturgo e ator Márcio Américo.
http://meninosdekichute.zip.net/
Foi numa dessas noites nem tão solitárias assim pelo centro.
Cheguei à conclusão de que sair sozinha tem sido uma das minhas melhores decisões. Eu, as bebidinhas e o 'acaso' (palavra que agrada Márcio Américo).
Pois então, é dele que eu estava falando... o cara é simplesmente fantástico.
Ele também é amigo de um outro cara brilhante que eu considero e admiro 'pá caraleo', o escritor, ator, dramaturgo, cantor e bebum Mario Bortolotto.
E eu, graças ao 'acaso', tive a feliz oportunidade de beber e rir na cia dessas figuras fantásticas e brilhantes. Simples assim. Caminhar pelas ruas, sentar na calçada, falar merda, tomar chuva, dividir o copo, o cinzeiro e as risadas, e principalmente o silêncio, com caras assim.
Agora é palpável o sentido da palavra privilégio.
Meninos, eu só queria agradecer isso tudo e pedir permissão para dividir o copo e as risadas muitas vezes mais.
Beijo no ombro de vocês, eternos garotos.
P.S: Nelsinho, você também mora no meu coração.
*
Recentemente tive a oportunidade de conhecer o escritor, dramaturgo e ator Márcio Américo.
http://meninosdekichute.zip.net/
Foi numa dessas noites nem tão solitárias assim pelo centro.
Cheguei à conclusão de que sair sozinha tem sido uma das minhas melhores decisões. Eu, as bebidinhas e o 'acaso' (palavra que agrada Márcio Américo).
Pois então, é dele que eu estava falando... o cara é simplesmente fantástico.
Ele também é amigo de um outro cara brilhante que eu considero e admiro 'pá caraleo', o escritor, ator, dramaturgo, cantor e bebum Mario Bortolotto.
E eu, graças ao 'acaso', tive a feliz oportunidade de beber e rir na cia dessas figuras fantásticas e brilhantes. Simples assim. Caminhar pelas ruas, sentar na calçada, falar merda, tomar chuva, dividir o copo, o cinzeiro e as risadas, e principalmente o silêncio, com caras assim.
Agora é palpável o sentido da palavra privilégio.
Meninos, eu só queria agradecer isso tudo e pedir permissão para dividir o copo e as risadas muitas vezes mais.
Beijo no ombro de vocês, eternos garotos.
P.S: Nelsinho, você também mora no meu coração.
*
*
Mais um clichê musical.
Mas tá valendo no momento.
"And so it's
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it's
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes...
And so it's
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it's
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
Until I find somebody new"
*
Mais um clichê musical.
Mas tá valendo no momento.
"And so it's
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it's
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes...
And so it's
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it's
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes of you
I can't take my eyes...
Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind of you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
Until I find somebody new"
*
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
*
É aquela água quente que dança nas minhas costas durante o banho.
É o silêncio de tudo que a noite cala.
É a queimação do Bourbon na garganta.
Um par de olhos turvos. Um tropeço e um apoio.
O cheiro. E a ausência dele.
As 3 horas de trânsito.
A vontade de triturar as teclas do piano com as mãos e os dedos.
De aprender a tocar violão.
De falar merda só pra ouvir a risada.
De usar umas giletes e cair num rio.
*
É aquela água quente que dança nas minhas costas durante o banho.
É o silêncio de tudo que a noite cala.
É a queimação do Bourbon na garganta.
Um par de olhos turvos. Um tropeço e um apoio.
O cheiro. E a ausência dele.
As 3 horas de trânsito.
A vontade de triturar as teclas do piano com as mãos e os dedos.
De aprender a tocar violão.
De falar merda só pra ouvir a risada.
De usar umas giletes e cair num rio.
*
sábado, 24 de janeiro de 2009
*
As palavras saem da minha boca como hologramas e explodem na sua cara.
Você é uma espécie em extinção.
É um animal selvagem ferido.
Você vive numa armadilha.
Eu danço para uma platéia que não existe.
Pinto minhas unhas de vermelho para um cego ver.
Sou um animal selvagem domesticado.
Uma espécie em extinção.
Vivo numa armadilha plantada pelas escolhas que eu mesma fiz.
Eu nunca senti ódio.
Você odeia o tempo inteiro.
Ele tem aparecido por aqui.
Tenho andado atrás dele por ali.
Muitas vezes eu prefiro sentir solidão no shopping.
Enquanto você briga com mesas de sinuca.
E eu nunca odiei ninguém.
Sou uma espécie em extinção.
Você não me agrada em nada.
Mas é insubstituível.
Os anos passam por nós.
Ele desperdiça a minha melhor idade.
Eu nunca conheci a melhor época da vida dele.
Mulheres sentam-se em seu colo.
Deitam-se em sua cama.
Eu sou fiel à sua ausência.
Ao seu caos.
Somos duas espécies em extinção.
Somos uma espécie só.
Em extinção.
Somos animais selvagens.
Somos diamantes brutos.
Somos dinamite.
Sem exploradores de cavernas.
Somos a incomodação dos olhares de estranhos.
Nós somos feitos do mesmo material.
Eu sou a mudança na sua vida e você é a paz na minha.
As palavras saem da minha boca como hologramas e explodem na sua cara.
Enquanto você ignora e toma mais um trago.
*
As palavras saem da minha boca como hologramas e explodem na sua cara.
Você é uma espécie em extinção.
É um animal selvagem ferido.
Você vive numa armadilha.
Eu danço para uma platéia que não existe.
Pinto minhas unhas de vermelho para um cego ver.
Sou um animal selvagem domesticado.
Uma espécie em extinção.
Vivo numa armadilha plantada pelas escolhas que eu mesma fiz.
Eu nunca senti ódio.
Você odeia o tempo inteiro.
Ele tem aparecido por aqui.
Tenho andado atrás dele por ali.
Muitas vezes eu prefiro sentir solidão no shopping.
Enquanto você briga com mesas de sinuca.
E eu nunca odiei ninguém.
Sou uma espécie em extinção.
Você não me agrada em nada.
Mas é insubstituível.
Os anos passam por nós.
Ele desperdiça a minha melhor idade.
Eu nunca conheci a melhor época da vida dele.
Mulheres sentam-se em seu colo.
Deitam-se em sua cama.
Eu sou fiel à sua ausência.
Ao seu caos.
Somos duas espécies em extinção.
Somos uma espécie só.
Em extinção.
Somos animais selvagens.
Somos diamantes brutos.
Somos dinamite.
Sem exploradores de cavernas.
Somos a incomodação dos olhares de estranhos.
Nós somos feitos do mesmo material.
Eu sou a mudança na sua vida e você é a paz na minha.
As palavras saem da minha boca como hologramas e explodem na sua cara.
Enquanto você ignora e toma mais um trago.
*
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
*
Uma vontade.
Uma única vontade.
