sábado, 18 de outubro de 2014

Pássaros de papel não voam

o CORPO de outro entrou no meu e foi a coisa mais impessoal na face da Terra.

A sensação é eterna e mais madura. Não importa quantos corpos passem por aqui, se metam aqui dentro, nenhum será como o dele, não vai ter amor maior do que aquele que eu senti naquele curto espaço de tempo.

Hoje eu sou toda lágrima. O meu corpo é uma lágrima. Meus órgãos e meus pensamentos são lágrimas.

Nunca mais pude comparar nenhum beijo, porque nenhum outro beijo superou o seu.

Acho que a gente segue só porque tem que seguir, porque aprende que não querer lutar é errado, porque aprende que tem que ser competitivo, né?

Vou te contar um segredo: Eu nunca competi com nada nem com ninguém em lugar nenhum. 

Eu só queria que naquele curto espaço de tempo ele me amasse. Que ainda hoje, ele me amasse.

Mas em certo momento-espaço da minha vida veio o destino e passou um machado, cortou o tronco do que eu acreditava que tinha, que era verdade. Me separou da continuidade de mim mesma, de cada um dos meus sonhos. Mas já estava tudo tão perdido mesmo que foi só seguir.

Eu consigo perceber o quanto eu mudei pela quantidade de tempo que duram minhas risadas. Gargalhadas são todas falsas, as minhas. Só pra todo mundo não se preocupar, pra fingir que está tudo sempre tão bem. Engraçada, eu sempre me perguntava porque algumas pessoas riam com tanta falsidade, com tanta força. Eu entendi.

É, eu entendi.

Mas eu não sei se ser isso é ser forte.

E eu sei que eu devia estar feliz, afinal, a vida só é boa com você quando você agradece de alma plena e se sente feliz.

Mas e se a vida me ensina a ser triste?


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Bienvenido Veraozinho lindo.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Matilha

Lá fora faz frio.
Aqui dentro se confunde com verao.
Nao na alma, na casa.
A alma desliza congelada.
Entao eu como bis. Toda uma caixa.
E envio músicas para as pessoas que me conhecem bem lá dentro e me julgam bem lá dentro, só pra eu sentir dor, só para parecer que possuo sentimentos.
Num é só para parecer, porque eu possuo.
Sentimentos.
Mas sempre me esqueço disso, entao a tortura é ficar lembrando, mandando músicas, como pedidos de socorro escritos na neve, comendo toda uma caixa de bis e fumando os meus cigarros. Todos eles. Um após o outro. Até eu comprar a próxima caixa.
Só pra eu lembrar que tenho pulmao, tossir e ver que estou viva. Às vezes lembrar que tenho pulmao dá uma sensaçao de ter sentimento. Mas é só porque o pulmao tá bem perto do coraçao. Num sei se ao lado ou por cima dele. Talvez por isso quando dói, aperta. O pulmao deve ficar tentando lembrar o coraçao que ele tem que bater. E por isso aperta. Dói.
Cada dia mais sinto umas garras crescendo bem fortes no meu peito. Nao, nao é tuberculose, deve ser angústia mesmo. Elas vem querendo rasgar tudo de dentro pra fora. Ainda nao sei se sao garras de lobo ou de leao. Mas há uma diferença bem importante entre elas.
Entao eu acordo e corro e grito, mesmo que silenciosamente, todos os dias.
Escuto músicas xamanicas e afasto pessoas com atitudes inaudíveis e palavras controversas.
Acho que me acostumei a ser sozinha. Ainda que eu devesse correr em matilha.
Esse tamanho de solidao nao deixa espaço para muita coisa.
Só pra uivar pra lua.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

To forgive, to forget

Como se percibe que todavía se posee un corazón?

Se camina, solo para sentir el viento y el sol. Es por esto que vivimos.

Gracias, ciudad.

Mi nuevo hobby: caminar

























segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"And I never wanted anything from you
Except everything you had
And what was left after that too. oh.

The dog days are over
The dog days are done
The horses are coming
So you better run"


Warming up this winter day...




We were so happy... together... so happy.