De escrever pra sempre.
Convulsivamente, compulsivamente.
Até os dedos sangrarem. Pra sempre.
Escrever até esgotar palavras em todos os idiomas.
Escrever até não ter mais sobre o que escrever. Sobre nada, sobre tudo.
Escrever, escrever, escrever.
Até desmaiar.
Frenética.
Verborrágica.
Hemorrágica.
Escrever com as minhas letras.
Escrever nas minhas palavras.
Escrever no chão, nas paredes.
Escrever na água do mar.
No ar.
Escrever na pele das pessoas.
Na tua pele. Na minha.
Escrever exageradamente. Passionalmente.
Esgotar papéis.
Perder a capacidade de compilar dados.
Deixar as palavras espalhadas por aí.
Nos olhos dos outros, nas sensações alheias.
Deixar, desperdiçar palavras.
Caminhar e escrever no ar.
Reescrever o ar.
Reinventar.
Exorcizar.
Escrever...
Escrever...
Escrever...
Viver...
.
.
.
Morrer.
*
Uma vontade.
Uma única vontade.
De escrever pra sempre.
Convulsivamente, compulsivamente.
Até os dedos sangrarem. Pra sempre.
Escrever até esgotar palavras em todos os idiomas.
Escrever até não ter mais sobre o que escrever. Sobre nada, sobre tudo.
Escrever, escrever, escrever.
Até desmaiar.
Frenética.
Verborrágica.
Hemorrágica.
Escrever com as minhas letras.
Escrever nas minhas palavras.
Escrever no chão, nas paredes.
Escrever na água do mar.
No ar.
Escrever na pele das pessoas.
Na tua pele. Na minha.
Escrever exageradamente. Passionalmente.
Esgotar papéis.
Perder a capacidade de compilar dados.
Deixar as palavras espalhadas por aí.
Nos olhos dos outros, nas sensações alheias.
Deixar, desperdiçar palavras.
Caminhar e escrever no ar.
Reescrever o ar.
Reinventar.
Exorcizar.
Escrever...
Escrever...
Escrever...
Viver...
.
.
.
Morrer.
*
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
*
"You are my sweetest downfall... I loved you first. I loved you first"
E a bíblia não contava nossa história.
Nem falava nada além sobre nós.
Eu tô perdida.
Meus sonhos estão perdidos.
Uma respiração a cada minuto.
Um pé atrás do outro.
Você está marcado em mim sem nunca estar.
Na minha pele.
Sua voz brilha no meu escuro.
Eu confio. Eu confio.
E muitas vezes você parece ser tudo que me resta.
Mas não é.
Eu vou desenhar um infinito na minha pele e te colocar dentro dele.
*
"You are my sweetest downfall... I loved you first. I loved you first"
E a bíblia não contava nossa história.
Nem falava nada além sobre nós.
Eu tô perdida.
Meus sonhos estão perdidos.
Uma respiração a cada minuto.
Um pé atrás do outro.
Você está marcado em mim sem nunca estar.
Na minha pele.
Sua voz brilha no meu escuro.
Eu confio. Eu confio.
E muitas vezes você parece ser tudo que me resta.
Mas não é.
Eu vou desenhar um infinito na minha pele e te colocar dentro dele.
*
domingo, 11 de janeiro de 2009
*
Ao reler este trecho eu relembrei o quanto sou Nelson R.
''Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.''
Nelson Rodrigues.
E é assim pra mim. Sempre assim. Como sempre foi.
Sou e sempre fui um anjo pornográfico.
*
Ao reler este trecho eu relembrei o quanto sou Nelson R.
''Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.''
Nelson Rodrigues.
E é assim pra mim. Sempre assim. Como sempre foi.
Sou e sempre fui um anjo pornográfico.
*
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
2009
*
Hoje, já comi.
Já chorei, já ri.
Já joguei banco imobiliário, joguei pebolim.
Brinquei com bolinhas de sabão, como quando era criança.
Fiquei bem séria e chorei de novo, como quando era velha.
Joguei e brinquei com o destino e com a vida.
Usei vestido azul e sandálias douradas.
Comi de novo, e de novo, e de novo, de novo, de novo, de novo...
Até rolar parede acima.
Até rolar pra qualquer lugar.
Mandei mensagens de ano novo para os amigos.
Mandei mensagens pra quem não devia.
Comi mais um pouco.
Dormi no chão da sala.
Sentei de perna aberta e brinquei com a imaginação de certos meninos.
Sentei com as pernas bem fechadas com a pretensão de nunca mais abrí-las.
Mas abri.
Dei risada por bobeira.
Fiquei bêbada. Pra rir mais um pouco.
Comi mais uma vez. Comi de raiva pra me agredir por estar tão gorda.
Comi só pra me agredir, por tantas outras razões.
Passei mal.
E ri de desespero ou arrependimento.
Então eu resolvi só olhar a chuva pela janela.
Porque o sol, que tinha prometido queimar minhas pernas, resolveu me abandonar.
Como tantas outras pessoas. Como tantas outras vezes.
Suei de calor e me conformei. Mais uma vez.
Resolvi parar de lutar e gritar com a solidão.
Parar de descontar na comida.
Parar de sangrar por dentro.
E abraçar o novo ano.
Abraçar o barulho dos fogos, o silêncio dos abraços.
Então eu sorri pra solidão, pra bebida, pra lágrima que a madrugada escondeu.
Eu sorri pra tudo de novo que 2009 vai me trazer.
E que vai ser igual a tudo que já foi.
*
Hoje, já comi.
Já chorei, já ri.
Já joguei banco imobiliário, joguei pebolim.
Brinquei com bolinhas de sabão, como quando era criança.
Fiquei bem séria e chorei de novo, como quando era velha.
Joguei e brinquei com o destino e com a vida.
Usei vestido azul e sandálias douradas.
Comi de novo, e de novo, e de novo, de novo, de novo, de novo...
Até rolar parede acima.
Até rolar pra qualquer lugar.
Mandei mensagens de ano novo para os amigos.
Mandei mensagens pra quem não devia.
Comi mais um pouco.
Dormi no chão da sala.
Sentei de perna aberta e brinquei com a imaginação de certos meninos.
Sentei com as pernas bem fechadas com a pretensão de nunca mais abrí-las.
Mas abri.
Dei risada por bobeira.
Fiquei bêbada. Pra rir mais um pouco.
Comi mais uma vez. Comi de raiva pra me agredir por estar tão gorda.
Comi só pra me agredir, por tantas outras razões.
Passei mal.
E ri de desespero ou arrependimento.
Então eu resolvi só olhar a chuva pela janela.
Porque o sol, que tinha prometido queimar minhas pernas, resolveu me abandonar.
Como tantas outras pessoas. Como tantas outras vezes.
Suei de calor e me conformei. Mais uma vez.
Resolvi parar de lutar e gritar com a solidão.
Parar de descontar na comida.
Parar de sangrar por dentro.
E abraçar o novo ano.
Abraçar o barulho dos fogos, o silêncio dos abraços.
Então eu sorri pra solidão, pra bebida, pra lágrima que a madrugada escondeu.
Eu sorri pra tudo de novo que 2009 vai me trazer.
E que vai ser igual a tudo que já foi.
*
sábado, 27 de dezembro de 2008
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
*
É essa minha mania de querer ter tudo nas mãos e não conseguir segurar nada.
Bom te ver.
Bom te ter, mesmo que só desse jeito...
Eu já não escondo mais nada. E as mãos?! Não sei o que fazer com elas.
Por isso tiro fotos. Freneticamente. Meu álbum está repleto de figurinhas suas.
Desculpe. Sei que isso é uma invasão. Mas sou assim.
Vou invadindo os espaços, tentando fazer parte de tudo. Pra ver se consigo deixar
pelo menos um pouquinho de mim em você. Uma impressão que seja. Uma porção.
De ilusão pra mim.
*
That's my sad christmas.
FELIZ NATAL
É essa minha mania de querer ter tudo nas mãos e não conseguir segurar nada.
Bom te ver.
Bom te ter, mesmo que só desse jeito...
Eu já não escondo mais nada. E as mãos?! Não sei o que fazer com elas.
Por isso tiro fotos. Freneticamente. Meu álbum está repleto de figurinhas suas.
Desculpe. Sei que isso é uma invasão. Mas sou assim.
Vou invadindo os espaços, tentando fazer parte de tudo. Pra ver se consigo deixar
pelo menos um pouquinho de mim em você. Uma impressão que seja. Uma porção.
De ilusão pra mim.
*
That's my sad christmas.
FELIZ NATAL
domingo, 14 de dezembro de 2008
Um Tiro no Escuro
`
O vermelho lhe cai bem.
Esqueci de comentar.
Eu seguro todas suas ondas. É só você me pedir.
Você sempre acerta meu tamanho no seu abraço. Que é incomparável. Dos melhores.
E sei exatamente o que fazer com aquela sua confusão de sentimentos. E com a ansiedade. A sua, porque a minha me põe louca.
Mais uma vez os homens me mostram como conseguem ser bons amigos.
Esse foi um bom ano.
Tive teatro, tenho dinheiro. O que mais posso querer.
Não vou nem entrar naquela velha discussão sobre romance, ou sobre a falta dele.
Esse ano fui presenteada com uma tranquilidade apática.
É como se eu estivesse recuperando forças. Reunindo energias.
Não, não sei ainda pra quê, mas sinto que vai ser algo muito importante.
Tenho uma paixão oculta por profecias.
Se tenho andado calada e sozinha é porque aguardo que o meu destino cumpra seu papel.
O meu papel eu já engatilhei.
´
O vermelho lhe cai bem.
Esqueci de comentar.
Eu seguro todas suas ondas. É só você me pedir.
Você sempre acerta meu tamanho no seu abraço. Que é incomparável. Dos melhores.
E sei exatamente o que fazer com aquela sua confusão de sentimentos. E com a ansiedade. A sua, porque a minha me põe louca.
Mais uma vez os homens me mostram como conseguem ser bons amigos.
Esse foi um bom ano.
Tive teatro, tenho dinheiro. O que mais posso querer.
Não vou nem entrar naquela velha discussão sobre romance, ou sobre a falta dele.
Esse ano fui presenteada com uma tranquilidade apática.
É como se eu estivesse recuperando forças. Reunindo energias.
Não, não sei ainda pra quê, mas sinto que vai ser algo muito importante.
Tenho uma paixão oculta por profecias.
Se tenho andado calada e sozinha é porque aguardo que o meu destino cumpra seu papel.
O meu papel eu já engatilhei.
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domingo, 30 de novembro de 2008
Ain't no sunshine...
`
Tá um dia lindo pela janela.
As pessoas querem sair e viver.
Eu juro que só quero paz.
E espero um mínimo de sinceridade, mesmo quando não dá pra esperar mais nada de bom.
´
Tá um dia lindo pela janela.
As pessoas querem sair e viver.
Eu juro que só quero paz.
E espero um mínimo de sinceridade, mesmo quando não dá pra esperar mais nada de bom.
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domingo, 23 de novembro de 2008
Notívagos
Tenho tentado mudar o mundo.
Tenho tentado mostrar às pessoas que eu realmente gosto delas e o quanto isso é grandioso e importante pra mim.
Ando procurando roupas sociais impermeáveis. E ando bolando um plano para conseguir ir trabalhar de galochas...
Ando procurando, acima de tudo, alguém com quem dividir o cinzeiro, o whisky e as conversas fúteis.
No final das contas, os meninos acabam sempre me mostrando como conseguem ser melhores amigos do que as mulheres.
Tenho tentado mostrar às pessoas que eu realmente gosto delas e o quanto isso é grandioso e importante pra mim.
Ando procurando roupas sociais impermeáveis. E ando bolando um plano para conseguir ir trabalhar de galochas...
Ando procurando, acima de tudo, alguém com quem dividir o cinzeiro, o whisky e as conversas fúteis.
No final das contas, os meninos acabam sempre me mostrando como conseguem ser melhores amigos do que as mulheres.
domingo, 9 de novembro de 2008
EGODRAMA
Ok. Juro que essa é aquela época do ano, que antecede o natal e vem depois de tudo que já podia ter acontecido de bom ou mau ao longo do ano, em que todas as pessoas se sentem mais e mais sozinhas e pensam em suas mães e seus pais e seus maridos/esposas e cachorros e irmãos e começam a ter ataques de EGODRAMAS!!!!
Eu já declarei que não tinha paciência antes. Tenho menos paciência agora.
E as crises aparecem por todos os lados, só que as pessoas não entendem que após os dezesseis anos as babás desaparecem num mundo mágico das babás e que os seres humanos normais e maduros não são obrigados a tolerar todas aquelas crises de ego infantis.
Esse ano, pessoas por todos os lados apresentaram os sintomas.
E esse ano eu não vou levar desaforo pra lugar algum.
Mas vou manter aquela postura blasé minimalista porque assim eu me divirto muito mais.
A adolescência só acaba aos 50 anos.
E a infância começa aos 60.
Little hug,
Little kiss.
Eu já declarei que não tinha paciência antes. Tenho menos paciência agora.
E as crises aparecem por todos os lados, só que as pessoas não entendem que após os dezesseis anos as babás desaparecem num mundo mágico das babás e que os seres humanos normais e maduros não são obrigados a tolerar todas aquelas crises de ego infantis.
Esse ano, pessoas por todos os lados apresentaram os sintomas.
E esse ano eu não vou levar desaforo pra lugar algum.
Mas vou manter aquela postura blasé minimalista porque assim eu me divirto muito mais.