Where did I lose you?







segunda-feira, 22 de julho de 2013

Todos os dias ela acorda com o coraçao entre os dentes.
Já nao importa mais o que aconteça ou quantas pessoas ela conheça, é o gosto do sangue entre os dentes que ela reconhece todas as manhas. Como aquela eterna sensaçao de ter sido atropelada por um javali de meia tonelada.
Sua solidao vem acompanhada de multidoes e musicas que falam de amor.
Uma combinaçao esquisita de estar finalmente no lugar certo com o vazio da eterna sensaçao de estar sozinha.
O lugar a consola para sempre. Nao fosse essa outra vontade esquisita de sempre ir, de sempre deixar tudo para trás, como sempre fizeram com ela, antes que façam de novo.
Ela só queria correr com os lobos. Sao sua casa, os lobos. A única sensaçao nunca vivenciada, mas mais conhecida e reconfortante que todo o resto.
Eles sabem o que é ter um coraçao entre os dentes. Os lobos.
Sabem o que é uivar e nao poder.
Sabem ter um coraçao entre os dentes e sorrir sem que ninguém perceba.
Ela também.

domingo, 21 de abril de 2013

Separando o meu e o seu.

Ele. O violão. Ele na minha sala. A França e seu coração partido.
Eu. O computador e os cigarros. A Argentina e meu coração partido. Na minha sala.
Dedilhando músicas espanholas, flamencos, sua hiperatividade e sua paz.
Minha paz e minha cabeça em rodopio e ventanias.
Suas peripécias.
Minhas peripécias.
Nossas desventuras e confissões. Nossa paz.
Sua, a iminente partida.
Meu, o coração a ser rompido.
Seu rosto, seu desejo, minha paz.
Seu sorriso, que um dia foi meu, e sua irresistibilidade.
A França me encontra em Buenos Aires todos os dias, e nós não resistimos, todos os dias.
E por isso brigamos e ficamos mudos e nos odiamos e ousamos sentir o que não podemos e pensar o indizível.
E dói. Cada um de nossos traumas e cada um de nossos medos. Dóem.
Então decidimos nos afastar e ficar calados e desviar o olhar todas as vezes.
E escolhemos pensar: melhor assim... melhor assim.

sábado, 10 de novembro de 2012

Una señal...

Una señal...

E alguém que me ame até sem maquiagem, gorda, com o cabelo despenteado pela manhã, com tpm, lunar, solar, mesmo quando eu não sei fazer as malas ou esteja chorando, alguém que me dê apoio, colo, cuide de mim, me admire e me deseje, que não deseje ou queira outras garotas, ok, não por muito tempo e que não faça comparações de minha altura, de minhas gorduras, de minha beleza ou charme...
. Que não se deslumbre a toa. Que tenha consciência, que esteja presente. Valores. Que goste de crianças e cachorros. Alguém que saiba lidar com defeitos, que seja real, natural, sincero, que compartilhe em inclua e entenda que perfeição é ilusão. Que tenha caráter e verdade. Que saiba ceder e lidar com o tédio.

Uma alma humana e pacífica.

Que acredite no amor, mas naquele que é de verdade, pra valer, pra vida toda, que lute por isso.

Do meu lado, nunca contra mim.

Dog days are over.

E toda vez que tocar aquela música que me faz lembrar você dançando no meu quarto, eu vou dançar por você. E por amor a você.

The dark days are over...

Era pra ser uma vida toda... ou todas elas.

Agora há pouco...

Um colega de trabalho, casado há mais de 25 anos, levou a esposa ao hospital ontem para uma cirurgia simples. Ela tomou anestesia geral e demorou a retornar. Procedimento normal, mas ele ficou preocupado, também é normal. Quando ela retornou, ao vê-lo, começou a chorar, e ele também. Inclusive se emocionou agora enquanto estava contando a história.

Amor? Eu queria que fosse assim pra mim também.
Que mesmo após 25 anos, ou toda uma vida, ele ainda me olhasse da mesma maneira que me olhou no dia em que nos apaixonamos.

Love overcome all obstacles.

A última a crer

Meninas, a lição é simples: se um homem te ama, ele vai demonstrar, ele vai te procurar, ele vai se importar, vai fazer de tudo por você, vai te achar linda de qualquer jeito e vai te falar isso, ele vai querer te tocar o tempo todo, vai sentir desejo o tempo todo, mesmo que você esteja lavando a louça, ele vai se importar com seus sentimentos, vai querer ser o seu herói.

Se isso não existir, se ele não demonstrar, se ele desistir, se não quiser recebê-la na casa dele, o amor não existe.

Não se enganem. Se ele ama, tem que ser de forma declarada e exagerada.

O amor e o romance nunca são ridículos. Mas sim a única coisa que vale a pena, que se renova de forma espontânea eternamente.