A adolescência só acaba aos 50 anos.
E a infância começa aos 60.
Little hug,
Little kiss.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
P.S.
E agora Obama? Até quando vai continuar o Oba Oba Obama?
E o que você vai fazer a respeito do Oriente Médio?
E o que vai fazer a respeito da emissão de poluentes?
Onde vai enfiar os problemas da sua economia? Que rumo vai dar à ONU?
Até quando vai fazer seus showzinhos para paparazzis?
Até quando vai manter esse seu discurso de palestra de auto ajuda?
Hein, Obama?
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`
Todos andamos buscando aquela estrada.
Todos corremos por aquela estrada desesperados em achar o caminho certo.
Só não sabemos que a estrada não leva a lugar algum.
Só não sabemos...
´
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`
Sinto muita saudade.
Hoje, perdi o chão só por me lembrar.
Mas você me deu um abraço e um ponto final.
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E o que você vai fazer a respeito do Oriente Médio?
E o que vai fazer a respeito da emissão de poluentes?
Onde vai enfiar os problemas da sua economia? Que rumo vai dar à ONU?
Até quando vai fazer seus showzinhos para paparazzis?
Até quando vai manter esse seu discurso de palestra de auto ajuda?
Hein, Obama?
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Todos andamos buscando aquela estrada.
Todos corremos por aquela estrada desesperados em achar o caminho certo.
Só não sabemos que a estrada não leva a lugar algum.
Só não sabemos...
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Sinto muita saudade.
Hoje, perdi o chão só por me lembrar.
Mas você me deu um abraço e um ponto final.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008
ReflexoãxelfeR
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Hoje, os sapatos não apertam mais seus pés.
Enquanto isso, ela brinca de ser bailarina no metrô para uma platéia idosa e solitária.
Uma platéia que observa os movimentos dela com olhos curiosos e muito silêncio. Uma platéia que inveja toda aquela jovialidade e leveza de movimentos.
Ela sorri para a platéia. Ela sorri para o nada.
Nenhum dos dois correspondem às suas expectativas.
Ela anda procurando a concentração que acabou se perdendo no caminho. Que se perdeu no exato momento em que ela deixou de sentir.
Um dia ela disse como achava bonito ser blasé. Agora ela realmente não sente mais nada.
Tudo o que sente é aquela coisa estranha por aquele cara estranho que é mestre em enviar os sinais errados só pra aumentar a aflição da menina.
Mas isso não lhe rouba a dança ou a inocência.
Por isso ela move as mãos daquele jeito tão delicado e bonito.
Por isso é tão feliz com sua platéia solitária.
E ouve músicas dentro de sua cabeça e pensa em forma de poema.
E ri sozinha.
Enquanto o resto do mundo cochila encostado nas janelas sujas do metrô.
´
Hoje, os sapatos não apertam mais seus pés.
Enquanto isso, ela brinca de ser bailarina no metrô para uma platéia idosa e solitária.
Uma platéia que observa os movimentos dela com olhos curiosos e muito silêncio. Uma platéia que inveja toda aquela jovialidade e leveza de movimentos.
Ela sorri para a platéia. Ela sorri para o nada.
Nenhum dos dois correspondem às suas expectativas.
Ela anda procurando a concentração que acabou se perdendo no caminho. Que se perdeu no exato momento em que ela deixou de sentir.
Um dia ela disse como achava bonito ser blasé. Agora ela realmente não sente mais nada.
Tudo o que sente é aquela coisa estranha por aquele cara estranho que é mestre em enviar os sinais errados só pra aumentar a aflição da menina.
Mas isso não lhe rouba a dança ou a inocência.
Por isso ela move as mãos daquele jeito tão delicado e bonito.
Por isso é tão feliz com sua platéia solitária.
E ouve músicas dentro de sua cabeça e pensa em forma de poema.
E ri sozinha.
Enquanto o resto do mundo cochila encostado nas janelas sujas do metrô.
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domingo, 19 de outubro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
I love the sound of you walking away
`
Sinto falta dos olhares meus que moravam em seus olhos.
Sinto falta da espontaneidade roubada no abraço.
Faz falta o som da sua gargalhada estúpida de moleque ainda.
Falta até aquele toque no ombro e o cheiro de novidade de nós dois.
Sinto falta da falta que você não sente de mim.
´
Sinto falta dos olhares meus que moravam em seus olhos.
Sinto falta da espontaneidade roubada no abraço.
Faz falta o som da sua gargalhada estúpida de moleque ainda.
Falta até aquele toque no ombro e o cheiro de novidade de nós dois.
Sinto falta da falta que você não sente de mim.
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terça-feira, 14 de outubro de 2008
Insuficiência
`
Eles eram amigos.
Muito amigos. Riam juntos, dançavam juntos (mesmo ele não gostando muito), bebiam juntos, amanheciam juntos, faziam piadas que só o outro entenderia, olhavam as coisas e se olhavam, viviam vidas separadas juntos.
Mas tão jovem quanto ele, ela era.
E tão jovem quanto ele, ela se foi.
E ele sentiu muita falta dela, fez questão de sentir. Muita falta.
E da mesma forma, ele fez questão de esquecer.
Tudo o que eles tinham sido juntos.
Ele era novo. Tão novo quanto ela quando ela teve que ir.
Mas o que ele não sabia é que ela tinha abdicado do Paraíso só pra ficar do lado dele mais uma vez. Mesmo sem saber como. Mesmo sem saber por quanto tempo.
Ela desistiu do Paraíso pra ficar do lado dele.
Ela fez questão de não esquecer.
E tão rapidamente ela partiu e chegou.
Buscou mais de vinte anos por ele. Muito mais.
E por mais de vinte anos ele sofreu. E viveu. Bem ou mal.
Por mais de vinte anos ela se sentiu perdida e sozinha.
Até que um dia aquele cara pra quem ela olhava sob aquela luz forte era ele.
Ela sabia quem ele era.
Mas ele não imaginava.
Ela o conheceu e reconheceu e descobriu que ele agora estava sozinho e perdido.
E que apesar de todas diferenças e vivências ela o entendia e era mais sábia do que ele. Mas disso ele não sabia. Nem poderia saber.
E ela sofreu. Por ela e por ele. Sofreu por tudo que os dois tinham sido e perdido juntos. Sofreu pela solidão dos dois.
Agora eles se vêem de vez em quando.
E ela continua entendendo e apoiando e sabendo tudo que ele é.
Ele não. Ele não sabe de nada. Nem poderia.
Mas nada disso impediu o que ela sentia.
Até hoje eles se esbarram por aí. E andam por aí. E voltam pra casa sozinhos.
Fingindo que não sabem quem são.
Até hoje ela o acompanha com o pensamento e com os olhos.
Mesmo quando a vida é dura e dói nos pés, nos ombros e na cabeça...
Até hoje ela espera por cada um dos olhares dele.
E espera que ele reconheça o que resta dos dois no sorriso dos olhos dela.
´
Eles eram amigos.
Muito amigos. Riam juntos, dançavam juntos (mesmo ele não gostando muito), bebiam juntos, amanheciam juntos, faziam piadas que só o outro entenderia, olhavam as coisas e se olhavam, viviam vidas separadas juntos.
Mas tão jovem quanto ele, ela era.
E tão jovem quanto ele, ela se foi.
E ele sentiu muita falta dela, fez questão de sentir. Muita falta.
E da mesma forma, ele fez questão de esquecer.
Tudo o que eles tinham sido juntos.
Ele era novo. Tão novo quanto ela quando ela teve que ir.
Mas o que ele não sabia é que ela tinha abdicado do Paraíso só pra ficar do lado dele mais uma vez. Mesmo sem saber como. Mesmo sem saber por quanto tempo.
Ela desistiu do Paraíso pra ficar do lado dele.
Ela fez questão de não esquecer.
E tão rapidamente ela partiu e chegou.
Buscou mais de vinte anos por ele. Muito mais.
E por mais de vinte anos ele sofreu. E viveu. Bem ou mal.
Por mais de vinte anos ela se sentiu perdida e sozinha.
Até que um dia aquele cara pra quem ela olhava sob aquela luz forte era ele.
Ela sabia quem ele era.
Mas ele não imaginava.
Ela o conheceu e reconheceu e descobriu que ele agora estava sozinho e perdido.
E que apesar de todas diferenças e vivências ela o entendia e era mais sábia do que ele. Mas disso ele não sabia. Nem poderia saber.
E ela sofreu. Por ela e por ele. Sofreu por tudo que os dois tinham sido e perdido juntos. Sofreu pela solidão dos dois.
Agora eles se vêem de vez em quando.
E ela continua entendendo e apoiando e sabendo tudo que ele é.
Ele não. Ele não sabe de nada. Nem poderia.
Mas nada disso impediu o que ela sentia.
Até hoje eles se esbarram por aí. E andam por aí. E voltam pra casa sozinhos.
Fingindo que não sabem quem são.
Até hoje ela o acompanha com o pensamento e com os olhos.
Mesmo quando a vida é dura e dói nos pés, nos ombros e na cabeça...
Até hoje ela espera por cada um dos olhares dele.
E espera que ele reconheça o que resta dos dois no sorriso dos olhos dela.
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terça-feira, 7 de outubro de 2008
Tarefa do dia
`
Decifrando e resgatando pessoas.
As que realmente valem a pena apenas.
Administrando o tempo que resta.
Desejando dançar um blues com um copo cheio nas mãos.
Morrendo de sono.
Trabalhando e correndo e buscando e amando um pouco mais.
Todos os dias.
´
Decifrando e resgatando pessoas.
As que realmente valem a pena apenas.
Administrando o tempo que resta.
Desejando dançar um blues com um copo cheio nas mãos.
Morrendo de sono.
Trabalhando e correndo e buscando e amando um pouco mais.
Todos os dias.
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Hide and seek
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Ah é? Então me dá uma dica ou um sinal qualquer.
Mas você não tem coragem, não é mesmo?
E eu não posso prometer nada pro seu medo.
´
Ah é? Então me dá uma dica ou um sinal qualquer.
Mas você não tem coragem, não é mesmo?
E eu não posso prometer nada pro seu medo.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
Restos meus
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Foi numa tarde como essa, de céu pintado à mão, óleo e carvão, que meu coração voltou a caber na palma de uma mão tão pequena quanto a minha.
E todos os clichês caíram mais significativos ainda sobre minha cabeça.
Um coração apertado por ter uma caçamba apertada pra tanta areia.
Por não ter olhares e gestos que pudessem dizer um algo mais.
Por não ter nada além do copo na mão.
Por não fazer parte e não ter uma história e não ser envolvida em qualquer coisa.
E mais uma vez sobraram de mim só os pedaços. Talvez nem mais esses.
Mesmo quando tudo está acontecendo e não tenho mais aqueles motivos tolos, ainda há uma peça quebrada aqui. Sem conserto.
Mas vou continuar gostanto e esperando, mesmo que em vão, mesmo que pela 1074992048 vez eu chegue a conclusão de que o único feito pra mim é meu cachorro Bob.
Os Três Mal-Amados - João Cabral de Melo Neto
"Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita.
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus.
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."
Foi numa tarde como essa, de céu pintado à mão, óleo e carvão, que meu coração voltou a caber na palma de uma mão tão pequena quanto a minha.
E todos os clichês caíram mais significativos ainda sobre minha cabeça.
Um coração apertado por ter uma caçamba apertada pra tanta areia.
Por não ter olhares e gestos que pudessem dizer um algo mais.
Por não ter nada além do copo na mão.
Por não fazer parte e não ter uma história e não ser envolvida em qualquer coisa.
E mais uma vez sobraram de mim só os pedaços. Talvez nem mais esses.
Mesmo quando tudo está acontecendo e não tenho mais aqueles motivos tolos, ainda há uma peça quebrada aqui. Sem conserto.
Mas vou continuar gostanto e esperando, mesmo que em vão, mesmo que pela 1074992048 vez eu chegue a conclusão de que o único feito pra mim é meu cachorro Bob.
Os Três Mal-Amados - João Cabral de Melo Neto
"Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita.
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus.
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
The changes have arrived
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Ainda sou a mesma mina que fala de amor
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Para quem não conhece, apresento CASCADURA e a melhor música do mundo por hoje. Bom de doer.
http://www.youtube.com/watch?v=pcmX6J6S6Xs
Mesmo eu estando do outro lado
"Pode ser que num reencontro já não seja mais isso
Nem há esse compromisso
Ainda assim quero te ver
Eu tenho andado distante de tudo e de todos
Meus dias vão correndo e você entrou em meu sonho
É quando o rádio me avisa onde é que eu estou
Com tudo que eu posso ouvir: Me and You
Mesmo eu estando aqui do outro lado."
´
Para quem não conhece, apresento CASCADURA e a melhor música do mundo por hoje. Bom de doer.
http://www.youtube.com/watch?v=pcmX6J6S6Xs
Mesmo eu estando do outro lado
"Pode ser que num reencontro já não seja mais isso
Nem há esse compromisso
Ainda assim quero te ver
Eu tenho andado distante de tudo e de todos
Meus dias vão correndo e você entrou em meu sonho
É quando o rádio me avisa onde é que eu estou
Com tudo que eu posso ouvir: Me and You
Mesmo eu estando aqui do outro lado."
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Dança da meia noite
`
Não se deixe levar pelo encanto da leveza dos meus pés nessa valsa inocente.
A dança pode até parecer prazerosa, mas só eu sei da dor que sinto enquanto meu sangue se transforma em pó seco dentro das veias.