Y la verdad?

Eu não me deslumbro.
Nunca escolho um homem pela sua beleza ou pelo status que ele me traz ou pela sua popularidade ou pela sua profissão.
Eu escolho um homem pelo que ele me fala, pelo que ele me faz sentir, porque me conquista.
Eu não me deslumbro. Eu escolho alguém pela verdade que nasce em mim.
O problema é que esses que jogaram comigo esqueceram de me falar a verdade, desde o começo.

Eu ainda acredito que o amor é mais forte que qualquer dificuldade ou distância.

Se desistiu é porque nunca houve amor.

E eu, mais uma vez, entrei na história, e saí dela, completamente sozinha.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sobre galanteios e essa porra toda... ou "O amor é loteria".

*

O amor morreu. Fui privada por tanto tempo desse sentimento que o amor acabou morrendo dentro de mim. Me tornei uma dessas pessoas frias e céticas. Amarga, com depressões e síndromes. Fui privada de toda forma de romance. Tão privada que agora acredito que não preciso mais. Elimino qualquer possibilidade de romance. Levo todos meus relacionamentos da forma mais leviana e frívola. Pra não sofrer, porque aprendi a não ter expectativas e porque sei bem o que não conheci. Ou o que definitivamente doei e não recebi. E não estou falando do romance ou do amor mercadoria, desses de propaganda de margarina, não é isso não. Não precisa abrir a porta do carro ou cozinhar pra mim. Nem ser exímio dançarino ou comprar presentes. É bem daqueles gestos mais simples que estou falando, me esperar com cheiro de café novo em casa, me dar carona em dias chuvosos ou quando já é madrugada e eu tenho medo da rua, sem que seja necessário pedir. É olhar lá no fundo dos meus olhos e identificar o tamanho da minha tristeza, me ligar durante a semana pra perguntar se eu estou bem ou só pra me lembrar de tomar o remédio. É me conhecer de verdade. Nunca me deixar esperando por uma resposta e quando eu pedir pra me levar pra casa que seja realmente pra casa e não pra cama. É me convidar pra viajar ou pra ver coisas refrescantes, porque sabe que minhas obrigações já pesam o suficiente. É pensar em um programa pra fazermos juntos, e não deixar pra decidir no último segundo pra acabar fazendo nada. É reservar um dia inteiro pra passar na cama comigo. Só na cama, sem notebooks, telefonemas, amigos, estudos, trabalho ou família pra atrapalhar. É se impor como homem e ser bem claro no que quer, ser homem quando eu preciso e segurar minha mão bem forte só pra eu sentir que estou viva. Dividir momentos, risadas e planos e não deixar pra me contar na última hora. É me pagar uma dose de uísque num show de blues e me deixar só dançar, enquanto fica quieto ali no canto me olhando. Não é necessário me ouvir, até porque eu nem falo muito, mas é essencial me entender, não como mulher, mas como ser humano, como amiga. É me buscar em casa, não importa o dia e a hora, de surpresa ou não, pra dar uma volta, pra pegar a estrada, pra ver a noite e as ruas, só pra depois me levar pra casa, enquanto a tristeza foge do meu peito. Dividir o silêncio, as bobeiras e as loucuras, sem diálogos mirabolantes, apenas não se incomodar com o silêncio, com a mão passeando na minha perna. Não é dizer que me ama, mas me fazer sentir isso com certeza.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tipo raro