É que eu tô dançando com a solidão, meu bem.
´
Não se deixe levar pelo encanto da leveza dos meus pés nessa valsa inocente.
A dança pode até parecer prazerosa, mas só eu sei da dor que sinto enquanto meu sangue se transforma em pó seco dentro das veias.
É que eu tô dançando com a solidão, meu bem.
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Do blog do meu amigo...
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Passeando pela blogosfera e visitando pensamentos amigos me deparei com o texto, que eu tomei a liberdade de "ctrl+c / ctrl+v", abaixo. É um texto do meu amigo Leonardo Ulian Dall Evedove, que é duro na queda e doce no abraço, percebe-se seu talento e inteligência só de olharmos para ele, recentemente postado em seu blog: http://leoeoespelho.blogspot.com/
Ah, Leo. Você sabe o quanto eu te admiro. Desde quando você era um menino perdido no interior...
Li, senti. Chorei. Fiz parte. Doeu em tudo que era verdade em mim.
Percebi que ando criando gatos também e até entendi minha recente paixão por eles.
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"Da origem dos gatos
Passeando pela blogosfera e visitando pensamentos amigos me deparei com o texto, que eu tomei a liberdade de "ctrl+c / ctrl+v", abaixo. É um texto do meu amigo Leonardo Ulian Dall Evedove, que é duro na queda e doce no abraço, percebe-se seu talento e inteligência só de olharmos para ele, recentemente postado em seu blog: http://leoeoespelho.blogspot.com/
Ah, Leo. Você sabe o quanto eu te admiro. Desde quando você era um menino perdido no interior...
Li, senti. Chorei. Fiz parte. Doeu em tudo que era verdade em mim.
Percebi que ando criando gatos também e até entendi minha recente paixão por eles.
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"Da origem dos gatos
Quem convive com gatos já deve ter percebido que eles sempre desaparecem por microssegundos, que seja, no dia. Há quem diga que surgiram das sombras. Por isso são furtivos, porque são da mesma substância delas. Por isso têm sete vidas, enxergam no escuro e andam sempre de soslaio, quase serpenteando, sem tocar no chão, até. A origem desses felinos seria mágica também, pois o que os tornou o que são foram as lágrimas não derramadas de uma princesa, enclausurada num monastério sombrio há muito tempo atrás. Tão só era ela, que sua solidão lhe consumia o viver e determinava sua maneira de ver as coisas. Em tudo havia cores tristes, tons opacos e o silêncio, que a enlouquecia. Todas as noites durante muito tempo, chorava copiosamente deitada em seu leito, que afundava com o peso das lágrimas, e ia tão fundo que flertava com a passagem para o mundo dos mortos. A dor maior era jamais ter sido tocada por ninguém, e sua companhia durante o dia era uma estátua do jardim, sempre tão constante ao lançar seus olhares. À noite, conforme a posição da lua, a sobra da estátua penetrava no quarto pela janela, e a princesa se apressava em tocar-lhe, com a mão e com a mente, tentando de alguma maneira se ligar a ela. Algumas vezes teve a impressão de vê-la se mexer, em seguida desiludindo-se ao ver que era impossível algo assim acontecer. E m todas as visitas noturnas, e foram muitas, a garota enclausurada pedia que a sombra não fosse embora, que não a deixasse noites inteiras só. E chorou muito nessas ocasiões, sem que as sombras mostrassem que a ouviam, e o tempo passou. Uma noite dessas, bem clara de luar, ela não se levantou da cama, não se mexeu. Não derramou uma lágrima sequer, nenhum som jamais saiu dela de novo. E quem ficou só, naquela noite, foram as sombras, que lhe queriam tocar. Então, duas pequenas porções de sombra separaram-se de seu todo, e caminharam para ela, avançando pela luz da lua, flutuando sobre ela, melindrosas. Desde então, esses pequenos pedaços de sombra vagam pelas ruas da cidade, escondem-se nos cantos das casas, porque são frutos da solidão e do abandono da sombra pela princesa. Permanecem-lhe fiéis até hoje, e por alguns momentos, quando a solidão lhes aperta o coração como uma toada muito triste e aguda, aproximam-se de nós e nos deixam acarinhá-los, para logo em seguida irem adiante assumir seu lugar no todo de onde vieram."
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Um 38 contra o peito
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É. Há muitos sentimentos por aí, né...
E na ânsia de sentir qualquer um que me trouxesse um pouco mais de vida andei confundindo muitos deles.
Nós andamos misturando as coisas. Acho que você concordaria com isso se soubesse.
Meus sentimentos se misturaram aos seus em momentos em que nós precisávamos um do outro, mas de formas diferentes.
E, via de regra comum aos relacionamentos e pessoas intensas, acabamos nos afastando.
Você teve medo. Eu tive medo.
Você conheceu pessoas.
Eu conheci pessoas.
E tudo isso seria tranquilo se ainda hoje eu não acordasse pensando em você.
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É. Há muitos sentimentos por aí, né...
E na ânsia de sentir qualquer um que me trouxesse um pouco mais de vida andei confundindo muitos deles.
Nós andamos misturando as coisas. Acho que você concordaria com isso se soubesse.
Meus sentimentos se misturaram aos seus em momentos em que nós precisávamos um do outro, mas de formas diferentes.
E, via de regra comum aos relacionamentos e pessoas intensas, acabamos nos afastando.
Você teve medo. Eu tive medo.
Você conheceu pessoas.
Eu conheci pessoas.
E tudo isso seria tranquilo se ainda hoje eu não acordasse pensando em você.
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
Permissão
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Minha vida em relação à sua ficou tão difícil.
Você está sumindo de todos meus espaços aos pouquinhos...
E eu não consigo mais te alcançar. Eu sei que eu já não conseguia te alcançar antes mas é que tá cada vez mais difícil.
Sua presença, sua voz e sua foto me faltam. Até seu silêncio me falta.
E essa sua falta me dói tanto.
Dói tanto que perco o ar.
E qualquer música de propaganda parece ter sido feita pra minha dor, porque minha dor já não precisa mais de pretextos para ser.
E olha que dói. Muito.
Parece que tem um elefante sentado nas minhas costelas.
Sinto falta até daquele seu olhar de desprezo por pensar que eu me achava demais... mas era tudo fingimento, meu bem. Pra parecer mais interessante pra você.
Sempre pra você. Tudo pra você.
A maquiagem, as roupas, as bebidinhas, o ar bêbado e corajoso, meu tom irônico, calar por medo de revelar minha estupidez imatura diante de tudo que você é.
Quando o que eu mais queria era ouvir suas histórias adolescentes, ouvir você me mandando calar a boca, e tirar toda minha roupa pra você só pra você me olhar daquele jeito que eu adoro.
Daquele seu jeito.
Mas não é assim, não é mesmo?
Você não permite que seja.
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Minha vida em relação à sua ficou tão difícil.
Você está sumindo de todos meus espaços aos pouquinhos...
E eu não consigo mais te alcançar. Eu sei que eu já não conseguia te alcançar antes mas é que tá cada vez mais difícil.
Sua presença, sua voz e sua foto me faltam. Até seu silêncio me falta.
E essa sua falta me dói tanto.
Dói tanto que perco o ar.
E qualquer música de propaganda parece ter sido feita pra minha dor, porque minha dor já não precisa mais de pretextos para ser.
E olha que dói. Muito.
Parece que tem um elefante sentado nas minhas costelas.
Sinto falta até daquele seu olhar de desprezo por pensar que eu me achava demais... mas era tudo fingimento, meu bem. Pra parecer mais interessante pra você.
Sempre pra você. Tudo pra você.
A maquiagem, as roupas, as bebidinhas, o ar bêbado e corajoso, meu tom irônico, calar por medo de revelar minha estupidez imatura diante de tudo que você é.
Quando o que eu mais queria era ouvir suas histórias adolescentes, ouvir você me mandando calar a boca, e tirar toda minha roupa pra você só pra você me olhar daquele jeito que eu adoro.
Daquele seu jeito.
Mas não é assim, não é mesmo?
Você não permite que seja.
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Sem adereços
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Socorro.
Eu tô precisando de um abraço seu.
Tô precisando saber que posso confiar que você não vai dar em cima da minha amiga só porque ela é mais bonita.
Você sabe que tô precisando de dinheiro e que por isso anda difícil esbarrar você por aí.
Tô precisando de algum sinal ou algum milagre que me diga que tudo vai dar certo ainda nessa vida...
Preciso ouvir da boca de qualquer um que é possível que alguém goste de mim só por eu ser quem sou. Que é possível alguém gostar de mim. Simples assim. Sem adereços ou muitas palavras.
Preciso ainda mais ouvir isso da sua boca.
Preciso ganhar na loteria para que eu não morra do coração ou tenha um aneurisma aos 23 anos.
Preciso que você saiba que eu gosto de você. Preciso que você saiba que é muito.
Preciso que você olhe pra mim do jeito que eu tô esperando desde outubro de 2006. Desde quando você não tinha consciência da minha existência.
Tô precisando de talento pra tudo isso.
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Socorro.
Eu tô precisando de um abraço seu.
Tô precisando saber que posso confiar que você não vai dar em cima da minha amiga só porque ela é mais bonita.
Você sabe que tô precisando de dinheiro e que por isso anda difícil esbarrar você por aí.
Tô precisando de algum sinal ou algum milagre que me diga que tudo vai dar certo ainda nessa vida...
Preciso ouvir da boca de qualquer um que é possível que alguém goste de mim só por eu ser quem sou. Que é possível alguém gostar de mim. Simples assim. Sem adereços ou muitas palavras.
Preciso ainda mais ouvir isso da sua boca.
Preciso ganhar na loteria para que eu não morra do coração ou tenha um aneurisma aos 23 anos.
Preciso que você saiba que eu gosto de você. Preciso que você saiba que é muito.
Preciso que você olhe pra mim do jeito que eu tô esperando desde outubro de 2006. Desde quando você não tinha consciência da minha existência.
Tô precisando de talento pra tudo isso.
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Admiração literária
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E hoje, trechos da peça "Para Alguns a Noite é Azul", do Sr. Dramaturgo (e amigo meu) Mário Bortolotto, escrita em 1987...
É um de meus textos favoritos.
"Ele só anda a deriva
do outro lado da avenida
e não tem sangue nos olhos como muitos dizem por aí
De vez em quando masca chicletes
e decifra fórmulas matemáticas
assobia "A Marselhesa"
quando passa em seu andar "Groucho Marx"
e vê as garotas
encostadas em reluzentes conversíveis amarelos
ele tá pouco se lixando pra suas dentaduras
e pro que tá acontecendo no Oriente Médio
suas preocupações filosóficas tão mais pro bairro operário
onde cresceu
cheio de malandros de andar swingado e olhos de lince
também tem um maninho aleijado que adora chupar
sorvetes
e uma priminha que dança no corpo de baile
e se veste com plumas e penas de pavão
e distribui presentes de natal
para suas quinze amiguinhas do peito
Ele fica alto ao entardecer
e sobe o morro com uma garrafa de vinho
e declama poemas beats para Osíris
têm dias que eu olho pra ele e digo: "você é muito louco"
ele nada diz, ele nunca diz nada
ele tá acima das palavras
ele é um capitão pirata, é um inca sacana
é o poeta da gestualidade
ele fala uma língua que arranca relâmpagos do asfalto
e quando alguém dá pela falta dele
e pergunta onde é que ele se meteu
eu sei que ele tá "alone"
no cemitério de automóveis
só sacando o mundo
por detrás dos seus melancólicos óculos escuros."
É, ele tá acima das palavras.
Küssen für alles.
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E hoje, trechos da peça "Para Alguns a Noite é Azul", do Sr. Dramaturgo (e amigo meu) Mário Bortolotto, escrita em 1987...
É um de meus textos favoritos.
"Ele só anda a deriva
do outro lado da avenida
e não tem sangue nos olhos como muitos dizem por aí
De vez em quando masca chicletes
e decifra fórmulas matemáticas
assobia "A Marselhesa"
quando passa em seu andar "Groucho Marx"
e vê as garotas
encostadas em reluzentes conversíveis amarelos
ele tá pouco se lixando pra suas dentaduras
e pro que tá acontecendo no Oriente Médio
suas preocupações filosóficas tão mais pro bairro operário
onde cresceu
cheio de malandros de andar swingado e olhos de lince
também tem um maninho aleijado que adora chupar
sorvetes
e uma priminha que dança no corpo de baile
e se veste com plumas e penas de pavão
e distribui presentes de natal
para suas quinze amiguinhas do peito
Ele fica alto ao entardecer
e sobe o morro com uma garrafa de vinho
e declama poemas beats para Osíris
têm dias que eu olho pra ele e digo: "você é muito louco"
ele nada diz, ele nunca diz nada
ele tá acima das palavras
ele é um capitão pirata, é um inca sacana
é o poeta da gestualidade
ele fala uma língua que arranca relâmpagos do asfalto
e quando alguém dá pela falta dele
e pergunta onde é que ele se meteu
eu sei que ele tá "alone"
no cemitério de automóveis
só sacando o mundo
por detrás dos seus melancólicos óculos escuros."
É, ele tá acima das palavras.
Küssen für alles.
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Reclames Cotidianos
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Ando vendo um monte de coisas bonitas. Essas coisas andam se jogando aos meus olhos.
E ando tendo um número considerável de constatações.
Tudo em silêncio.
Ontem tive o privilégio de pegar o trem e assistir o sol se pôr ao som de Regina Spektor (minha amiga e trilha sonora cotidiana mais recente).