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Ela tinha um tipo de câncer raro no coração. Só no coração. Não era dessas doenças generalistas. Era algo específico e raro. Era uma dessas doenças que deixam a pessoa bem cansada. Sem vontades. Sem ilusão também. Ela sabia que a vida era apenas um dia após o outro. Nada importava. Era tudo apenas sucessão de acontecimentos. Alguns eram bons, outros não. Ela sabia que o amor não existia, embora lá no fundo ela quisesse acreditar ou esperasse o contrário. Mas ela conhecia desde cedo as delicadezas de seu destino.Não conseguia mais acreditar em nada. Nem nela mesma. Então seguia caminhando por aí e se divertindo com amenidades. Conversando amenidades. Tentando sorrir quando recebia um sorriso. Mas nada além disso. E todos seguiam cobrando coisas dela. Porque uma coisa que ela aprendeu bem cedo era que sempre seria cobrada, por todos e por tudo, porque isso era tudo que as pessoas sabiam fazer. Cobrar e cobrar. Cobravam sua atenção, cobravam seu empenho, cobravam seu interesse, cobravam sua participação, sua opinião e sua alegria. Ela era generosamente egoísta. Mesmo acreditando que não era responsável pelas carências alheias, dava às pessoas tudo exatamente como elas queriam, só pra ver se, atingindo seus objetivos, as pessoas desistiriam dela. Seria tudo simples assim. Mas não era. Ela sempre era cobrada por mais e mais. Isso era bem difícil, simplesmente porque ela não queria reagir a nada e não achava as coisas e as pessoas tão interessantes assim. Ainda mais quando tudo e todos eram sempre tão carentes e desgastantes. Com seus egos sempre tão grandes, tão participativos e querendo mostrar opiniões relevantes e provar tudo o tempo todo. Ela só queria ficar na dela. Fazendo as coisas dela. Vivendo do jeito dela. E de vez em quando se divertir só um pouco com as coisas que aconteciam. Ela possuía um desses tipos de intensidade pra dentro. Não é um dos tipos de intensidade exibicionistas de pessoas que precisam provar que são intensas. É dessas intensidades que existem e dominam os donos, silenciando tudo, só para serem sentidas, geralmente levando à morte. Talvez por isso seu coração fosse sempre assim tão fraco.



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Censurem-me com tarjas pretas

Às vezes eu realmente acho que vou conseguir acessar um mundo paralelo. Como quando eu sou a única pessoa no 15º andar que consegue sentir a mesa vibrando como se estivesse passando um caminhão no teto. Ou igual a quando eu olho pela janela do 15º andar e não sinto a altura nem o rítmo da cidade acelerada. Apenas vejo aquele monte de luzes e me permito alienar como todo o resto.

Às vezes essa outra dimensão é aquele lugar pra onde sou arremessada sempre que sinto saudade. Eu sinto muita saudade. Então faço apostas mentais em cavalos imaginários fervidos em suor, guiados por Jockeys sem rosto. Só pra ver se esqueço. Acendo um cigarro que não habita meus dedos e trago um gole do melhor uísque que ainda não foi destilado. Só pra me acalmar. Só pra me acalmar. Censurem-me com tarjas pretas.

Fico imaginando que bom que seria o verão se eu pudesse dançar sobre os trilhos dos trens que habitam as cabeças dos semideuses. Brincando de semideuses. Quando penso em você é do sabor do cigarro que me lembro. Quando penso em você é do perfume errado que me lembro. Agora quando penso em você, penso em rosas roubadas de pizzarias fechadas. Penso também em partituras musicais e pequenas cartas de suicídio. Lembro da bronca. Penso que o Rio de Janeiro pode realmente ser mais bonito.

Lembro da vontade de vomitar que me deu quando você começou a pensar que eu amava seu amigo. Mas eu não amava e era tudo tão óbvio que eu só queria que você calasse a boca e me comesse. Então pra você me comer eu disse e fiz tudo errado. Foi tudo tão em vão. Porque você, justo você, era perfeccionista. E eu me esqueci que eu nunca poderia ser perfeita, por mais que eu tentasse, não pra você. Desde então todos os meus outros relacionamentos, semi-relacionamentos, semi-sentimentos, semideuses, rolos, ficantes, qualquer coisa, são comparados a você. E só eu sei, bem lá no fundo daquilo que chamam de alma, que ninguém nunca vai superar. Como naquela música brega que insiste em dar voltas de ciranda no meu cérebro, fica o
disco riscado bem na parte do “nothing compares to you”. Fico buscando em todos os outros um pouco de você.

Lembro de como as imagens daquele dia ficaram tão fortes numa memória que quase não existe. Eu bêbada te chamando, você descendo a escada com uma garrafa na mão, enquanto todos seus amigos davam em cima de mim e eu deixava. E da cara do taxista assustado quando subi no seu colo e disse que queria fazer tudo com você bem ali. Tudo que você quisesse bem ali. Só pra você entender que eu tinha escolhido você, não o seu melhor amigo. Era só você. E que aquela minha rebeldia toda era uma tentativa retardada de dizer com todos os poros o quanto eu queria ouvir eu te amo brincando na sua boca. Então eu fiquei presa na sua calçada, ali entre o batente da porta da sua casa e a porta do taxi. Com seu beijo entalado na garganta. Com a lágrima que nunca apareceu e a confusão de sentimentos que nasceram nos meus olhos, nos meus gestos e nas minhas durezas. Eu nunca mais voltei nem fui a mesma.

Tive que partir. Viajei e voltei. Mas em algum lugar entre você, o batente da porta, a porta do taxi, os erros na sua cama e o orgulho do seu melhor amigo, eu te perdi. Te perdi pro mundo. Pra todas aquelas dores e decepções de ilusões que você criou quando eu secretamente pedia apenas que você aceitasse minhas imperfeições. Logo eu que sempre acreditei com todas as minhas forças que tinha todo o direito de ser imperfeita. Eu só não esperava te encontrar.

Desde então tudo o que escrevo é pra você. Tudo o que sinto é pensando em você. Você me deu a consciência do quanto minha vida pode ser irreversível. Não importa quantas vezes eu volte. Não importa nem o número de vezes que eu substitua cada uma das minhas carências. Você está impregnado, é fato, é irreversível e você sequer merece tudo o que eu sinto. Desde então faço apostas mentais em cavalos imaginários fervidos em suor, guiados por Jockeys sem rosto. Só pra ver se esqueço. Acendo um cigarro que não habita meus dedos e trago um gole do melhor uísque que ainda não foi destilado. Só pra me acalmar. Só pra me acalmar. Censurem-me com tarjas pretas.

Eu sinto muita saudade. Mesmo quando sigo insistindo em amar todos os outros homens.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Meu sol de azulejo

Sorte de realejo para acalmar o pensamento.
Está longe de ser a história ideal.
De começo atropelado. Enredo teimoso.
Mas é o que satisfaz o presente. Até quando só eu acredito que ele é presente.
Meu presente.
Brigando com as pálpebras pra não sonhar que pode ser.
Aprendo a silenciar a boca e o coração.
Que é pra não assustar esse leão.
Assopro conta gotas e bebo dentes de marfins.
Fico muda e mudo a roupa pra brincar de conformada,
de madura. Porque o amor é duro.
Enquanto amar, dura. Amargura.
Meu sol de azulejo.
Você não está disposto e eu não encontro disposição.
De começo todo errado. Enredo de nós soltos.
De nós todos.

domingo, 20 de novembro de 2011

Dor a prazo

É de saudade que morre um coração. E essa distância já acabou com a gente.
Quando sequer houve um nós...
Já me perdi na distância do seu olhar. No sol na minha sacada.
Quantas pessoas no mundo cruzariam fronteiras por um capricho?
É de saudade que morre um coração. Dessa dor de ausência.
Minha falta de ar é o seu silêncio.
Por obséquio, seja sincero de uma vez e detone todas as minhas expectativas.
Não sei conviver com dor a prazo.

A contradição

*

Você coleciona pessoas.
Eu coleciono sentimentos.
Você gosta de coisas finas, de bom gosto.
Eu sou transcendentalmente desprendida.
Você é racional, eu visceral.
Você é equilibrado, eu sou brutal.
Você é um samurai, eu sou um caminhoneiro.
Você conhece o mundo.
Eu vou mastigá-lo sem sair do meu quarto.
Você ama a paz, eu sou o caos.
Seu hobby é dormir, eu sou hiperativa.
Você sempre teve relacionamentos longos,
eu nunca soube ser fiel.
Você é a certeza,
eu sou a antítese, a contradição.

*

Com a alma pelos trilhos...

Eu não quero ser apenas mais um dos seus caprichos de spoiled rich boy. Você é mais velho do que eu, mas não viveu metade dos meus dilemas. Não sou domesticável. Não vou mudar por você. Desapego e paciência são desafios meus. Coisas que você não entenderia. Não me subestime, garoto. Não sou um tipo previsível assumido pelas suas fantasias. Não vivo de imagens. Tenho alma de caminhoneiro, de pirata, e pra me encontrar você vai ter que pisar nessa estrada. Vai ter que enfrentar as piores tempestades. Eu nunca disse que a vida ao meu lado seria fácil e não entendo porque você me seguiu até aqui. Foi por sua própria conta e risco. Não me trate como se já me conhecesse, porque você ainda não entendeu o meu jogo. A verdade é que não jogo e conheço poucos homens de verdade dispostos a enfrentar tanta sinceridade. Conheço nenhum. A vida ao meu lado pode ser brutal, asfixiante. Mas só quem convive com tamanha dor aprende a dominar esse meu tipo de liberdade. Isso não é um recado, é uma advertência. Se você for corajoso como diz, garoto, lhe desejo boa sorte ao meu lado. Vai precisar.