E percebi que aquilo tudo me bastava naquele momento.
Digo aquilo tudo pela riqueza emocional que me trouxe, porque na verdade não eram muitas coisas... Eram só: um trem, uma menina de all star e um mp4. Ah, e o sol, protagonista daquela beleza e calmaria toda.
Percebi como a beleza é fundamental na vida das pessoas. Como faz bem.
Em todas as formas.
Passei uma vida inteira me perguntando qual a utilidade das pessoas bonitas...
Elas distribuem alegria de graça. Iluminam qualquer ambiente em que entram, em que permanecem, em que passam. Fazem bem aos olhos e à alma dos outros e muitas vezes nem sabem disso. E isso é bom demais.
As pessoas ao se depararem com a beleza, seja de um quadro, de um rosto, de uma poesia, de um gesto, esquecem das pequenas coisas, das insastifações, dos problemas, etc...
Mesmo que por um segundo, tudo fica mais leve e dá aquela sensação de que o dia valeu a pena.
É um espécie estranha de compensação.
E a beleza está nas coisas mais simples.
Minha apreciação pelas coisas simples tem crescido, seja uma paradinha para um café, uma livraria de portas abertas, uma caminhada na av. Paulista, um abraço fora de hora, um prato de arroz e feijão bem feitinho, um oi virtual daquele cara, sentar no sol ao lado de meus cachorros e assistir o pêlo deles brilhando depois do banho, ter tempo de ler um livro, ir à padaria e encontrar um vizinho, sentir o cheiro da chuva...
Tá. Agora chega, porque isso tá parecendo comercial de seguro de vida.
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Ando vendo um monte de coisas bonitas. Essas coisas andam se jogando aos meus olhos.
E ando tendo um número considerável de constatações.
Tudo em silêncio.
Ontem tive o privilégio de pegar o trem e assistir o sol se pôr ao som de Regina Spektor (minha amiga e trilha sonora cotidiana mais recente).
E percebi que aquilo tudo me bastava naquele momento.
Digo aquilo tudo pela riqueza emocional que me trouxe, porque na verdade não eram muitas coisas... Eram só: um trem, uma menina de all star e um mp4. Ah, e o sol, protagonista daquela beleza e calmaria toda.
Percebi como a beleza é fundamental na vida das pessoas. Como faz bem.
Em todas as formas.
Passei uma vida inteira me perguntando qual a utilidade das pessoas bonitas...
Elas distribuem alegria de graça. Iluminam qualquer ambiente em que entram, em que permanecem, em que passam. Fazem bem aos olhos e à alma dos outros e muitas vezes nem sabem disso. E isso é bom demais.
As pessoas ao se depararem com a beleza, seja de um quadro, de um rosto, de uma poesia, de um gesto, esquecem das pequenas coisas, das insastifações, dos problemas, etc...
Mesmo que por um segundo, tudo fica mais leve e dá aquela sensação de que o dia valeu a pena.
É um espécie estranha de compensação.
E a beleza está nas coisas mais simples.
Minha apreciação pelas coisas simples tem crescido, seja uma paradinha para um café, uma livraria de portas abertas, uma caminhada na av. Paulista, um abraço fora de hora, um prato de arroz e feijão bem feitinho, um oi virtual daquele cara, sentar no sol ao lado de meus cachorros e assistir o pêlo deles brilhando depois do banho, ter tempo de ler um livro, ir à padaria e encontrar um vizinho, sentir o cheiro da chuva...
Tá. Agora chega, porque isso tá parecendo comercial de seguro de vida.
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domingo, 7 de setembro de 2008
A pretty piece of...
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Conheci uma pessoa.
Uma hora depois de ontem.
É tão bom conhecer pessoas.
Surge essa impressão de novas portas. Oportunidades.
Novas vivências, aprendizado, histórias engraçadas ou tristes, histórias.
Mal conheci e já tive a chance de uma história nova.
Mesmo que pequena, mesmo que efêmera...
Nem quero pensar daqui em diante. Porque pode doer.
Porque pode não haver.
Mas gostei do que houve.
Gostei das pequenas provocações. Gostei da mania de tirar fotos.
Gostei do corpo dele e dos olhares. Gostei desse jeito barulhento de fazer gracinhas.
Gostei da agilidade do pensamento à safadeza no carro.
Gostei da forma como aparentemente advinhou meu signo. Mesmo após eu ter errado o dele duas vezes.
Gostei de conhecê-lo ficando bêbado, pouco e muito.
Mesmo quando o que eu queria era conhecê-lo sóbrio...
Gostei do jeito tão direto e tão raro.
Mas o que eu mais gostei mesmo foi da forma como ele me irritava e dos olhares que me dava.
Bastava. Naquele momento, ele me bastava.
E fazia tempo que não me divertia dessa maneira.
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Conheci uma pessoa.
Uma hora depois de ontem.
É tão bom conhecer pessoas.
Surge essa impressão de novas portas. Oportunidades.
Novas vivências, aprendizado, histórias engraçadas ou tristes, histórias.
Mal conheci e já tive a chance de uma história nova.
Mesmo que pequena, mesmo que efêmera...
Nem quero pensar daqui em diante. Porque pode doer.
Porque pode não haver.
Mas gostei do que houve.
Gostei das pequenas provocações. Gostei da mania de tirar fotos.
Gostei do corpo dele e dos olhares. Gostei desse jeito barulhento de fazer gracinhas.
Gostei da agilidade do pensamento à safadeza no carro.
Gostei da forma como aparentemente advinhou meu signo. Mesmo após eu ter errado o dele duas vezes.
Gostei de conhecê-lo ficando bêbado, pouco e muito.
Mesmo quando o que eu queria era conhecê-lo sóbrio...
Gostei do jeito tão direto e tão raro.
Mas o que eu mais gostei mesmo foi da forma como ele me irritava e dos olhares que me dava.
Bastava. Naquele momento, ele me bastava.
E fazia tempo que não me divertia dessa maneira.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Afogamento
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Por favor, alguém me ajuda?
Preciso de alguém que possa me ajudar. É sério.
Eu (ainda) preciso de um emprego e acho que perdi meu coração em qualquer esquina.
Perdi mesmo. É sério. Não consigo mais escutar meu coração batendo.
Perdi o pulso. Minha pulsação e meus pulsos.
Não escuto e nem sinto.
Mas antes de qualquer coisa preciso de um bom emprego.
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Por favor, alguém me ajuda?
Preciso de alguém que possa me ajudar. É sério.
Eu (ainda) preciso de um emprego e acho que perdi meu coração em qualquer esquina.
Perdi mesmo. É sério. Não consigo mais escutar meu coração batendo.
Perdi o pulso. Minha pulsação e meus pulsos.
Não escuto e nem sinto.
Mas antes de qualquer coisa preciso de um bom emprego.
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